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Beyond Mortal Dreams: Sólido, obscuro e esmagador

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Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
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Surgida no longínquo ano de 1992 com o nome de Suffering, a banda australiana Beyond Mortal Dreams já dividiu o palco com nomes como Cannibal Corpse e Deicide. Atualmente, mesmo não tocando mais (e ainda) ao vivo, a banda divulga seu mais recente EP "Dreaming Death" que dá uma deixa do que virá em seu segundo álbum. Com os experientes Doomsayer (vocal/guitarra/baixo), Bloodspawn (guitarra) e Maleficus (bateria) a banda mantém-se fiel ao Death Metal e trilha os caminhos do underground esmagando os tímpanos de todos. Falamos com o líder Doomsayer que nos explicou tudo sobre a banda, o novo EP, porque não tocam mais ao vivo, além de outros assuntos interessantes. Confira.

Vocês são músicos experientes, conte-nos um pouco de suas trajetórias até os dias atuais do Beyond Mortal Dreams?

Doomsayer: Bem, eu venho com o Beyond Mortal Dreams desde meados da década de 90, e até um pouco antes, quando a banda estava sob um nome diferente. Eu também toquei em muitas outras bandas ao longo dos anos. Toquei baixo, guitarra e cantei, principalmente dentro do gênero Death Metal, mas também Thrash / Black / Doom / e Heavy Metal Tradicional. Bloodspawn teve um monte de bandas de Thrash/Death no passado também, assim como seu projeto solo de guitarra. Suspeito às vezes que ele nasceu com uma guitarra na mão! Maleficus tem um background mais voltado para o Punk/Thrash Metal. BMD é a primeira banda desse calibre que ele tocou!

Como foi trabalhar em "Dreaming Death" e qual a principal diferença entre este trabalho e o álbum anterior?

D: Em primeiro lugar, as composições originais de "Dreaming Death" foram escritas somente por mim. No passado, quando Hellaeon ainda estava na banda, escrevíamos as canções em conjunto, como foi o caso do material "From Hell" (1º álbum da banda lançado em 2008). Eu estava um pouco preocupado como isso poderia impactar os futuros trabalhos, mas no final acho que tudo funcionou bem. Em segundo lugar, a natureza das músicas tinha que ter elementos mais obscuros do que as antecessoras, era isso que nós desejávamos. Considerando que "From Hell" teve uma abordagem de um Death Metal sólido, "Dreaming Death" soa mais como uma "trilha sonora" e talvez mais melódico. Houve uma ênfase maior em trazer uma abordagem mais pesada, mais obscura, e a mesma atmosfera das outras músicas.

O que ouvimos em "Dreaming Death" é uma prévia do que está por vir no novo álbum do Beyond Mortal Dreams?

D: Certamente. Parte do material novo que está sendo escrito tem os elementos que as canções de "Dreaming Death" têm, bem como a sensação de reter o sólido Death Metal de "From Hell". O foco do novo material é para dar uma mistura equilibrada entre os dois, o que torna sua atmosfera ainda mais obscura e esmagadora.

O som de vocês é fincado nas raízes do Death Metal, mas consegue manter-se atual. A que você acha que se deve isto?

D: Sim, o estilo 'old school' do Death Metal para mim sempre teve muito mais profundidade e sentimento do que um monte de coisas modernas. É importante o que eu sinto pela música, não importa o gênero, para ter um grande senso de sentimento por ela, como uma viagem do começo ao fim. Um grande sentimento de poder é também uma obrigação para o tipo de Death Metal que eu gosto de compor. Eu não sei realmente tudo o que consiste em como fazer isso soar 'atual' ou 'old school', para ser honesto. Eu estou mais focado em apenas fazer soar sólido, pesado, e o lado mais obscuro do Death Metal. Poderoso, brutal, memorável, e até melódico, em partes. Eu simplesmente fico feliz quando isso se torna uma onda de devastação nos alto-falantes!

Aliás, o Death Metal é um estilo que se mantém fiel dentro de suas características e conceitos durante todos estes anos. Você concorda com isso?

D: Acho que sim. Embora tenha evoluído ao longo dos anos, o que é natural para qualquer gênero.

Como tem sido a repercussão de "Dreaming Death" tanto pela crítica quanto por parte dos fãs?

D: Até agora, a resposta tem sido ótima! Está ainda nos estágios iniciais, porém, ele foi lançado somente há sete ou oito meses, mas todas as opiniões que temos visto e do feedback dos fãs tem sido muito positivas.

O trabalho foi lançado fora da Austrália? Em que países a banda tem tido mais respostas positivas?

D: Pelo que ouvimos, o álbum tem se saído muito bem na França. O EP foi lançado e levado para monte de lugares em toda a Europa, mas até agora, o maior interesse veio da França. Os comentários que temos visto são bastante variados na verdade, na maior parte dos países europeus.

Na questão de shows, como anda a agenda da banda?

D: Bem, até agora BMD continua sendo uma banda de estúdio, pois não temos o pessoal completo, um line-up. Nós éramos uma banda que tocava ao vivo, mas desde que não completarmos uma linha de frente sólida não tocaremos novamente. Estou bastante feliz em permanecer como estamos por enquanto. Mas, eu nunca vou descartar a possibilidade de fazer do BMD uma banda ao vivo mais uma vez!

Confesso que conheço pouco da cena extrema da Austrália. Fale-nos um pouco a respeito dela.

D: Há um monte de bandas espalhadas por todo o país. Há também alguma grande diversidade de estilos entre as bandas. Cada capital tem sua própria cena (ou cenas) é claro, e agora, e em breve, haverá festivais em algum lugar do país onde muitas dessas bandas se reúnem e dividem o palco. O início se dá com o "Evil Invaders" que acontece em Sydney, onde há um monte de bandas extremas, bem como Doom, e Heavy Metal tradicional. Outra é aqui na minha cidade, Adelaide, chamado de "The New Fest Dead", que mostra um monte de bandas locais de Metal e interestaduais de diversos gêneros. Acho que houve um sentimento de exclusividade para o estilo de um monte de bandas australianas em comparação com o resto do mundo também. Houve algumas grandes bandas que saíram daqui agora e no passado.

Conhecem a cena metálica brasileira? O som de vocês deve ser bem aceito aqui, há vontade de atravessar o oceano e tocar por esses lados?

D: Confesso que sei pouco sobre ela, na verdade! Eu só conheço algumas poucas bandas que vieram daí. Eu certamente adoraria fazer um show, um dia, com certeza! Eu toco baixo em outra banda chamada Oath of Damnation, que é tem partes semelhantes ao BMD. Eu adoraria tocar fora daqui.

O que podemos esperar do Beyond Mortal Dreams daqui em diante?

D: No momento há composições sendo feitas para o próximo material. Nós começamos com algumas novas demos, algumas sairão no próximo ano. Estamos também à procura de fazer um lançamento em vinil de "Dreaming Death" e esperamos que saia durante 2013 também.

Muito obrigado, podem deixar uma mensagem.

D: Obrigado por tomar o seu tempo para esta entrevista! E um grande 'hail' a todo o pessoal que tem apoiado o BMD até agora! Guys and Girls rules! Stay Heavy!

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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