Miyavi: "estou tentando ser honesto comigo mesmo"

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Por Emanuel Seagal, Fonte: JaMe Brasil
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Um dos mais populares músicos do rock japonês, miyavi, concedeu uma entrevista ao JaMe onde falou sobre sua música, fãs, saída da PS Company, casamento, seu futuro filho, sua turnê mundial e também sobre o S.K.I.N., a "super banda" da qual ele faz parte juntamente com Gackt (ex-Malice Mizer), Sugizo (Luna Sea) e Yoshiki (X Japan).

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Publicado originalmente no JaMe Brasil

Você vem explorando uma grande variedade de estilos musicais desde o começo de sua carreira solo. Agora que a colaboração com o KAVKI BOIZ acabou, que direção musical você pretende seguir?

miyavi: Na verdade, eu decidi fazer o estilo "KAVKI BOIZ" e meu estilo solo separadamente. Eu acabei de começar uma empresa e começarei minha turnê mundial em seguida.

Você pode nos contar um pouco sobre sua companhia, J-glam?

miyavi: J-glam. A idéia deste nome veio do glamour japonês. Meu estilo é J-glam rock, então é por isso que dei esse nome. Eu me tornei independente por várias razões, como meu casamento e meu bebê. O motivo mais importante é que eu quero encarar meus fãs seria, honesta e sinceramente.

Você possui uma base de fãs internacional muito grande. Como você pretende se comunicar com eles através da J-glam? Existe alguma outra coisa que você pretende fazer para não só manter contato com seus fãs japoneses, mas com os estrangeiros também?

miyavi: A razão pela qual comecei minha companhia é que quero poder falar com todos os meus fãs estrangeiros, então esperem pelo meu próximo movimento.

Algum plano para estender seu fã-clube internacionalmente?

miyavi: Sim, na verdade eu vou, sim.

Quais são suas maiores inspirações?

miyavi: Tudo na minha vida. Sim, tudo mesmo, desde coisas artísticas como romances e filmes até conversas aleatórias com meus amigos – tudo. Eu só estou cantando sobre minha vida.

Você viajou o mundo com sua última turnê no ultimo ano. Qual foi o momento mais memorável?

miyavi: No ano passado? Nós quase perdemos minha guitarra. (risos) Foi bastante ruim.

O que houve?

miyavi: Eu não sei. Eu não sei o que estava acontecendo com aquela companhia aérea, mas houve tantos problemas. Mas também existem boas lembranças. Toda vez que eu faço alguma coisa, algo acontece.

Quando você pensa sobre o conceito do Neo Visualizm, você o enxerga como bem sucedido?

miyavi: Eu ainda não tenho certeza, mas eu vou continuar utilizando-o. Na verdade, o Neo Visualizm é igual ao J-glam rock. É um estilo novo, não só o velho estilo visual kei. Eu só estou trabalhando para criar um novo estilo.

Você planeja realizar uma turnê americana em breve?

miyavi: Sim, para falar a verdade. Eu ainda não anunciei oficialmente, mas vou realizar uma turnê mundial depois de setembro. Eu vou ter minha festa de aniversário, com meu fã-clube, no Japão no dia 14 de setembro, e então eu partirei para a Rússia, ou algum outro lugar na Europa. Depois disso, irei para a América e Ásia, incluindo o Japão, claro.

Como você vê o desenvolvimento de sua companhia no próximo ano? Qual é o principal objetivo da J-glam?

miyavi: O primeiro propósito é para mim. Depois disso, eu quero produzir ou promover alguns bons artistas japoneses no exterior. Então, eu ainda não tenho certeza de quando isso vai acontecer, talvez em algum período do próximo ano, mas eu estou planejando tudo.

Eu suponho que serão somente artistas japoneses, já que ela é chamada de J-glam.

miyavi: Não, não só artistas japoneses. Eu sou metade coreano e metade japonês, mas fui criado somente como japonês, então eu quero espalhar a cultura japonesa pelo mundo.

Que tipos de artistas você espera ver na J-glam? De que gêneros?

miyavi: Qualquer gênero, como sapateadores, pintores, ciclistas BMX e o KAVKI BOIZ, coisas assim. Eu não preciso que todos façam música, somente música. É muito difícil manter-se somente com música no Japão. [Outros tipos de performers] – eles também são artistas. Todos eles precisam pensar sobre auto-promoção ou algo do tipo, então…

Você disse que quer fazer um estilo diferente de visual kei, não o seu estilo velho. Você acha que o velho visual kei é repetitivo e ultrapassado?

miyavi: Não, eu respeito o visual kei antigo e tenho muitos amigos no meio. Nós nos conhecemos na indústria visual kei, mas ao mesmo tempo eu sinto a necessidade de fazer um novo estilo para uma nova geração, e é isso que estou fazendo com o Neo Visualizm.

Qual foi sua coisa favorita sobre realizar uma turnê nos Estados Unidos?

miyavi: Eu já perdi minha carteira de habilitação, então não há muito a ser feito, mas eu gosto de visitar Los Angeles e aqui também. Existem tantos fãs esperando por mim.

Em 2004, você estava originalmente escalado para tocar no A-kon, o que não aconteceu. Então, como você se sente sobre tocar numa convenção de animes, mesmo que já tenha realizado uma turnê mundial?

miyavi: Eu estou feliz com isso. Eu gosto de animes.

O que você diria que foi o maior desafio que você enfrentou no ano passado, não apenas como artista, mas como pessoa, em termos de começar sua própria companhia e esse novo período de sua vida?

miyavi: Eu vou me tornar um pai. (sorri)

Que barreiras você acha que o visual kei, como um gênero musical, precisa superar para ser bem sucedido na América e na Europa?

miyavi: Eu não sei – é algo tão distinto, eu acho. É muito diferente até para as bandas ocidentais que estão usando maquiagem. Bandas asiáticas são mais… eu não sei – eu não consigo explicar o que acho em inglês.

De que maneiras, se existe alguma, seu método de compor e escrever canções muda dependendo do estilo de música com o qual você está trabalhando naquele momento?

miyavi: Na verdade, eu ainda estou procurando meu próprio estilo na minha vida, sabe? Mas até agora eu venho procurando por mim mesmo, e é por isso que venho mudando. De agora em diante, como eu disse antes, eu farei meu estilo "street jam" com o KAVKI BOIZ e minha carreira solo separadamente. Eu não posso dizer exatamente como, porque também sou um ser humano, mas eu estou mudando, sabe? O que eu posso dizer é que eu somente estou tentando ser honesto comigo mesmo.

Quando você toca fora do Japão, obviamente muitos de seus fãs não falam japonês, portanto eles não podem entender suas letras. Você sente que a música, as performances e os vocais por si sós podem carregar o significado ou você encorajaria os fãs a procurar por traduções?

miyavi: Sem as letras? É, eu espero que sim, mas as letras também são importantes. Algumas pessoas traduzem as minhas letras e colocam em sites de fãs, e eu gosto disso.

Você é bem famoso agora. Existe algo do qual você sente falta do seu período indie?

miyavi: Para falar a verdade, ser famoso não é meu objetivo, mas eu quero difundir minha música, porque acredito que isso é a minha vida. Eu ainda estou no meio do caminho. Não estou satisfeito.

Como você sente que cresceu desde seu primeiro álbum solo?

miyavi: Gagaku, certo? Na verdade, quando eu fiz esse álbum, eu nunca havia cantado antes de seu lançamento.

Você já disse diversas vezes que sua vida está conectada com sua música e que sua música está conectada com seus fãs. Existe alguma mensagem que você gostaria de mandar para eles?

miyavi: Sim. Como eu anunciei na minha página no MySpace, eu me casei e estamos esperando um bebê. Ele ou ela nascerá no verão japonês, em julho. Eu quero dividir tudo com meus fãs, não só como fã e artista, como esses são os fatos privados e aquela é a sua imagem pública, algo do tipo. Eu sou miyavi. Mesmo quando eu estou passando um tempo com a minha família, eu sou miyavi.

O que aconteceu com o S.K.I.N.?

miyavi: Essa é uma ótima pergunta. (risos) O projeto ainda está vivo. Eu quero muito que ele aconteça de verdade, então nós estamos tentando fazer com que ele ocorra, mas, você sabe, YOSHIKI está ocupado com o X JAPAN, SUGIZO com seus trabalhos e Gackt também. E eu estive fazendo minha turnê mundial. Algum dia, algum dia! Eu não sei. Pergunte a YOSHIKI. (todos riem)

Quando seus fãs vêem suas tatuagens e piercings, é algo que eles tentam copiar, já que você é uma inspiração para eles. Por que você tirou seu piercing labial?

miyavi: Era isso o que eu queria explicar. Logo que terminei minha turnê mundial, eu senti que eu não precisava mais dos piercings, já que mantive um bom nível de auto-confiança durante todo o processo, tanto como guitarrista como vocalista, então eu decidi tirá-los. Algumas pessoas podem pensar que o motivo é porque eu estava noivo e serei pai, mas é algo completamente diferente. Eu acho que minha família gosta dos meus piercings, e espero que meu bebê goste deles. (risos) Mas, na verdade, como cantor eu ganhei confiança, então é por isso.

Com sua nova família, o casamento e seu primeiro bebê no caminho, qual é a parte mais difícil de balancear sua vida familiar, pública e musical atualmente?

miyavi: Eu não sei. Eu acabei de fundar minha companhia, então eu ainda não tenho certeza. Meu filho ainda não nasceu. Pelos noticiários, a notícia saiu de forma inesperada, o que foi bom pra mim já que a parte mais difícil é como anunciar aos meus fãs. Existem tantas pessoas que não conseguem contar a verdade numa banda, e é por isso que eu queria me tornar independente. Isso foi o que achei mais difícil lidar. Eu queria ser capaz de encarar meus fãs, então acho que esta é a parte mais dura que eu, ou melhor, nós, temos que superar. No entanto, eu venho recebendo tanto apoio e mensagens gentis, e eu realmente agradeço vocês.

Como foi seu vôo?

miyavi: Foi... bom. Eu dormi o tempo inteiro. Primeiramente, nós fomos a São Francisco, mas eu não me lembro de nada, já que estava sonhando.

Já que você removeu seus piercings se cortou seu cabelo, você tiraria alguma de suas tatuagens?

miyavi: (risos) Na verdade, eu farei ainda mais tatuagens.

Que tipos você vai fazer?

miyavi: Eu não sei – ainda é segredo.

Suas tatuagens são todas pretas. Por que você não tem nenhuma colorida?

miyavi: Para dizer a verdade, elas não são desenhos. São todas mensagens. Eu acho que devo ter algumas de minhas letras no meu corpo.

Existe algo que você ainda não teve a chance, mas que realmente gostaria de fazer?

miyavi: Tipo... qualquer coisa? Há tantas coisas que eu quero fazer. Eu quero tornar minha turnê mundial cada vez maior. Eu quero dividir o que eu sinto com muito mais pessoas. Tantas coisas!

Você acha que é diferente tocar na Ásia se comparado aos shows ocidentais em termos das reações dos fãs?

miyavi: Sim, é meio diferente. É bem complicado de explicar. Isso está relacionado às suas reações ao meu casamento e futuro bebê. Algumas reações são meio assim (faz sons de desgosto), é bem difícil. Eu sou idolatrado como um personagem. Eu gostaria de ser assim, mas é muito difícil ser dois artistas ao mesmo tempo. É, elas são meio diferentes, mas também são iguais. No entanto, através da minha música, eu poderei passar minha mensagem para todos os meus fãs.

Há algum artista em quem você se inspira?

miyavi: Sim, sim, o guitarrista Tomoyasu Hotei. Ele recentemente abriu seu próprio MySpace e eu o coloquei no topo da minha lista de amigos. No dia que me casei, eu... sua esposa costumava ser uma cantora. Nós fomos convidados a sua casa para um jantar. Eu realmente o respeito.

Sua esposa apresentava um programa, "J-MELO", e você já foi um dos convidados dele. Foi lá que vocês se conheceram?

miyavi: Sim. Naquela época, eu percebi que ela era uma pessoa que podia ser amada por todos. Toda vez que estou na TV ou algo do tipo, junto de uma apresentadora e de outras meninas, minhas fãs não gostam. Elas ficam meio "Quem são essas vagabundas?, algo assim. Entretanto, na mesma época, meus fãs a adoraram.

melody. era uma cantora e artista, mas direcionou-se à moda. Vocês têm planos de colaborar juntos como artistas no futuro?

miyavi: Sim, futuramente. Mas eu quero que ela se concentre nela e em cuidar do nosso bebê. Eu também quero que ela continue a cantar, eu gosto de sua voz.

O JaME gostaria de agradecer a John, do Anime Matsuri, por tornar esta entrevista possível, e a miyavi por ceder seu tempo para conversar conosco.




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Sobre Emanuel Seagal

Descobriu o metal com clássicos como Iron Maiden e Black Sabbath. Hoje em dia, entre outros gêneros musicais, e sem se limitar a rótulos, ouve principalmente doom, viking e folk metal. Sempre que possível está em busca de novas bandas que tenham algo a transmitir alem de clichês, e mesmo em meio a tantas novidades não dispensa pérolas como o bom e velho Candlemass. Acompanha o Whiplash! desde os primórdios, tendo iniciado sua vida de internauta no mesmo ano de criação do site (1996). Há algum tempo está envolvido com metal, seja trabalhando com eventos, bandas, gravadoras ou imprensa, na tentativa de contribuir de alguma forma para o crescimento desse que é um dos segmentos mais apaixonantes da música, o metal.

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