Nazareth: entrevista com Dan McCafferty e Pete Agnew
Por André Molina
Postado em 27 de fevereiro de 2011
"O Nazareth se renovou. Jimmy Murrison e Lee Agnew compuseram as canções do disco novo", afirma Pete Agnew
Alguns integrantes da banda Nazareth aproveitaram a véspera (23 de fevereiro) do show em Curitiba para conceder entrevista na 91 Rádio Rock. Na ocasião, o vocalista Dan McCafferty e o baixista Pete Agnew conversaram com jornalistas e cerca de 30 fãs que presenciaram o evento. A breve coletiva contou com as participações do músico Zé Rodrigo, do radialista Mauro Muller e de André Molina, que representou o Whiplash. Além da descontraída conversa, os fundadores da banda escocesa também saborearam um churrasco e distribuíram autógrafos.
No início do bate papo, Dan e Pete falaram sobre o novo disco "Big Dogz", que será lançado ainda neste ano.
Como vocês comparam o novo trabalho "Big Dogz" com CD anterior intitulado "The Newz"?
Pete Agnew: A banda está renovada. Quem compôs as músicas foram o guitarrista Jimmy Murrison e o meu filho Lee Agnew (baterista). A linha das canções é a mesma do "The Newz", mas destacamos que houve uma evolução, pois o álbum anterior foi gravado há três anos. Estamos satisfeitos com o resultado.
Além das músicas, as capas dos discos do Nazareth chamam bastante a atenção. Como é o processo de elaboração?
Pete Agnew: Não tem nada pessoal. O que existe é uma ideia básica que acaba sendo passada a um artista que acaba fazendo a capa. O projeto do novo álbum foi da esposa do Lee (baterista). Achamos necessário passar o conceito para um artista realizar seu trabalho.
Além de ser conhecido como uma importante banda de hard rock, o Nazareth também adquiriu fama por causa de suas baladas. Podemos citar algumas como "Dream On" e "Love Hurts". Como a banda uniu dois estilos diferentes?
Dan McCafferty: Nós somos muito românticos. Gostamos de uma boa melodia. Procuramos fazer algumas baladas para o disco não ser inteiro pesado. É importante uma pausa. É bom ter no repertório canções como a pesada "Razamanaz" e "Dream On", para ter um momento mais leve.
Pete Agnew: Algumas canções apresentam um resultado surpreendente. Há alguns anos gravamos um DVD ao vivo em Curitiba (Live in Brazil de 2007) e foi difícil para mixar a canção "Love Leads To Madness", por exemplo. A plateia berrou bastante. Ficamos surpresos e descobrimos que há bastante tempo a música foi trilha sonora de uma novela no Brasil.
Se vocês tivessem que indicar um disco do Nazareth para um novo fã qual seria o escolhido?
Pete Agnew: Seria uma coletânea. Acho difícil indicar um álbum. O Nazareth tem muitos discos. A melhor maneira é mostrar os maiores sucessos para deixar as pessoas escolherem os estilos que oferecemos.
O Nazareth é uma banda com mais de 40 anos de trajetória. Com o tempo conseguiu conquistar fãs de diversas gerações. Como o grupo avalia o surgimento de fãs mais jovens?
Pete Agnew: É o fenômeno da renovação. Muitas bandas da nossa geração passam por isso. Nos nossos shows observamos muitos jovens, mas no fundo da plateia é fácil perceber os vovôs tomando cerveja (risos). No Brasil encontramos muitos admiradores jovens. Quando as garotas bonitas nos pedem autógrafos sempre dizem: "Meu avô é seu fã" (risos).
Dan, depois de quatro décadas você ainda canta como nos primeiros discos do Nazareth. Como conseguiu manter a boa qualidade da voz?
Dan McCafferty: O que me influenciou a cantar foi a soul music. Gosto de Otis Redding e James Brown. A partir destas influências consegui desenvolver a voz e manter a forma. Mas não existe nenhum segredo.
Pete Agnew: É bom ter um dos melhores amigos como melhor cantor de rock do mundo (risos). Não vou citar nomes, mas os cantores da nossa época não cantam mais como antes.
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