Nuclear Assault: uma entrevista bem humorada com a banda

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Por Fernanda Lira
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No mês de julho a produtora Ataque Frontal trouxe para o país um dos maiores ícones do thrash metal americano, o Nuclear Assault. Os membros originais da banda John Connely (vocal e guitarra) e Dan Lilker (baixo) concederam uma rápida entrevista exclusiva ao WHIPLASH, conduzida pela colaboradora Fernanda Lira. Confira o que os bem humorados integrantes têm a dizer sobre sua história e sobre as dificuldades que encontram em viver da música atualmente.

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WH: Como é a primeira entrevista que faremos do Nuclear Assault com exclusividade ao Whiplash, minhas perguntas irão desde o início da banda até sobre planos futuros. Para começar, então, para aqueles que não sabem, como se deu a formação da banda?

Dan Lilker: Depois de eu ter sido eliminado do Anthrax, decidi que queria seguir em frente com outra banda. Então, chamei alguns amigos, dentre eles o John Connely, que fez parte brevemente da equipe do Anthrax em meados de 81. Não tinham muitos músicos com os quais podíamos contar naquela época, então comecei a compor as músicas antes mesmo de termos toda a formação fechada.

John Conelly: É que enquanto todo mundo ouvia Judas Priest, Motorhead e outras coisas mais tradicionais, nós estávamos mais na onda do Discharge, G.B.H., e toda essa cena punk que estava surgindo. Na hora de montar a banda, muita gente esperou que fizéssemos algo na linha do Judas, porque era o que as pessoas mais gostavam naquela época, mas não era bem o que queríamos. Tínhamos vontade de tocar algo mais agressivo, independente se a galera gostasse ou não. Então juntamos o que mais curtíamos no thrash metal e no punk, e juntamos, fazendo algo diferente para a época.

WH: Eu ia perguntar sobre essa mistura. Como optaram por fazer um som que mescla tão bem o metal tradicional, o crossover e o thrash, enquanto muitas outras bandas na época tocavam um ou outro destes estilos? Vocês sentiram na época que inovavam em alguma coisa?

John Connely: Nem foi tão difícil, pois qualquer um pode cantar mal como eu, não é difícil! (risos)

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Dan Lilker: Foi algo natural, pois sempre estávamos buscando por bandas mais rápidas para ouvir e isso acabou refletindo em nossa música. Não é à toa que compusemos "Hang The Pope"!

WH: Os três primeiros álbuns do Nuclear Assault são simplesmente matadores e, os fãs concordarão comigo, que nenhuma música é menos clássica que a outra nestes discos. Como foi o processo de criação dessas músicas?

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John Connely: As vezes eu e o Danny saíamos para ver algumas bandas tocarem na noite, e do nada nos sentíamos inspirados para compor. Então chegávamos em casa hiperativos e só sossegávamos quando criávamos algo. É tudo muito natural. Hoje mesmo dentro da van começamos a criar uma música nova no caminho até aqui, e depois tocaremos na passagem de som do próximo show para ver se conseguimos tocá-la amanhã à noite! Na época do Handle With Care, chegamos ao estúdio sem as músicas estarem todas completas. Perto da hora de gravar nós ainda estávamos criando refrãos, riffs e passagens, porque a cada hora surgia uma nova idéia.

Dan Lilker: Por isso, por exemplo, que a "New Song" foi intitulada desta maneira: criamos a música do nada e não tivemos tempo de pensar em um nome mais apropriado! (risos) Acho que assim que deve ser. Esse lance de compor é muito orgânico, você tem que estar inspirado. Não tem como você chegar para o colega de banda e dizer: 'vamos nos encontrar na terça a noite e compor?'. Não tem como você sentar numa mesa e esperar que a inspiração venha, ela simplesmente acontece.

WH: Qual disco vocês acham que melhor descreve o Nuclear Assault?

Dan Lilker: É muito difícil dizer. Mas acho que seria metade o Game Over e metade o Handle With Care. O primeiro porque é nosso primeiro trabalho juntos e a química perfeita entre nós é refletida ali, enquanto no segundo, mas músicas estão mais sofisticadas, eu diria, mais bem trabalhadas. São meus dois favoritos.

John Connely: Eu não sei, porque não ouço mais esses discos.

WH: E por quê não?

John Connely: Eu não ouço música.

WH: Como assim?

John Connely: Sei lá, nunca mais ouvi música. Nào gosto muito!

WH: Então hoje em dia não teria como você se inspirar em outras bandas para compor, como nos anos oitenta com o Discharge, como você disse?

Dan Lilker: Olhe a cerveja ali na mão direita dele: essa é a inspiração! (risos)

WH: Por quê felizmente vocês decidiram se juntar e dividir o palco novamente após alguns anos? O show de São Paulo, junto com alguns poucos outros por aqui, são apenas concertos isolados. Vocês planejam turnês mais extensas por outros continentes, tocar nos festivais de verão da Europa, ou qualquer outro plano de voltar com tudo à ativa?

John Connely: Para nós, shows são quase que acidentais hoje em dia. Se alguém nos liga, ou manda um e-mail dizendo 'oi, gostaria de tocar no meu país?', nós vamos, tocamos aquela ou mais algumas possíveis datas acerca daquele local, e voltamos. Não planejamos mais nada, porque está muito difícil hoje em dia.

WH: Por que?

Dan Lilker: A galera quase toda a banda agora tem filhos, trabalho fixo... Fica difícil se distanciar dessa vida normal para viver apenas da música.

WH: Mas vocês não têm planos de lançar um álbum novo, ou pelo menos algum projeto com algumas músicas novas?

John Connely: Infelizmente, não! Se tornou muito difícil você 'perder tempo' demais na produção de um álbum, sendo que não terá retorno. A internet vem destruindo a indústria da música, pois as pessoas simplesmente não compram mais álbuns. Eu mesmo sou professor de história hoje em dia.

WH: Mas você não acha que uma longa turnê ou a venda de itens de merchandise não possam talvez cobrir eventuais custos de produção de um álbum?

John Connely: Não!

WH: Esse por acaso foi um dos motivos que fez com que vocês se separassem há alguns anos?

Dan Lilker: Não, porque naquela época ainda vendíamos bem, as coisas eram diferentes. O que houve foi que aquela velha magia parecia ter ido embora, não nos dávamos mais muito bem na hora de compor, então decidimos dar um tempo. Além disso, eu estava pendendo para uma forma mais agressiva de compor, queria algo mais rápida, mais pesado, e por isso acabei começando com o Brutal Truth. Mas agora a química está de volta, nos sentimos bem tocando juntos novamente.

WH: Para finalizar, muitas bandas oitentistas estão voltando à ativa ou intensificando suas atividades nesses últimos tempos. Neste ano aqui no Brasil, por exemplo, pudemos ver shows de bandas antigas como D.R.I., Hirax, o que parece provar mais uma vez que o metal está dando um jeito de se renovar. Qual sua opinião sobre isso?

John Connely: É isso aí, temos que manter o metal vivo, a essência é a mesma, a única diferença é que estamos mais velhos, gordos e feios! (risos)

Dan Lilker: Eu acho muito legal ver todas essas bandas mostrando que ainda estão muito vivas. Isso além de reviver as raízes dos anos oitenta, inspira algumas bandas novas, pois existem hoje em dia muitas seguinda essa linha mais old school. Aliás, gostaria de agradecer o público brasileiro que sempre apóia muito o metal, independente se a banda está na ativa ou não!




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