Tempestt: "No Brasil a gente não tem muito apoio!"

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Por Carolina Brand
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Três dias após a passagem da banda Tempestt por Florianópolis, tive a oportunidade de conversar com os integrantes em meio às escalas aéreas. Foi um bate papo descontraído e suficiente para mostrar a humildade e profissionalismo desta banda de São Paulo que acaba de lançar seu primeiro trabalho "Bring' Em On".

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A banda Tempestt tem menos de dez anos de estrada, lançou seu primeiro álbum "Bring' Em On" e fez uma turnê pela Europa. Como está sendo o crescimento da banda nesse período e a divulgação do novo trabalho?

BJ: Está sendo uma surpresa porque no Brasil a gente não tem muito apoio, o meio underground cresceu muito por causa da internet. Principalmente nos últimos três anos quando estivemos preparando o disco e conseguimos uma gravadora bacana no Brasil, que apóia bandas novas e teve um reconhecimento legal no meio regional e nacional. Agora tivemos a oportunidade de mostrar o trabalho na Europa. Primeiro eu fui fazer uma "promotour" do disco no ano passado e lá a gente conseguiu uma gravadora.

Por que o primeiro disco só foi criado após anos de estrada?

BJ: Porque a gente era uma banda cover na verdade, de amigos que queriam tocar e se divertir. Mas acabamos descobrindo uma química bacana entre os integrantes, uma boa energia em cima do palco, de olhar um para o outro e já saber o que está acontecendo. Começamos a compor e apresentar as músicas em nossos shows, junto com o repertório cover. A galera gostou e aprovou, fato crucial para levarmos a idéia a sério e pensarmos em gravar um álbum.

E as participações do "Bring' Em On" são mais que especiais: Jeff Scott Soto e Hugo Mariutti.

BJ: Eu toquei com o Hugo Mariutti há um tempo atrás, ele era o guitarrista da formação original do Shaman e é um grande amigo meu e do Edu. É um dos melhores guitarristas do Brasil, adoro vê-lo tocando e foi um prazer tê-lo como convidado. Do Jeff não preciso falar nada né... o cara é uma lenda do hard mundial e um grande amigo pessoal de todos nós.

Gustavo Barros tocava outros estilos e entrou em 2007 no lugar de Léo Mancini (que foi para o Shaman), mas integrou-se muito bem à banda. Edu Cominato é baterista de apoio do KLB, o Paulo Soza tem projetos com a banda Bubbles e Circuladô de Fulô de forró, ou seja, vocês têm outros trabalhos e até em estilos diferentes. Como todos vocês formaram a atual Tempestt e construíram uma identidade para a banda?

BJ: Nós somos músicos, vivemos de música e a Tempestt é o que a gente gosta de fazer. A gente trabalhava em outros projetos para sobreviver. Mas agora estamos deixando os outros projetos mais de lado para nos dedicarmos à Tempestt.

E como conciliam o tempo e a agenda nesse caso?

Gustavo: Ah, eu tenho prioridades... a minha prioridade é a Tempestt. Então quando coincidem datas de compromissos eu sou obrigado a mandar um substituto.

Mas você já teve problemas com isso?

Gustavo: Alguns artistas não gostam, querem exclusividade, mas para se ter exclusividade tem que pagar muito bem e isso não acontece... então... é muito raro um músico conseguir dar exclusividade hoje em dia.

Como você, que também toca outros estilos, entrou para uma banda de metal?

Paulo: A gente tirou ele do lado negro da força (risos).

Gustavo: Eu toco todo tipo de música, não tenho nenhum preconceito musical e estou no momento mais rock and roll da minha vida. Eu já conhecia o BJ, mas o convite veio do Paulinho e eu aceitei na hora, nem sabia qual eram as músicas ainda. Quando ele me mandou as músicas eu tinha que tirá-las em dois dias falei: "Você tá louco, quer que eu tire isso em dois dias?" (risos) Mas deu tudo certo...

Vocês recém voltaram de uma turnê na Europa onde fizeram shows por diversos países e puderam mostrar o novo CD. Como foi a viagem? Melhor do que esperavam?

Edu: Foi melhor!

BJ: Foi uma surpresa, quando os shows foram marcados, o nosso CD ainda não tinha sido lançado na Europa. Muita gente já tinha ouvido falar e sabia que íamos gravar por uma gravadora alemã, justamente porque no ano passado eu entreguei reviews do CD para várias pessoas, jornalistas, radialistas... e o nome do Tempestt tava rodando por lá. O som já estava rolando nas rádios da Suécia e Dinamarca porque eu tinha entregado o material nas mãos dos radialistas e lá não é como aqui, que o cara coloca numa gaveta e nem lembra mais. Entreguei o CD pra um radialista e parecia que eu tava entregando um presente pra ele. No dia seguinte ele me procurou e falou que ia tocar todas as músicas na programação, eu falei: "Você ouviu??" Ele me olhou com cara de espanto, como se fosse óbvio isso. Então é uma questão de respeito pelo nosso trabalho. Aqui você entrega o CD e meia hora depois tem gente usando ele de "porta copo", fechado ainda...

O fato de vocês serem apadrinhados pelo Jeff Scott Soto é decisivo para o deslanche da carreira da Tempestt ou vocês fizeram sucesso por conta própria?

BJ: Eu acho que as duas coisas, se você tem um padrinho fica mais fácil.

Ele estava junto com vocês na Europa?

BJ: Sim, fez participação especial no final de todos os shows, mas a parte musical, o show, não tinha nada a ver com o Jeff. Era da banda mesmo. Mas com certeza ele ajudou muito e continua ajudando. Ele sem dúvida chama muito o público para conhecer o nosso trabalho. Ele disse para mim ontem que o som da banda Tempestt o emocionou e que ele está muito orgulhoso. Então ele acredita na banda de verdade e não apenas por sermos todos bons amigos.

E nas viagens, juntos o tempo todo... não acontecem uns "quebra-paus"?

BJ: Normal, que nem marido e mulher... também rola estresses diários.

Gustavo: O relacionamento da banda é muito bom.

Mas não tentaram matar uns aos outros nenhuma vez? (risos)

Paulo: não, ainda não (risos).

Os próximos passos são no Brasil ou fora? Vocês pretendem viajar ou vão dar um tempo por aqui agora?

Edu: A gente quer dominar o mundo (risos).

BJ: É aquela velha história. Para você ser bem reconhecido no Brasil, você precisa fazer sucesso lá fora. Isso é triste. "Santo de casa não faz milagre". É uma coisa que lá fora não acontece. Na Suécia, se tiver o Iron Maiden num palco e uma banda local no outro, na banda local vai estar lotado.

Edu: Na realidade nós (brasileiros) fomos educados a "pagar pau" para os gringos.

Gustavo: Eu não acho nem tanto lá, nem tanto cá. A questão não é levantar bandeira de país nem nada. Tem coisa boa aqui no Brasil, a gente percebeu que fomos super respeitados na Europa, que eles gostam muito da nossa arte, mas na verdade não têm a menor noção de como é o Brasil de verdade. Em setembro voltamos para a Europa e devemos ficar uns dois meses.

No ano passado o CD "Bring' Em On" ficou em primeiro lugar de vendas na lista da Dynamo, superando até mesmo o CD do Bruce Dickinson. Como é o público de vocês em São Paulo? E no Brasil?

BJ: Tem um público muito bom em São Paulo. Depende muito do meio em que estamos. Porque não estamos na mídia popular em geral. Mas o público está começando a ficar carente de coisas novas e isso acabou ajudando muito a Tempestt, assim como outras bandas que estão surgindo no mercado.

E qual seria o diferencial de vocês entre essas bandas novas?

Gustavo: Com essa facilidade da internet, youtube e tudo mais, as pessoas estão tendo acesso à qualidade do nosso som ao vivo. O disco é muito bom, mas o público está podendo ver que somos tão bons ao vivo quanto em estúdio. Estamos sempre preocupados em mostrar um trabalho excelente nas apresentações.

Paulo: Pois é galera! Vamos indo nessa senão a gente perde o vôo e volta a pé pra São Paulo! (risos geral)

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a banda é só entrar no site www.tempestt.com.br ou MySpace www.myspace.com/tempesttbrasil. Lá você pode conferir algumas músicas do CD "Bring 'Em On". Santa Catarina aguarda o próximo show. Valeu!

Por Carolina Brand
Jornalista SC 02162 JP




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