Udo Dirkschneider: "difícil compor com Hoffman"

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Por Marco Néo, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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O e-zine holandês 'Lords of Metal' entrevistou recentemente o legendário vocalista Udo Dirkschneider (U.D.O., ex-ACCEPT), que falou sobre a turnê reunião, o uso de roupa camuflada e muito mais.

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Lords of Metal: Você acabou de lançar seu décimo-primeiro álbum de estúdio com o U.D.O. e eu devo dizer que o som é poderoso e não soa como cópia de trabalhos anteriores.

Udo: "Está certo! Exatamente o mesmo número de álbuns de estúdio com o ACCEPT, hahaha. Mas eu concordo com você sobre a parte do som ser poderoso. Fizemos várias coisas diferentes neste álbum e escolhemos ter um som mais moderno e arranjos diferentes. É muito importante para nós que o som soe 'fresco'. É claro que não vamos nos distanciar de nossas raízes, mas ao mesmo tempo não queremos ficar parados no tempo".

LoM: No passado a participação de Stefan [Kaufmann] na composição sempre foi majoritária. Como foi a participação do resto da banda desta vez? O fato do álbum soar 'moderno' tem algo a ver com ter músicos mais jovens na banda?

Udo: "O resto da banda se envolveu bastante com este álbum e foi muito importante para nós mudar o som e os arranjos. Nosso engenheiro de som dos shows andou nos dando alguns conselhos e acabamos por trazê-lo para o estúdio para trabalhar em suas idéias. Ficamos felizes com o resultado e eu acho que tivemos sorte com ele, que já trabalha com a banda por muito tempo e sabe como as coisas devem soar e o que nós queremos".

LoM: Apesar da sonoridade moderna o álbum é bem reconhecível e ainda mantém o 'feeling' de Metal e Rock clássico.

Udo: Exatamente. Não mudamos a música, mas ainda assim fizemos várias coisas de maneira diferente desta vez. Ouça 'Tears of a Clown', por exemplo. Para essa música só usamos um violoncelo e um piano e eu acho que teremos alguns ótimos desafios para o próximo álbum também. O ponto é que tudo está diferente hoje em dia, também houve várias mudanças no estúdio, tudo é digital. Na minha opinião é um avanço muito bom porque tudo é feito de maneira mais rápida e barata. Nos velhos tempos tínhamos que encaixar as partes de forma manual, hoje em dia você grava as partes, aperta um botão e tudo se encaixa no seu devido lugar".

LoM: Fugindo um pouco do assunto, a sua roupa camuflada parece que cada vez mais vai ficando no passado. Pelo menos você não a usou na última turnê do ACCEPT e eu me lembro que nas fotos promocionais do álbum 'Thunderball' você usou um terno.

Udo: "Eu não deixei (a roupa camuflada) totalmente de lado. Nos velhos tempos era algo único. É claro que teve alguns estúpidos que começaram a falar sobre propaganda militar e nazismo e bla bla bla. Sabe como é, alemães, militarismo... Mas hoje em dia esse tipo de roupa tornou-se um estilo e você vê um monte de pessoas usando. Mas eu não planejo deixar de usar a roupa camuflada definitivamente".

LoM: Eu me lembro de ter lido você dizer que o ACCEPT era um capítulo encerrado e que nunca mais haveria uma reunião. Isso foi há cinco anos, mas em 2005 a banda voltou a tocar em festivais.

Udo: "Não vi isso como uma reunião. Uma reunião pra mim é voltar, ensaiar, fazer shows, compor músicas juntos e eventualmente lançar um álbum. Não foi o caso com o ACCEPT. Foi só pelos fãs e pela diversão. Foi um período muito agradável que passamos juntos, contando histórias e bebendo. Mas ainda assim quando voltamos a tocar juntos ninguém falou sobre um novo álbum de estúdio do ACCEPT. Mesmo que quiséssemos lá no fundo de nossos corações, ainda teríamos que esperar aquele momento mágico para colocar os planos em prática. Mas esse momento mágico nunca veio, pelo menos não pra mim".

LoM: Mas eu acho que muita gente, eu incluso, estava esperando por esse momento mágico.

Udo: "Sei lá, talvez em dois ou três anos, se eu tiver tempo, nós possamos fazer mais shows juntos".

LoM: Mas o que eu quis dizer foi uma reunião de verdade, com um álbum novo e uma turnê para promovê-lo.

Udo: "Sim, mas isso significa ter que começar a compor músicas com Wolf Hoffmann (guitarrista do ACCEPT) e isso seria um problema. É fácil tocar as músicas antigas, elas já existem. Especialmente pra mim foi ainda mais fácil, já que eu toco esses clássicos com o U.D.O., mas para os outros caras foi um pouco mais difícil. Mas todo mundo fez um ótimo trabalho no palco. Eu entendo que as pessoas queiram um novo álbum do ACCEPT, mas compor músicas junto com eles seria um desastre. Desse jeito nós destruiríamos mais do que conseguiríamos criar. Nós temos um bom relacionamento agora e é melhor deixar do jeito que está".

LoM: E é claro que você não pode negar que influenciou muitas bandas. Não só como vocalista, mas também nos seus anos com o ACCEPT.

Udo: Na verdade isso é algo que eu comecei a notar nos últimos anos. Há uns quinze anos eu nunca teria imaginado que o ACCEPT tivesse influenciado tantas bandas diferentes. Eu nunca iria imaginar que uma banda como o DIMMU BORGIR faria um cover de uma música nossa, muitas pessoas bastante conhecidas aparentemente foram influenciadas pelo que fizemos, como o METALLICA, por exemplo. Eu vejo mais e mais bandas tocando covers, além dos tributos já lançados. Isso tudo significa que realmente criamos algo e isso me deixa muito orgulhoso".

LoM: É claro que você teve uma vida bastante ocupada e excitante e muitas histórias pra contar. Você já pensou em escrever uma autobiografia?

Udo: "Eu estou, na verdade. Já comecei a trabalhar nisso e estou tentando juntar o máximo de material que puder. Mas não vai ser uma autobiografia do jeito típico. Eu quero que seja mais como um romance. Veremos como as coisas vão acontecer e quando é que vai ficar pronto".

Leia a entrevista completa neste link.




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Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.

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