Dave Lombardo: nada de Slayer, nada de Megadeth, só PHILM

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Dave Lombardo é um dos maiores e melhores bateristas do mundo. Seu trabalho ficou internacionalmente conhecido quando participou da formação mais clássica do SLAYER, mas não se resume a ele. FANTÔMAS, GRIP INC e, mais recentemente, o trio PHILM (com Francisco "Pancho" Tomaselli no baixo e Gerry Nestler, na guitarra e vocal). Em 8 de fevereiro o trio estará no Brasil para uma apresentação no Manifesto Bar, em São Paulo (detalhes no cartaz abaixo) e conseguimos conversar com ele sobre esta apresentação. Como seria impossível deixar de fazê-lo, tentamos extender o assunto ao SLAYER, mas o baterista foi enfático mais de uma vez: "eu não quero falar sobre isto". E sobre os boatos de que entraria na banda de seu xará Dave Mustaine, Lombardo também foi enfático:"Não, eu não vou entrar no MEGADETH". Confira abaixo esta entrevista exclusiva de DAVE LOMBARDO para o Whiplash.net

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Primeiro de tudo, cara, eu tenho que dizer que é um prazer falar contigo. Eu sou um fã do seu trabalho. Então esta não vai ser apenas a entrevista de um jornalista. Vai ser uma entrevista de um fã. Mas vamos falar do PHILM primeiro, que é a principal razão desta entrevista. O que nós podemos esperar deste show em fevereiro, no Manifesto Bar, em São Paulo.

Dave Lombardo: Bem, vocês podem esperar três músicos no palco tocando muito rock pra valer, tocando algumas canções de ambos os discos, com muita energia, muito poder por trás desta banda. Sabe, vai ser um bom show de hard e heavy.

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Eu não sou de São Paulo, nem moro perto de São Paulo. Existe alguma chance de alguma outra cidade brasileira ser incluída mais tarde. Não nesta turnê, pois o show já vai ser em fevereiro, mas em alguma outra turnê futura?

Dave Lombardo: Eu espero que sim. Eu tenho falado com vários promotores e temos estado em contado, minha equipe tem estado em contato com alguns promotores obviamente no Brasil e isto pode ser o começo de mais shows que podem vir, não apenas no Brasil, mas possivelmente na América do Sul.

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De onde vem esse nome PHILM, existe algum significado por trás dele? Parece filme, de cinema, mas também parece uma sigla.

Dave Lombardo: Bem, o significado, o simples significado por trás de PHILM é a música sendo interpretada de formas cinemática, muito como trilhas sonoras. Os músicos com quem toco são capazes de expressar diferentes estilos de música com seus instrumentos e, sabe, criar a química agradável para estilos de música que não são apenas metal ou não só rock,são estilos diferentes.

Eu soube que você tem trabalho no negócio de filmes recentemente também. Você pode nos dizer algo sobre isso?

Dave Lombardo: Sim, eu fiz algum trabalho. O PHILM teve a oportunidade de criar uma pequena trilha sonora para um desenho animado, que é um episódio piloto e não sabemos se vai sair, espero que saia em breve... e eu fiz um pouco de trabalho para um estúdio onde eu criei algumas partes para o compositor... e também trabalhei na sétima temporada de Californication. É realmente excitante trabalhar com este estilo.

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Você é certamente o membro mais famoso do PHILM, mas a música da banda não tem apenas um bom trabalho de bateria, mas também grandiosas linhas de baixo, solos de guitarra e interpretação vocal. Como vocês chegaram a esta formação?

Dave Lombardo: Quando eu encontrei o Gerry... eu conheço o Gerry desde 1995, então nós ficamos em contato e conheci o Pancho em um workshop de bateria e eu vinha tentando encontrar um baixista para a banda porque eu não podia encontrar o original, mas consegui contatar o Pancho e ele concordou em trabalhar conosco. E temos trabalhado desde então e tem sido positivo, com dois discos lançados, e há mais música que estamos criando neste momento.

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O "Fire From Evening Sun" tem muitos estilos diferentes de música, inclusive incluindo um saxofone em duas canções. Eu não esperava por isso. Talvez ninguém esperasse. Eu acho que foi a mesma surpresa de quando eu ouvi "Money", do PINK FLOYD pela primeira vez. Eu acho que você está contente em usar o que quer que venha à sua mente na música que você está fazendo atualmente, estou certo?

Dave Lombardo: Sim, é liberdade de expressão, por assim dizer, é você não limitar a si mesmo de forma nenhuma. O que você está fazendo é adicionar mais à sua moldura, à sua arte. É frustante quando você só pode ir até alguns limites da música, sendo limitado.

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E como você tem visto a recepção ao "Fire From Evening Sun", tanto pela crítica quanto pelos fãs?

Dave Lombardo: Oh, tem sido recebido bem positivamente. Sabe, tem estado em muitas listas de lançamentos favoritos de 2014 de jornalistas, tem estado nas postagens. Tem havido uma resposta bem positiva ao álbum. Estamos muito felizes por ele, sabe. Nós estamos sempre tentando fazer as melhores peças de material que podemos, sabe. E quando ele é recebido bem, tem sido bom.

E quais são os próximos planos do PHILM, depois deste show?

Dave Lombardo: Depois do show, bem, eu acho que uma semana depois, uns doze anos depois para Nova York e pra região nordeste dos EUA, onde vamos fazer alguns shows em Nova York, Nova Jersey, Filadélfia e de lá para Europa. Vamos fazer uma turnê de três semanas na Europa, então, as coisas estão bem agitadas e nós estamos colhendo.

E sobre o GRIP INC.? Ainda há algum plano para esta banda?

Dave Lombardo: Não, não, esta banda morreu.

Você esteve recentemente no Brasil ano passado, você esteve esteve em vários workshops em várias cidades. Como foi essa turnê? Podemos esperar uma outra turnê como essa num futuro próximo?

Dave Lombardo: Sim, possivelmente. Eu prefiro sair em turnê com a banda ao invés de sozinho mas existe sempre a possibilidade de fazer novos workshops. Eu não vou parar totalmente com eles.

Você é uma influência para gerações de bateristas. E tendo estado em uma banda como o SLAYER, que é responsável não apenas por lançar clássicos, mas também por influenciar várias outras bandas. Depois do SLAYER, um número incontável de bandas apareceram com algo como um som de SLAYER. Como você se sente por ser a inspiração e motivação para legiões de músicos?

Dave Lombardo: Eu me sinto honrado, pra dizer o mínimo. Sabe, eu estou apenas fazendo o que amo, não apenas algo que aconteceu de eu ser Então eu acho que é algo que vem junto com o trabalho. Você tem que ser criativo e continuar fazendo o que você ama, então, você inspira as pessoas. Eu acho que é grandioso. Estou honrado.

E quais são as suas próprias influências? Existe algum artista cubano na lista?

Dave Lombardo: Eu ouço muitos tipos diferentes de músicas ao longo do dia, e muitos tipos de músicas me inspiram de maneiras diferentes. E há artistas por aí que são, sabe, melhores que outros e que eu gosto de ouvir, mas dizer qual em particular é realmente difícil. Eu acho que a questão é qual o tipo de jam eu gostaria de fazer em seguida, se é música latina, se é country, se é punk, ou jazz ou industrial. Esta é mais a questão, não apenas limitada a com quem eu gostaria de trabalhar.

E sobre o MEGADETH. Nós temos ouvido rumores que...

Dave Lombardo: Não, eu não estou entrando no MEGADETH.

Posso lhe perguntar quais as suas visões a respeito de religião, porque uma banda como o SLAYER tem canções como "Altar of Sacrifice". Quando eu era adolescente e ouvi "Altar of Sacrifice" pela primeira vez, não consegui dormir à noite. Você gostaria de falar sobre isso?

Dave Lombardo: Ah, sabe, este é um tópico difícil no mundo hoje em dia. Eu realmente não gosto de falar sobre isso. Eu sou uma pessoa espiritual, mas não me importo em seguir nenhuma em particular então, apenas, é o que é.

Eu não vou te perguntar sobre o que aconteceu em 2013 e como você deixou o SLAYER (ou o SLAYER te deixou). Isto já foi amplamente discutido pela mídia. Mas, para mim, como fã, esta é a oportunidade para falar sobre os primeiros tempos do SLAYER. O que você pode nos dizer sobre aqueles quatro jovens rapazes, Tomás, Kerry, Jeffrey e você próprio? O que você pode nos contar sobre aquele tempo quando vocês quatro se juntaram em um grupo para tocar?

Dave Lombardo: Sabe, eu não posso te dizer nada sobre isso porque se eu te disser algo sobre isso, todo mundo na mídia vai... eu prefiro não falar nada sobre algo como isso.

E você teve algum contato com Kerry ou Tom depois de 2012?

Dave Lombardo: Eu disse que não quero falar sobre isso.

E sobre os sons brasileiros, eu sempre pergunto isso para meus entrevistados, que bandas você conhece e o que acha delas, além do SEPULTURA, claro?

Dave Lombardo: Bem, obviamente tem o SEPULTURA e obviamente tem o ANGRA, mas eu amo a música brasileira. Eu não conheço nenhum artista em particular, mas eu amo os sons, eu amo as batidas, obviamente. Então é definitivamente uma coisa boa, tem uma vibe boa.

Bem, eu estive preocupado durante todo esse tempo porque você me disse que estava dirigindo e eu gostaria de terminar esta entrevista mas eu gostaria de te pedir por favor para deixar sua mensagem para todos os seus fãs brasileiros, a base de fãs do PHILM (que está crescendo), fãs do FANTOMAS, fãs do GRIP INC. e também para os fãs do SLAYER, especialmente para aqueles que vão comparecer ao seu show com o PHILM e, principalmente, para aqueles que vão ler esta entrevista no Whiplash.net ou vão ouvi-la no programa TAVERNA METAL ou na rádio XMERA. Você nos daria esta mensagem?

Dave Lombardo: Sim. O PHILM e eu mal podemos esperar para nos apresentar no Brasil. Eu estou realmente com muita vontade de trazer minha nova banda pra aí. Estou excitado. Estou honrado e estou feliz que o povo brasileiro esteja abraçando esta música e estou com vontade de vê-los todos.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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