Lancelot Lynx: entrevista com banda irlandesa

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Por Igor Miranda, Fonte: Blog Van do Halen
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O adjetivo que melhor descreve o som do LANCELOT LYNX é "empolgante". A banda, formada na Irlanda e composta por um brasileiro, um eslovaco e um polonês, une peso com melodias grudentas de uma forma incrível. A Van do Halen tem o prazer de entrevistar o frontman do grupo, o brazuca Beto Kupper.

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Ouça as músicas do LANCELOT LYNX no site da banda:
http://www.lancelotlynx.com/

Email para contato: [email protected]

Van do Halen: Primeiramente, gostaria que você se apresentasse e apresentasse a banda.

Beto Kupper: Meu nome é Beto Kupper (Brasil) e eu sou vocalista, baixista e compositor. Johnny Roz (Eslováquia) é baterista e braço-direito da banda desde 2007, além de parceiro de composição. Michal Kulbaka (Polônia), guitarrista, recém chegou à banda e é o nosso primeiro guitarrista não-irlandes.

Van do Halen: Até que o LANCELOT LYNX estivesse formado, como foi sua trajetória musical na Irlanda? Você chegou a pensar que a banda poderia não ser formada por falta de integrantes ou por algum outro problema?

Beto Kupper: Foi bastante decepcionante. Eu tinha uma imagem de que a Irlanda fosse um celeiro de grandes bandas e grandes músicos, mas se isso existiu mesmo, deve ter ficado no passado. Em setembro de 2005, quando comecei a frequentar as casas de shows, eu fiquei muitíssimo decepcionado com a qualidade das bandas e dos músicos. Eu ainda estava com minha passagem de volta marcada e por muito pouco que eu não voltei. Ainda mais porque no Brasil, com a minha banda Mata Hari, eu tocava com os melhores músicos de São Paulo. Resolvi ficar e ver o que o destino me proporcionava. A falta de músicos capacitados ainda é um problema. Se não fosse o forte apoio do baterista eu provavelmente já teria desistido. No momento estamos procurando por um segundo guitarrista, pois o line-up ideal para nosso som é com dois guitarristas. Mas achar músico bom por aqui não é tarefa fácil.

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Van do Halen: Você cita que procurou se mudar para a Irlanda em busca de uma carreira musical por conta da sua admiração pelo THIN LIZZY. Até que ponto o LANCELOT LYNX tem influência do Lizzy e quais as outras influências do conjunto?

Beto Kupper: Na verdade THIN LIZZY é influencia de onze entre dez bandas no mundo inteiro. IRON MAIDEN, GUNS N' ROSES, METALLICA, MEGADETH - só para citar os mais famosos. Não dá pra medir o quão influente o THIN LIZZY é no Hard Rock e Heavy Metal, desde o começo dos anos 80 até hoje no mundo inteiro. Quando eu componho, eu tento seguir meus instintos e focar no que a música pede no momento. Eu não tento soar como banda X ou Y intencionalmente, mesmo que isso seja inevitável, afinal música inspira música. Além disso, as influências mais modernas são do baterista J-Roz que culminaram no EP que está ai disponível pra vocês ouvirem e avaliarem. Minhas bandas prediletas alem de Lizzy, são KISS, MEGADETH, IRON MAIDEN antigo, DEEP PURPLE, DIO, etc.

Van do Halen: O LANCELOT LYNX lançou um EP auto-intitulado em outubro de 2010. Como foi o processo de composição, gravação e lançamento?

Beto Kupper: Nós alugávamos um container de navio para usar como estúdio, e ensaiávamos num frio abaixo de zero. As vezes estava mais frio dentro do que fora do container por ele ser todo de metal. Forramos o container com caixa de ovos e levamos sofás velhos que estavam pro lado de fora das casas, cortinas velhas e mais um monte de lixaria. Instalamos pontos de eletricidade e até que ficou bem simpático, apesar de não ter banheiro. O processo de composição foi simples. A gente começava a trabalhar em cima de riffs que estavam a tempos na minha cabeça. Trabalhávamos em três, quatro músicas ao mesmo tempo, tocando o mesmo riff centenas de vezes até surgir outra ideia e ir desenvolvendo. As vezes a gente ficava três meses num riff só pra ver que de fato não funcionava. Mas é assim que se compõe. Muito trabalho, muita experimentação e uma boa dose de boas influências e talento natural. Eu e o baterista temos uma simbiose muito boa mesmo que a gente parta pra porrada quase que todo ensaio (risos)! Em 2009 nós saímos do container para um depósito (ainda sem banheiro), mas já estávamos com um computador Apple (Pro Tools), microfones melhores e começamos a gravar. J-Roz foi o responsável por toda a gravação e produção. Levamos meses para terminar todos os tracks e por fim levamos para mixar profissionalmente em Dublin em outubro de 2010.

Van do Halen: Como está a banda atualmente? Há planos para o futuro? Qual deles está mais próximo de se concretizar?

Beto Kupper: No momento, estamos trabalhando e gravando mais cinco músicas. Queremos terminar o CD até outubro desse ano. Daí, enviaremos um segundo lote de CDs para o mundo inteiro até conseguirmos um contrato de gravação. No momento estamos procurando agentes para tocar em festivais de metal e abrir para bandas maiores. Estou confiante que algo vai aparecer. Difícil achar na Europa uma banda que faça o som que nos fazemos. Atualmente as bandas são de som extremo gutural ou tem influencia de New Metal, Post-Punk ou Emo. Nós somos mais tradicionalistas e não queremos perder a melodia e o groove do Heavy Metal original e suas influencias.

Van do Halen: Como é o cenário musical da Irlanda? O Rock tem repercussão? Em que ponto é melhor que o do Brasil? E em que ponto é pior que o do Brasil?

Beto Kupper: Dublin é a capital mundial do Indie Rock juntamente de Londres. Aqui, todas as bandas soam como uma mistura açucarada de Oasis com Kings of Leon e Arctic Monkeys. É uma triste constatação, mas o metal que nasceu nessas regiões é quase totalmente ignorado pelas novas gerações. Sei que no Brasil a coisa não está muito melhor. A diferença básica é a seguinte: no Brasil nós temos mais e melhores músicos, porém existe uma cultura bizarra de negar e inferiorizar qualquer iniciativa de seu compatriota, o que faz que todos os projetos não saiam do papel. E na Europa apesar do menor contingente de músicos, planos ainda podem ser executados e as pessoas têm uma cabeça mais aberta para novidades. Em resumo: o Brasil é um lugar excelente para achar músicos, mas não necessariamente para se criar boa música, enquanto que aqui é difícil arrumar bons músicos, mas música boa ainda pode nascer por aqui, mesmo que com muito sacrifício.

Van do Halen: Como é a relação do LANCELOT LYNX com a Internet? Vocês acreditam que seja uma ferramenta poderosa para os músicos independentes ou vocês preferem o "modo antigo"?

Beto Kupper: Eu não vejo isso com maus olhos. Hoje em dia não se precisa de grandes estúdios para se faça boas gravações e se a música for de qualidade ela pode andar com os "próprios pés" graças à digitalização e aos downloads. Nada se compara em ter o CD ou LP original da sua banda predileta, mas você não é mais obrigado a comprar um álbum inteiro por causa de uma música. Isso virou de cabeça pra baixo a indústria musical como nós a conhecemos, e não precisamos de uma gravadora pra que vocês possam ter acesso as nossas músicas. E isso é positivo. Portanto podem baixar as nossas músicas à vontade.

Van do Halen: Obrigado pela entrevista. Que mensagem você gostaria de deixar para os leitores e fãs?

Beto Kupper: Não tenham medo de compor. Compor músicas próprias e exercitar a criatividade é dever de todo o músico. O cover tem sua função no começo, mas composição é essencial. Sejam criativos e dêem o melhor de si para compor. Só compondo que a música se desenvolve.




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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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