Noturnall: É bom ter um disco honesto onde a música tomou conta
Por Écio Souza Diniz
Fonte: Pólvora Zine
Postado em 27 de maio de 2014
Formada em 2013 por Thiago Bianchi (SHAMAN, vocal), Fernando Quesada (SHAMAN, baixo e violão), Léo Mancini (SHAMAN, TEMPEST, guitarra e violão), Junior Carelli (SHAMAN, teclado) e Aquiles Priester (ex-ANGRA, HANGAR, bateria), a banda NOTURNALL acaba de lançar o seu debut homônimo. Produzido por Russell Allen (SYMPHONY X, ADRENALINE MOB), o registro mostra a força de um supergrupo que vem trazer novos ares ao Metal nacional e mundial, com um metal progressivo de primeira qualidade que foge do tradicional. Nessa entrevista Fernando Quesada fala um pouco sobre o disco e as expectativas com este início de carreira.
Pólvora Zine: A banda é formada por integrantes da Shaman e Aquiles Priester (HANGAR, ex-ANGRA). Como surgiu a ideia de trabalharem juntos?
Fernando Quesada: Eu, Thiago, Leo e Juninho temos um entrosamento e uma química muito boa, tocando juntos desde o SHAMAN. Quando houve a pausa na banda, nós decidimos não nos separar por conta da felicidade de tocarmos juntos e por sempre acreditarmos que poderíamos fazer ainda muito mais juntos. Foi neste momento que começamos a pensar em um novo baterista, e não veio outro nome em mente a não ser Aquiles Priester! Queríamos alguém em forma, com a técnica 100% e com sangue nos olhos para conseguirmos fazer linhas de baterias inacreditáveis para as músicas que já estavam em fase de finalização. Nós já nos conheciamos da estrada de shows e resolvemos juntar as forças para fazermos uma nova banda juntos. Hoje tenho certeza que toco com alguns dos melhores músicos do país, e é realmente um sonho poder tocar com essa formação.
P.Z: Como se deu a escolha do nome da banda?
Fernando – Eu, Thiago e o nosso produtor executivo Franz Bedacth ficamos discutindo sobre nomes e conceitos por muito tempo. Foi quando o Thiago apareceu com esse nome no meio de muitos outros e ele nos convenceu rápido. Ele pegou o nome da música que tinha a participação de Russel Allen nos vocais, que é Nocturnal Human Side, e misturou com a nossa situação que, naquela época, estava, digamos, "sem volta": "No Turn at All". Resultado? NOTURNALL!
P.Z: Como se deu o processo de composição do disco?
Fernando: Esse disco já estava sendo composto há muito tempo. Era pra ser o novo álbum do SHAMAN. Eu e Thiago começamos esse processo de composição há mais de dois anos atrás! Depois de um tempo, Juninho e Leo entraram no processo para darmos cara final nas músicas. Esse disco foi diferente, pois ele é extremamente verdadeiro e reflete a fase agressiva, complexa e ao mesmo tempo libertadora que estávamos passando na época. Todas as músicas trazem na cabeça sentimentos do momento em que estávamos compondo. É muito bom ter um disco honesto onde a música tomou conta e nos guiou. Eu e Thiago fizemos então uma demo com bateria eletrônica e começamos a mostrar para os outros da banda, para formatarmos as idéias. Ao final veio o Aquiles e compôs linhas de bateria que realmente esperávamos em um disco. Foi muito bom compor com esse time.
P.Z: O disco foi produzido por Russel Allen (SYMPHONY X, ADRENALINE MOB). Expliquem um pouco como se deu a escolha dele como produtor. Quais foram suas principais contribuições?
Fernando: Nós conhecemos o Russel em alguns shows fora do país com o Shaman e depois tivemos a oportunidade de nos revermos no Metal Open Air, aqui no Brasil. O convidamos para fazer a participação na música Nocturnal Human Side, e ficamos muito surpresos e felizes quando ele aceitou participar. Em nossa viagem para Nova Iorque para a gravação do clipe da música, acabamos fazendo uma amizade maior e ele começou a falar sobre as músicas, e decidimos chama-lo para produzir tudo. A participação dele foi fundamental na maturidade das músicas e nas linhas vocais. Ele é um profissional muito competente.
P.Z: A arte da capa é um tanto peculiar e soa bastante agressiva. De onde surgiu o conceito da capa?
Fernando: (Risos) É exatamente como eu me sentia parado, sem poder tocar com o SHAMAN, esperando a boa vontade e agenda criar uma oportunidade para podermos fazer um som. Quando o Carlos Fides (Designer da capa) nos apresentou essa idéia com a menina da capa, sabíamos no mesmo momento que era exatamente aquilo que estávamos procurando. Um grito desesperado, raivoso, cheio de poder que pudesse controlar um furacão. Gosto muito dessa capa.
P.Z: Os vocais de Thiago Bianchi surpreendem nesse disco, com timbres que vão de agudos aos graves, de tons suaves aos mais agressivos, com extrema facilidade. Fale-nos sobre o desenvolvimento das linhas vocálicas nos conceitos das músicas.
Fernando: O Thiago canta muito! Ele é muito técnico e muito versátil. Conseguimos tirar essa versatilidade dele nesse disco. Ele pôde se soltar e criar uma identidade para o NOTURNALL, colocando a voz do jeito que bem entendia. O Russel ajudou muito com as linhas e métodos de gravações também.
P.Z: O que representa para a banda o disco ter batido o recorde de pré-vendas da loja Die-Hard?
Fernando: Reconhecimento de todo o nosso trabalho e batalha que viemos enfrentando.
P.Z: Em Março aconteceu em São Paulo o show de lançamento do disco com a participação de Russell Allen, além da gravação do primeiro DVD da banda. Contem um pouco como foi o show.
Fernando: Esse show foi realizado por alguns motivos. Há 13 anos o Thiago descobriu que sofria de câncer. Naquela época ele tinha prometido que se 13 anos depois ele estivesse curado, ele faria algo para ajudar a causa. Portanto, desde o começo do ano, já começamos a programar um show beneficente. Depois tivemos a idéia de fazer um DVD desse show, por tudo o que a banda estava passando e como estava sendo bom tocar com o NOTURNALL. Resolvemos apressar um pouco as coisas e fazer diferente. Filmar um DVD no primeiro show da banda! Quem sabe no último também não tem outro DVD e podemos comparar? (Risos)
P.Z: Tem havido divulgação consistente no exterior acerca do álbum? Há possibilidade de turnê na Europa no curto prazo?
Fernando: Sim. Estamos com empresários muito bons, e o disco está sendo lançado fora do país. Com certeza iremos marcar algo ainda este ano na Europa.
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