Therion: entrevista com Christopher Johnsson
Por Monica Prado
Postado em 27 de abril de 2014
A banda sueca ‘Therion’ combina um metal pesado, sinfônico e ópera num só lugar. Eles são gênios musicais, não há dúvida sobre isso, e estarão em turnê sul-americana e México no próximo mês. Liderados por Christopher Johnsson, ele farão uma única apresentação no Brasil, em São Paulo, no dia 18 de Maio. Com quase 27 anos de banda e 16 álbuns eles tem muita coisa prá contar, e essa entrevista concedida por telefone exclusivamente à Whiplash.net mostra um pouco dessa trajetória.
Aos 15 anos, quando começou a tocar baixo, quais bandas você costumava ouvir?
C. Johnsson: Na maior parte do tempo eu ouvia as bandas do início do metal, deixe-me lembrar, Iron Maiden, Slayer, Venom, Motorhead, basicamente isso.
Durante os 27 anos liderando o Therion, você encarou algumas dificuldades relacionadas a dinheiro. Como você administrou isso?
C. Johnsson: Bem no começo da minha carreira foi muito difícil. Eu lembro de que toda vez que eu pagava o aluguel eu não tinha ideia de como seria no próximo mês ou nos meses seguintes, eu lembro que havia duas lojas de alimentos com preços baixos, bem próximas uma da outra, e normalmente havia alimentos com preços mais baratos em uma e então eu comprava, e só o que estava em promoção na outra eu comprava também. Com o tempo as coisas começaram a melhorar, nós finalmente atingimos certa maturidade e começamos a ter um público maior. Em 95 teve início a melhora, foi quando começamos a atingir um ponto de estabilidade, e em 97 foi o primeiro ano em que eu consegui ter um salário que podia ser comparado a um salário de qualquer outra pessoa (risos). Em 98 conseguimos duplicar as vendas e ter certo lucro, pois naquela época os custos com gravação não eram tão altos como hoje em dia, então neste ano o caminho se tornou melhor.
Eu sou muito grato por esses anos difíceis, de qualquer maneira, porque se eu tivesse feito muito sucesso no começo, com muita fama e dinheiro, ter tudo isso quando se é jovem, eu vejo isso acontecer com muitas bandas, isso sobe à cabeça, é importante ter que lutar por algo, então eu realmente dou valor a este período.
Alguns ex-integrantes da banda tiveram problemas com álcool e drogas. Como você vê este problema na sociedade hoje em dia?
C. Johnsson: Eu acredito que o problema varia muito de acordo com o lugar no mundo, por exemplo, há lugares onde você pode comprar e consumir maconha livremente, e outros não. Mas a questão do álcool também. Na Suécia há lugares onde você pode beber nos finais de semana, mas se você vai a um pub na terça feira depois do trabalho eles perguntam se você é alcoólatra. É uma questão difícil, e muito complexa também.
Sua última performance no palco como vocalista foi na turnê mundial ‘The Lemuria/Sirius B’ que durou quase dois anos e terminou em 2006. Por que esta decisão de não mais cantar?
C. Johnsson: Nossa, ainda bem que eu não tenho mais que cantar... Na verdade eu já estou muito velho para cantar... veja, isto não é uma critica às bandas de heavy metal cujos vocalistas continuam cantando, de forma alguma, é apenas uma opção minha.
Quando se faz algo durante muito tempo, é importante manter a qualidade e sempre se questionar sobre o que vem fazendo. Quando se é jovem, você pode gritar e abusar da voz, mas com o tempo, a voz se torna mais frágil, isso é próprio da condição física. Trabalhar com a voz exige ensaios no mínimo três vezes por semana e hoje em dia eu tenho uma família, filhos, uma casa e não vou me arriscar a me meter em problemas (risos), a banda tem ótimas pessoas que fazem isso, eu posso fazer em duas ou três músicas eventualmente. Eu prefiro me preservar de algo que sei que não ficaria tão bom quanto eu fazia nas primeiras vezes. Sou fã do Thomas (Virkstrom) que faz um excelente trabalho.
O décimo álbum ‘Secret of the Runes’ tem como base musical o compositor alemão Richard Wagner, bem como sua tetralogia do ‘The Ring of Nibelung’. Poderia nos falar mais sobre esta influência?
C. Johnsson: Na verdade os primeiros trabalhos de Wagner me influenciaram mais embora seja comum os trabalhos mais tardios conquistarem maior audiência. Há algumas passagens belíssimas em "O Anel de Nibelungo" mas é possível ver também algumas repetições, algumas coisas que não se encaixam tão bem. Mas é uma obra verdadeiramente bela!
Eu li algo a respeito de seu gosto pela leitura de alguns filósofos como Heidegger, Platão e Nietzsche.
C. Johnsson: Na verdade eu li muito pouco Heidegger, mas Nietzsche me interessa muito. Principalmente as obras que exploram os motivos que levaram Nietzsche, que considerava Wagner um verdadeiro herói, um extremo talento, a transformar Wagner em seu inimigo, um traidor até. Essa questão é muito interessante.
No dia 17 de Maio começa a turnê sul Americana, e vocês praticamente tocarão diariamente, sem intervalos. Não sobra tempo para relaxar e visitar as cidades, certo?
C. Johnsson: Nós nunca temos tempo para relaxar. Normalmente quando temos um dia entre um show e outro é destinado para a viagem, aeroporto, essas coisas. É comum pensar que tudo tem início no momento em que o show começa. Nesta hora o show começa para os fãs, mas para a banda e a equipe de produção começa bem antes, tem toda montagem, a checagem, a passagem de som, temos que estar lá muito tempo antes. Muitas vezes saímos do aeroporto direto para o hotel, tomamos café, banho e já começam os preparativos para o show. Quando voltamos tudo que queremos é dormir!
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