Scorpions: acontecendo e sentindo a energia
Por Nathália Plá
Fonte: Blabbermouth.net
Postado em 19 de janeiro de 2012
Jeb Wright da Classic Rock Revisited entrevistou recentemente o vocalista Klaus Meine do SCORPIONS. Seguem alguns trechos da conversa.
Classic Rock Revisited: Enquanto a turnê de despedida prossegue, vocês estão começando a ficar emotivos com a proximidade do fim?
Klaus: É algo estranho de se pensar após quarenta anos com essa banda. Somos uma família. De outro lado, somos uma banda que após quarenta anos sobreviveu ao punk e ao grunge. O rock clássico parece ser bem popular nessa nova geração. Nesse momento, podemos colocar toda nossa energia nos shows da turnê. Vamos fazer o maior festival de heavy metal do mundo, que se chama Wacken. Pessoas vêm do mundo inteiro para ver esse espetáculo. Estamos acontecendo nesse momento e sentindo a energia. Nossos fãs mundo afora vão manter essa energia até o fim. Eles vão mantê-la até que nosso furacão do rock se transforme numa tempestade tropical.
Classic Rock Revisited: No Blu-ray «"Get Your Sting And Blackout - Live in 3D"», durante a música "Still Loving You", a camera fica focada no público e cada pessoa na multidão sabe cada palavra da letra da sua música. É incrível.
Klaus: Eu não preciso cantar mais pois a plateia canta todas palavras de todas músicas. É demais. Temos um público totalmente novo, que faz uma mistura bacana entre aqueles fãs que estiveram com a banda por trinta, quarenta anos. Há fãs jovens ficando bem na frente do palco indo à loucura com a "Blackout", "No One Like You" e "The Zoo" e outras músicas que foram compostas bem antes deles terem nascido. É maravilhoso ter aqueles clássicos como "Still Loving You" e não importa onde estamos tocando, os fãs reagem da mesma forma e cantam junto. Os fãs do SCORPIONS fazem todos os shows muito divertidos e a sensação é ótima. Podemos tocar na Rússia ou em Nova Iorque ou em algum lugar no meio da selva e os fãs cantam todas as letras das músicas. É uma sensação maravilhosa, maravilhosa.
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Classic Rock Revisited: Eu tenho uma pegadinha para você. Eu achei que o "Sting In The Tail" seria o último álbum dos SCORPIONS. Eu tenho nas minhas mãos o novo álbum "Comeblack".
Klaus: Era pra ser. Anunciamos o álbum "Sting In The Tail" juntamente com essa turnê que vai nos levar pelo mundo todo e se tornou um sucesso tão grande que a Sony disse, "Ok, queremos fomentar isso com algum produto". O que vocês podem fazer?" Acabáramos de anunciar nosso último álbum e então as coisas tomaram tamanha proporção que eles queriam que voltássemos para o estúdio. Decidimos que se fôssemos fazer aquilo, então devíamos ir e nos divertir. Decidimos regravar alguns de nossos clássicos como "The Zoo" e "Rock You Like a Hurricane". A idéia era tirar o pó daqueles discos de vinil e apresenta-los a um público totalmente novo com o som do século 21. Foi muito divertido porque você pode fazer tanta coisa mais no estúdio hoje. Ao mesmo tempo, achamos que isso não bastaria pois não queríamos lançar um novo álbum sem nenhuma música nova nele. Pensamos em gravar alguns covers e prestar tributo a algumas bandas lendárias que nos inspiraram nos anos 60. Divertimo-nos muito testando as coisas e vendo o que dava certo ou não. Estávamos realmente curtindo tocar músicas de todos nossos heróis como os BEATLES e os STONES. Tocamos músicas como a "Tainted Love", que é uma música que muitos talvez não esperassem que a gente tocasse mas o riff deu certo. Fizemos uma tentativa e deu certo. Tocamos a "Children Of The Revolution" do T.REX, que é totalmente fora do nosso contexto. Todas são grandes bandas.
Classic Rock Revisited: Vocês realmente colocaram um selo dos SCORPIONS nessas músicas. Isso foi parte da razão pela qual elas foram selecionadas? Vocês prestaram homenagem a eles mas ainda conseguiram ser vocês mesmos.
Klaus: Todas são composições lendárias. Você tem de encontrar sua própria adaptação da música. E é melhor que faça direito. Não faz sentido gravar qualquer uma daquelas músicas a não ser que vá ficar ótimo. Nesse ponto, tínhamos de estar convictos de que não era só uma ótima música mas tivemos de colocar nosso próprio DNA do SCORPIONS naquelas músicas. Foi uma questão muito difícil até mesmo escolher as músicas. Você não pode ir e escolher a "Hey Jude" ou a "Strawberry Fields", de jeito nenhum. Quando eu fiz a "Across The Universe", deu certo com a minha voz e todos disseram, "Vamos fazer essa". Então o Matthias «Jabs, guitarra» disse que devíamos fazer uma música dos ROLLING STONES. É impossível para mim, com a minha voz, cantar uma música soul. Achamos a "Ruby Tuesday" e não ficou tão ruim. E então pegamos o LED ZEPPELIN e chegamos a conclusão de que não tinha jeito de fazer. Adoramos o LED ZEPPELIN e eles são uma de nossas bandas favoritas de todos os tempos, mas no fim das contas foi impossível escolher uma música. Acho que estávamos falando sobre a "Good Times Bad Times", mas não deu certo. No fim das contas, fizemos uma profunda reverência ao Jimmy Page pois não fizemos justiça a nenhuma música deles. Fazer esse álbum foi tão divertido que se alguém não tivesse nos dito que era hora de parar então provavelmente ainda estaríamos no estúdio gravando. Não precisamos compor músicas e não precisamos escrever letras. Simplesmente nos divertimos.
Leia a entrevista na íntegra na Classic Rock Revisited
http://www.classicrockrevisited.com/interviewscorpionsklaus.htm
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