Rock em Análise: entrevista com a banda Desrroche

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Por Fábio Cavalcanti, Fonte: Rock em Análise, Press-Release
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Formada no já longínquo ano de 2002, na cidade de Salvador, a Desrroche despontou nos últimos anos com o seu rock industrial calcado em influências góticas no seu som, e certa dose de "horror" em suas performances.

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Após muitos shows e algumas gravações, o quinteto ganhou um novo público com a sua apresentação na edição de 2012 do Palco do Rock, o tradicional festival dos roqueiros no carnaval de Salvador.

Confira a entrevista concedida pelo vocalista Lex Pedra ao Rock em Análise.

Como surgiu a idéia de formar uma banda de rock industrial em uma cidade que não oferece tantas oportunidades para bandas desse estilo?

A idéia inicial era criar um trabalho que fosse distinto do tradicional com informação simples e direta cantada em português o que era muito pouco explorado por aqui na Bahia, na verdade começamos a montar as composições injetando elementos das nossas influências sem rotular ou limitar o estilo da banda. O titulo de rock Industrial não foi nada intencional nem tão pouco proposital isso veio com o tempo, estamos sempre fundindo batidas e sonoplastia nas nossas composições, o industrial é o estilo que está mais próximo das referencias direcionadas a Desrroche hoje.

É de se imaginar a dificuldade em manter uma banda de rock aqui em Salvador-Ba e se falar de rock industrial que é um gênero muito pouco explorado no Brasil as oportunidades são muito poucas mesmo, em nossa cidade ainda é um território deficiente de boas casas para shows, o espaço na mídia local ainda é muito restrito e o que temos tentamos aproveitar e explorar da melhor maneira possível.

Quais são as suas principais influências?

Quando se trata de influencia é muito bom ressaltar que não há uma linha a ser seguida, temos o nosso dia a dia em comum e com todas as dificuldades e vitórias que envolvem o ser no seu habitat, essas são as principais influencias se tratando das letras, mas temos as nossas referencia como as bandas Rammstein, Marilyn Manson, Ozzy, Nine Inch Nails, Rob Zumbie, Alice in Chains, Deathstars, Sepultura, Ratos de Porão, Alice Cooper, Zé Ramalho, Cordel do Fogo Encantado e mais algumas que fazem parte da nossa raiz musical.

O que inspira a banda durante o processo de composição de novas músicas?

A religião, a degradação humana, os conflitos da nossa sociedade, a agressão do homem a natureza, e a resposta da natureza para com a agressão sofrida, na verdade há uma gama de fatores que envolvem uma inspiração não há nada que determina e que direcione a banda, o que mais acontece em estúdio em momentos de composição é a energia que nos invade nas frases cantadas e das notas tocadas a emoção coletiva e fator principal quando a música toca no espírito de cada um de nós, é muito inspirador e muito importante é onde olhamos um para o outro e dizemos: A forma é essa!

Como pretendem gravar e divulgar novos sons no futuro, considerando a atual situação da indústria fonográfica?

Nessa era de downloads e uploads e considerando que o CD já é em uma “mídia morta” a indústria fonográfica vem sofrendo as conseqüências pela demora de atualizar e desenvolver uma estratégia para reaver o seu espaço onde o valor tanto para fazer quanto para vender era de extrema exploração ao artista e ao seu público, a internet hoje, eu vejo como uma grande arma que pode ser usada tanto para salvar quanto para destruir, com a tecnologia e a informação mais acessível temos a facilidade de gravar e apresentar o trabalho de forma independente, mas há um risco muito grande nesta investida pois a banalidade na internet acaba deixando o artista exposto e vulnerável e isso é um perigo para quem não sabe lidar com isso.

Já temos novas músicas sendo montadas, desta vez vamos lançar um single, não vamos gravar um álbum como fizemos no CD Se eu morresse amanhã, pois tivemos um custo considerável para preparar 05 faixas, onde nós sabemos que o retorno é de longo prazo e na velocidade que as coisas acontecem eu acredito que se conseguirmos lançar a música, ficará com uma qualidade maior pela atenção aos detalhes, mais rentável e o mais recompensador disso é que, quando a banda for executar a música nova no palco já não será mais tão nova porque o publico vai para os shows na expectativa de ouvir e cantar a música junto com a banda e a divulgação com certeza vamos tentar atingir o maior numero de pessoas através das redes sociais e todo tipo de mídia disponível.

O que vocês tentam oferecer como diferencial ao público em seus shows?

Desde a primeira aparição da Desrroche sempre adotamos a mesma receita, sempre levamos para o palco além da música a nossa performance visual que é irmã gêmea da música, o teatro sempre envolveu a banda nas interpretações das não consigo cantar uma música sem interpretá-la fisicamente não tentamos limitar os nossos sentimentos e movimentos quando estamos no palco nos envolvem e com a música e com certeza expelimos toda essa energia para o publico, temos momentos significante nas músicas por exemplo O portador onde o palco é perturbado com dançarinas de tribal fusion um envolvimento muito sensual e hipnotizante deixando o publico eufórico com os seus movimentos marcados e acentuados pela banda.

No mais recente show do Festival Palco do Rock 2012 levamos mais algumas inovações para o palco. Na música Enola Gay, que reporta o bombardeio da Hiroshima e Nagasaki, levei uma “bazuca com fogos de artifício” para o palco interagindo e interpretando além de um lança chamas usado por mim na ultima músicas do repertório, tivemos mais um elemento surpresa onde houve uma intervenção de um personagem mascarado, acorrentado e manipulando fogos com a mãos e atuando com uma moto-serra, levando para o palco mais entretenimento e performance e interpretação da música além do grande destaque da produção este ano, com de pontos de fogos transformando o show em um grande espetáculo, nunca visto no maior festival de rock que podemos considerar que é o maior festival da America latina pelo seu formato e data de acontecimento.

Acreditamos que todas essas iniciativas sejam um grande diferencial e a melhor forma de entreter e divertir o nosso publico, é muito diferente de uma banda que sobe no palco com os seus instrumentos plugam faz o show e desplugam e fim de show , não somos contra a estes tipos de shows só estou tentando apontar a diferença de uma banda "simples" para a Desrroche que sempre leva para o palco elementos para compor cenário sempre com uma temática, uma equipe de produção muito dedicada que faz com quer as nossas idéias aconteçam então não é só uma banda no palco é uma equipe onde cada um é responsável por seu setor, onde a idéia final é proporcionar espetáculos para quem está nos assistindo.

Como representantes do rock industrial no Brasil, já escutaram outras bandas do gênero por aqui? Em caso positivo, o que acham do trabalho dessas bandas?

Aqui em Salvador a referência de rock industrial que tenho é a banda Modus Operandi que faz um tipo de música experimental, única e inusitada levando para o palco ferramentas e extraindo sons dentro das músicas como furadeiras, chapas de aço e etc., trabalhamos juntos em muitos eventos e festivais. Eu particularmente não tenho muitas referencias de bandas deste gênero em nível nacional de própria autoria, já dividimos palco aqui em Salvador com a banda Maldita (RJ) onde são próximos do que fazemos e conheço algumas bandas covers, acredito que existem bandas boas deste gênero fazendo trabalho serio pelo Brasil, mas infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer e eles não tiveram a oportunidade de se expandir em um volume maior assim como a Desrroche vem buscando o seu espaço há 10 anos.

Vocês sofrem algum tipo de preconceito por parte de novos ouvintes?

Há uma realidade explícita quanto a este questionamento por incrível que pareça até mesmo contradizendo a sua pergunta, nós somos mais aceitos pelos "novos" do que pelos "antigos" ouvintes de rock, acredito por estamos fundindo elementos eletrônicos e sintetizados no rock isso acaba atraindo as pessoas que tem uma mente menos preconceituosa, respeitosa e flexível voltada para o universo da música rock mundialmente falando, não podemos ignorar e evolução de cada espécie assim também como a evolução de cada gênero musical, não podemos fechar os olhos e ouvidos para algo que já está acontecendo e se transformando.

Alguns nos direcionam com um tom de sacarmos e ironia por usarmos maquiagens, acessórios, pinturas às vezes mascaras para interpretar alguma música, temos muito cuidado com essas pessoas, pois sabemos que por traz daquelas palavras há um propósito de provocação e até mesmo uma dose de ciúmes pela atitude e coragem que temos de fazer a nossa arte do nosso modo independente das criticas.

Eu fui educado musicalmente ouvindo de Janis Joplin, The Doors, Kiss, Alice Cooper até o gênero mais agressivo como Sepultura e Samael, sempre conseguir assimilar as emoções envolvidas em cada gêneros do rock e trago isso comigo até hoje e tento passar isso na Desrroche.

Muitos roqueiros das “antigas” que não gostavam da Desrroche por levarmos um trabalho diferenciado e inovador e por não conhecer direito a banda, mas quando alguns passou a observar melhor viraram nossos amigos e fãs, ainda tem alguns que ainda “torcem o bico”, isso é comum e respeitamos a posição e o gosto de cada um.

Vocês estão abertos a possíveis mudanças de sonoridade em trabalhos futuros ou preferem manter sempre a mesma essência musical?

Na Desrroche há uma flexibilidade para composição como eu tinha dito antes, não há uma linha a ser seguida não há um rotulo e sim referencias e se um dia a banda sentir que deve mudar algo isso vai ser feito de modo que não tenhamos que perder a essência, o importante para a banda é que façamos algo que todos fechem os olhos e sinta a música nas suas entranhas, sempre vamos compor músicas distintas sempre evitamos fazer um trabalho onde as musicas se pareçam tanto com a outra onde você ouve a primeira faixa de um CD e na décima faixa está tudo parecido e enjoativo.

Quais medidas vocês tomam, com o objetivo de manter a banda sempre unida, focada e interessada no trabalho em grupo?

Realmente o trabalho em grupo não é nada fácil, o foco é a direção da banda, procuramos sempre estar juntos o mais constante possivel independente de ensaios e shows, tentamos nos aproximar uns dos outros saber sempre como o outro está, dar apoio sempre que possível extra banda, sempre fortalecendo o clima de amizade e família dentro da banda, sabemos que sempre há momentos tensos dentro das reuniões onde queremos sanar alguma dificuldade, mas é um momento sensível e de amadurecimento evolutivo tanto do integrante citado quanto para a banda, cabe cada um absorver a informação discutida e usá-la de forma inteligente para corrigir os problemas e seguir em frente, em alguns momentos preferimos nos reunir, conversar sobre as nossas vidas, beber juntos e discutir os novos projetos para com a banda do que ficar trancado dentro do estúdio mais de três horas fazendo música sem se importar com o lado espiritual e psicológico de cada um, pois a Desrroche depende muito desses dois elementos para tocar os projetos há frente, porque o que fazemos vai muito alem de uma “simples nota”.

Quais dos seus objetivos como banda vocês acham que já atingiram, e o que ainda esperam conseguir no futuro?

Nessa estrada de 10 anos conseguimos criar nossa própria identidade, conseguimos executar todos os projetos pautados com bastante persistência e resistência, a cada dia nós conquistamos mais pessoas com a nossa arte, a cada show somamos simpatizantes e ainda estamos na batalha para concretizar e solidificar os próximos trabalhos, aqui em Salvador passamos pelo centro cultural do Pelourinho muitas vezes, já tocamos por 07 anos no Palco do Rock, isso é muito satisfatório, pois a quantidade de público chega a ser de três mil pessoas por noite . Nessa passagem vimos muitas bandas nascerem, agonizar e morrer e sempre nos seguramos uns nos outros criamos um alicerce entre nós para que não acontecesse o mesmo com a Desrroche.

O futuro? Nós sempre idealizamos, escrevemos e projetamos, mas na verdade o que a Desrroche almeja é mostrar o seu trabalho para o Brasil e para o mundo, queremos que o Brasil saiba que aqui em Salvador existe uma banda como a Desrroche e mostrar para o mundo a força que existe aqui, queremos expandir a nossa arte para o maior número de pessoas, queremos que mais pessoas vejam, ouçam e sintam a Desrroche.

O Rock em Análise agradece pela entrevista, e deixa este espaço final em aberto para qualquer comentário adicional...

Estamos muito honrados em estar aqui passando as informações sobre o nosso trabalho, queremos agradecer de coração a oportunidade que você nos proporcionou, sei que em algumas respostas ainda ficou faltando algo para ser esclarecido, mas o espaço foi suficiente para iniciarmos uma conversa mais profunda futuramente. Para os leitores deste espaço, peço com nossa humildade mais um pouco de atenção para com as bandas locais do seu estado e do nosso país vamos valorizar o que está sendo feito na nossa terra, vamos tentar nos unir mais, vamos amadurecer o conceito de gêneros e subgêneros dentro do rock 'n' roll onde nós sabemos que na verdade não existe tal apartheid se tratando da ideologia rock que sempre nos levou a liberdade e união, vamos nos espelhar nas grandes bandas, nos grandes festivais onde todos os estilos de rock se encontram e fazem uma grade celebração a vida.

Ouvir a Desrroche, ver a Desrroche, sentir a Desrroche! E tudo que você já viu e ouviu vai se tranfomar e abrirá um grande leque de opções em um horizonte inexplorado.

Conheça o som da banda Desrroche.

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Sobre Fábio Cavalcanti

Baiano, sempre morou em Salvador. Trabalha na área de Informática e ¨brinca¨ na bateria em momentos vagos, sem maiores pretensões. Além disso, procura conhecer novas - e antigas - bandas dos mais variados subgêneros do rock. Por fim, luta para divulgar, sempre que possível, o pouco conhecido cenário rocker da tão sofrida ¨Terra do Axé¨.

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