Velvet Revolver: Slash fala sobre processo criativo
Por Natália Dehò
Fonte: PegasusNews.com
Postado em 10 de fevereiro de 2008
PegasusNews.com recentemente entrevistou o guitarrista Slash (VELVET REVOLVER/ex-GUNS N' ROSES). A seguir um resumo da conversa.
PegasusNews.com: Na noite passada eu estava escutando "Liberdad" e notei que o seu som realmente teve horizontes ampliados, com o uso de efeitos e orquestração. Queria saber como isso surgiu e por que você tomou essas decisões.
Slash: "Bem, eu não ouvi o álbum recentemente, mas eu não usei muitos efeitos a mais. Na verdade, eu usei muito menos. Mas os lugares onde eu usei, você pode realmente ouvir. Porque é um pronunciamento, 'eu estou usando esse efeito para isso', ao invés de dar apenas uma dica. Nesse álbum, se eu usei um efeito, você definitivamente ouve. Mas a maioria é pura guitarra, mesmo. Isso dá um contraste com o último álbum levando em conta o equipamento que eu usei. Mas eu acho que os lugares e os momentos em que quis usar os efeitos e o porque usar me deixou confortável em fazer, porque esse álbum não teve tanto tumulto envolvido. E todos estavam mais confortáveis e relaxados. Se tivesse um som que eu estava tentando fazer, eu não tinha problema em sentar e pensar, 'ok, é isso que eu quero usar'. É um ambiente muito criativo. Se eu quisesse expressar alguma coisa, eu me sentia muito confortável fazendo isso".
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PegasusNews.com: Falando no processo criativo, o que acontece exatamente no estúdio? Como o VELVET REVOLVER escreve suas músicas?
Slash: "Nós fazemos tudo durante o processo de composição e pré-produção. É quando tudo acontece. Quando entramos no estúdio tudo é feito rápido. Mas quando compomos, o que acontece é, nós ficamos num quarto e tocamos. Às vezes se eu tenho uma idéia, ou se Duff tem, ou quem for, nós compartilhamos, tocamos e começamos a juntar tudo. Nós geralmentes juntamos instrumentalmente uma música em um dia. É força de hábito. Quando trabalhamos com Rick Rubin, ele nos dizia, 'porque vocês não pegam essa idéia, gravam e passam para a próxima música?'. Nós tentamos fazer isso. Mas toda vez que começavamos a tocar, acabava em 'esse é o começo, e isso é o verso, e isso é o refrão'. E quando víamos já tínhamos escrito a música inteira. É difícil não fazer isso, porque ficamos inspirados em completar a música. Então é basicamente isso que fazemos. Nós pegamos a idéia de alguém, trabalhamos nela, se funcionar terminamos a música na mesma tarde. E então Scott ouve e começa a escrever a letra se a música funcionar para ele. É basicamente isso".
PegasusNews.com: Então é mesmo um trabalho em equipe. Ninguém chega com músicas dizendo "Ok. A música é assim, assim e assim".
Slash: "Isso acontece. Muito raramente. Mas às vezes terá uma música que está quase toda escrita musicalmente, e nós descobrimos, tocando, que não há razões para mudá-la, ou não surgimos com novas idéias. Isso acontece eventualmente, mas não é o normal".
PegasusNews.com: Você tem tocado há um bom tempo já, desde os 14 anos, estou correto?
Slash: "Quinze".
PegasusNews.com: Quinze, certo. Então, você foi sempre mais para o gênero do blues-rock ou você se aprofunda em qualquer outro estilo que ainda não fez nos seus álbuns? Você alguma vez toca jazz?
Slash: "Sabe, o Free Jazz nunca me interessou. Por mais que eu queira manter os horizontes abertos, alguns estilos de música não me interessam muito. Pode ser bom e eu respeito muito, mas não necessariamente me inspira a tocar. O que eu faço é mesmo blues-rock, mas isso se encaixa em muitos estilos. Entende? É onde eu acho que meu coração está. Mas tem muita música espanhola e latina que eu gosto de tocar. Tem alguma diferença em algumas notas, mas é a mesma coisa. E tem o jazz que ainda encaixa em alguns estilos de blues ou soul. Então esse jeito de tocar guitarra encaixa em varios estilos diferentes de música que eu não me vejo tocando no VELVET REVOLVER, mas que eu posso tocar em algum outro álbum".
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