Rio de Metal: entrevista com a banda Barizon
Por Sigried Neutzling Buchweitz
Fonte: Rio de Metal
Postado em 08 de junho de 2014
Barizon é uma banda novíssima da capital, formada por cinco amigos já conhecidos na cena underground carioca. Começou de forma despretensiosa, mas acabou evoluindo para um trabalho consistente que até o momento resultou num álbum full length e muito provavelmente diversos outros no futuro. No meio da grande mistura sonora que vai do heavy metal tradicional ao grunge, o stoner se sobressai. Confiram abaixo a entrevista!
Então, como se reuniram os "guerreiros da noite", para formar essa banda? Vocês mencionam como infuências as bandas Pantera, Anthrax, Down, Alice in Chains, Red Fang e Mastodon.
Resposta (Marcelo): Tudo começou no fim de 2011, inicialmente comigo (Marcelo), Gabriel "Bil" Zander e Alexandre Barbosa, no Estúdio Superfuzz (de propriedade do Bil). Eu no baixo e eles nas guitarras. Foi sem pretensão nenhuma, era só um encontro pra tocar alguns covers de metal que sempre gostamos mas nunca havíamos tocado, devido a nossas bandas (Plastic Fire, Zander, StripClub) serem autorais e voltadas ao hardcore/punk rock/alternativo. Começamos com Metallica e Pantera. Mas foi em 2012 que a banda tomou forma, quando Bil convidou seu amigo de infância e ex-parceiro de Noção de Nada (banda que formaram nos anos 90), o guitarrista Eduardo Sodré (Nipshot), vulgo "Palhaço". Sendo assim, Barbosa passa para o vocal (função que já desempenhava muito bem no StripClub) e Felipe, meu parceiro de Plastic Fire, naturalmente ocupa o posto de baterista. Nâo imaginávamos que tomaria a forma que tomou.
Como se dá essa mistura? Me chamou muito a atenção a forma inusitada com que o álbum inicia, parece que a música está no meio.
Resposta (Marcelo): Além dessas bandas já citadas, também tocávamos Motorhead, Black Sabbath e AC/DC... mas a influência não se resumia somente à essas bandas mais conhecidas. Piramos muito em stoner/sludge/doom metal. Talvez seja essa a diferença, aliado ao thrash metal, que ajudou a moldar nosso som. Outras bandas, relativamente novas, como Hellacopters, Airbourne e Turbonegro também podem entrar nessa mistura aí. Mas acredito que o fator principal seja mesmo a influência particular de cada um e a liberdade que tivemos para criar, que resultou num processo muito aberto, democrático, sem egocentrismo, sem 'liderança'. Não fixamos nenhum padrão a seguir na hora de compor e todos participaram efetivamente de todo o processo, que no final agradou em 100% todos nós. Creio que o Mastodon seja um grande exemplo, não só como influência, mas como uma banda difícil de se classificar em um estilo só.
(Barbosa): Gostamos da idéia de começar com a pressão da banda inteira tocando junta. E essa introdução me soa como uma pregação, um anúncio, tanto pela letra quanto quanto pelo vocal. Na hora que gravamos, já imaginei como sendo uma boa abertura pro disco.
Isso tem a ver com o que foi escrito no release de vocês, sobre o cenário de caos, onde "selvagens armados de riffs explosivos ditam o ritmo do que parece ser uma guerra nas ruas, onde o único objetivo é manter-se vivo"?
Resposta (Marcelo): (Risos) Na verdade isso é uma versão "épica" do nosso release feita pelo amigo Cyro Sampaio (menores atos, Incendiall) que acompanha a banda desde o início. É uma piada interna que sempre fizemos nos ensaios, principalmente no início quando só tocávamos cover e os ensaios eram regados a muita cerveja e quase sempre tinha algum/alguns amigo(s) por lá, era quase como um show. Brincávamos com clichês do metal, imaginávamos tocando em grandes festivais, essas coisas. Além de sermos fãs do filme The Warriors (Guerreiros da Noite) e sua versão dublada à la Sessão da Tarde. Tanto é que na música "Streets of Rage" colocamos trechos do filme no meio da música.
Outra coisa inusitada foi disponibilizar as faixas do álbum integralmente na Internet antes de lançar o álbum físico. Por que essa decisão?
Resposta (Marcelo): Simplesmente pela demora em sair o disco físico e por termos finalizado tudo ainda em 2013. Tanto é que os primeiros singles, "Summertime" e "Streets of Rage", foram lançados a partir de setembro. Nessa época assinamos com a Monstro Discos e iniciamos as conversas sobre o lançamento. Mas como todos sabem, fim de ano o Brasil não funciona, muito menos pra lançar CD. Resolvemos fazer com calma. Nós mesmo nos damos "férias", a Monstro entrou em um pequeno recesso...
No fim de janeiro o disco foi pra fábrica. Já cientes da demora pra chegar, resolvemos acabar logo com a ansiedade do público - e nossa também - e fizemos uma parceria com o site Tenho Mais Discos Que Amigos para lançar um novo single e logo em seguida o disco todo. Já estávamos em negociações para o show de lançamento, então era importante o público ouvir o disco com antecedência. Ainda mais tendo em vista que hoje em dia não se vende mais cd como antes. O importante era a galera conhecer o som.
Conte-me sobre a gravação, feita durante o Carnaval e sobre o lançamento do álbum físico.
Resposta (Marcelo): A gravação foi toda feita no Estúdio Superfuzz, o QG ofical da banda, no Humaitá. Teve inicio no carnaval de 2013. Enquanto rolava a festa da carne, lá estava Felipe gravando a bateria, cujo técnico foi Pedro Garcia (baterista do Planet Hemp e produtor do estúdio Canto dos Trilhos em Santa Teresa). Logo após vieram as guitarras e o baixo. A fase inicial de gravação também contou com a assistência dos paulistas Dan Souza e Fernando Uehara (ambos do Bullet Bane e TOTH Estúdio/SP). Outra pessoa importante foi Fellipe Mesquita, o assistente que participou de todo o processo de gravação.
Foram ótimos momentos, sempre tranquilos e com muita entrega de todos. Nesse processo, algumas músicas tomaram novas e fundamentais formas, principalmente na bateria e no vocal. A produção ficou por conta da própria banda.
Conte-me sobre os seus shows recentes.
Resposta (Marcelo): No caso, foi só um show até agora. O de lançamento oficial do disco e nosso primeiro na cidade. Ocorreu no Saloon 79 em Botafogo e fez parte da "Evil Nights#1", novo projeto da Abraxas Produtora em parceria com o Superfuzz que vai rolar uma vez por mês às quartas-feiras. Contou também com o Son of a Witch, de Natal (RN), excelente banda de stoner. No geral, foi muito bom. Estávamos louco pra tocar logo, e o público respondeu muito bem. Que venham outros mais!
Vocês vão escolher alguma das músicas desse primeiro álbum para um clipe?
Resposta (Marcelo): Perfeitamente. Adianto em primeira mão aqui no blog que já está em fase final de produção o clipe de "Entertainment", primeira música do álbum. Será todo em animação. Em breve divulgaremos a data do lançamento.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
As músicas que Steve Harris, do Iron Maiden, se recusava a ouvir no carro
Chuck Billy, do Testament, corta os cabelos compridos e mostra novo visual
Jairo Guedz conta o que ouviu de Andreas Kisser sobre sua saída do Sepultura
Scorpions confirma primeiras datas na América Latina em 2027
A coisa no Iron Maiden que só Bruce Dickinson faz bem, segundo Steve Harris
Scott Ian considera AC/DC com Bon Scott "a melhor banda de todos os tempos"
A música do Queen que Brian May quase proibiu de ser usada em propaganda; "Eu gosto de dinheiro"
Chuck Billy (Testament) lembra de quando tentou ser vocalista do Sepultura
Dave Grohl desabou em lágrimas após tocar "Highway to Hell" com o AC/DC
Os 50 melhores discos ao vivo dos anos 70 segundo a Spin; Led Zeppelin ficou longe do topo
O presente de Paul Di'Anno que Nicko McBrain guarda até hoje com orgulho
Raimundos - há 26 anos, o "MTV Ao Vivo" registrava uma das fases mais intensas da banda
O dia que Lobão e Cazuza cheiraram sobre caixão em homenagem a um grande amigo
A banda que Keith Richards achava vazia e Paul Stanley põe no topo do rock
O clássico de sua carreira que Eric Clapton não curte: "Ainda não gosto, mas respeito"
O álbum dos anos 80 que para Bruce Dickinson é "simplesmente perfeito"
A resposta de Prince após Caetano Veloso o confrontar: "Escuta, isso é desagradável"

Marilyn Manson: "Sou ainda pior fora do palco"
Dream Theater: Myung não tinha planos de ser baixista



