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Sunroad: "O segredo é transgredir sem agredir"

Por Ben Ami Scopinho
Em 17/09/10

Natural de Goiânia (GO) e na ativa desde 1996, o Sunroad já tem seu nome estabelecido no cenário underground da região centro-oeste do Brasil, inclusive conquistando a façanha de alguns de seus álbuns serem distribuídos pela América do Norte e Europa. Nada mal, principalmente se levarmos em conta que a proposta da banda é o Hard Rock.

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Assim, Jordan (voz), Thiago (guitarra), Anderson (guitarra), Syd (baixo) e Mika (bateria) estão lançando seu quinto álbum de estúdio, "Long Gone", liberado no Brasil via Oxigênio Records e na Europa através da Heaven´s Music/TSM Management. Com turnês sendo preparadas para os EUA e América do Sul, o Whiplash! conversou com Fred Mika, que deu uma geral na carreira da banda na entrevista a seguir:

Whiplash!: Olá pessoal...! O Sunroad já pode ser considerado um veterano na cena Hard Rock, mas são poucos os que os conhecem fora da região centro-oeste do Brasil. Que tal começarmos com vocês se apresentando aos leitores do Whiplash?

Fred Mika: Opa, primeiramente, agradeço a consideração pela entrevista. Bom, o Sunroad foi formado em 1996 e sempre teve como meta o mercado externo, uma vez que adotamos o idioma inglês. Mas passamos por várias mudanças de formação no início e agora a banda se estabeleceu comigo, Fred Mika (bateria), Jordan Faria (vocais), Anderson Lemmy e Thiago Tsuruda (guitarras, vocais de apoio) e Syd Jr. (baixo).

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

Whiplash!: Em 2003, seu terceiro álbum, "Arena Of Aliens", conseguiu distribuição mundial. Na época, como rolou o contato com a Avantage Records e como foi a repercussão em território gringo?

Mika: Com o lançamento do álbum "Arena Of Aliens" em julho/2003, o Sunroad conseguiu atingir o status de principal banda do estilo do centro-oeste brasileiro, saindo nas principais revistas especializadas do Brasil e do mundo. Um dos fatores para isso foi a vinda do vocalista Harion Vex, além das poderosas composições que a banda vinha se desenvolvendo desde o lançamento anterior.

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Mika: Já com uma boa produção e boa divulgação através da distribuidora Avantage Records, o Sunroad se torna razoavelmente bem conhecido nos EUA (por lá emplacamos a balada "Livin´ And Lovin´" em várias rádios, bem como alguns países da Europa) e partimos para várias apresentações por todo o território brasileiro.

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Whiplash!: Na época, lembro-me que vocês foram comparados ao Scorpions... Pois bem, agora estão liberando "Long Gone". O quanto a música do Sunroad foi se modificando ao longo de seus cinco registros?

Mika: Bem, no início fazíamos só covers de bandas diversas e de estilos diversos, desde Led Zeppelin, passando por Manowar, Van Halen, blues, neoclássico, etc, e isso fez com que nossas primeiras composições tivessem de tudo, e o primeiro álbum, "Heat From The Road" (99) foi assim. Tinha vários elementos misturados, mas sempre em inglês, pois já tínhamos isso em mente. A partir daí colocamos um segundo guitarrista (que depois foi trocado por um tecladista e mais tarde voltamos com o segundo guitarrista) e a banda foi refinando as composições em torno do Hard Rock e do Heavy Metal tradicional. E temos muitas baladas também e, como disse, uma delas, "Livin´ And Lovin´", do "Arena Of Aliens" (dedilhada e com vocais mais melancólicos, em tons menores, a não ser nas partes dos refrões) acabou tendo uma boa veiculação nas rádios americanas, e devido a isso surgiu essa comparação.

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Mika: E isso puxou a venda dos álbuns seguintes por lá, na sequência a balada "First Day Without You" (do álbum "Flying N´Floating" de 2006) ficou duas semanas em primeiro lugar nas rádios universitárias dos EUA (não me lembro se foi no mês de outubro ou novembro daquele ano). Mas gostamos que os álbuns soem um pouco diferentes, pois "Flying N´Floating" já tinha uma forte influência do Rock Progressivo em nosso Hard Rock. E com "Long Gone" voltamos ao Hard mais puro.

Whiplash!: "Fast For Me", "We Still Believe", "Feedback" e "Slow Down (All I Need)" são belos exemplos de como se mesclar as influências dos anos 70 e 80. Visto a técnica e melodia variada, qual é o ponto alto do disco e o maior diferencial em se tratando de Hard Rock nacional?

Mika: Consideramos a melodia e o feeling como a parte mais importante de uma composição. Enfim, quando o artista consegue dialogar com seu público de forma intensa e é isso que visualizamos com o álbum "Long Gone", pois conseguimos reunir elementos interessantes de uma forma bem balanceada e sem precisar ir ao encontro de clichês. A parte técnica é necessária para que todos esses elementos escoem de forma apropriada e clara.

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Whiplash!: As letras do Sunroad sempre primaram pelo positivismo – inclusive alegam que sua temática é cristã – em oposição à clássica trilogia ‘sexo, drogas e rock´n´roll’. Ainda que cantem em inglês, já houve algum tipo de crítica quanto a isso?

Mika: Na verdade são uma visão otimista que temos ou apenas algo de como manter um otimismo, mesmo diante de situações adversas. Mesclamos também com reflexões existenciais, mas sempre nos guiando por esse aspecto positivo. Mantemos sempre essa filosofia e isso faz com que algumas letras recebam o cunho de cristãs. O artista deveria entender que carrega uma séria responsabilidade sobre o que transmite.

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Whiplash!: O mercado fonográfico vem mudando drasticamente. Dito isso, e considerando que vocês já têm muitos anos de estrada e até alcançaram o mercado internacional, o que mudou para melhor e pior neste período para uma banda do nível do Sunroad?

Mika: Mudou muito e vem mudando ainda mais, e sempre rapidamente. Para atuar no mercado independente tem de estar constantemente se reinventando na mídia. Uma coisa boa em se ter uma distribuidora de grande porte é que não temos mais que nos preocupar em vender o produto, e nos concentramos mais na parte artística, embora essa ‘venda de produto’ esteja em baixa devido aos downloads gratuitos, à completa acessibilidade e quase que completa inclusão digital. De qualquer forma, deixamos isso para que os distribuidores resolvam, hehehe.

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Whiplash!: Em 2008, vocês liberaram a coletânea "1996-2006 / Ten Years Treating Deafness". Suas faixas tiveram algum tratamento especial, remasterizadas, para este registro?

Mika: Sim, o interessante é que essa coletânea não foi lançada por um selo especializado, e sim pela Tratore Discos (que é uma distribuidora conhecida de vários estilos) em lojas razoavelmente grandes. Apesar de todo o reconhecimento que o Sunroad estava tendo, o grupo sempre foi marcado por várias turbulências, principalmente devido à inconstante formação dos integrantes da banda. Em meados da década passada o grupo começava a dar sinais de estabilidade e para fechar esse primeiro ciclo do grupo é lançado esta coletânea em dezembro de 2008, contendo quinze composições que abrangeria os quatro trabalhos prévios do grupo, ou seja, como próprio nome diz, "1996/2006 -Ten Years Treating Deafness", corresponde desde a fundação do grupo, 1996, até o último trabalho do primeiro ciclo do Sunroad com ênfase especial aos dois últimos, "Arena Of Aliens" e "Flying N´Floating", por serem os lançamentos mais significativos na carreira do grupo até então.

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Whiplash!: O Brasil sempre teve muitos apreciadores de Hard Rock, mas nunca revelou nomes que se estabelecessem definitivamente. Talvez o Dr Sin... E há bandas liberando ótimos discos por aí! A que você atribui esse fato? Talvez os fãs não sejam tão dedicados como a galera do Metal extremo?

Mika: O Metal sempre foi mais forte no Brasil e o grande mercado de Hard Rock (o das bandas) gira fora dele. Mas shows internacionais das maiores bandas do estilo acabam lotando. Mas o panorama vem mudando rapidamente de uns quinze anos para cá (coincidentemente com a ascensão do Dr. Sin), onde já podemos visualizar bandas de Classic Rock e Hard Rock mais tradicionais sendo mais profissionais, mais bem produzidas, ganhando mais e mais espaço. Estamos otimistas quanto a esse novo formato, pois um bom som pode ser redescoberto, reinventado, mas nunca morre.

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Whiplash!: O Hard Rock, ainda que tenha perdido espaço na cena musical, há alguns anos vêm novamente se reerguendo, em especial na Europa, com bandas até incrementando o estilo com elementos mais modernos. Como vocês vêem o Hard do passado, tão clássico, e o Hard Rock do futuro?

Mika: Essa assimilação de novos elementos é necessária e saudável para que um estilo se mantenha eficaz. O Hard Rock e o Classic Rock em geral, por si só, já é muito abrangente e bastante dinâmico, e isso faz com que se mantenha vivo mesmo depois de quatro décadas de suas origens. Vemos estilos nascendo e morrendo, mas o que fazemos continua firme, só vai se remodelando, mantendo o pináculo, o centro do estilo de uma forma forte como sempre foi. Isso explica nossa longevidade num país onde a maioria das bandas não passa de cinco anos.

Whiplash!: Pois bem, seu novo álbum saiu há alguns meses... Qual está sendo a intensidade de shows e recepção por parte do público nacional?

Mika: Desta vez o conseguimos a façanha de ter um trabalho divulgado pela distribuidora anglo-holandesa Two Side Moon Management, ou simplesmente, TSM. "Long Gone" é um álbum forte que apresenta um Sunroad voltado a um Hard Rock mais eficiente, sofisticado, maduro e já com um dos melhores vocalistas da região, o fantástico Jordan Faria (ex-Fourth Dimension). Além da excelente distribuição internacional que conseguimos, um fato que vem ajudando muito são os vários convites para dividir os palcos com grandes nomes do rock mundial como Joe Lynn Turner (ex-vocalista de bandas como Rainbow e Deep Purple), Doogie White (outro ex-Rainbow e Yngwie Malmsteen), LA Guns (o grupo que deu origem ao Guns N´Roses) e Petra. "Long Gone" está sendo considerado pelo público e pela critica especializada como sendo o nosso principal álbum.

Mika: Temos também um bom público nos moto-encontros. Já fizemos mais de quarenta apresentações em moto-shows. Esse novo álbum vem sedimentando esse aspecto e duas boas turnês estão sendo agendadas nesse momento, uma para os EUA e outra pela América do Sul.

Whiplash!: Cara, é impossível não perguntar... A ilustração de "Long Road" é belíssima, mas a impressão conseguiu comprometê-la, e a todo o encarte. Todos os discos foram distribuídos com essa deficiência?

Mika: A ilustração de "Long Gone" foi cedida pelo desenhista da Harley Davidson, David Uhl, mas a gráfica contratada acabou não fazendo bom uso dela e apresentando esses defeitos de impressão. Mas isso foi só na primeira edição. Agora vai sair a segunda por outra gráfica.

Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela entrevista e deseja boa sorte na divulgação de "Long Gone". O espaço é do Sunroad para os comentários finais...

Mika: Eu e toda a banda somos gratos pelo espaço. O segredo é transgredir sem agredir, procurando sempre o profissionalismo. Abraço a todos os valentes que se dispõe a criar, a produzir e a divulgar nesse árduo meio que é o musical (e artes em geral). Keep on rockin´

http://www.sunroad.com.br
http://www.myspace.com/sunroadgroup

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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