João Gordo: Eu sou punk, mas não sou o Sid Vicious

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Por Pedro Zambarda de Araújo e Durr Campos e Diego Camara
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Após a coletiva de lançamento do disco "Século Sinistro", no dia 30 de maio de 2014, o vocalista João Gordo (João Francisco Benedan) puxou um papo com a equipe da Whiplash.net. Ele criticou a cobertura da grande mídia, de veículos como a revista Veja e a TV Globo, nos protestos que começaram em junho de 2013. "É a repressão, cara. A polícia desce o cacete nos manifestantes, nos Black Blocs, ocorrem prisões e essa imprensa cretina dá retaguarda pra esses caras. A política brasileira inteira está uma merda, e é só ver a transformação do Lula até a presidência, muito diferente dos comícios. Não vejo muita saída, mas os protestos sem violência não vão ocorrer", disse o cantor.

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Mas João Gordo não falou só sobre isso. Confira abaixo algumas perguntas que ele respondeu à Whiplash.net.

Cara, que história é aquela de que você recebeu 40 mil reais da igreja?

João Gordo: Foi o salário que eu tive lá. Tem trouxa escrito na minha testa? Tinha dívidas, casa pra construir e filhos pra criar. Ganhei 40 paus por mês nos três anos que trabalhei na TV Record. Mas é um lixo estar ali. Eu cumpri meu contrato direitinho, apesar de ter pisado na bola e até me trataram bem um tempo. Mas botaram numa geladeirinha quando precisou, sabe? Sem dar muito destaque pro cara, aquele escroto. Mas o salário, olha, compensava. Faz as contas: 40 mil vezes 36.

Estamos vendo o disco novo de vocês do Ratos de Porão e gostaríamos de saber: As letras tem a ver com os protestos e os Black Blocs de São Paulo?

JG: É a nossa realidade, né cara? É a realidade Brasil-horrível e Brasil-merda. Povo escroto fascistão, político corrupto, impunidade e treta...

Ou seja, é basicamente o que o Ratos sempre falou desde o primeiro disco, não?

JG: Tudo isso, exceto consumo de droga, talvez. Hoje a gente nem usa mais. Eu nem curto mais pó. E não é politicamente correto isso, eu só estou velho.

Se você escrevesse hoje uma música sobre pó [cocaína], como ela seria? Se tornaria uma letra maluca, mesmo não usando mais?

JG: Tem a "Toma Trouxa", do disco "Guerra Civil Canibal" (2000), mas não vejo muito sentido em escrever algo assim agora, sério.

Gordo, o que você faria se encontrasse o Dado Dolabella hoje em dia?

JG: Nada, cara. Aquela merda que aconteceu lá atrás [Dado e João Gordo brigaram em um programa da MTV] não vale mais nada. Que se foda...

João Gordo, o que é ser punk hoje em dia? Você é punk? Não enche o saco quando aparecem moleques dizendo que você traiu o movimento?

JG: Cara, eu sou punk, mas eu tenho 50 anos hoje. Punk tem a ver com o "faça-você-mesmo", mas hoje eu tenho contas pra pagar. Não dá pra eu ser jovem o tempo inteiro. Vou ser, tipo, o Sid Vicious? Ou não sou o Sid Vicious. E essa galera novinha, que nem viveu a época, fala isso porque vive na internet. Como eles ficam na rede, aquela é a realidade deles. Então esses comentários ruins que fazem de mim eu nem ligo. Tô cagando mesmo.




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Sobre Pedro Zambarda de Araújo

Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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