Helloween: entrevista com Michael Weikath em 1998

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Por Luiz Felipe Champloni, Fonte: True Metal, Tradução
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Entrevista feita por Tony Webster (do site http://www.truemetal.org) com Michael Weikath, no dia 21 de julho de 1998, época do lançamento de Better Than Raw. Espero que curtam minha tradução!

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Tony Webster: Acabei de conversar com Andi quando o entrevistei logo antes de você, e ele me disse que foi ideia sua, então pode me explicar qual é a de LAUDATE DOMINUM?

Michael Weikath: Bom, é bastante simples e é porque temos muitos fãs latinos na Itália, Espanha e Portugal, e Brasil e Argentina.... são pelo menos os países que abrangemos. Tem mais gente em Honduras, Peru e Chile obviamente, mas ainda não visitamos esses países, e já que a recepção tem sido extraordinária desses países, decidi fazer uma faixa de agradecimento a essas pessoas. Já tem tantas canções escritas para os fãs japoneses como por exemplo as do SCORPIONS e do ACCEPT, que tem gravado músicas em japones para eles, e não quisemos repetir isso. Isso não quer dizer que os fãs japoneses sejam menos especiais, só quis criar algo esquisito e numa linguagem diferente e pensei que latim fosse mais apropriado. De início, quis fazer algo em latim mas não sabia o que. Então fui visitar minha mãe durante o natal e ela tocou pra mim duas faixas de Laudate Dominum do Schubert e do Mozart e então pensei "Yeah, é isso!". Depois disso sentei com meu antigo professor de latim e fizemos a letra. Além disso, tentei trazer um pouco da qualidade das músicas do Haydn porque sou grande fã dele, o que não quer dizer que roubei a estrutura de alguma música que ele tenha feito, mas tentei criar a sensação de que as músicas poderiam ter sido feitas por ele. Então eu poderia mostrar como o Haydn soa porque não sou de roubar coisas dos outros e sempre que vou fazer alguma coisa tento ser o mais criativo possível usando estrutura semelhante. Então coloquei um monte de coisas que considero dignas de Haydn e a mesma coisa aconteceu com Falling Higher e as outras faixas... Eu quis fazer isso no futuro porque dá pra ver que as pessoas são influenciadas por Bach e afins, e Haydn caminha numa direção completamente diferente. Eu pessoalmente gosto dele pra caramba e tento colocar algo dessa qualidade em minhas cancões.

TW: Como anda a turnê com o IRON MAIDEN?

MW: Tem sido ótima e irá continuar no meio de setembro na Europa e para a América Latina temos que esperar a confirmação de alguns shows, mas um repórter me disse que já tem um produtor agendando shows nossos por lá. Ainda não tenho confirmação disso.

TW: Já postei as datas da Europa na minha página.

MW: Sério? Valeu! Nós também fizemos alguns shows com o Black Sabbath e eles foram muito bons, de fato foram bons DEMAIS! Eles tocavam em grandes estádios e estávamos assim também e foi muito bom, e na Polônia abrimos pra eles e foi fantástico.

TW: O que acha do Maiden e sua nova sonoridade... gostou? Diga a sua opinião.

MW: Não vamos dizer "sonoridade" porque eu não entendi o que eles fizeram nos últimos álbuns e acho que nunca entenderei e se alguem quiser me contar, talvez eu entenda... apesar disso, o Maiden é uma excelente banda ao vivo, eles sabem chegar ao ponto e nao há nada que se possa falar contra eles exceto alguns momentos de insegurança de seu novo vocalista. Em alguns dias posso dizer que ele teve uma boa performance, mas ele obviamente está inseguro sobre o que está fazendo. Tirando isso, eles estão seguindo em frente. Quando você está lá assistindo por três dias seguidos, não há do que reclamar. Você apenas sente que alguma coisa nao está certa ali no palco.....

TW: Estava me perguntando, o que tem acontecido com o Roland e por que ele não anda escrevendo nada ultimamente?

MW: É porque ele estava terminando de gravar seu trabalho solo na época e ele andava muito confuso com seu material. Entrando no estúdio para gravar Better Than Raw, Roland me ajudou em muitas partes de guitarra que eu não conseguia fazer e sentamos ali com 25 músicas e demos uma rápida ouvida pra ver o que entraria no álbum ou não, e tínhamos então o álbum concluído... todas as faixas estavam ali... Roland não viu necessidade em enfiar outra música já que tudo estava lá, e ele não saberia o que colocar dentro do conceito que nós já tínhamos. Então não havia necessidade dele fazer mais nada... ele ofereceu uma faixa para servir de ponte pra outra, mas decidimos deixar o álbum como estava.

TW: De onde vocês tiraram a ideia para a capa?

MW: Bom, é a história do Smurf que te contei. Andi e eu estávamos indo a um pequeno pub chamado "The Backstage". É um daqueles rock cafés onde tudo é bem apertado e tem bastante privacidade e fomos lá tomar café e água mineral. É pra lá que vamos para nos livrar de ideias antigas e então bebemos café, água mineral e um martini de vez em quando, e você pensa e fala um monte de merda enquanto isso. Conhecemos o dono do bar e as bartenders e é um lugar bem particular pra gente, e costumamos tirar nossas ideias estúpidas para capas ali. Tivemos essa ideia sobre os smurfs e o Gargamel e os personagens foram substituídos por uma bruxa sexy e as abóboras.

TW: Pois é... Andi disse que queria uma bruxa feia e você queria uma sexy.

MW: *risadas* Eu quis uma sexy porque seria óbvio demais uma bruxa feia *risadas* e seria tipo "uhhhh Angel Witch" ou algum outro clichê. Então como tentei criar um novo riff, criei uma nova bruxa que soasse mais moderna e que eu gostasse mais.

TW: Eu também gostei

MW: Yeah... é só pra aumentar o impacto, é por isso que eu luto.

TW: Voces lançaram o Pumpkin Box no Japão, pretendem lançar um segundo abrangendo a era Andi Deris?

MW: Sim... teremos sim uma segunda parte, mas não sei quais faixas entrarão nela mas serão escolhidas pelos japoneses e eles virão com a tracklist. Eles nos entregarão ela pronta e veremos quais músicas ficarão e quais serão inclusas. Fizemos o mesmo com a atual Pumpkin Box, então teremos uma parte 2 dela. Estou ansioso pra ver como ela será. No Japão, tem gente que já cresceu e não sabe muito a respeito do Helloween e a JVC tem tentado nos promover para estas pessoas, e para isso é necessário ter uma boa coletânea. Podemos dizer que a forma com que fizemos a Pumpkin Box é a melhor forma de fazer um "best Of" ou um "Greatest Hits" ou coisa do tipo. Então um monte de jovens passam a nos conhecer e se conectar a nossa carreira. Já que agora eles tem a Pumpkin Box els já sabem por onde continuar a nos acompanhar. Pode não valer a pena para quem já dispõe de todos os nossos trabalhos, mas é ótimo para os iniciantes.

TW: Sabe... eu gosto da Pumpkin Box... eu a importei, e gostei mesmo de como ela foi organizada.

MW: Que maravilha... uma pena que o encarte caia tão facilmente...

TW: Você sabe que o metal nos EUA obviamente não é tão grande como no Japão e na Alemanha ou algum lugar do tipo, e muito disso se deve à MTV diariamente pregando que o "Metal Sucks", "Metal Está Morto", Bla bla bla bla. Disseram isso a um monte de bandas, disseram ao Dave Mustaine, por exemplo, que "o Metal está morto, não vamos mais passar clipes de metal."

MW: Nunca ouvi falar disso mas já li uma citação numa revista, porque um dos reviews de Better Than Raw incluía essa citação, o que me deixou surpreso. De qualquer forma, não precisamos da MTV pra isso e acho ótimo que o Headbanger's Ball tenha saído do ar porque ele era muito tendencioso e seguia pra uma direção errada. Tem um monte de gente aqui na América que quer ouvir bom hard rock e são bem cientes do que querem. Eles estavam sendo direcionados do jeito que costumavam e agora terão que arranjar outro meio para manter a cena viva. Estou muito otimista e confiante de que isso ocorrerá em breve... é como se todo mundo andasse meio desorientado, ninguém sabe o que está acontecendo. Isso é bastante compreensível, já que um monte de bandas de que você espera ótimos trabalhos tem decepcionado. Isso não ajuda muito na situação... de qualquer forma, acho que bom material será lancado e se iniciará uma Renascença do estilo e é assim que eu vejo as coisas, como um círculo. Se as pessoas ficarem aborrecidas o suficiente com o que está sendo feito, elas surgirão com novas coisas e assim será.

TW: Gostaria de te fazer uma pergunta sobre uma das suas B-sides... Uma do single do Chameleon... "Step Out Of Hell". Qual foi a ideia por trás das faixas "Intruduction" e "Get Me Out Of Here"?

MW: Com a "Introduction" eu tentei criar um impacto tipo "Spinal Tap" sobre um astro do rock germânico que perde o senso de realidade e também quis cagar na cabeça de algumas pessoas que eu conhecia. É uma maneira muito particular de se fazer isso, então foi bastante divertido. Durante essa época eu estava tão infeliz com tantas coisas e não estava envolvido com o Helloween porque pensava que estávamos indo na direção errada, e estando naquela situação eu só quis me divertir. Tem alguns vídeos caseiros de shows no Japão em que me comporto muito mal, e ainda tocava minha parte. Mas era meio óbvio que eu não estava interessado em nada e se tratava apenas de meras agressões entre Michael Kiske e eu, que dividiram a banda em fronts e foram ruins para todo mundo. Especialmente para mim em particular e Michael Kiske também. Então eu queria fazer um monte de coisas estúpidas para irritar Kiske e os outros. E foi assim que "Introduction" surgiu e a música completa (Get Me Out Of Here). O engraçado é que Michael Kiske gostou tanto de "Get Me Out Of Here" que pediu para eu escrever mais material desse tipo... até mesmo para os álbuns. E eu disse "Éee... talvez já tenha chegado longe demais" e ele disse "por que?" , e respondi "Porque simplesmente não podemos fazer isso... fim de papo". Ele tinha seu argumento mas por outro lado fiquei muito feliz por ela ser uma b-side. Também já tive que ouvir muita merda por causa de "Heavy Metal Hamsters", que era pra ser uma b-side para o Pink Bubbles e acabou virando uma faixa do álbum. Sobre Step Out of Hell... é uma das faixas mais antigas que Roland fez com sua antiga banda Rampage. Ela foi lançada originalmente com o nome de "Victims Of Rock". Então ele mudou a letra e a refez como música do Helloween. A letra claramente era direcionada ao Ingo...

TW: Então do que se tratava?

MW: Em parte... falando em modo geral... talvez fosse focada no Ingo...

TW: Falando em Ingo... que doença ele tinha?

MW: Ele era esquizofrênico... desde que nasceu. Eles descobriram durante o tratamento de reabilitação que ele teve que passar e parece que o consumo de cocaína, maconha... e de álcool e tudo mais teve um efeito permanente no cérebro dele. Isso não termina bem quando se é esquizofrênico. O negócio é que o álcool pode neutralizar os efeitos da esquizofrenia por algum tempo, mas eles sempre retornam quando voce chega aos trinta anos, então você precisa de tratamento porque é uma doença muito séria... muito complicada e difícil de curar... tanto que algumas pessoas dizem ser incurável. Foi isso que aconteceu com ele e então a vida se tornou um grande fardo pra ele. Disse a ele que nessa situação ele não poderia tocar mais com a banda, que não era escolha minha, e o resto da banda ficou sentado pensando a mesma coisa. Tive apenas que conversar com ele por 5 ou 6 horas. Eu ficava dizendo não e ele pedia pra voltar e eu ainda dizia não porque isso o mataria de qualquer forma. Ele não era são como nos fez acreditar e não tinha ciência de sua real situação. Ele não tomava seus remédios obrigatórios. Entao um dia ele pulou na frente de um vagão de metrô...

TW: É uma história triste...

MW: Pois é...

TW: Vocês tem alguma relação amigável com Michael Kiske?

MW: Ainda não... apesar do Roland ter visto ele numa loja de música e conversado com ele por meia hora. Tirando isso, nunca mais tivemos contato desde que ele saiu.

TW: Você sabe que tem um monte de coisa circulando por aí... um monte de merda que as pessoas tem dito sobre você...

MW: é como essas pessoas do lado de fora... sempre tem que falar alguma coisa... bom, elas tinham que estar na banda naquela época... se não estavam, então deveriam calar a boca.

TW: Lembro que tinha um cara no fórum da Your Turn te acusando de coisas... lembra dele?

MW: Sim... lembro... aquele cara era um babaca.

TW: Sabe... sempre tem um monte de gente me perguntando essas besteiras e eu fico tipo..."Você nao estava lá quando Weikath e Kiske não podiam trabalhar juntos, então o que está falando?"

MW: Sim... eu me lembro dos seus comentários no fórum, se não me engano...

TW: Então você está agora saindo da era Chameleon... qual a importância da adição de Andi Deris a banda? Quão crucial foi seu papel na banda no começo?

MW: Bom, ele colocou tudo no seu devido lugar porque ele era o único cara que queríamos pra banda. Nós nunca anunciaríamos que o Helloween estava à procura de um novo vocalista porque não confiaríamos em ninguém. Devido às coisas que aconteceram durante o desentendimento com o Michael Kiske, eu e o resto da banda estávamos tão estressados que não queríamos convidar alguém desconhecido pra cantar na banda. Achávamos que íamos enlouquecer... então se Andi não tivesse se juntado ao Helloween, teríamos provavelmente dissolvido a banda. Teríamos feito mais alguma coisa... e esperado um tempo, mas de qualquer forma dissolveríamos a banda caso ele não entrasse. E estava bem claro pra todo mundo que não queríamos Michael Kiske no próximo álbum. As coisas com ele foram longe demais, sabe?

TW: Como conseguiram Andi para a banda... quero dizer, onde o encontraram?

MW: Bom, eu chamei ele... mas já o conheço há sete anos. Eu já havia recebido permissão para me aproximar dele durante a era Pink Bubbles Go Ape e o chamei já naquela época, porque a situação da banda estava insustentável. Ingo era o único que queria ficar com Michael Kiske e Andi preferiu ficar com o "Pink Cream 69" porque ele disse que não havia razão pra abandonar seus companheiros, porque eles se comportavam bem, eram caras legais e tinham uma ótima banda juntos. Andi é um cara muito sociável... todos nós sabíamos na época que ele era a escolha perfeita para o Helloween. Ele também disse que não poderia sair porque as coisas com sua banda estavam indo pelo mesmo caminho... então algo ocorria em paralelo. Helloween estava caindo e o Pink Cream também. Acho que fiz a ligação na hora certa, mas ainda acho que soei muito idiota falando "Se você nao vier cantar pra gente, nós vamos acabar com a banda... então pense a respeito. Mas se você vier cantar pra gente, podemos lancar um material matador e jogar ele na cara das pessoas, sabe?? Pense nisso!" Então tivemos mais duas ou três reuniões para convencê-lo e ele não queria tomar nenhuma decisão por enquanto pois aquele ano tinha sido péssimo, e era ano novo. Então faltando 3 minutos pro ano novo ele me liga e diz "Tá certo... estou dentro". Então ligamos para Michael Kiske e falamos que queríamos nos reunir e ele disse "Outra reunião? Pra que?!" e eu disse que era pra "Algo importante" e ele disse "Já tivemos reuniões demais, não precisamos disso, reunam-se aí e depois me digam o que ficou decidido". Nosso produtor então disse "Bom, é sobre você, Michael" e então a reunião nunca ocorreu porque as coisas já estavam claras.

TW: Pode me contar sobre o caso com a Noise Records? Sobre quebra de contrato e tudo mais?

MW: Foi uma completa bagunça mas não causou problemas para a banda. Era como as diferentes personalidades que tínhamos e não se encaixavam. Bom, a outra coisa com a Noise records veio até mim naturalmente porque meus pais sempre estiveram em tribunais desde que me entendo por gente. Então alguns membros da banda tinham medo de entrar em um tribunal e pra mim foi natural e só quis sair daquele contrato, entende...

TW: Você acha que depois dessa situação que os impediu de lancar álbuns nos EUA por 2 anos, a relação com a base de fãs daqui piorou?

MW: Eu não sei e não quero pensar nisso... Se isso aconteceu, não notei. É mais ou menos como Kai Hansen e eu... nós meio que dividimos as pessoas porque há uma polaridade entre eu e ele por sermos caras diferentes. Então quando você junta fãs do GAMMA RAY com os do HELLOWEEN você tem o público que o HELLOWEEN costumava ter. Acho "Somewhere Out In Space" um ótimo álbum.

TW: Eu também.

MW: Ele tem uma levada muito boa e parece muito coeso e acho que Daniel é responsável em parte por isso e Henjo também. Kai Hansen agora pode pensar em coisas novas porque a formação anterior do GAMMA RAY não era lá muito boa com os antigos membros... eles não estavam entrosados com o projeto, estavam apenas tocando. Ganhavam seu dinheiro e faziam seu trabalho mas não levavam fé no GAMMA RAY e então Daniel aparece, e ele possui um grande coração e é bastante fã da banda. Os outros não eram, acredite ou não... e então eles se viam em situações de ter que lidar com Kai Hansen e as coisas nao iam muito bem. Não estou dizendo que era culpa do Kai... é como tipos diferentes de pessoas não dando certo... sabe? Não era a melhor formação que tiveram, como na época de "Insanity & Genius". Lançaram bons álbuns, mas a formação da banda não era a perfeita, não soava natural e não dava certo... nada se encaixava... os personagens da banda não se encaixavam.

TW: Ok... acho que você já ouviu falar nisso... teve um artigo na Terrorizer onde vocês soltaram os cachorros no Max Cavalera....

MW: Ah sim... isso mesmo... isso é o que ele mereceu pelas coisas que disse. Eu não o entendo... existe dois campos diferentes entre o metal e o hard rock desde que eles nasceram. É como o bem e o mal e o preto e o branco e o Sepultura e nós entendemos isso de forma completamente diferente. Me lembra de problemas que tivemos com os caras do Kreator há uns 10 anos e não entendemos. O que fazemos é o que nossa banda entende como heavy metal... e se o Cavalera pensa diferente, ele está numa frente diferente da nossa, certo? Eu nunca chegaria e diria que o SEPULTURA está piorando a situação do metal por eles não serem melódicos ou por eles serem antissociais ou agressivos... quem sou eu pra falar isso? Tento encontrar algo positivo sobre o SEPULTURA e o SOULFLY e quem sou eu pra julgar o que eles fazem? Acho que o Cavalera deveria estar feliz pois sabe que fez um bom trabalho. Quer dizer... eu não entendo sua reação. Ele deve ter focado em certas coisas e não ficou bem com isso.... não sei qual é a dele... não tenho ideia....

TW: Um amigo meu entrevistou algumas bandas alemãs e elas disseram que ele é um "ignorante".

MW: Acho ele muito bitolado, e talvez ele não tenha arrecadado tanto quanto ele esperava... Eu não sei, porque não o entendo. O Metal sempre foi comercial e nao há nada contra escrever boas melodias... se tivesse, deveríamos rejeitar o UFO, RAINBOW ou o JUDAS PRIEST e todo mundo... talvez ele queira fazer isso... não sei.

TW: Falando em Priest... o que achou do novo vocalista?

MW: Eu não sei... não gostei do novo álbum, mas aí ouvi falar que os shows iam muito bem e que aquele Ripper Owens era o substituto perfeito para o Rob Halford, mas ainda não testemunhei isso. Preferi não assistir ao show deles quando estavam em Hamburgo porque tive a chance de ficar com uma garota que eu gosto. Me disseram depois que Ripper cantou perfeitamente. O que tenho pra criticar é que no álbum ele não usa nenhum vibrato ou coisa do tipo e ele soava como qualquer outro "gritador" americano, como um vocalista qualquer... então, não vi ainda nenhum show e, caso eu veja e goste dele, retiro tudo que eu disse... mas por enquanto posso dizer que não gostei do álbum.

TW: Uma das suas B-Sides... a canção Rain... quem fez essa mísica?

MW: Oh! Essa é da banda STATUS QUO! Eles tinham um álbum chamado "Blue For You"... acho que foi lançado em 1975 ou 1976 e foi um sucesso na Alemanha e no Japão porque STATUS QUO era a banda do momento e o AC/DC ainda nao tinha ficado grande, então eles eram a grande banda de rock e blues da época. Como o METALLICA... todo mundo que queria tocar guitarra comecava com os riffs da STATUS QUO e queríamos tocar isso e todos acharam divertida a ideia. É impossível copiar a STATUS QUO... não estava soando nem um pouco como ela, parecia uma versão do WHITE LION, então usamos os mesmos amplificadores e as mesmas guitarras, refizemos tudo e ainda não soava como a STATUS QUO, e costumávamos conseguir fazer isso. "Cold Sweat", por exemplo... eu realmente gostei dela, e Electric Eye foi muito bem, mas Rain não soou como STATUS QUO de jeito nenhum.

TW: Aquela instrumental, "Magnetic Fields", que banda a fez?

MW: Foi um músico francês chamado Jean Michel Jarre quem fez essa...

TW: Vocês se dão bem com as outras bandas alemãs?

MW: Estamos muito felizes agora que não há mais aquele clima ruim de 10 anos atrás. Não há mais razão pra falar mal de ninguém porque ninguém mais sente que está tendo seu espaço tomado, o que é bom... e se isso acontece, nós obviamente lidamos com isso.

TW: Tenho recebido e-mails de algumas pessoas em Portugal perguntando se vocês voltarão para lá depois que uma pessoa da platéia lhe atingiu com um objeto.

MW: Claro... Já tocamos lá antes e ninguém tinha me tacado nada na época e aí dessa vez alguém o faz. Talvez essa pessoa estivesse me achando preguiçoso, arrogante ou coisa do tipo... ou não gosta de mim ou acha que causei a morte do Ingo... não sei o que ele estava pensando... talvez ele não gostasse do meu jeito de ser. Pelo dinheiro que se gasta pra ir a um show... você vem pra nos ver do jeito que somos, então não vou ficar atuando na frente das pessoas... eu sou do jeito que sou e essas pessoas pagam pela oportunidade de testemunhar isso. Não vou mudar meu comportamento porque ele quer... entende?

TW: Um monte de gente me mandou e-mails perguntando por que vocês nao tocam mais material antigo e que querem ouvir as versões de Andi para ele.

MW: Isso é verdade, mas aí teríamos que tocar por 3 horas e tudo que temos tocado tem formado um setlist muito bacana... se tocarmos material antigo, alguém vai aparecer reclamando de outra coisa. O problema é que se tocarmos apenas músicas antigas o único que vai ganhar dinheiro com isso é o Kai, e não queremos sustentar mais esse cara porque ele já ganhou dinheiro o suficiente da gente. Roland nao é muito familiarizado com esse material porque não estava lá na época. Quando eu digo "Quero tocar "Starlight", "Murderer". Roland fica tipo "Oh meu Deus, vou ter que tocar tudo isso?" e não posso reclamar porque isso lhe deixaria muito sobrecarregado. Deixaria o Roland em maus lençóis... mas não o Andi... ele pode cantar as músicas antigas, mas aí o Roland teria que praticar pra caramba e pra que?

TW: Por que Kai saiu da banda?

MW: Havia vários motivos... ele pensou que não tinha mais espaço no Helloween pois Kiske e eu tínhamos opiniões diferentes e isso era estressante pro Kai. Ele também me disse que toda a publicidade que tivemos que fazer realmente o irritou porque ele queria se estressar o mínimo possível com a coisa toda. Dá pra notar isso na trajetória do Gamma Ray... eles não fazem muitas tours nem muita divulgação porque é exatamente isso que ele quer... não quer fazer tanto quanto fez no Helloween. Ele também teve alguns problemas com a banda... porque na época do Walls Of Jericho ele já fazia reclamações do tipo "Sabem... podíamos fazer menos shows" e o empresário respondia "Por que você não vai tocar em outra banda então?" Parece que ele levou a sério... mas na época relevou... Tínhamos opiniões tão diferentes que até fiquei feliz quando ele saiu, sabíamos que continuaríamos sendo amigos mesmo estando em bandas diferentes, mas tem sempre esses problemas de diferenças de ponto de vista e temos que seguir com as nossas carreiras. Quando sentamos juntos num show do UFO posso te dizer que havia um monte de olhares incrédulos de fãs do tipo "Uau, mas como assim?". É normal falarmos um com o outro...

TW: Você já pensou em gravar um álbum solo?

MW: Bom, já recebi a grana pra gravar um álbum solo, então eu tenho que gravar um.

TW: Uma última coisa... vocês pretendem gravar ou fazer um documentário em vídeo com clipes da banda e sobre sua história e etc?

MW: Fizemos algo do tipo e se chama Pumpkin Video...

TW: Sim... eu tenho ele.

MW: Ótimo... porque é uma ótima coletânea de vídeos organizados na ordem em que foram lançados. Acho que termina com "Where The Rain Grows" ou algo assim....

TW: É isso mesmo.

MW: Se formos fazer isso no futuro, teria que ser algo grande. Não temos ainda tantos vídeos e o Pumpkin Video já abrange a maioria deles... entao teríamos que esperar um pouco mais. Não estou muito ansioso pra cobrir a formação antiga... estamos vivendo o presente e queremos criar algo pra nós... para o Uli e o Roland e para o Helloween do jeito que ele é agora. Se um documentário sobre nós for gravado, ele teria que ser feito em duas partes para ser justo com o antigo Helloween e o novo Helloween.

TW: Obrigado pelo telefonema, eu adorei! Espero te ver pelos Estados Unidos algum dia!

MW: De onde você fala mesmo?

TW: Cleveland.

MW: Ah sim... eu me lembro... conheci algumas pessoas por aí. Foi ótimo conversar com você... espero que tenha um bom dia. Aproveitando a deixa... diga a todos os meus fãs que, mesmo que eu não responda a todos os e-mails deles, eu leio todos.




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