Brasil Metal Union: A uma semana do evento, produtor comenta o festival

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Por Rafael Carnovale
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Richard Navarro, produtor do BMU
Richard Navarro, produtor do BMU
BMU 2005 - Andralls|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Andralls
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Dark Avenger|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Dark Avenger
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Dragonheart|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Dragonheart
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Dr Sin|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Dr Sin
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Eterna|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Eterna
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Khallice|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Khallice
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Malefactor|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Malefactor
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Torture Squad|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Torture Squad
Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Wizards|Foto por Carolina Oliveira
BMU 2005 - Wizards
Foto por Carolina Oliveira
Ao final do BMU 2005, eu não acreditava que outra edição viesse a tona em 2006. As dificuldades tinham sido muito grandes, e o festival, embora tivesse trazido ao público ótimos shows, não teve a mesma repercussão que a edição de 2004 (a primeira realizada no DirecTV Music Hall – atual Citibank Music Hall). Mas a organização do festival, capitaneada por Richard Navarro (Heavy Melody), não desistiu e conseguiu, com o auxílio do Consulado Do Rock, viabilizar uma nova edição, com apenas um dia, e com os shows sendo feitos no Espaço Das Américas, no próximo dia 19 de agosto. Novamente a votação e escolha do "cast" foram alvo de polêmicas. E como Richard Navarro não foge destas polêmicas, conversamos com ele sobre tudo o que rondou o festival, desde a votação, até o final da edição de 2005. Confira abaixo o que rolou.

Whiplash - Em 2005 você temia não conseguir fazer esta edição. Qual a sensação de ver que a mesma irá se concretizar neste ano?

Richard Navarro - É uma satisfação muito grande saber que, mesmo com tanta dificuldade, estamos conseguindo escrever mais este capítulo do BMU. Apesar de muita gente que não conhece nosso trabalho de perto achar que ganhamos dinheiro com o festival, o BMU na verdade é um grande sonho, puro idealismo, amor mesmo. Absolutamente não visa lucro. Porém, precisa sim de dinheiro para continuar existindo, pois a estrutura de produção e divulgação é muito cara. Ano passado, por exemplo, tivemos prejuízo. Ou seja, além de não ganharmos absolutamente nada de grana no BMU 2005, o que seria justo depois de trabalhar meses exaustivamente em prol do festival, ainda perdemos uma parte considerável do que investimos. Mas é um risco que corre quem produz eventos, ainda mais que não tínhamos nenhum patrocinador financeiro para amenizar os altos custos dessa edição. Por tudo isso eu fico bastante chateado quando alguém nos acusa de explorar as bandas ou enriquecer as suas destas, pois definitivamente não tem conhecimento de causa para falar tamanha injustiça. Estamos cientes que muitas das críticas, boatos e difamações partem de bandas que se vêem excluídas por não terem tocado no festival ainda, uma revolta que até podemos compreender. Porém, a maior parte provém de pessoas invejosas e frustradas que não fazem nada pelo cenário e preferem tentar ridicularizar quem tenta fazer algo, pra encobrir sua própria incompetência. Atitude de pessoas infelizes, dignas de pena. Mas não permitimos esse tipo de coisa nos desvie de nossa meta, pois a história do BMU é de muita batalha e tem muito mais gente que nos apóia do que estas que tentam nos derrubar. Com o resultado financeiro da edição anterior, de fato a longevidade do BMU ficou seriamente comprometida e eu estava bastante desolado, não contava mais com uma edição em 2006. Porém, quando tudo parecia acabado, recebi duas ligações que me fizeram reconsiderar esta possibilidade. Agora estou bastante animado e tenho plena convicção que este BMU 2006 será a maior edição da história do festival.

Whiplash - Porque foi rompida a parceira com a Toplink e como se deu a entrada do Consulado Do Rock como novo parceiro?

Richard Navarro - Na verdade, o termo "romper parceria" é meio pejorativo, pois continuo tendo ótimo relacionamento com a Toplink e Paulo Baron, por quem mantenho grande carinho, respeito e amizade. Claro que em alguns aspectos temos opiniões, objetivos ou conduta diferentes, mas a verdade é que ele foi o único a me estender a mão em 2004 e jamais vou esquecer disso. Sou muito grato ao Paulo Baron por ter acreditado no BMU, ele faz parte de uma fase brilhante da história do festival. A questão é que a Toplink é uma empresa de produção de eventos, vive disso, e, portanto, precisa necessariamente visar lucro em seus eventos, o que não aconteceu no BMU 2005, onde, conforme citei lá em cima, obtivemos um considerável prejuízo financeiro. Mediante a essa situação, deixou de ser viável para a Toplink continuar apostando no BMU, e isso é totalmente compreensível. Depois da última edição o Paulo Baron abriu o jogo comigo, me explicando na maior sinceridade que para ele era muito mais fácil e rentável trazer uma banda internacional, porque por incrível que pareça acaba saindo mais barato, com margem de lucro muito maior e infinitamente menos dor de cabeça, porque é muito complicado trabalhar com bandas underground. O próprio brasileiro não apóia as bandas daqui, reclama de tudo e prefere pagar o triplo para ver show de qualquer banda internacional, então fica realmente difícil se a pessoa não fazer a coisa puramente por idealismo, pois de fato o BMU não é viável para o produtor. O Paulo Baron foi super sincero comigo, respeito muito ele por isso e inclusive concordo totalmente com ele. Eu mesmo, só continuo insistindo no BMU porque é meu filho, e tenho muito orgulho dele, por mais que às vezes ele tenha me rendido dívidas, problemas ou decepções, pois amo o que faço e acredito muito na missão do festival.

Richard Navarro - Mas vamos agora explicar a entrada da Consulado do Rock, que resolveu acreditar no BMU no momento mais difícil de sua história e é responsável por fazer acontecer essa sexta edição do festival. Como disse no final da pergunta anterior, no momento mais desolador eu recebi duas ligações que me fizeram continuar acreditando nesse sonho. O primeiro foi do grande Airton Diniz, editor da revista Roadie Crew, que me ligou para saber quais eram meus planos para o BMU deste ano. Depois de perceber minha desanimação, ele me incentivou a levar o BMU adiante, dizendo que havia conversado com o Márcio Sinzato, responsável pela Consulado do Rock, e que ele havia demonstrado interesse em apoiar o BMU. Na ocasião, eu não me empolguei tanto, pois ainda estava bem desanimado, mas o Airton me disse que o Márcio iria me procurar, então aguardei sua ligação. Na mesma semana, o Márcio de fato me ligou confirmando seu interesse em apoiar o BMU e marcamos uma reunião para conversar pessoalmente sobre a possibilidade. Ele já conhecia o festival, inclusive havia confeccionado as camisetas oficiais das duas últimas edições, acredita muito no BMU e se mostrou bastante empolgado em fazer a sexta edição acontecer. Diante do que rolou ano passado, ele propôs enxugar certos custos de divulgação e investir em bandas de maior peso para garantir público para o festival e para as próprias bandas participantes, o que achei muito sensato. Infelizmente tivemos que abrir mão de confeccionar o CD que dávamos de brinde no ingresso antecipado com músicas de todas bandas participantes, assim como anúncios no Metrô, lambe-lambes de rua e anúncio em todas revistas especializadas, por pura falta de verba mesmo. Por outro lado, desta vez temos a honra de contar com bandas do porte do Angra e Krisiun no BMU, uma grande honra e força para o cast do festival. Diferente da Toplink, a Consulado do Rock já trabalha para o cenário underground há anos, sendo responsável pelo merchandise oficial da grande maioria das bandas nacionais de Heavy Metal, então existe também a questão do idealismo que vai mais de encontro com o espírito do festival. A empresa já era super bem relacionada com as bandas e tem ótima reputação e credibilidade no cenário, por trabalhar sempre com seriedade e profissionalismo. Então tudo isso está contribuindo a favor nessa edição, que enxergo como uma virada, um divisor de águas na história do BMU, tal como foi a de 2004. Estou bastante satisfeito com meu atual parceiro e acredito sinceramente que está será a melhor edição da história do BMU.

Whiplash - Qual foi o critério para a escolha do Espaço das Américas para o local do show? O que você aponta como prós e contras do mesmo?

Richard Navarro - Precisamos procurar um novo local para o BMU, pois no Directv definitivamente não seria mais possível. Em primeiro lugar por conta do resultado financeiro negativo do BMU 2005, o que comprometeu o interesse da CieBrasil em manter a parceria numa nova edição do BMU. Em segundo lugar, porque, a condição que a Citibank impôs para assumir a casa, foi de não haver mais shows de Heavy Metal naquele local. Portanto, não haverão outros BMUs nem quaisquer outros shows de Metal enquanto perdurar a gestão "Citibank Hall". Uma grande pena, pois o espaço do Metal no mainstrean já é bastante restrito e acabamos perdendo o único lugar decente de São Paulo para eventos de pequeno e médio porte do gênero. Diante dessa realidade, fomos atrás de outras opções alternativas e a que mais nos agradou e nos recebeu de braços abertos foi o Espaço das Américas, depois da indicação de uma amiga produtora, a Mirian Hinds da Faz Produções, que já havia tido boas experiências com a casa. Uma coisa que contou bastante foi o fato da localização, pois a casa fica literalmente de frente ao metrô Barra Funda. Além disso, tem vários estacionamentos ao redor com preços muito acessíveis. Outra coisa que pesou muito foi o fato da casa já ter sediado eventos de Metal muito bem sucedidos, como o Sepulfest e os eventos da própria Faz Produções, que já reuniu bandas como Edguy, Shaaman, Kotipelto, Tristania e Kreator. A casa também é famosa por sediar a tradicional Expo Tatoo. Ou seja, o Espaço das Américas já era uma ótima referência ao nosso público e sem dúvidas o lugar de melhor acesso que já sediou uma edição do BMU, então acreditamos sinceramente que isso é um ponto muito favorável. O único ponto ruim, é que a casa não é exatamente uma casa de shows, eles fazem feiras, exposições, festas, formaturas, e, portanto, não justifica ter uma estrutura pronta de palco, sonorização, iluninação, gerador, segurança e enfermaria, como acontece em casas como Directv, Via Funchal e Credicard Hall. Portanto, tudo isso tem que ser locado e acaba acarretando um custo de produção muito maior ainda do que quando fazíamos no Directv.

Whiplash - Inicialmente a idéia era voltar o festival para dois sábados. Mas acabou sendo definido apenas um dia, com redução de bandas. O que levou a organização a adotar esse sistema?

Richard Navarro - Justamente pelo fator negativo apontado na resposta anterior. A necessidade de se locar toda estrutura de palco e equipe, para transformar o local numa casa de espetáculos. Isso para uma data já é uma fortuna, e para duas então acaba inviabilizando totalmente o festival. Como não tínhamos nenhum patrocínio financeiro, sairíamos com um risco muito alto para cobrir os custos e não haveria como manter um valor de ingresso tão acessível. Logo, o sucesso do festival seria fatalmente comprometido. Este na verdade foi o principal fator de termos decidido, pela primeira, realizar o festival todo em única data, pois seria o único formato possível de viabilizar o BMU 2006. E mesmo insistindo em manter uma segunda data, esbarramos em outros dois pontos cruciais. Primeiro porque a capacidade do local é para 10mil pessoas e para justificar uma segunda data, teríamos que ter um chamariz do porte do Angra. Este, só poderia ser o Shaaman ou o Sepultura, o que até chegamos a cogitar. O Shaaman está fechado para balanço e o Sepultura, na ocasião estaria em turnê nos EUA. Logo, nossos planos para uma segunda data foram por água abaixo. Como se não bastasse, a agenda da casa já estava bastante requisitada, e nossa única opção era o domingo, que teria que começar muito mais cedo. Definitivamente não seria uma opção interessante para o público nem para produção, que estariam exaustos demais para deixarem o local na madrugada de sábado para domingo e retornar depois de poucas horas, praticamente sem dormir. Estávamos correndo contra o tempo, e não tinha mais como procurar um outro local, pois os melhores locais já estavam com as datas comprometidas, ou tinham acesso muito ruim. Ou seja, fizemos o que pudemos, mas acabamos nos vendo obrigados a alterar o formato tradicional do festival. Não tivemos opção, era fazer em uma única data, ou esquecer de BMU 2006.

Whiplash - E porque foi escolhido o site Whiplash! para sedia a votação, já que a mesma anteriormente era feita diretamente no site da Heavy Melody?

Richard Navarro - Muita gente descontente pelo fato de sua banda ou a banda de seu amigo não ter sido classificada para o cast do festival, preferia sair dizendo que os resultados da votação eram manipulados. Como o festival tomou uma grande proporção, no intuito de sanar esse tipo de especulação, decidimos terceirizar a votação desta edição num site neutro e de credibilidade. O Whiplash é sem sombra de dúvidas o maior site especializado em Rock e Heavy Metal do Brasil e com um acesso diário fantástico. Tínhamos cerca de um mês para se ter uma amostra real de uma votação nacional, e nenhum outro site poderia ter a abrangência, neutralidade e credibilidade que precisávamos em tão pouco tempo. Então o Whiplash abraçou nossa causa e digo que isso foi uma honra para nós.

Whiplash - Você acha que a votação atingiu plenamente seus objetivos?

Richard Navarro - Esta foi de longe a votação com maior participação de público da história do BMU. Logo, não poderíamos ter feito melhor parceria. Claro que, pelo fato de ter sido uma primeira experiência para ambos os lados e termos que preparar tudo num prazo de tempo muito curto, nos deparamos com algumas pequenas gafes no decorrer do processo de votação, mas que vão ser aprimoradas numa próxima vez. De qualquer forma, posso afirmar que a experiência superou minhas expectativas e fiquei bastante satisfeito e orgulhoso sim.

Whiplash - Richard, mesmo com você tendo especificado que a votação e seus resultados não definiriam por completo o "cast", muitas dúvidas surgiram dentro da escolha.Não seria mais lógico deixar que as bandas mais votadas fossem as escolhidas, independente do estado?

Richard Navarro - De jeito nenhum! Se isso ocorresse, o nome do festival perderia totalmente o sentido, pois corríamos o risco de termos no "cast", por exemplo, a predominância de um estilo (o melódico é sempre o mais votado) ou de um estado (por serem mais numerosas e populares, as bandas de São Paulo costumam dominar o ranking). Além disso, aí sim correríamos o risco de se ter ainda mais repetição de bandas, pois seríamos, por exemplo, obrigados a mais uma vez colocar o Eterna (que já tocou em todas edições anteriores) e o Dragonheart, que não lançaram nada de novo do ano passado pra cá. Por tudo isso, a aplicação dos "critérios" (amplamente advertidos e divulgados) é fundamental. Nem Jesus Cristo agradou a todos, nunca tivemos tal pretensão e compreendemos que muitos contestam ou questionam a escolha do "cast", pois de fato é algo complexo para assimilar todos detalhes considerados, mas estou muito convicto e seguro em relação à escolha do cast oficial do BMU 2006, pois foi usada justiça, sensatez e coerência. Com todo respeito as edições anteriores, na minha opinião esta é a edição com melhor "cast" da história do BMU, e não estou falando de Angra nem Krisiun, que são participações especiais. De qualquer forma, vamos repensar a questão da votação numa eventual próxima edição do festival, pois ela por vezes acaba gerando mais polêmica que benefícios e isso significa que precisa ser aprimorada.

Whiplash - Continuando nesse aspecto, você não teme que o BMU se torne uma campanha eleitoreira para que bandas sejam bem votadas apenas para tocar no festival? Mesmo boas bandas que já tocaram duas ou três vezes, como o Thuata e o Torture Squad? Não seria hora de abrir espaço para outras bandas?

Richard Navarro - O espaço é aberto para as novas bandas sim, mas devemos respeitar em primeiro lugar a preferência da maioria do público, pois é ele que vai pagar ingresso e manter o festival vivo, para que, na medida do possível, aos poucos podermos incluir as novatas. É muito bonito e heróico dizer que vai fazer um show só com bandas desconhecidas e sem público, mas na prática isso é suicídio financeiro. É fazer o primeiro e quebrar. E pode ter certeza que nenhuma dessas pessoas que criticam teriam coragem de fazer, ou de te ajudar caso você falisse só para fazer os gostos deles. Já tomei vários prejuízos em shows e sei muito bem o que estou dizendo. Um exemplo recente disso é uma galera que se mobilizou na comunidade do BMU, revoltada com o anúncio do "cast" oficial, dizendo que a produção não respeitou a votação, que éramos mercenários e todas essas coisas que os frustrados adoram bradar. Pois bem, sob iniciativa de uma garota que deu a idéia de fazer um festival paralelo batizado como "Renegados Metal Union", no mesmo dia do BMU (pra bater de frente propositalmente), para àqueles que se sentiram ludibriados com a escolha do "cast" oficial. Então a tal garota criou uma votação no próprio fórum da comunidade e disse que ali não haveria nada de "política", "critérios duvidosos" ou "enganação", e que iam fazer e acontecer. Disse que o pai dela conseguiria patrocínios e que eles iriam mostrar como se faz um festival verdadeiro e respeitando as bandas votadas. Nós, apesar das espetadas e acusações difamatórias que a tal garota fazia a nossa conduta enquanto divulgava o tal "RMU", tivemos classe e ainda incentivamos a atitude dela mantendo o tópico em nossa própria comunidade, só pra ver até onde chegava. Porém, rapidamente a coisa esfriou e de uma hora pra outra simplesmente a garota desapareceu. Provavelmente por se deparar com as primeiras das inúmeras dificuldades que se enfrenta ao se tentar fazer um evento só com bandas underground e descobrir que o que fazemos há 6 anos não é brincar de evento e sim trabalho sério, árduo e de muito risco. Respeitamos a opinião de todos, mas antes de se criticar uma coisa que alguém está fazendo, a pessoa tem que ter conhecimento de causa.

Richard Navarro - As pessoas precisam entender é que se as bandas são mais votadas é porque estas que a galera quer assistir. Isso é um fato! Não adianta montarmos um "cast" só com bandas estreantes e desconhecidas, por melhores que sejam, pois o público precisa de referência.

Richard Navarro - Vamos tentar colocar a coisa de outro ângulo. Se na seleção de uma copa do mundo de futebol, que acontece "a cada 4 anos", alguns jogadores se repetem no time, é mais que natural que num evento "anual" algumas bandas principais se repitam também, afinal, em apenas um ano é muito difícil surgir várias revelações "nacionais" a ponto de você ter a possibilidade de reciclar todo seu cast. Exatamente por isso, as bandas que estão mais em voga no cenário underground desde o ano 2000, são as mais populares e preferidas do público e chega a ser lógico que tenham reincidido no cast destas seis primeiras edições do festival. Afinal, o BMU foi justamente criado para reunir e promover as bandas de atual maior destaque no cenário nacional.

Whiplash - Poderíamos abordar alguns casos que já foram citados anteriormente, mas eu gostaria de voltar a algumas bandas específicas e as justificativas sobre elas, e se possível que você fizesse um rápido comentário.

Whiplash - Tuatha de Danann - Já tocou várias vezes e foi ao Wacken, porque estar no cast de novo?

Richard Navarro - Vamos lá! Diferente do caso Eterna e Dragonheart, as bandas citadas se mantiveram em voga no cenário. Estão fazendo turnês por todo Brasil, em mais atividade que nunca, o que justifica terem sido tão bem votadas numa pesquisa nacional. Trata-se de um caso a parte, ambas estão muito atuantes e "na crista da onda", então sua presença nessa sexta edição do BMU se faz justa e obrigatória. O Tuatha de Danann é considerado o maior expoente do Metal brasileiro desde o Krisiun, participou com sucesso do Wacken no ano passado, foi ovacionada em sua curta e prejudicada performance no Live´n Louder e vem ganhando a atenção de programas em redes como Gazeta, MTV e Globo, onde acabou de participar do "Programa do Jô". Devemos também lembrar que ano passado, embora tenham sido a banda mais votada (o que lhes rendeu a vaga no Live´n Louder), não puderam participar do BMU 2005 porque estavam em turnê pela Europa. Aliás, a banda foi, novamente, a mais votada este ano. Por todos estes motivos, o Tuatha não poderia ficar de fora dessa edição.

Whiplash - Torture Squad - Já tocou várias vezes e veio da Europa, porque estar no cast de novo?

Richard Navarro - Já o Torture Squad, acabou de voltar de uma brilhante turnê na Europa e é, depois do Krisiun, o maior nome do Metal extremo do Brasil da atualidade. A banda está no melhor momento de sua carreira e ao lado do Tuatha é apontado entre os dois maiores nomes do underground do momento. A propósito, o Torture Squad só participou de duas edições do BMU até hoje. Estas duas bandas estão em plena ascensão e transição entre o underground e um nível acima, e como esta é uma edição decisiva para a história do BMU, não poderíamos de jeito nenhum abrir mão de bandas desse peso no "cast" do festival.

Whiplash - Suprema - Uma das mais votadas. Será que não valeria colocá-la, já que os votantes teoricamente iriam ao show?

Richard Navarro - Para não saturar e manter o "cast" interessante para todos os gostos, temos que manter um equilíbrio no "cast" do BMU, impondo um limite máximo de bandas de um mesmo estilo e também um número máximo de vagas para bandas de São Paulo. O Suprema, além de ser uma paulista, segue um estilo que já estava devidamente representado nesta edição do BMU. Portanto não poderíamos correr o risco do festival ficar, por exemplo, "melódico demais" e negligenciar outros estilos ou estados, "independente de resultado de votação", que para nós é apenas um dos parâmetros considerados. Este mesmo critério, por exemplo, também inviabilizou a participação do Eyes of Shiva, que, assim como o Suprema, estava teoricamente classificada, mas também é uma banda paulista e de estilo próximo. Devo lembrar que o resultado da votação é uma ferramenta fundamental, mas não a única referência para chegarmos ao cast final. Trabalhamos diretamente no cenário underground desde 1995, então, independente de votação, acompanhamos tudo que está rolando no underground nacional e sabemos exatamente quais as bandas que estão em ascensão e quais tem público e se a votação condiz. No caso específico do Suprema, eles são uma banda super nova, de muito potencial e fazem uma pesada campanha nas pesquisa, o que lhes tem garantido ótimo desempenho em votações do gênero. Porém, a banda é muito recente, por enquanto só lançou um EP demo (muito bom por sinal) e ainda não é popular o bastante para justificar uma votação de âmbito "nacional", para figurar um cast que retrata o cenário do Metal "de todo um país". Para tal, a banda precisa ter público fiel significativo e ser popular "nacionalmente", senão não estaríamos sendo coerentes com a razão da votação e perfil do cast. Seria até injusto com outras bandas muito mais antigas e populares, com dois ou às vezes até três álbuns lançados e que não tiveram a chance de figurar o cast do festival ainda. Nessas horas não nos valemos de crueldade ou autoridade, e sim de coerência e sensatez. A opção da produção não significa que o Suprema não tenha seus méritos e um futuro promissor, apenas que esta ainda não era sua hora.

Whiplash - Novas bandas - Porque o festival tem pouco número de bandas estreantes... não seria hora de reformular esse conceito?

Richard Navarro - Essa é uma questão muito delicada, pois o festival precisa atingir um mínimo de público garantido para cobrir seus custos e continuar existindo, e, infelizmente, temos que priorizar bandas que trazem esse mínimo de público. Isso, infelizmente, é uma característica não é encontrada em bandas estreantes, mas fundamental para a longevidade do festival. Por este motivo, é complicado ignorar todas bandas mais tradicionais e montar um cast apenas com bandas estreantes, não ter público e sequer cobrir os custos. Demora muito para se construir o nome de um festival, mas para destruí-lo, basta um fracasso de bilheteria. Idealismo pode ser sadio, estupidez não. Se as bandas mais votadas foram as mais conhecidas, significa que estas são as que a maioria do público quer ver, e isso é um fator básico e que deve ser respeitado, pois é justamente o público que irá reger o sucesso e futuro do festival. Para quem está de fora, não está diretamente envolvido com os inúmeros fatores que influenciam na produção de um evento, é natural achar que faria desta ou daquela maneira. Mas, só mesmo quem tem conhecimento de causa, sabe que não se trata de mesquinharia e tudo tem uma razão de ser de determinada forma e qualquer mudança drástica poderá ter conseqüências mais drásticas ainda. De qualquer forma, sempre tivemos a preocupação de abrir espaço para bandas estreantes na medida do possível, e uma prova disso é nesta edição termos aberto mão de bandas como Eterna e Dragonheart, por exemplo, que mesmo tendo um grande público e sendo bem mais votadas que outras bandas classificadas para o cast oficial, desta vez ficaram de fora para podermos dar espaço a bandas que nunca haviam tocado no BMU. Enfim, nós temos sim essa preocupação e também temos coragem, mas sabemos que existe um limite e respeitamos, pois para que novas bandas estreantes participem das próximas edições do BMU, em primeiro lugar precisamos garantir que o festival continue existindo.

Whiplash - Qual será a ordem das bandas e o tempo dos shows?

Richard Navarro - Cada banda terá cerca de 40 min para sua apresentação e teremos cerca de 20 min de intervalo entre uma e outra, para adaptação do palco. No caso específico do Angra e Krisiun, terão 70 min de apresentação. A ordem oficial seria a seguinte: Monster (SP), Hibria (RS), Karma (SP), Silent Cry (MG), Malefactor (BA), Akashic (RS), Claustrofobia (SP), Tribuzy (RJ), Torture Squad (SP) e Tuatha de Danann (MG). As participações especiais do Angra e Krisiun provavelmente se darão entre o show do Tribuzy e Torture Squad. No BMU já existe a tradição das participações especiais não fecharem a noite, até por motivos ideológicos, pois o foco do festival continua sendo enaltecer o artista underground. Por isso procuramos valorizá-lo dessa forma simbólica, mantendo-o como "headliner".

Whiplash - Você escalou este ano o Angra e o Krisiun como convidados especiais. Qual foi o critério dos mesmos?

Richard Navarro - O BMU é um festival criado justamente para unir, valorizar e promover o cenário do Heavy Metal brasileiro. Trata-se do primeiro e único evento dedicado 100% ao Metal nacional. Logo, nada poderia ser mais bem vindo do que contar com a participação de dois dos atuais maiores ícones do Metal feito no Brasil, nos respectivos estilos. A presença de ambos irá abrilhantar essa sexta edição do festival, que acreditamos ser a mais importante da história do BMU. Dois outros fatores tornar a participação destas bandas ainda mais significativa. A primeira edição do BMU, em dezembro de 2000, marcou justamente o último show de Edu Falaschi e Aquiles Priester com suas bandas originais, respectivamente Symbols e Hangar (onde o Aquiles está até hoje), antes de serem confirmados para a atual formação do Angra.

Richard Navarro - Só por este fato, ver esses dois caras voltando aos palcos do BMU, agora no Angra, é uma sensação muito especial de vitória, e que acaba mostrando uma esperança a todas as demais bandas do cenário underground, pois foi de onde eles vieram e nunca se esqueceram disso. Ainda sobre o Angra, vale lembrar que o Felipe Andreolli é um cara que fez questão de prestigiar as duas últimas edições do BMU, fazendo participações especiais, e desta vez vai tocar oficialmente e em dose dupla, pois tocará com o Angra e o Karma, que foi a banda underground que o projetou e a qual voltou a integrar recentemente. Ou seja, a participação do Angra neste BMU 2006 terá um significado todo especial. Com relação ao Krisiun, a trajetória dessa banda dispensa comentários. Esses caras vieram do sul, enfrentaram todas dificuldades possíveis e venceram, hoje são a maior referência do Metal extremo brasileiro lá fora, e também um dos maiores nomes da atual safra do Death Metal mundial. O Krisiun está provando para todos nós que se pode vencer por méritos próprios e vale a pena continuar a acreditar no underground. A trajetória da banda é um retrato real e vitorioso do underground, uma verdadeira história de batalha. Eles são uma lição de vida e um belo tapa na cara da galera que ignora o valor do cenário underground ou daquelas bandas que preferem criticar as demais ou só reclamar, dizendo que ninguém apóia e ficar paradas no lugar, ao invés de tentar acreditar em si mesmas e tentar fazer algo de concreto. Eles vieram realmente do underground, e venceram! Sempre fizeram questão de levantar a bandeira do Brasil lá fora. Chegaram onde estão com muita batalha e sem praticamente contar com o apoio de ninguém, então merecem todo nosso respeito e admiração.

Richard Navarro - Por tudo isso, é um grande orgulho contar com essas bandas num festival criado por mim em homenagem ao Metal nacional, pois isso sempre esteve em meus planos. Devo isso a Consulado do Rock, que viabilizou esse sonho.

Whiplash - Você não teme que os convidados especiais ofusquem as bandas parcitipantes, atentando contra o ideal do festival?

Richard Navarro - Não temos essa preocupação, pois ambas as bandas conhecem o espírito do BMU e vieram para somar, estão abraçando nossa causa. Como citado acima, o Krisiun veio do underground e respeita muito este cenário. O Angra, que por aí a fama de ser a grande vilã, por sua vez, tem em sua formação atual pelo menos quatro membros que pouco tempo atrás estavam ali anônimos, ao lado dessas mesmas bandas underground, e nunca renegaram isso. O Aquiles e Felipe, por exemplo, eles continuam fazendo parte de bandas underground além do Angra. No caso do Felipe então, ele também estará participando do show do Karma, portanto, não há interesse algum em boicote e, mesmo se houvesse, as bandas underground estariam livres deste risco. Nossa própria equipe cuidará da parte técnica do festival e estaremos zelando pelas bandas underground, que, afinal, são os verdadeiros artistas principais do BMU. Claro que o Angra e Krisun serão devidamente valorizados, mas posso adiantar que o respeito será mútuo. O título do festival traz o termo "união", a razão do BMU é "valorizar o cenário underground", logo, em hipótese alguma essa essência será comprometida.

Whiplash - Richard, obrigado pela entrevista e este espaço é seu para uma mensagem a todos que irão ao BMU e a todos os visitantes do site Whiplash!

Richard Navarro - Agradeço imensamente a Whiplash, em especial aos meus amigos João Paulo e Rafael Carnovale, por abrir este espaço tão precioso para ao BMU ter a oportunidade de esclarecer de forma tão detalhada boa parte das polêmicas e boatos que muitos fazem questão de propagar sem conhecimento de causa. Agradeço também a toda galera que teve paciência de ler a matéria toda, pois reconheço que escrevo demais e minhas respostas são extremamente pentelhas (rs). Porém, em alguns casos, é quase impossível ser mais sucinto e eu não poderia perder uma oportunidade única como esta de dizer pra galera exatamente como as coisas são na realidade, as nossas razões, o nosso lado da história. Então é isso aí galera, esta edição é o tudo ou nada na história do festival, então esta é a hora de nos unirmos por esta causa. Vamos apoiar e prestigiar o cenário underground nacional. Será uma única data, 12 de nossas melhores bandas juntas e mais de 12 horas de Metal 100% brasileiro. Este será "o maior festival de Heavy Metal nacional jamais realizado na história". Então, apóiem as bandas nacionais e a longevidade do único festival criado exclusivamente para o cenário underground. Muito obrigado e grande abraço a todos pela atenção e caruitos fazem questão de propagar sem conhecimento de causa. Agradeço também a toda galera que teve paci



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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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