João Gordo: Eu sou punk, mas não sou o Sid Vicious
Por Pedro Zambarda de Araújo e Durr Campos e Diego Camara
Postado em 02 de junho de 2014
Após a coletiva de lançamento do disco "Século Sinistro", no dia 30 de maio de 2014, o vocalista João Gordo (João Francisco Benedan) puxou um papo com a equipe da Whiplash.net. Ele criticou a cobertura da grande mídia, de veículos como a revista Veja e a TV Globo, nos protestos que começaram em junho de 2013. "É a repressão, cara. A polícia desce o cacete nos manifestantes, nos Black Blocs, ocorrem prisões e essa imprensa cretina dá retaguarda pra esses caras. A política brasileira inteira está uma merda, e é só ver a transformação do Lula até a presidência, muito diferente dos comícios. Não vejo muita saída, mas os protestos sem violência não vão ocorrer", disse o cantor.
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Mas João Gordo não falou só sobre isso. Confira abaixo algumas perguntas que ele respondeu à Whiplash.net.
Cara, que história é aquela de que você recebeu 40 mil reais da igreja?
João Gordo: Foi o salário que eu tive lá. Tem trouxa escrito na minha testa? Tinha dívidas, casa pra construir e filhos pra criar. Ganhei 40 paus por mês nos três anos que trabalhei na TV Record. Mas é um lixo estar ali. Eu cumpri meu contrato direitinho, apesar de ter pisado na bola e até me trataram bem um tempo. Mas botaram numa geladeirinha quando precisou, sabe? Sem dar muito destaque pro cara, aquele escroto. Mas o salário, olha, compensava. Faz as contas: 40 mil vezes 36.
Estamos vendo o disco novo de vocês do Ratos de Porão e gostaríamos de saber: As letras tem a ver com os protestos e os Black Blocs de São Paulo?
JG: É a nossa realidade, né cara? É a realidade Brasil-horrível e Brasil-merda. Povo escroto fascistão, político corrupto, impunidade e treta...
Ou seja, é basicamente o que o Ratos sempre falou desde o primeiro disco, não?
JG: Tudo isso, exceto consumo de droga, talvez. Hoje a gente nem usa mais. Eu nem curto mais pó. E não é politicamente correto isso, eu só estou velho.
Se você escrevesse hoje uma música sobre pó [cocaína], como ela seria? Se tornaria uma letra maluca, mesmo não usando mais?
JG: Tem a "Toma Trouxa", do disco "Guerra Civil Canibal" (2000), mas não vejo muito sentido em escrever algo assim agora, sério.
Gordo, o que você faria se encontrasse o Dado Dolabella hoje em dia?
JG: Nada, cara. Aquela merda que aconteceu lá atrás [Dado e João Gordo brigaram em um programa da MTV] não vale mais nada. Que se foda...
João Gordo, o que é ser punk hoje em dia? Você é punk? Não enche o saco quando aparecem moleques dizendo que você traiu o movimento?
JG: Cara, eu sou punk, mas eu tenho 50 anos hoje. Punk tem a ver com o "faça-você-mesmo", mas hoje eu tenho contas pra pagar. Não dá pra eu ser jovem o tempo inteiro. Vou ser, tipo, o Sid Vicious? Ou não sou o Sid Vicious. E essa galera novinha, que nem viveu a época, fala isso porque vive na internet. Como eles ficam na rede, aquela é a realidade deles. Então esses comentários ruins que fazem de mim eu nem ligo. Tô cagando mesmo.
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