Jeff Waters: "Metal", carreira e Tim "Ripper" Owens
Por Ubiratan Soares
Fonte: About.com
Postado em 16 de fevereiro de 2008
Chad Bower, do About.com, recentemente conduziu uma entrevista com o líder do ANNIHILATOR, Jeff Waters. Ele falou sobre a situação do Metal nos EUA, sobre o novo álbum da banda ("Metal") e sobre a saída de Tim "Ripper" do ICED EARTH.
About.com: "Metal" já está circulando há um tempo na Europa. Qual a razão do atraso do lançamento na América do Norte?
Jeff Waters: "Tenho estado ausente dos EUA desde 1993. O Canadá, minha terra natal, não nos vê em turnê desde 1993, e logo, não tivemos um 'lançamento' propriamente dito, que nos colocaria no topo e em todas as revistas. Contudo, nosso agente está tentando algo para nós".
"Temos ido muito bem na Europa e na Asia desde nosso primeiro trabalho em 1989. Nossos três primeiros discos tiveram um bom desempenho na América, mas em 1993 o Metal declinou e nós decidimos permanecer além dos mares, onde estávamos indo bem, e é o que temos feito desde então. Eu tenho tentado obter divulgação para discos nos EUA e no Canadá há muitos anos. Esse é nosso 12° álbum de estúdio, mas depois de nosso terceiro trabalho se tornou quase impossível porque o Metal tradicional ficou esquecido nos anos 90 por lá. Agora, permanece somente no underground. Nenhum promotor ou casa agenda nada com 'Metal' no nome. E isso é realmente ruim para nós, pois nós somos uma banda 'velha', e a procura é por sangue novo. Não temos aquilo que nos permitiria boas vendas lá, enquanto no além-mar temos nos mantido sossegados e conseguindo boas oportunidades e fazendo boas turnês graças às nossas vendas".
About.com: Você assumiu os vocais na faixa "Metal" e já foi vocalista em tempo integral no Annihilator durante a década de 90. Sente falta de ser vocalista?
Jeff Waters: "Não. Eu o fiz em 'King of Kill' (1994), 'Refresh the Demon' (1996) e 'Remains' (1997), mas somente porque não pude encontrar ninguém próximo que o fizesse. Então, alguns amigos sugeriram que eu cuidasse disto. 'King of the Kill' foi um grande álbum por toda a parte, exceto na América do Norte, e nós gravamos três vídeos para o álbum. Eu ria pois era inseguro como vocalista. Eu não sou um vocalista de ofício. Eu arrisquei isso aos 26 anos. Mas fiz isso bem. Eventualmente, há o desgaste físico. Eu queria me concentrar na guitarra e nós trouxemos de volta um antigo vocal, Randy Rampage. De vez em quando eu irei cantar em um trabalho. É divertido, mas eu não sou bom nisso e é fisicamente desgastante. Quando estamos em turnê, eu canto três ou quatro faixas na abertura, e seis das dezoito faixas do set list".
About.com: Você tem muitos convidados nesse álbum. Eles entraram em estúdio com você, ou aconteceu via Internet ou outros meios eletrônicos?
Jeff Waters: "Acho que metade esteve comigo em meu estúdio e metade estiveram em suas casas. Foi realmente bacana. O que eu fiz por anos foi tocar do modo tradicional com guitarra, baixo e bateria. Isso gera sinergia, e te faz tocar melhor e com mais gás. Nesse caso, nós fizemos o vocal e os solos primeiro e bem no final do processo, quando entra a bateria, chamamos o baterista. Então, ele faz a performance com a faixa quase pronta, e se algo estiver errado, só pode ser a bateria. É bom para eles pois eles tem que aprender a tocar muito bem".
"Eu terminei algumas gravações e estive esperando pelas faixas de bateria com Mike Mangini. Recebi uma ligação de Michal Amott (ARCH ENEMY) e Corey Beaulieu (TRIVIUM) no mesmo dia. Corey me ligou para dizer 'oi' e estava em estúdio na ocasião. Ele me perguntou em qual etapa eu estava, e perguntou se poderia executar um solo que ainda não havia sido feito. Ele é um grande exemplo de jovem atual tentando alertar e trazer para a nova geração grandes bandas do passado, como EXODUS, TESTAMENT e METALLICA. Pensei que seria bacana se um jovem como ele fizesse um solo, e ele fez".
"Depois, Amott ligou e eu comentei que Corey estava dentro, e fiz a proposta a Michael. Ele disse sim na hora. Depois, foi simplesmente uma bola-de-neve. No outro dia eu liguei para Alexi (Laiho) do CHILDREN OF BODOM. Eu cheguei até a fazer uma lista de grandes nomes que conheci ao longo dos anos, e pensei nisso durante um dia inteiro. Corey o fez porque ele gosta da minha música e eu gosto da música dele".
"Minha namorada disse que iria parecer ridículo para os fãs se eu começasse a chamar os grandes nomes e pedisse para eles participarem. Então, eu refiz minha lista, e chamei somente os amigos. Optei por manter pessoas com quem estive e falei por muitas ocasiões. Todas elas vieram e fizeram solos, exceto por Danko Jone e Angela Gossow, que fizeram alguns vocais".
About.com: O que você achou do Iced Earth ter trazido de volta Matt Barlow e dispensar Ripper Owens?
Jeff Waters: "Isso é ruim e ao mesmo tempo bom. É bom para Jon (Schaffer). Eu sei de onde Jon está vindo, pois alguma vezes você tem que decidir por algo que metade das pessoas acha maravilhoso e metade das pessoas odeia. Mas há um mundo de coisas nos bastidores que você não conhece e Jon teve que decidir. Eu estive próximo desse pessoal na turnê do ICED EARTH. Nós ficamos amigos e estivemos juntos por um mês. Jon e Ripper são dois caras fantásticos. Não havia nada negativo. Foi uma das melhores turnês. Estivemos realmente próximos e eles são ótimas pessoas. É triste ver um grande vocal como Tim deixar um gigante. Mas ao mesmo tempo Jon sente que irá colocar vida nova na banda, um recomeço. É bacana ver Matt de volta também. Espero que Ripper possa realizar ainda bons trabalhos, pois ele é uma das melhores vozes no Metal".
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