Rancid Flesh: nova safra do Splatter, Gore e Grindcore nacional

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
ENVIAR CORREÇÕES  

publicidade

Pode soar exagerado, mas o Rancid Flesh é um dos principais representantes de uma nova safra dentro do Splatter, Gore e Grindcore nacional. Formado em 2009, o duo composto por Laerte Guedes (vocal) e Adriano Sabino (guitarra/baixo/bateria) lançou um dos mais expressivos trabalhos do gênero em 2012 e angariou mais espaço para esses estilos que vivem nas profundezas do underground. "Pathological Zombie Carnage" é um divisor de águas no cenário extremo brasileiro e foi considerado por diversos veículos da cena Metal, como um dos melhores álbuns do ano. Algo atípico para quem executa um som nada fácil de se digerir. Falamos com Laerte sobre esses fatos e especialmente sobre o primeiro e mais novo trabalho. Confira logo nas linhas abaixo.

Heavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 1991Lemmy: sob investigação, em 2008, por exibir insígnia nazista

O Rancid Flesh já lançou um EP e 7 splits, mas só agora lançou seu primeiro álbum, o ótimo "Pathological Zombie Carnage" (2012). Por que somente agora um registro completo?

Laerte Guedes: Primeiramente obrigado pelo espaço cedido ao Rancid Flesh. Realmente a gente soltou muito split desde 2009 até agora, participamos também de algumas compilações, e tivemos somente um EP/MCD nosso sem dividir com nenhuma banda, isso antes do lançamento do CD. Essa situação ocorre tendo em vista o próprio estilo que a gente pratica que é o Splatter Gore. Se você pesquisar a discografia de bandas do estilo, você percebe que há bastante material em que participam mais de uma banda, são os chamados splits, eu acho que isso ocorre pela grande parceria e intercâmbio entre as bandas do estilo, e isso é prática recorrente em bandas que tocam Grindcore, Splatter e Goregrind de todo o mundo. Quanto a termos somente agora um lançamento de um CD completo só nosso, ocorreu porque no início da banda não tivemos um apoio para que isso acontecesse, ou seja, não tivemos nenhuma proposta para lançar um álbum completo. Com isso a única maneira de sair divulgando a banda foi dividindo alguns materiais com outras bandas até que surgisse algum selo interessado em lançar um material completo só nosso, por isso que temos muitos splits e apenas um CD completo.

Aliás, como foi compor "Pathological Zombie Carnage"? Sendo que um integrante mora em Fortaleza/CE e outro em Natal/RN, como vocês fazem pra se virar? O processo é todo virtual?

Laerte: Cara nos dias de hoje não é tão difícil ter e manter uma banda/projeto com integrantes que moram em cidades distantes. O Adriano é o responsável pela composição de toda a parte instrumental, então os sons são todos criados por ele. Eu cuido das linhas vocais, temas e letras dos sons. Adriano vai me enviando prévias dos sons, eu escuto tento encaixar algumas linhas vocais, quando necessário dou minha opinião sobre mudar algo no som, e quando nós dois aprovamos o som, a gente o finaliza fazendo a gravação final. A parte instrumental é gravada toda na casa do Adriano, ele possui um bom equipamento e também tem uma boa experiência em gravação. Eu recebo as guias dos sons e gravo minha parte em um estúdio aqui em Fortaleza, onde faço também a mixagem e a masterização. O processo não é todo virtual, mas boa parte ocorre com troca de arquivos por e-mail.

As composições apesar de curtas (média de pouco mais de 1 minuto de cada faixa) são bem exploradas e executadas, algo incomum.

Laerte: As músicas do nosso CD "Pathological Zombie Carnage" realmente estão com uma boa variação de riffs e vocais. Creio que isso ocorre pela boa bagagem musical que possui o Adriano, como falei anteriormente é ele quem compõe as músicas, e ele toca desde Hard Rock ao Death e Black Metal, de Rock Instrumental ao mais podre Goregrind, então acho que essa variação em nossas músicas vem muito da formação musical do Adriano.

Outro fator incomum é que o trabalho foge dos padrões das bandas de Grindcore em termos de produção, afinal a maioria não dá muita bola para produção sonora. O que você pode nos falar sobre isso?

Laerte: Como era a primeira vez que iríamos gravar um material oficial só nosso, então nós demos uma caprichada na gravação do CD, porém, sem perder o feeling e a sujeira características do velho Splatter Gore. A gravação dos vocais, a mixagem e masterização foram feitas em um estúdio daqui de Fortaleza que é bem conceituado no meio underground, sem falar que o engenheiro de som é um cara que entende do assunto, então, a sonoridade das músicas do nosso CD saiu muito boa. Mas caso você escute algum dos nossos materiais mais antigos você vai escutar músicas com uma produção "mais suja", mas que não comprometem o nosso som.

Aliás, tenho visto grande melhora e preocupação das bandas de Gore, Grindcore, Splatter e afins, em relação à qualidade sonora de seus trabalhos. Vocês concordam com isso?

Laerte: Concordo com o que você falou, além da preocupação das bandas em conseguir uma sonoridade melhor para sua música, existe também outro fator que contribui bastante, que é uma melhor qualidade do equipamento disponível para gravação, o que antigamente era bem difícil de se conseguir, e tinham um custo mais alto. Acho que estes dois fatores contribuem para uma melhora na qualidade de gravação de muitas bandas.

Como tem sido a divulgação e repercussão de "Pathological Zombie Carnage"? Tenho visto o álbum em diversas listas de melhores de 2012? Como vocês se sentem a respeito disso? Esperavam todo esse reconhecimento?

Laerte: A divulgação do CD está bem legal e abrangente, tivemos muitas resenhas positivas, e estas foram veiculadas em vários formatos (blogs, webzines, revista on line, revista impressa) pela mídia especializada o que dá um poder de alcance enorme. Muita gente que não conhecia o nosso som teve acesso ao Rancid Flesh por meio de "Pathological Zombie Carnage", então no quesito divulgação e repercussão do cd não temos nada a reclamar. Quanto à inclusão do nosso CD em listas de melhores de 2012, foi realmente uma surpresa pra gente, até porque o estilo que a gente toca não é tão difundido assim no meio Metal, digamos que seja o underground dentro do underground, então isso pra gente é encarado como uma vitória, um verdadeiro troféu para o Rancid Flesh. Obrigado a todos que nos incluíram em suas listas de melhores CDs de 2012.

Vocês se apresentam ao vivo? Se não, tem alguma pretensão em divulgar seu trabalho através de shows?

Laerte: A gente não se apresenta ao vivo, o Rancid Flesh nasceu para ser mais um projeto de gravação do que uma banda propriamente dita, mas não digo que nunca iremos tocar ao vivo, porém, essa não é a nossa pretensão principal.

Laerte você participa de diversos projetos que abrangem o Goregrind, o que pode nos falar a respeito de seus planos para 2013?

Laerte: Eu não sou tão ativo assim com relação à bandas/projetos, eu apenas fui vocalista do Scatologic Madness Possession por quase 2 anos e desde 2009 estou com o Rancid Flesh. Quem é realmente ativo com relação a tocar em bandas e ter projetos é o Adriano e vou citar algumas bandas/projetos que ele toca ou tocou: Sanctifier, Putritorium, Tesla Orquestra, Evil Kon Karne, Goattech, Son of a Witch, Verres Militares, Killing Fields, The Violent Noise of Shit, e por aí vai...

O Grind, Gore, Splatter são estilos extremamente undergrounds e que possuem um público fiel. Mas contam pouco com apoio da mídia especializada em música pesada. O que você pensa sobre isso?

Laerte: Realmente o Grindcore, Goregrind e Splatter têm uma divulgação mais restrita do que os demais estilos musicais mais extremos, creio que isso ocorra pelo fato do próprio tipo de som ser bem extremo e brutal, que vai de encontro com o que a grande massa escuta, incluindo aí a grande massa que escuta Metal e Hardcore, então consequentemente a mídia especializada vai dar menos atenção às bandas que tocam este tipo de som. Mas nos últimos anos o estilo teve um pouco mais de exposição, creio que seja por culpa das facilidades da internet, mas mesmo assim o espaço ainda é restrito se comparado aos outros estilos mais extremos, como Death e Black metal.

Este espaço é para vocês deixarem as considerações finais.

Laerte: Mais uma vez obrigado pelo espaço cedido, e quem ainda não conhece o nosso som, e curte o velho Death Metal, Splatter e Grindcore pode acessar o nosso Reverbnation (www.reverbnation.com/rancidflesh) que tem alguns sons para escutar, no You Tube uma galera já colocou som nosso também, então é fácil de achar, e quem tiver interesse em falar conosco ou pegar algum material é só escrever para [email protected]

http://www.facebook.com/pages/Rancid-Flesh/106504702835272?f...



Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção EntrevistasTodas as matérias sobre "Rancid Flesh"


Heavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 1991Heavy Metal
Os dez melhores álbuns lançados em 1991

Lemmy: sob investigação, em 2008, por exibir insígnia nazistaLemmy
Sob investigação, em 2008, por exibir insígnia nazista


Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

Mais matérias de Vitor Franceschini no Whiplash.Net.

adWhipDin adWhipDin adWhipDin adWhipDin