Tempestt: Consultoria do Rock entrevista a banda paulistana

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Por Diogo Bizotto, Fonte: Consultoria do Rock
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Sete anos após o lançamento de seu primeiro álbum, "Bring 'Em On" (2007), o grupo paulistano TEMPESTT está às vésperas de finalmente colocar no mercado seu segundo disco, que deve se chamar "Hang on to Life". Durante esse longo intervalo, muita coisa aconteceu na carreira de seus integrantes; a saber: BJ (vocal), Leo Mancini (guitarra), Paulo Soza (baixo) e Edu Cominato (bateria). O fato do quarteto ter se tornado banda de apoio de artistas estrangeiros em turnê pelo Brasil rendeu uma forte parceria com vocalista norte-americano JEFF SCOTT SOTO, que acabou efetivando BJ e Edu em seu grupo, proporcionando turnês no exterior e reconhecimento ao trabalho da dupla. Leo, por sua vez, tornou-se membro de uma banda brasileira de grande projeção, o SHAMAN, podendo mostrar serviço a um público ainda maior, agora também com o NOTURNALL, que reúne integrantes do SHAMAN ao lado do baterista Aquiles Priester (HANGAR, ex-ANGRA). Além disso tudo, Edu, que havia deixado o TEMPESTT temporariamente, retomou seu posto a tempo de participar do trabalho de conclusão de "Hang on to Life". Em meio a diferentes projetos e turnês, tive a oportunidade de ver a banda e/ou seus integrantes em ação algumas vezes, sempre aproveitando para conversar a respeito daquela que julgo ser a principal realização de suas carreiras: o próprio TEMPESTT. Através dessa entrevista, vocês conhecerão mais detalhes sobre a trajetória da banda. Aproveitem!

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O TEMPESTT já havia gravado seu segundo disco nos idos de 2010/2011, inclusive tendo registrado um videoclipe para a música "Endless Hunger". Por que o álbum acabou não sendo lançado na época?

Leo Mancini: Com o tempo, acabamos mudando o conceito sobre a sonoridade e temática do CD. E, com isso, compusemos mais três músicas que estão bem com a cara que a gente quer. Esse tempo de maturação foi muito importante para nos satisfazer musicalmente. Estamos muito felizes com o resultado.

Qual será a gravadora responsável pelo lançamento de "Hang on to Life"? Como ficará a distribuição no exterior?

Leo: Ainda estamos em negociação. Logo mais anunciaremos as gravadoras!

Apesar do rótulo de banda de hard rock, em "Bring 'Em On" o TEMPESTT fugiu de clichês do gênero, como refrões em coro e backing vocals carregados. Esse estilo será mantido em "Hang on to Life" ou haverá mudanças na sonoridade?

Leo: A banda inteira tem voz ativa e fazemos tudo com a influência de cada membro. É difícil, pois temos muita estrada e uma grande bagagem pra compartilhar... Demora um pouco para fazer a triagem de ideias mas, ao fim, ficamos muito satisfeitos com o resultado. Temos músicas com aquele refrão pegajoso que a galera vai lembrar e temos outras com nossas harmonias interessantes que fogem do convencional. São nessas que exploramos nossa bagagem e fazemos algo para nos satisfazer, musicalmente falando!

Em "Bring 'Em On" a banda teve a participação especial de JEFF SCOTT SOTO em "Insanity Desire" e de Hugo Mariutti na faixa-título. O novo disco terá algo do tipo?

Leo: Teremos a honra de contar com os vocais matadores de TIM "RIPPER" OWENS! Ele já gravou e arrebentou nos vocais! Gravou oito tracks com voz principal, backings e efeitos vocais! Incrível!

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Primeiro álbum da banda, Bring Em On
Primeiro álbum da banda, Bring Em On

Em 2008, um ano após o lançamento de "Bring 'Em On", a banda afirmou (em bate-papo após um show em Porto Alegre) que a aproximação das músicas presentes no álbum com o heavy metal foi proposital, fugindo um pouco daquilo que os brasileiros costumam entender como hard rock. Podem explicar isso melhor?

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Paulo Soza: Tudo que compomos sempre segue o que temos de influência. Apesar de todos terem influências em comum de hard rock, estávamos ouvindo muita coisa na área de heavy e coisas pesadas da época que influenciaram os caminhos do trabalho em termos de arranjo. Como músicos e até para a nossa profissão, temos que estar sempre atualizados, o que acaba transformando de forma positiva um trabalho "clichê".

Ao contrário de tantas bandas brasileiras que empregam um inglês "capenga" em suas letras, o TEMPESTT demonstra familiaridade com o idioma em seu trabalho. Mesmo assim, já pensaram em lançar músicas em português? Vocês acham que isso poderia proporcionar um alcance maior entre o público nacional?

BJ: Na verdade, eu particularmente já pensei sim em fazer uma música em português, acho interessante, mas não entendo que isso iria dar uma maior projeção nacionalmente. Principalmente hoje em dia, acho que nos desenvolvemos melhor em inglês, pelo estilo. Principalmente, posso falar por mim, que os fonemas e melodias soam melhores cantados em inglês. E a projeção internacional fica mais fácil.

De que experiências partem as letras do TEMPESTT?

Paulo: As letras de "Bring 'Em On" são baseadas em experiências de vida e como passamos por elas. Reflexões sobre o mundo e o que acontece ao nosso redor, tentamos sempre trazer um lado poético para o sentido das letras, uma vez que acreditamos que a música é uma coisa só, os arranjos e instrumentos estão completando a mensagem contida na letra e vice-versa.

Como surgiu a oportunidade de ser banda de apoio de artistas estrangeiros em turnê pelo Brasil? Isso ajudou a abrir portas no exterior?

BJ: Isso começou em 2002, com a primeira vinda do Jeff [Scott Soto] pro Brasil, e uma coisa leva a outra... Acho que conquistamos essa confiança dos produtores pelo bom trabalho da banda.

Como surgiu o convite para que BJ e Edu Cominato se tornassem membros efetivos da banda de JEFF SCOTTO SOTO?

Edu: Durante os anos de amizade com o JSS, sempre conversamos sobre tocar juntos um dia, ele sempre me dizia que queria fazer um som comigo e, finalmente, em 2009 o convite oficial foi feito, recebi um e-mail dele me convidando e fiquei super surpreso e feliz, não é todo dia que se é convidado pra tocar com o seu ídolo. Naquele ano fiz a minha primeira turnê com ele promovendo o album "Beautiful Mess" [2009]. Dessa tour saiu o DVD "One Night in Madrid" [2009]. Grande momento da minha carreira.

BJ: Como o Edu disse, sempre falávamos em tocar juntos um dia devido à química musical e à amizade que construímos nesses anos. Quando Jeff mudou seu line-up no final de 2008, ele me convidou para entrar na banda e logo em seguida fizemos a "Beautiful Mess Tour", que foi nossa primeira tour com o Jeff... Foi incrível! Nessa mesma tour, gravamos nosso DVD "One Night in Madrid"!

Para BJ e Edu: Além da óbvia mudança de repertório, quais são as diferenças entre estar em turnê com Jeff apresentando seu próprio material e prestando tributo ao QUEEN?

Edu: Os integrantes da banda e a "responsa", como estamos fazendo cover, tudo se torna mais "light", sem muitas cobranças, a gente realmente se diverte. Se você assistiu ao show tributo ao QUEEN, você pôde confirmar. Quando estamos fazendo o material próprio aí fica mais sério, trabalhamos mais ainda pra tudo soar perfeito.

BJ: É diferente. Quando você vai fazer covers, o peso é um pouco diferente, mas quando vamos fazer o trabalho autoral tudo fica mais prazeroso e a responsabilidade muda bastante. Quando se executa suas próprias músicas, acho que tem a coisa do amor às cancões que você mesmo participou do processo de criação, gravou, e a execução ganha uma importância bem maior.

Tempestt ao vivo
Tempestt ao vivo

BJ também participará da aguardada reunião do TALISMAN no Sweden Rock Fest deste ano, em tributo ao baixista Marcel Jacob, morto em 2009. Quais são suas expectativas para esse show?

BJ: Quando recebi a ligação do Jeff me convidando pra participar do show como tecladista, fiquei realmente extasiado! Foi uma surpresa maravilhosa! Não só porque sou muito fã da banda, mas também pela confiança depositada no meu trabalho. Pra mim é uma honra muito grande participar dessa reunião histórica!

BJ, você possui algumas tatuagens alusivas à banda norte-americana JOURNEY. Qual sua relação com o grupo?

BJ: Cara, o JOURNEY, principalmente [o vocalista] Steve Perry, é uma das minhas maiores influências na música. Uma banda que realmente marcou em minha vida. As tatuagens foram feitas em homenagem à minha relação musical com a banda.

Como está a agenda do TEMPESTT para este ano? Há planos para shows fora do Brasil?

BJ: Primeiramente finalizar o CD no primeiro semestre, lançamento e shows para depois de julho.

Leo Mancini também faz parte de duas bandas de projeção nacional: SHAMAN e NOTURNALL, esta última com membros do SHAMAN e o baterista Aquiles Priester. Como administra suas prioridades e que posição o TEMPESTT ocupa nessa escala? Com a criação do NOTURNALL, o SHAMAN vive um hiato?

Leo: Na verdade, ainda existe meu trabalho solo, o projeto "Acoustic Hits", lançado em 2011 pela Som Livre e muito bem encaminhado durante esse tempo. Tenho uma agenda bem cheia e tento conciliar os trabalhos de uma forma equilibrada. O TEMPESTT, para mim, é onde expresso a maior verdade da minha musicalidade. Sem adaptação, sem regras, sem tendências e com total liberdade. Dessa forma, não vejo a banda somente do ponto de vista comercial. Vejo uma forma de contribuir, musicalmente, aos ouvintes e à própria música! O SHAMAN está parado por tempo indeterminado, pois tanto o NOTURNALL quanto o ANGRA estão trabalhando muito.

Em geral, quão difícil é conciliar as obrigações dos músicos com suas outras bandas e manter o TEMPESTT ativo? O intervalo de sete anos entre seus álbuns tem algo a ver com isso?

Leo: É difícil sim, pois, como dissemos antes, não temos pressa para fazer um trabalho com verdade e musicalidade. O próximo álbum está muito lapidado e chegou a um outro nível graças ao tempo de aperfeiçoamento, cuidado e amor com que o fizemos. Como temos muitos trabalhos musicais, não só o TEMPESTT sofre com essa divisão de energia. Somos professores, produtores, fazemos shows corporativos e tocamos em casas de shows em São Paulo e em outros Estados. E para viver de nossa profissão em uma das cidades mais caras do mundo, é uma vitória. Muito trabalho. Mas o TEMPESTT está muito ativo e, o CD, muito próximo de ser concluído!

Sintam-se livres para fazer suas considerações finais.

TEMPESTT: Agradecemos pela oportunidade de compartilhar um pouco da história do TEMPESTT! Grande abraço a vocês e aos seguidores da banda!




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