EZDP: entrevista com banda paulista pelo Van do Halen

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Por Igor Miranda, Fonte: Van do Halen
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A banda paulista EZDP chega com muita distinção em meio ao atualmente genérico Rock nacional. Com ênfase nas letras críticas e na versatilidade musical, o quinteto tem chamado bastante atenção por onde passa. Segue abaixo uma entrevista feita com o grupo. Só não se esqueça de conferir o som, no site: www.ezdp.com.br.

Van do Halen: Inicialmente, gostaria de saber a história da banda - processo de formação, conquistas, lançamentos e tudo o mais.

- Fala galera que acompanha o Van do Halen! Bem, nossa história de forma resumida:
A banda teve ínicio em meados de 2004, após os fundadores Ed Winslet e Keka perceberem que havia muita sintonia musical entre eles, além da vontade de criar algo novo para o Rock nacional. Pouco depois o Ian Wlad (irmão da Keka) entrou no projeto aos 15 anos de idade. E após uma fase experimental e de muitos aprendizados, chegaram o baterista Gui Crespo e o baixista Léo Joker. A partir de 2008 houve um processo de amadurecimento e profissionalização da banda.

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Em 2009 a EZDP gravou 3 EPs sob comando do produtor Daniel Fernandes (que realizou alguns trabalhos com a banda Dr. Sin). A divulgação teve um retorno muito interessante na internet e a banda passou a se apresentar em alguns eventos, como o aniversário de São Paulo no ano seguinte. 2010 também foi o ano para criar e gravar o primeiro disco da banda: A Normalidade, que chegou as lojas no final de 2011 e permanece até os dias atuais.

Van do Halen: Como foi o processo de composição, gravação e produção do álbum "A Normalidade"?

- Começamos a compor nossas músicas desde o ínicio da banda, priorizando a qualidade musical e letras bem elaboradas, que estimulam a reflexão através do humor e diversão. Se a música causasse esse efeito em nós mesmos, era sinal que podia ser bem trabalhada. Quando começamos a definição do que entraria no disco, pegamos o melhor que haviamos feito até então e novas músicas foram criadas para completar o álbum. "A Normalidade" teve algumas faixas pré produzidas por Sérjones Oliveira (atualmente na Warner Music) e produção geral/final de Thiago Larenttes. A gravação foi marcada por constantes interrupções, devido ao extremo cuidado com cada detalhe e também pela dificuldade de segurar as risadas em muitos momentos.

Capa de "A Normalidade"
Capa de "A Normalidade"

Van do Halen: Há uma dinâmica interessante nas letras de "A Normalidade". As composições tratam do cotidiano do cidadão brasileiro, com um tom bastante crítico. Isso foi programado desde o início ou essa temática surgiu de forma espontânea, depois das letras já prontas? Qual a intenção pretendida com esse criticismo?

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- Essa temática surgiu de forma espontânea. Percebemos que estávamos de "saco cheio" das mesmas coisas do nosso dia a dia. As piadas sarcásticas servem um pouco para amenizar, e claro, desabafar diante do caos pelo qual passamos diariamente. Como dissemos antes, a intenção é ao menos tentar causar nas pessoas, especialmente nos jovens, uma reflexão sobre tudo que é inaceitável e que virou comum por aqui. Que haja uma mensagem por trás da sonoridade, seja ela cômica ou trágica.

Van do Halen: O som do EZDP é energético e muito bem feito. Pude notar influências dos dinossauros do Rock internacional, da boa época do Rock nacional, do Pop (como em "Eu Não Sei", paródia de "Smooth Criminal" do rei Michael Jackson) e até um pouco de Reggae (como na divertida "Pinheiros"). Gostaria de saber, de forma mais detalhada, as influências da banda.

- São muitas as nossas influências musicais, com destaque em especial para o Rock Clássico. Poderíamos citar dezenas dessas fantásticas bandas que sempre estamos ouvindo e aprendendo algo novo, mas para não ocupar 3 páginas do site, colocamos no topo Beatles e Pink Floyd. Do bom e velho Rock Nacional bebemos muita água da fonte de: Raul Seixas, Titãs, Mamonas Assassinas e Raimundos. E também muitas outras ótimas bandas dos anos 80, como Legião Urbana e Ultraje. Somos todos "devotos" do Rei Michael Jackson e gostamos muito de Bob Marley e muitas outras bandas/músicos não apenas no Reggae, mas também no Blues, Jazz, MPB, Samba de raíz, Lounge, música eletrônica e até mesmo o Brega. Enfim, nossa maior influência musical é a própria boa música em geral.

Van do Halen: Como foi o processo de gravação dos videoclipes "Água Pinga" e "Torturando Emos"? Houve algum motivo especial para a escolha dessas músicas para se tornarem os videoclipes do EZDP?

- A música "Torturando Emo" foi escolhida para virar videoclipe nem tanto pelo gosto pessoal da banda e sim pela ótima repercussão que conseguiu na internet. Inclusive ela ficou por 3 semanas em primeiro lugar na Rádio Cultura FM (DF) antes mesmo de ser gravada profissionalmente. Tivemos que adaptar algumas situações da história devido a mudança do "preto e branco para o colorido". Houve um grande intervalo nas gravações do clipe por conta disso.

Já o videoclipe da faixa "Água Pinga" é nosso trabalho mais recente. Digamos que é o nosso "cartão de visitas", pois além de ser faixa de abertura do disco, ela resume bem a ideologia do "A NORMALIDADE". Abrimos mão do lado "comercial" ao apostarmos num tipo de som/video com pitadas de psicodelia e uma letra quase agressiva. Gravar esse video foi bastante complicado pela díficil execução das ideias, como as cenas gravadas numa fábricada abandonada e os constantes riscos físicos nesse local.

Van do Halen: Quais são os atuais planos do EZDP?

- Estamos trabalhando em cima da divulgação do disco "A NORMALIDADE" e na semana passada começamos o planejamento do segundo disco, que pretendemos lançar no primeiro semestre de 2013. Ainda em 2012 lançaremos um novo videoclipe e provavelmente 2 músicas inéditas que estavam no fundo do baú!

Van do Halen: Como vocês enxergam e utilizam a Internet enquanto ferramenta de divulgação do EZDP? Há só vantagens ou vocês consideram alguma desvantagem nesse processo?

- Há vantagens e desvantagens. A principal vantagem é a banda não depender exclusivamente de uma gravadora para fazer o seu trabalho ter o mínimo de reconhecimento. O cenário independente ganhou força com isso. Mas por outro lado, hoje em dia qualquer pessoa com um violão na mão e cadastro no youtube tem chance de virar artista do dia para a noite e as vezes, sem nenhum "merecimento musical". Na maioria dos casos é sempre mais do mesmo. Estamos numa época em que a arte está um pouco deturpada, especialmente no Rock'n'Roll.

Van do Halen: Muito se questiona a cena Rock nacional, inclusive as bandas que surgem e o espaço limitado (ou inexistente) que a mídia atribui àquelas que realmente abraçam o Rock n' Roll. O que vocês acham do cenário atual?

- Pois é, é uma questão complicada realmente. Existem boas bandas de Rock'n'Roll no Brasil, mas estamos há muito tempo sem boas novidades. O tempo tem modificado o que chamam de "Rock" por aqui e a mídia não quer saber se o artista é fabricado ou espontâneo. Ela abre espaço para aquilo que é colocado na tv ou no rádio, mesmo que a qualidade seja duvidosa. Mas preferimos continuar com a esperança que um dia a arte não tente ser o tempo todo popular e sim o público se tornar um pouco mais artístico.

Van do Halen: O espaço final é de vocês. Mandem um recado para os leitores da Van do Halen e para os fãs da banda!

- Agradecemos a oportunidade que vocês, do ótimo site de Rock "Van do Halen", nos concederam! Parabéns pelo trabalho e pela disposição em preservar o Rock'n'Roll! Nosso trabalho musical está ganhando espaço e temos muitas coisas boas para tentar fazer pelo Rock nacional e sua verdadeira essência: bater de frente contra esse sistema anormal que tem se tornado cada vez mais comum em nossas vidas. Contamos com todos vocês!




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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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