Nightwish: entrevista de Tuomas para fã clube oficial no Brasil
Por Stefani Diniz
Fonte: Nightwish New Era
Postado em 27 de outubro de 2015
NEW ERA: Muitos sites elogiaram a performance do Nightwish no festival Rock in Rio. O site do G1, por exemplo, noticiou: "A banda definitivamente merecia tocar no palco mundo esta noite" e "O som com abordagem épica fez com que os fãs cantassem todas as músicas tocadas". A revista Rolling Stones escreveu: "Nightwish confirma seu sucesso com os fãs brasileiros em um show tecnicamente perfeito". Floor Jansen foi eleita a "melhor cantora" do RIR em votação feita no site da UOL, disparada do segundo lugar (14.1%, 4.873 votos). Floor ficou com 69.1% (23.320 votos). Como você se sentiu tocando em um dos maiores festivais do mundo, para tantos fãs brasileiros? Você esperava toda essa repercussão?
TUOMAS: Obrigado por compartilhar, eu não sabia disso. Isso é incrível! Não, eu realmente não sabia o que esperar, mas foi grande honra de, finalmente, ter a chance de tocar no Rock In Rio e com certeza fizemos o melhor, aproveitando cada segundo no palco.
NEW ERA: Ser uma pessoa famosa tem seus pros e contras. Quais as vantagens e desvantagens em ser famoso? Os sul-americanos são conhecidos por serem apaixonados e intensos. Qual limite deve existir na relação entre o ídolo e os fãs?
TUOMAS: A única vantagem, que eu posso imaginar, é que ocasionalmente eu pego para fazer coisas interessantes e projetos que não seriam acessíveis se eu não tivesse um certo status. Por exemplo, escrevendo a canção tema "Lohtu" para o projeto Live Aid Finlandês / Children’s Hospital 2017 – ou tendo uma chance de caminhar com meu camarada Tony Kakko, para promover o "Hobby de Caminhar em Trilhas" – para um programa de TV finlandês. Coisas como essa são realmente oportunidades fantásticas com um propósito.
Mas eu luto muito com a fama, mesmo imaginando que consiga lidar com isso. Atenção, reconhecimento e adoração me deixam extremamente desconfortável e, essa ilusão chamada "estrelato", eu realmente não aprecio. A música em si deveria ser o alvo da paixão, não as pessoas por trás dela.
Recomendo a todos que assistam o documentário inglês "Starsucker", que explica o fenômeno perfeitamente.
Mas novamente, eu já estive nisso, numa certa medida. Quando encontrei alguns de meus heróis, como Richard Dawkins, Don Rosa, Robin Hobb ou a The 3rd and the Mortal, meus joelhos vacilaram e minha câmera estava pronta em um instante.
NEW ERA: Seu trabalho não é fácil. Ter pessoas empenhadas e envolvidas se torna realmente importante, certo? Produtores locais, uma boa casa de show para tocar, organização…
TUOMAS: Nós temos um time fantástico e a melhor equipe técnica do mundo. Acredito fortemente que todos na caravana tem suas funções, tarefas específicas e concentração nelas. Não existe um controlador em nossa organização. A banda prefere não saber sobre certas áreas nos negócios. Eu nunca nenhuma necessidade de estar "no topo de qualquer coisa", a não ser da própria música. A gerência, promotores locais, equipe técnica etc. são todos de alto nível naquilo em que fazem e nós felizmente os deixamos reinar suas áreas no reino, debaixo de uma supervisão gentil, claro.
A paixão e o foco da banda está puramente na arte.
NEW ERA: Evolução é um tema extremamente interessante, e talvez a ciência tenha perdido um ótimo contribuidor! (haha). Digo isso, porque sou biológa, uma apaixonada por minha profissão. Mas, você se considera um extremista como Dawkins? Ou alguém que analisa os fatos, números, e enxerga a evolução como a melhor explicação possível?
TUOMAS: O Dawkins não é um extremista ou fundamentalista, isso é um mal entendido comum. Ele é franco e enfático, sim, mas não extremista ou agressivo. Ele tem uma abordagem científica para tudo, mas sempre uma mente aberta para discussão razoável e civilizada.
Mas ele não guarda mágoas com ideias sobrenaturais sem sentido ou sem fundamento. Sou muito parecido.
Evolução é um fato comprovado, no mesmo porte que a gravidade ou o fato que a Terra orbita o sol e não vice e versa. É a coisa mais linda e estrondosa que os olhos podem ver. Espero que nós possamos ser capazes de levantar alguma consciência sobre evolução pela seleção natural e a conexão de todas as coisas vivas com "Endless Forms Most Beautiful".
NEW ERA: "WE WERE HERE" se tornou um "grito de liberdade", nos shows do Nightwish. Um mantra… É isso? O objetivo foi alcançado? Fazer várias pessoas de todos os cantos do mundo, serem uma só voz por um momento?
TUOMAS: Quando escrevi isso eu nunca pensei que acabaria tendo tal efeito ao redor do mundo todo. Mas funciona muito bem, no contexto da música como também como um mantra vivo. Um belo símbolo de apreciação de nossa existência.
NEW ERA: Quando você escreveu "Dead Gardens", você disse que estava passando por um momento difícil, com um "bloqueio de criatividade". Você já passou por isso novamente, depois desse episódio?
TUOMAS: Nunca em tal escala como durante a composição de "Once". Espero que isso nunca mais aconteça.
NEW ERA: Eu percebi que você tem alguns hábitos durante o show. Como o de fechar os olhos nos primeiros minutos do show, e o de assoprar os dedos. Assoprar os dedos, eu imagino que tenha alguma relação com o uso dos teclados… Mas, fechar os olhos, é concentração, um momento de timidez, ou você nem havia percebido que faz isso? (Read in English here)
TUOMAS: Gosto de tocar com meus olhos fechados durante o show. Isso ajuda na concentração, para alcançar o essencial das músicas, criando um pequeno e adorável microcosmo pessoal, adorável ao longo do concerto.
Soprar os dedos… eu não consigo lembrar da origem disso, mesmo. É um hábito sem nenhum benefício prático pra nada, só parece legal ter uma brisa em um momento de suadeira dos infernos (risos).
NEW ERA: O fã clube Nightwish New Era, reuniu histórias dos fãs, sobre como a música do Nightwish foi e é importante, de alguma forma. Como você se sente ao saber que sua música muda a vida de muitas pessoas? O que você achou do livro "A LIFETIME OF STORIES", dos nossos presentes? E eu realmente gostaria de saber… O nosso vinho é bom? (haha)
TUOMAS: O livro ficou incrível, muito obrigado pelo belíssimo esforço. Vou guardar como tesouro.
O vinho foi um ótimo prazer também. Lembro-me dele descendo rapidamente, com um sorriso enorme em nossos rostos.
NEW ERA: Uma vez você disse: "Once I had a dream. And this is it". E hoje em dia, você ainda tem um sonho? Qual seria ele?
TUOMAS: Claro, eu tenho a minha cota de ambições a ser preenchida. Todos temos. No momento o meu sonho é aperfeiçoar verdadeiramente minha salsicha vegana – e receitas de pães de centeio (risos).
NEW ERA: Última questão. E já agradecendo antecipadamente por sua paciência e por ter sido muito gentil conosco pessoalmente. Você poderia deixar um recado aos nossos seguidores da New Era, e a todos os fãs de Nightwish?
TUOMAS: Toda nossa gratidão pelo suporte apaixonado, nós apreciamos demais isso. Obrigado!
ESCLARECIMENTO:
O Tuomas nos pediu para reforçar que ele não está no Facebook, Ttwitter ou Instagram. Ele não visita fóruns de discussões. E todos os perfis "Tuomas Holopainen" são falsos. Toda comunicação por redes sociais, é dada apenas por administradores e gerentes do Nightwish. Portanto, se você teve a impressão de ter tido um contato com o Tuomas através da internet, enfatizamos que não foi com o próprio Tuomas! Obrigada!
Entrevista feita por Stéfani Diniz | Tradução inglês: Felipe Fernandes | Tradução português: Renan Bolonha | Agradecimento: Eric de Haas
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