Fear Factory: é a música ao vivo que não pode ficar obsoleta

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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A banda norte-americana FEAR FACTORY volta ao Brasil para três shows no próximo final de semana. Na sexta-feira, 09, o quarteto formado por Burton C. Bell (vocal), Dino Cazares (guitarra), Mike Heller (bateria) e Tony Campos (baixo) se apresenta em Curitiba, no Music Hall. No dia seguinte, é a vez de São Paulo, no Clash Club (próximo ao Terminal Barra Funda). No domingo, a banda faz seu show no Teatro Odisseia, na Cidade Maravilhosa. Burton, inclusive, esteve bem recentemente no Brasil, a convite do MINISTRY, apresentando-se no Rock In Rio em show que foi considerado por alguns headbangers como um dos melhores do festival. Conversamos por telefone com Dino Cazares sobre música, filmes e ficção científica, ou, como ele prefere dizer, evolução tecnológica. Você confere a conversa logo abaixo.

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Daniel Tavares: Oi, Dino. Como vai?

Dino Cazares: Eu vou bem. E você, como vai?

Daniel Tavares: Muito bem. O FEAR FACTORY vai tocar em três cidades brasileiras, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. O que os fãs brasileiros podem esperar desses shows.

Dino Cazares: O que eles podem esperar é que nós vamos tocar o "Demanufacture" na íntegra, comemorando o seu vigésimo aniversário.

Daniel Tavares: Uau, esta seria minha próxima questão. E vocês estão planejando gravar algum desses shows no Brasil ou desta turnê, com o "Demanufacture" na íntegra, para algum lançamento futuro, um DVD por exemplo?

Dino Cazares: Não estou certo se haverá um DVD, mas nós estaremos filmando os shows ao vivo e depois vamos jogar no canal no YouTube, como usualmente. Então, vamos filmar a coisa toda.

Daniel Tavares: Obrigado. Agora vamos falar sobre o seu álbum mais recente. Alguns fãs dizem que tem notícias muito ruins pra vocês porque vocês vão ter que trabalhar duro, muito duro, para no futuro fazer um álbum melhor que o "Genexus".

Dino Cazares: Hahahaha

Daniel Tavares: Como vocês tem visto a recepção ao "Genexus" pelos fãs e pela crítica?

Dino Cazares: A recepção tem sido muito boa, sabe. Nós tentamos sempre dar muito duro no que fazemos. A única diferença entre o Genexus e outros álbuns que fizemos anteriormente é que nós tivemos tempo. Nós levamos cerca de um ano inteiro para fazer o álbum inteiro. E, hoje em dia, isso é meio raro. É meio raro tirar tanto tempo para fazer um álbum, porque as gravadoras querem que os álbuns sejam gravados em menos tempo. Por sorte, estamos na Nuclear Blast e o Martin Connor nos disse "fiquem à vontade". Então, tivemos nosso tempo, amadurecemos cada canção e conseguimos fazer o melhor que podemos.

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Daniel Tavares: Existe muito sci-fi em suas letras e temas. Eu também reconheci a parte "Tears in Rain" (N.T. Veja vídeo abaixo), do final de "Blade Runner" no final de "Genexus". Você pode nos dizer por que este tema, ficção científica, é tão importante pra você e pro Burton?

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Dino Cazares: Bem, nós sentimos que a ficção científica está se tornando realidade com a evolução da tecnologia. No "Genexus" nós falamos sobre o processo de similaridade, quando o homem e a máquina estão se tornando um, e no filme "Blade Runner", com os replicantes, nós temos esse tema, do homem e da máquina virando um. Então até usamos algumas partes do filme como referência para o álbum. Então achamos que o processo de similaridade não está tão longe, não é uma função muito distante e muitos cientistas já previram que nos próximos 35 ou 50 anos esta tecnologia já estará aqui. Então, nós queremos ficar em contato com todo esse conceito. Eu não o chamaria de ficção científica, mas sim de evolução da tecnologia.

Daniel Tavares: Alguns álbuns ficariam bem como trilha sonora de filmes de Hollywood, especialmente por causa desse tema homem x máquina, como "Matrix" e "Exterminador do Futuro". Que filmes vocês acham que dariam certo ter um álbum do FEAR FACTORY como trilha sonora.

Dino Cazares: Qualquer um, qualquer um dos que você mencionou, o "Exterminador do Futuro" mais ainda, certamente. Algumas canções também iria se encaixar muito bem no "Mad Max", sabe, no último "Mad Max". Eu acho que uma canção como "Genexus" iria encaixar direitinho no filme "Mad Max". Um grande amigo da gente, chamado Thomas Holkenborg", foi o cara que fez a trilha sonora do "Mad Max". Eu gostaria de ter sabido disso antes porque aí nós poderíamos ter possivelmente feito a trilha sonora juntos. Eu só soube depois. Nós achamos que o FEAR FACTORY é a trilha sonora para a vida de qualquer um, pois a tecnologia desempenha um papel importante na vida de qualquer pessoa.

Daniel Tavares: E sobre o "Industrialist", o álbum mais recente antes deste último, o álbum se tornou uma estória em quadrinhos. Você pode adicionar mais alguma informação sobre isso? Vocês vão trazer cópias do livro para vender como merchandising durante os shows?

Dino Cazares: Ah, você tem que perguntar ao Burton sobre isso. Foi mais uma ideia dele, é mais uma coisa pessoal. Então você tem que perguntar ao Burton sobre isso.

Daniel Tavares: O FEAR FACTORY encerrou as atividades como banda alguns anos atrás. E fez os fãs muito felizes quando anunciaram o retorno. E tem feito muito sucesso desde então. Existem muitas outras bandas que os fãs adorariam ver reunidas. O GUNS N' ROSES está sempre nos noticiários, assim como o brasileiro SEPULTURA. Que bandas você gostaria de ver de volta à sua formação original ou mais clássica, assim como você e o Burton se reuniram.

Dino Cazares: Oh, uau! Esta é realmente difícil de dizer. Eu acho que são aquelas em que os integrantes estão vivos, como os GUNS N' ROSES e o SEPULTURA, porque todo mundo ainda está vivo. Obviamente, não dá para ter alguns retornos, não dá pra ter um retorno do CREAM, porque alguns membros não estão mais conosco. Então, é realmente difícil dizer. Eu também não poderia falar do AC/DC porque, sabe, alguns daqueles caras não estão mais conosco. Então, eu não sei, GUNS N' ROSES, SEPULTURA, mas isso é com eles. Eu amo o SEPULTURA como eles estão também.

Daniel Tavares: Eu também gosto muito do SEPULTURA e do SOULFLY, de tudo o que eles tem feito depois que se separaram.

Dino Cazares: Sim. As vezes, as reuniões nem sabem do seu trabalho, se é que você me entende. As bandas que se reunem não sabem do seu trabalho.

Daniel Tavares: E qual é o segredo do FEAR FACTORY em estar juntos depois de tantos anos e fazendo álbuns ainda melhores que os anteriores, depois de tantos anos, depois do hiato, qual o segredo?

Dino Cazares: Está é uma boa pergunta. Eu acho que, sabe, ser relevante hoje é muito difícil. Quando eu e o Burton nos juntamos novamente, nós queríamos trazer de volta a vibe do FEAR FACTORY e eu acho que está ficando cada vez melhor.

Daniel Tavares: Eu tenho algumas questões de um grande fã de vocês chamado René Araújo, você pode mandar um alô pra ele?

Dino Cazares: Como está indo, René. É bom te conhecer e espero responder às suas questões.

Daniel Tavares: Muitas bandas e selos nadam contra a corrente da modernidade, deixando as mídias digitais em segundo plano. Recentemente, o FEAR FACTORY disponibilizou o "Genexus" na íntegra em streaming. De quem foi a ideia, da banda ou da gravadora? E o que vocês acham das bandas que lutam contra o digital, que não se modernizam e ainda esperam vender milhares de discos ao invés de usar a Internet a seu favor.

Dino Cazares: Bem, foi ideia da gravadora e da banda soltar o álbum em streaming um dia ou dois antes do lançamento oficial do disco. Isso daria oportunidade às pessoas de ouví-lo e talvez comprá-lo. Para nós, uma banda como o FEAR FACTORY, a maior parte das nossas vendas ocorre digitalmente. Sabe, no iTunes, na Amazon, nós vendemos muitos downloads através dessas plataformas. E o CD físico está obviamente se tornando obsoleto. Nós não vendemos muitos CDs. 70% das nossas vendas são digitais e o resto é que são CDs, ou vinis. Mas, nós temos conversado sobre a evolução da tecnologia e os CDs estão ficando obviamente obsoletos. Estamos rumando para ter tudo em vendas digitais. E as redes sociais desempenham um papel importante nisso, nosso canal no YouTube, o Facebook, o Twitter, etc, as redes sociais tem uma grande importância na venda de nossos álbuns.

Daniel Tavares: Ok. Na época do lançamento do "Demanufacture" não era muito comum alternar entre vocais agressivos e mais suaves. O FEAR FACTORY praticamente introduziu isso. E todos nós sabemos que existe um tipo particular de fã de metal, chamado troo, que odeia Nu Metal, Metal Core, AVENGED SEVENFOLD, SLIPKNOT, KORN, mas eu vejo que até esses caras tem respeito pelo FEAR FACTORY. O que você acha de ter esse respeito até deste tipo de fã tão radical, que não admite nada além de vocais agressivos do começo ao fim de uma faixa?

Dino Cazares: Nós não nos preocupamos realmente com o que outras pessoas estão fazendo, sabe. Nós só queremos estar onde estamos e fazer o que fazemos. Nós respeitamos todos os tipos diferentes de metal, seja thrash, seja industrial, seja Nu Metal ou o que quer que seja. Nós respeitamos e admiramos o que estas bandas trazem e contribuem para o mundo do metal. Enquanto for metal, está bem. O FEAR FACTORY tem sempre sido uma banda que se distingue do usual e cria seu próprio estilo. E nós sentimos que conseguimos. Nós sentimos que deixamos uma marca no Heavy Metal.

Daniel Tavares: Eu sei que vocês gostam do SEPULTURA, já excursionaram com eles e até já tocaram "Dead Embryonic Cells" e "Roots Bloody Roots" no palco. Mas eu faço esta pergunta para todos os meus entrevistados. Existe alguma outra banda brasileira que vocês gostem ou que tenha tido alguma influência na sua música ou no estilo de tocar?

Dino Cazares: Não houve realmente muitas bandas brasileiras que chegaram até meu conhecimento, além do SEPULTURA. Mas eu gosto de bandas como o KRISIUN.

Daniel Tavares: Eu gostaria que você deixasse uma mensagem para todos os seus fãs brasileiros, especialmente para aqueles que vão assistir aos seus shows em Curitiba, Rio e São Paulo, em nome da Metal Militia Web Radio e do Whiplash.net

Dino Cazares: Bem, o que eu quero dizer é que estaremos lá, estaremos fazendo o "DEMANUFACTURE" na íntegra, além de tocar outras canções. Eu também gostaria de dizer para vocês para apoiarem a música que vocês gostam, apoiem a música ao vivo, porque nós não queremos que a música ao vivo se torne obsoleta. Então, saiam, apoiem as suas bandas favoritas, porque se vocês não as apoiarem, elas (e nós) não serão capazes de ir a países como o Brasil e outros países, não seremos capazes de viajar pelo mundo e tocar nossa música ao vivo.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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