Napalm Death: vocalista discute conceitos de novo disco
Por Daniel Faria
Fonte: Blabbermouth
Postado em 05 de janeiro de 2009
Daniel Löfquist, da webzine sueca CriticalMass.se, recentemente conduziu uma entrevista com o vocalista Mark "Barney" Greenway, dos pioneiros de grindcore britânicos do NAPALM DEATH, que falou sobre o novo álbum da banda, "Time Waits For No Slave".
CriticalMass.se: Eu tenho que começar parabenizando você por mais um álbum monstruoso. As catorze músicas são algumas das mais duras e agressivas que já ouvi em muito tempo. Pessoalmente, eu não sei como vocês sempre conseguem se superar.
Greenway: "Bem, muito obrigado. É muito legal você dizer isso. Você sabe amigo, nós só entramos no estúdio com as músicas que acreditamos ser as melhores que pudemos fazer naquela época em particular e esperamos não esquecer de adicionar alguma espontaneidade a elas quando gravamos, e nos certificamos de dar aquela crueza genuína. Enquanto fizermos isso, as coisas vão funcionar bem, sabe!.
CriticalMass.se: O álbum anterior, "Smear Campaign", tinha um tema bem claro - religião. Tem algum tema assim no novo álbum?
Greenway: "Sim, tem, de certa forma. O tema religioso ainda está lá, é menos prevalente, mas é parte do tema geral. Falando em um tema geral, o álbum realmente é um conceito bem simples. Originalmente eu tentei fazê-lo não conceitual, mas eu sempre pareci me inclinar para essas - alguns diriam - grandes teorias ou idéias. Você sabe, nós, como humanos, passamos muito tempo trabalhando até morrer. Para alguns de nós é porque nós fomos condicionados para pensar que esta é a coisa para se fazer. Para alguns outros, é porque nós acreditamos que precisamos conseguir o máximo de dinheiro ou outros símbolos de status que pudermos. E considerando isso, eu acho que nós às vezes não reconhecemos e apreciamos as coisas simples ao nosso redor, não entendemos ou experimentamos o que é tirar um dia de folga e ir sentar-se em um banco no parque ou debaixo de uma árvore ou algo assim, e ver o mundo se desdobrar".
"Porque nós perdemos todas essas coisas às vezes, porque não estamos olhando, e eu acho de certa forma que a menos que tenhamos esse tipo de entendimento das coisas mais simples, nós não conseguimos realmente entender as coisas mais complexas na vida. Então eu acho que é realmente importante que recuemos um passo e reconheçamos e talvez façamos algo em relação a isso. Este é o conceito do álbum, basicamente. É um conceito bem básico que talvez você e outras pessoas tenham pensado sobre vocês mesmo, mas então tem muitos outras coisas que se ramificam disso, coisas como casamento, religião, fé pessoal, o papel percebido das mulheres hoje e coisas assim".
CriticalMass.se: Já que você é o que está soltando as letras ácidas do NAPALM DEATH, quanto das letras são você mesmo que escreve? No caso de letras que talvez Mitch (Harris, guitarra) ou Shane (Embury, baixo) escreveram, você acha que é difícil comunicar os pensamentos e sentimentos de outra pessoa?
Greenway: "Na maioria dos álbuns eu faço 95% das letras. Para este disco Mitch fez duas e Shane fez duas. Shane normalmente faz umas duas, mas Mitch não faz tão freqüentemente. Me ajuda, sabe. Eu dei a eles a idéia geral do que este álbum era para ser e eles escreveram a interpretação deles de algo que poderia encaixar naquilo. E cantar as letras que eles escreveram não é nenhum problema. Mesmo que possa ser difícil de entender as coisas completamente e conceitos completamente formados por outros, isso é raramente o caso. Me ajuda muito tê-los para fazer algumas das letras, então todas as contribuições são aceitas".
CriticalMass.se: O "Smear Campaign" foi, para mim ao menos, um pouco mais facilmente digerido do que o "Time Waits For No Slave" e talvez por causa dos coros bem diretos. Parece ter mais foco na agressão pura e peso áspero desta vez.
Greenway: "É engraçado que você diga isso. Como esta é minha vigésima-quinta entrevista hoje, eu obviamente falei com um monte de gente diferente que me deram suas respectivas perspectivas nisto e realmente isso mostra que os níveis de percepção de todo mundo são drasticamente diferentes, como você sabe, o que é interessante para mim".
"Sabe, eu gosto de psicologia e acho que tem muito a ser dito para tal tipo de observação. Talvez seja apenas arrogância minha, mas é algo que me ocorre. Qualquer diferença entre os dois álbuns, porém, não foi nada deliberada. Nós não temos, tipo, uma reunião corporativa ou algo assim onde nós sentamos e decidimos que tipo de som fazer no álbum. Literalmente, nós só temos umas ideias - Mitch e Shane têm música que eles escreveram, eu tenho minhas letras - e nós juntamos em faixas e gravamos elas tentando fazer o melhor possível. Como eu disse antes, a espontaneidade é um fator grande no NAPALM DEATH. As músicas muitas vezes mudaram quando estávamos no estúdio, mesmo dentro dos prazos limitados que temos para gravar. As coisas mudam porque nós trabalhamos em algo e algo aparece e algumas das vezes nós dizemos 'porra, guarde isso! isso é bom!' sabe?"
Leia a entrevista completa (em inglês) neste link.
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