Helloween: entrevista com Michael Weikath em 1996

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Por Luiz Felipe Champloni, Fonte: True Metal, Tradução
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Entrevista feita pelo site americano Rocknet na ocasião do lançamento do High Live nos Estados Unidos. Como não podia deixar de ser, as entrevistas com o Weikath são gigantescas, e nessa o entrevistador dá a sorte de encontrá-lo extremamente bem-humorado!

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MIKE: Não sei se você se lembra, mas já te entrevistei para minha publicação, "Ant," um ano atrás, logo após o lançamento de "Master of the Rings" aqui nos Estados Unidos. De fato, quando te disse isso você ficou bastante surpreso pois não sabia desse lançamento por aqui.

MICHAEL: Eu me lembro disso. Lembro sim. Mas não faço ideia do seu nome, então é melhor me lembrar.

MIKE: Claro. É Michael McCarthy.

MICHAEL: Michael é fácil de lembrar. [Ambos riem]

MIKE: É, especialmente pra você. [Ambos riem] Esse ano a entrevista é para a publicação virtual Rocknet.

MICHAEL: Hoje em dia passo de 10 a 12 horas diárias na internet. Aliás, essa manhã baixei aquele navigator 3.0, e, uau, que coisa boa. Ainda melhor que a versão anterior.

MIKE: Acho que ainda uso a 2.0, que pra mim é OK.

MICHAEL: Eu tive um 2.0.1 do CD da CompuServe e era bom, mas era tipo um cavalo que vivia empacando. Bom, configurei o outro navegador essa manhã. Deus, estou muito satisfeito. Uau. Meu Deus.

MIKE: Tenho que conferir isso. Então, que tal um pouco de HELLOWEEN? Vocês acabaram de lançar um novo álbum ao vivo, que se chama "High Live", pelo menos aqui nos Estados Unidos. É o mesmo nome pelo resto do mundo?

MICHAEL: Claro. Você deve ter curtido, né?

MIKE: Pode apostar que sim.

MICHAEL: Todos os jovens na América devem estar tipo "bom, acabei de dar uma volta e comprei o novo High Live". [Ambos riem]

MIKE: Quem veio com esse título?

MICHAEL: Eu. Na minha juventude, "high live" era o bordão da moda na Alemanha e no resto do mundo. Era a expressão pra algo excepcional acontecendo. Tipo, "estamos tendo um high live por aqui". Então, eu meio que me lembrei disso porque não conseguia pensar em mais nada que levasse "live". "Live" aqui, "live" ali, já encheu. "Live" no bueiro, o que quer que seja. E aí vim com essa. Meramente como piada. Então tivemos a ideia conceitual da capa sermos nós aparentando estarmos no fim de uma grande festa. Mas aí não encontramos ninguém que pudesse tirar essa foto e nem organizamos a festa por falta de tempo. Eu pensei, que grande banda de rock' n' roll que somos, nem uma festa conseguimos fazer. [Risadas] E sem as fotos da tal festa, acabamos usando fotos do show ao vivo mesmo. E o título se manteve. Fazendo jus ao título, fiquei bêbado com champanhe na Espanha. E durante as gravações das faixas referentes ao show da Itália eu estava tão bêbado que mal podia ficar em pé. Eu já tava soluçando e fiquei muito tonto. Eu só pensava "Deus, espero sair vivo dessa". No fim das contas, foi bastante divertido. É só isso, na verdade, foi a primeira vez que estive bêbado no palco. Normalmente, eu me sentiria um pouco inseguro, mas com uma banda e um público daqueles eu poderia superar isso, eu acho.

MIKE: Bom, as faixas ficaram ótimas. Então eu acho que você se safou.

MICHAEL: Foi muito bom. Mesmo. Eu fiquei meio apreensivo porque pensei "essas são nossas primeiras gravações em Milão, Deus, preciso tomar mais cuidado". Eu tava tão puto quando cheguei ali. Já tinha conferido vários tipos de champanhes e cervejas porque esperamos tempo demais pra começar o show. E tava tão quente e tinha tanta gente. Entenda. Eu sempre cuido pra que tudo corra bem. Então, não é do meu feitio ficar bêbado às vésperas.

MIKE: Os lançamentos japoneses de "Master of the Rings" e "The Time Of The Oath" tem ambos duas faixas bônus. O "High Live" irá receber faixas extra fora dos Estados Unidos?

MICHAEL: Não, dessa vez não vai dar porque sequer preparamos outras faixas. Temos as versões japonesa e europeia que são idênticas, tirando a embalagem. Os japoneses ganharam um encarte com página dupla e aqui na Europa eles receberam os dois CDs numa única embalagem. Ah, e no Japão o CD veio com uma camiseta embalada em plástico em torno dele.

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MIKE: Isso é ótimo. Eu pirei com os adesivos de abóbora da versão japonesa de "The Time Of The Oath."

MICHAEL: Eles tem que fazer essas coisas porque são muito receosos de importar CDs da Europa, que eles terão de qualquer forma, porque lá tem uns fãs maníacos que colecionam tudo. Não dá pra evitar isso. É por isso que os japoneses são autoridade quando o assunto é embalar um produto.

MIKE: Já lançaram algum single do "High Live?"

MICHAEL: Ainda não, mas o plano é lançar "Eagle Fly Free," mas não o fizemos porque preferimos promover os álbuns mais recentes em vez dos antigos. Achamos irracional. Conhecemos um monte de gente em estações de rádio por toda Europa, América e Japão que diziam "essa é uma ótima faixa e queremos ela de single". Nós dissemos "bom, talvez vocês devessem ter prestado mais atenção no álbum [Keeper Of The Seven Keys Parte II] na época em que ele saiu, porque agora já passou um tempão, não acham"?

MIKE: É verdade. Já lançaram quatro álbuns de estúdio desde então.

MICHAEL: Mas aí eles disseram "pois é, mas gostamos dessa faixa". Então lançamos um vídeo de "Forever And One" para os japoneses. Gravamos em algum lugar de Barcelona. Trouxemos isso até eles e então teve essa reunião entre os setores americano e europeu da Castle [Records]. Eles viram o vídeo e então disseram "uau, essa faixa é boa mesmo, de onde é?" E então dissemos "bom, é do nosso último álbum, pessoal! [Ambos riem] E foi assim que "Forever And One" virou nosso novo single.

MIKE: "Master of the Rings" chegou aqui no último Dia das Bruxas. Desde então já tivemos "The Time Of The Oath" e agora o "High Live"...

MICHAEL: É como se fosse uma overdose, mas isso é bastante americano, eu acho, porque americanos estão acostumados com uma enorme cobertura sobre qualquer coisa. Eles costumam ficar entediados caso isso não aconteça. Não sei se vamos conseguir suprir os americanos com tanto material por mais tempo. Dá por um ano talvez. Você tem o suficiente pra ouvir, pra aproveitar, selecionar e coisa do tipo. Então, vamos nos divertir. [Risadas]

MIKE: Notei que só tem uma faixa do Pink Bubbles Go Ape no High Live, "The Chance." E também que não tem nada do Chameleon. Vocês pretendem colocar alguma faixa desses álbuns nos shows futuros?

MICHAEL: Não. Já fizemos isso antes, mas descobrimos que isso não funciona direito. Andi [Deris, que tem sido o vocalista desde "Master of the Rings"] não gostou muito de "Giants." Mais adiante na tour tocamos "How Many Tears" novamente. Pensávamos que tocar "How Many Tears" com a formação atual seria até interessante, mas por outro lado tomava muito espaço do setlist e não gostaríamos de gravá-la pro próximo registro ao vivo. E tem sempre a parte estratégica sobre pensar em não encher de músicas antigas porque os direitos delas pertencem à nossa antiga gravadora. E também preferimos faixas que possamos tocar com Andi cantando e Uli [Kusch, que tem sido o baterista desde o "Master"] tocando bateria.

MIKE: Sobre isso, você se arrepende de ter feito os álbuns Pink Bubbles e Chameleon?

MICHAEL: Você deve saber que naquela época eu não tava muito interessado nas coisas. Naquela época, eu não me sentia confortável no HELLOWEEN. Durante a gravação do Chameleon, as músicas que eu tinha feito eram muito negligenciadas [pelos outros]. Preparei diversas faixas, e pode-se dizer que passei dos limites em algumas, mas, por exemplo, "Where The Rain Grows" já estava pronta naquela época. Só que ninguém quis tocá-la.

MIKE: Uau. Ela entra facilmente como uma das minhas favoritas.

MICHAEL: Pois é. Já ouvimos isso antes. Mas eles estavam tipo, "guarda ela, Weiki". Bom, não há arrependimentos quanto a isso, só lamento todo aquele período. Lamento ter estado por lá naquela época. É bastante compreensível que agora ninguém se sinta bem tocando o material antigo exceto "The Chance". Ela sempre esteve no set list e ninguém se sente mal com isso, mas qualquer outra faixa nos lembraria aquela época. É como deja vu, sabe?

MIKE: Com certeza.

MICHAEL: Me deixaria muito, mas muito mal mesmo, ter que subir no palco para tocá-las. Uli e Andi nem estão conectados a essas faixas também. Andi não gostou do Chameleon quando ele foi lançado. Ele achou que foi um movimento precipitado e eu acho que ele acertou em cheio. E nós trabalhamos no Pink Bubbles Go Ape durante um ano até que ele estivesse completamente pronto. E então gravamos. Eu não estava muito interessado naquele material. Como guitarrista, eu não gostei, exceto das faixas que o Roland compôs, que eu considero um ótimo trabalho. Por mim, acho que podemos dispensar todo o resto. E isso inclui a minha parte.

MIKE: No "High Live", vi que Kai Hansen, que não tem estado na banda há vários anos, está listado nos solos das faixas antigas...

MICHAEL: Mas que merda. Obviamente, eles não perceberam que a formação da banda mudou e ele não está mais nela. Eles devem ter copiado os créditos dos álbuns antigos, mudado as fontes e sequer assistiram ao material.

MIKE: Se eles achavam que ele ainda estava na banda, isso é bastante estranho, já que faz seis álbuns sem ele, se contarmos os ao vivo.

MICHAEL: É vergonhoso.

MIKE: Fiquei surpreso por você ter colocado "Future World" no "High Live", já que foi o Kai que a escreveu.

MICHAEL: Todos gostam de ouví-la. Estivemos saindo com um guitarrista chamado Micky, matando tempo com ele ao lado do palco todos os dias. Achamos isso muito legal da parte dele. E ele não via a questão dessa jeito. Ele só gostou do que fizemos e disse que "Future World" ainda é o nosso norte musical. Ele não fazia ideia de quem a escreveu, mas gostava tanto dela que ele ficava todo molhadinho ao ouví-la. Tem que se levar isso em conta. Não dá pra deixá-la de lado só porque foi escrita pelo Hansen.

MIKE: É uma ótima música.

MICHAEL: É um petardo bastante original. Ele sempre me lembrou "Acaccia Avenue" um pouco, mas quem se importa? É uma boa faixa e todos gostam dela e temos que tocá-la.

MIKE: Qual dos dois últimos álbuns de estúdio tem se saído melhor, "Master" ou "The Oath"?

MICHAEL: Time Of The Oath. É colossal. Podemos duplicar toda a venda mundial do "Master" e ainda teria mais. Na América, acho que ele está umas dez mil unidades à frente. Demorou pra engrenar com o "Master of the Rings," mas agora parece que deslanchou.

MIKE: Algum dos dois é seu favorito?

MICHAEL: É difícil de se dizer. "Master of the Rings" definitivamente é o álbum mais americano. O que falta no "Time Of The Oath" está no "Master of the Rings" e vice-e-versa. Gosto de ambos. "Master of the Rings" será sempre ótimo por me lembrar do clima e da época que vivemos. Já com o "Time Of The Oath", jamais esquecerei essa tour. Tem sido igual à da época do "Keeper I", as reações. O álbum é meio que um "Keeper I". As capas são similares e o sentimento também.

MIKE: Foi o mesmo artista das capas dos Keepers que fez o de Time Of The Oath?

MICHAEL: Não, não mesmo. Foi um grande amigo meu. Na verdade, um amigo do Andi veio com a arte original, mas havia detalhes que não aprovamos. Em alguns previews dá pra encontrar essa capa antiga. Eu a recebi por e-mail do pessoal da CompuServe. Colocamos ela num disquete, metemos no computador e trabalhamos em cima dela. Esse cara em particular, a essa altura, deve estar trabalhando com o GAMMA RAY. Gastamos três dias, dezoito horas em cada, pra finalizá-la. Ela não é muito original, já que usamos esse conceito antes, mas serve pra mostrar que nós voltamos para onde pertencemos. Pra mim, é como outro deja vu. Eu fiquei "OK, OK, então temos outro Keeper na capa." [Risadas] "Beleza." [Ambos riem]

MIKE: A turnê... Vocês passaram por toda Europa, Alemanha, Japão. Qual foi o ponto alto?

MICHAEL: Com certeza foi São Paulo e a América do Sul em geral. Brasil. Recebemos 60,000 pessoas em São Paulo. Adoramos aquele povo. Todo tempo que passamos por lá fora dos palcos foi hilário. Totalmente fora de série. Bastante parecido como os alemães costumavam ser 17 anos atrás. Espanha foi legal. Eles parecem ter desenvolvido um amor pela vida, o que é bom porque tudo tem ficado tão cínico. Quando fomos pra lá nove anos atrás, eles não pareciam se importar muito com as coisas. Eles haviam acabado de sair de uma ditadura e não costumavam fazer perguntas. Indo lá agora percebe-se que criou-se uma cultura de pensamento critico e isso é emocionante. Ninguém esperava por isso.

MIKE: Parece um sucesso absoluto. Alguma chance de turnê nos Estados Unidos no futuro?

MICHAEL: Estamos marcando uma com o Iron Maiden daqui a dois anos. Eles terão concluído o novo álbum deles e nós, o nosso. Troquei e-mails com fãs americanos perguntando o que achavam disso e todos adoraram. Temos muitos fãs. Espero que a turnê aconteça.

MIKE: Fiquei sabendo que Bruce Dickinson e sua nova banda SKUNKWORKS abriram alguns shows da sua turnê mais recente. Como foi isso?

MICHAEL: Foi OK, tirando o fato dele claramente não ter gostado da ideia de abrir pra uma banda como o HELLOWEEN. Ele estava acostumado com coisas diferentes. Tava acostumado a grandes estádios e coisas do tipo. Você tem que se acostumar com a situação atual em vez de esperar o que costumava ser. Antes de nossas turnês se separarem, fui até o Bruce e disse "bom, nos vemos mais tarde na próxima etapa de nossas carreiras!". E ele respondeu "bom, eu provavelmente vou ser encanador até lá." [Ambos riem]

MIKE: Eu achei um tanto irônico vocês fazerem turnê juntos já que vocês resgataram o clima antigo do HELLOWEEN nos últimos álbuns e ele abandonou o dele no SKUNKWORKS.

MICHAEL: Pois é, ele mudou tudo. Ele se esforçou pra caramba pra provar aos fãs que o SKUNKWORKS é muito mais interessante que o HELLOWEEN. É o objetivo dele e ele tem que lutar por isso. Ele está trabalhando a seu favor. Por mim, tá OK. Sem problemas com isso.

MIKE: Fiquei sabendo que você colaborou recentemente para um álbum de tributo ao JUDAS PRIEST. Como se envolveu com isso?

MICHAEL: Alguns caras da "Rock Hard" daqui da Alemanha tiveram a ideia de coletar bastante material da Century Media. O editor chefe de lá então me chamou. Ele sentiu que tínhamos alguma ligação com o JUDAS PRIEST e simplesmente nos pediu uma faixa. Nós dissemos "estamos gravando algumas B-sides pro nosso álbum. Então podemos gravar essa faixa junto."

MIKE: Qual vocês gravaram?

MICHAEL: "Electric Eye." Não ouviu ela ainda?

MIKE: Ainda não.

MICHAEL: Está na B-side do single "The Time Of The Oath".

MIKE: Ah. Eu tenho o single "Power", mas não encontrei esse ainda.

MICHAEL: Perdão. Que droga. Eles não devem ter importado os singles. Isso porque a Castle americana deve ter pensado que eles não venderiam muito porque, você sabe, não dá pra esperar um sucesso de vendas só porque lançamos um single. Devem estar mais cautelosos, ter conferido os recursos disponíveis e coisas do tipo.

MIKE: Uma coisa que eu vi as pessoas discutindo em fóruns e chats da internet é se o HELLOWEEN é uma banda de progressivo ou de metal. Acho que vi pessoas chamando o Chameleon ou o Pink Bubbles de progressivo, já que eles são meio experimentais e diferentes, mas eu sempre os encarei como uma banda de hard rock. Como vocês se enxergam quanto a isso?

MICHAEL: Há sempre essa intenção de ficar progressivo com algumas ideias antigas. Tentei fazer isso em "Mission Motherland," que eu chamaria de progressiva. NECTAR, essa banda anglo-europeia e progressiva, fez um monte de material do tipo. Acho que é o mesmo objetivo do DREAM THEATER porque aquele álbum com a praia--não sei o nome, mas o tenho--soa muito, mas muito, com o NECTAR, digamos assim. Ninguém gostou daquele trabalho, mas eu gosto porque me lembra dos anos 70. Foi de onde as ideias progressivas vieram. Também vieram do PINK FLOYD. Do álbum Animals. Pode-se dizer que as faixas "Keeper Of The Seven Keys" e "Halloween" são progressivas. São primariamente progressivas. Talvez seja por isso que nos chamam de progressivos

MIKE: Do que você quer que as pessoas chamem o HELLOWEEN?

MICHAEL: "Maravilha". "Sensacional". "Eu preciso disso". [Ambos riem]

MIKE: Falando em querer coisas, vi algo chamado The Pumpkin Video na lista de CDs importados do HELLOWEEN que tenho. Algum plano de lançá-lo nos Estados Unidos?

MICHAEL: Eu não sei, e você não é o primeiro a perguntar disso. Tento transmitir via internet para os fãs as informações que recebo da gravadora porque muitos deles me pergutam sobre isso. Talvez possamos tentar ajeitar as coisas para cumprir esse desejo dos fãs americanos. Só precisamos saber onde disponibilizá-los para que sejam vendidos. Onde as vendas seriam um sucesso. Mas podíamos ao menos colocar um ou dois vídeos nas lojas. Vou trabalhar nessa ideia, mas não prometo nada. Mas se o seu sistema for compatível com o japonês, pode importar a versão de lá.

MIKE: Vocês lançaram um monte de B-sides durante a carreira. Já pensou em um álbum só pra elas?

MICHAEL: Provavelmente faremos isso daqui a alguns anos. Já tive essa ideia antes, mas muita gente me diz que ficaria parecendo queima de estoque. Sempre pensei em compilar esse material. Daria um álbum completo a essa altura. Talvez dois. Teríamos que misturar os materiais com o Hansen, Kiske e Andi. E teria que ter qualidade superior à da época em que lançamos essas faixas.

MIKE: Aqui nos EUA a droga heroína tem aparecido bastante nos jornais porque está virando meio que uma tendência, principalmente entre músicos. O primeiro tecladista do SMASHING PUMPKINS morreu disso. O vocalista do STONE TEMPLE PILOTS vive indo e voltando da reabilitação. O vocalista do PANTERA diz que morreu e ressuscitou...

MICHAEL: Qual vocalista? O primeiro ou o atual?

MIKE: O atual, Phil.

MICHAEL: Por que ele faria isso? É idiotice.

MIKE: Eu sei lá, mas ele diz que fez e que muitos músicos estão fazendo o mesmo ultimamente. Algo do tipo está acontecendo no cenário alemão atual?

MICHAEL: Não. Isso sempre esteve ao nosso redor. Essa droga costumava ser grande na década de 70 e tem se desenvolvido continuamente. Não como se fosse uma moda ou sensação do momento. O pessoal aqui, eles ingerem um monte de pílulas de ecstasy por causa dessa onda techno e alguns migram pra cocaína. Mas o caso da heroína, não é como se estivéssemos passando por um surto. Isso parece ser um fenômeno americano. Comparando com suas campanhas anti-tabagismo, acho que eles deveriam focar suas energias em outro lugar. Deve haver mais consumidores de heroína que fumantes, não sei.

MIKE: Bom, pelo menos entre os famosos. Mesmo na dramaturgia ouvimos sobre esse tipo de caso.

MICHAEL: É isso que venho dizendo há anos: você constrói figuras negativas e as leva até a fama, as faz grandes e dá grande visiblidade para com o público. Essas pessoas recém-famosas geralmente são figuras inúteis. Não sabem como lidar com a vida. Você pode ver na tela da TV que aquele cara não sabe o que está fazendo. Na vida pessoal, certamente a pessoa não sabe cuidar de sua vida. Em um acidente de carro, acho que ela desmaiaria só de ver o sangue. Gente inútil. Ídolos negativos. Anti-heróis e tudo mais. Como se espera que essas pessoas sobrevivam à fama desse jeito? Você precisa selecionar as pessoas certas para apresentar ao público e agregar algo positivo. Enquanto você pega idiotas como esses e os transforma em estrelas... não é de se surpreender que as pessoas sigam o mau exemplo deles. Mesma coisa com o James Dean. Recentemente vi uma entrevista com ele na TV. O entrevistador estava completamente aflito e então disse "bom, Jamie, antes de ir, alguma coisa a dizer para a América?" James já estava indo em direção à porta, visivelmente entediado ou chateado com alguma coisa, e então se virou e disse "um, ah, bom, apenas sejam vocês mesmos e fiquem em paz, tchau." Todos acharam o máximo. Ficaram todos empolgados com um lesado daqueles. Então, gente assim sempre irá fazer sucesso com o público americano. É como alguém me disse num e-mail: se quiser vender um porco como estrela para o público americano, é só deixá-lo atraente e conseguir mídia o suficiente. Os alemães sempre acolhem essas porcarias quatro ou cinco anos depois. Pra mim, particularmente é um saco. Já ouvi isso de vocês e sei do que se trata. Eu sempre pensei "seus alemães idiotas, por que não podem acompanhar os americanos nessas bobagens na época em que são lançadas e não cinco anos depois?"

MIKE: É muito interessante ver esses cantores na TV reclamando de serem famosos. Eu penso "bom, então por que assinaram o contrato com a gravadora?"

MICHAEL: Eles deviam ficar em casa. [Ambos riem] Eles não são as pessoas certas pra isso. O cérebro deles não funciona direito. Não usam a lógica.

MIKE: Quem você culparia, o público por fazê-los famosos, ou eles por seguirem em frente com isso quando claramente não estão sendo felizes?

MICHAEL: É a mídia, mas culpo o público por financiar essa merda, essas pessoas. O que há de tão bom nesses caras que não sabem quem são nem o que fazer? As pessoas sempre acham que elas sabem, mas não sabem porra nenhuma. Não conseguem distinguir entre estupidez e sagacidade e entre o bom e o mau. Qualquer coisa que se torne famosa é aceita como positiva porque é tipo "essa é a moda e você tem que ser igual a ele". Isso é tão estúpido pois não tem nenhum senso crítico. Sempre vou ficar puto com essas coisas porque já presencio isso há vinte anos e é sempre a mesma merda. As pessoas sempre caem por algum idiota desses. As pessoas comuns podem se identificar com essa gente porque também não sabem o que fazer da vida. Tipo "olha só, pessoal, alguém tão estúpido quanto nós, mas que chegou lá. Então vamos copiá-lo e talvez a gente consiga o mesmo sucesso".

MIKE: Deve ser por isso que tantas bandas estão surgindo agora soando idênticas entre si e mal sabendo tocar seus instrumentos. É incrível.

MICHAEL: É a mesma coisa com o Bill Haley e tudo mais. Aqueles caras mal conseguiam tocar seus instrumentos em comparação com hoje em dia. Rock `n' roll era muito simples, não podemos esquecer disso. É basicamente o que essas bandas de grunge estão tentando fazer. Estão tentando recriar o rock `n' roll, mas não sabem como porque nunca lidaram com o rock `n' roll antes. O que havia de tão bom no GUNS `N' ROSES? E quanto eles mudaram? Não muito. Se eles fossem tão bons assim no início, deveriam ser bons agora. Então, por que as pessoas dão atenção pra essas bandas de grunge se antes elas tinham o GUNS `N' ROSES? Eles deveriam ter se mantido fiéis à sua banda predileta. Essas bandas não podem ser consideradas especiais se em um ou dois anos ninguém liga mais pra elas. E quem faz isso, a mídia ou o público?

MIKE: Acho que ambos. No momento, por exemplo, ambos estão debatendo sobre o KISS e o VAN HALEN, sobre a reunião do KISS e da troca constante de vocalistas do VAN HALEN.

MICHAEL: Acho que é uma espécie de jardim de infância, mas enquanto você for pago está tudo OK. Na real, eu não gostaria de entrar para o KISS porque seria como entrar numa câmara de gás e durar mais de dez minutos. Ia durar mais tempo. [Ambos riem]

MIKE: Alguma opinião sobre os lançamentos do VAN HALEN antes de partir?

MICHAEL: Eu amo aquele material. Eles sabem foder com o público. Eles podem fazer essas coisas porque tem dinheiro e não precisam se importar com o que vem depois. Eles não precisam sequer de credibilidade. Eles fodem o público inteiro. Mas isso é da época da qual eles vieram, do humor que se tinha. Ees foram criados assim. Eles pelo menos sabem criar uma impressão.

MIKE: Com certeza. Obrigado por ter passado esse tempo nos atualizando sobre o HELLOWEEN e compartilhando suas opiniões sobre esses outros assuntos. Não deixe de ler essa entrevista quando ela for lançada no site!

MICHAEL: Tchau!




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