Fates Prophecy - Fé no novo milênio!

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Por Rafael Carnovale
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Se tem uma banda que passou por várias adversidades e deu a volta por cima esta é o Fates Prophecy. Após lançarem seu debut “Into The Mind” em 1998 e o divulgarem numa boa turnê, o então vocalista André Boragina descobriu ser portador de um câncer, que acabaria por tirar sua vida. Sérgio Fraga foi ocupando o posto de maneira provisória, e foi efetivado como vocalista com a morte de André. A banda ainda lançaria o CD “Eyes Of Truth”, último trabalho com seu ex-vocalista, antes de dar início a composição e gravação de seu novo CD. Agora, “The 24th Century” chega as lojas, com uma banda renovada e pronta para retomar um caminho de sucesso. Para sabermos sobre o novo CD, e outras cositas más, conversamos com o guitarrista Paulo Almeida. Completam o time o guitarrista Lely Biscassi, o batera Sandro Muniz e o baixista Alexandre Ferreira.

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Whiplash! - Este CD levou um bom tempo para ser lançado. É certo que a banda passou por várias adversidades, mas porque demorar tanto para lançá-lo?


Paulo Almeida - Bom, primeiramente demora-se um bom tempo para organizar as idéias, compor, gravar, mixar e depois todo o processo gráfico para o lançamento do álbum; e aqui no Brasil, devido à condição do país ainda costuma-se demorar um pouco mais, as gravadoras encontram uma dificuldade maior. Outro fator é que também acabamos mudando de gravadora, mas agora lançamos o álbum pela Hellion Records e as coisas estão em ordem! Espero que para nossos fãs tenha sido válida a espera do mesmo jeito que foi para nós.

Whiplash! - O triste falecimento de André Boragina foi algo que afetou a todos que curtem heavy metal. Houve algum plano de continuar a banda com outro nome. Porque a escolha de Sérgio Faga?

Paulo Almeida - Esta é uma questão a ser analisada de duas maneiras: primeiro no lado pessoal, nós perdemos um amigo de muitos anos que passava o maior tempo junto da banda, mas no lado profissional, nem cogitamos parar a banda ou mudar de nome, afinal tocar é o que sabemos fazer, apesar da perda, o Fates Prophecy é importante para nós e para muitos fãs, não seria justo mudar o nome da banda!

A escolha do Sergio foi natural e óbvia, qualquer um que escutar “The 24th Century” verá seu potencial e perceberá que ele é perfeito para o Fates Prophecy. Além de trazer mais agressividade na parte vocal, colaborou bastante nas composições, trazendo novos ares para a banda, e o mais importante que é um amigo e uma pessoa fácil de se lidar, não queríamos alguém que cantasse bem, porém fosse uma pessoa difícil de conviver...

Whiplash! - A banda sempre foi apontada como tendo o Iron Maiden como grande influência. Alguns críticos chegaram a considerá-los como um clone da mesma. Como a banda reagiu a tais críticas, e como isso afetou a sonoridade de “The 24th Century”?

Paulo Almeida - Não afetou e nunca afetará em nada!!! Todos da banda são muito fãs de Maiden, e fazemos um tipo de heavy metal que poucos fazem hoje em dia. A maioria das bandas possuem influências mais melódicas ou de rock progressivo, nossa música não tem um rótulo específico, é apenas heavy metal, portanto é impossível não sermos influenciados por Iron Maiden. Já ouvi críticas que diziam que não temos uma identidade própria, mas na minha opinião temos muita personalidade a ponto de não mudar nosso estilo e de não achar que só possa existir o Iron Maiden fazendo este tipo de música! O rock vai se reciclando, quantas bandas existem parecidas com Led Zeppelin, Black Sabbath, Stones, Beatles? Só não existe nenhuma parecida com o Maiden!!! Nossa música é intuitiva e natural, não forçamos as coisas para parecerem com Iron Maiden!

Whiplash! - “Welcome To The Dark Future” contém alguns elementos que podem nos levar ao hard rock. Alguma banda deste estilo os influencia?

Paulo Almeida - Gosto de algumas bandas de hard rock como Journey, Whitesnake, Dokken, Europe, e o resto da banda também tem suas preferências, mas para falar a verdade não acho que elas influenciem muito na nossa música. Acredito apenas que "Welcome To The Dark Future" é uma música mais solta, com um refrão mais descontraído, a típica “música de trabalho” como chamamos no meio musical, mas nela estão contidos todos os elementos de heavy metal.

Whiplash! - Já “Hollow Man” traz uma dose maior de modernidade ao som do Fates Prophecy. Como foi incorporar todos esses elementos a um som tradicional como o heavy metal?

Paulo Almeida - Não sei exatamente qual seria esta modernidade. Eu não gosto muito deste rótulo tradicional, porque que ele me passa a idéia de uma banda falando de guerreiros e dragões, vestidos em roupas de lycra! (risos). Nós sempre tentamos nos manter atuais, escrevendo sobre temas atuais ou mesmo temas de ficção, mas evitamos parecer datados. Estamos em 2005, não podemos soar como uma banda dos anos 80 e para isso uma produção bem feita com uma sonoridade atual é essencial.

Whiplash! - “Blessing Way” me parece perfeita para ser tocada ao vivo. Vocês já apresentaram o novo repertório em shows? Se sim, como tem sido a resposta?

Paulo Almeida - Ainda não. Estamos começando a divulgação do álbum agora e já estamos agendando as datas para a nova turnê, mas estamos ansiosos para executar as novas músicas ao vivo e ainda nem sabemos exatamente qual será o setlist, será uma tarefa difícil, porém muito prazerosa escolher músicas de três álbuns...

Whiplash! - Já a faixa título tem um clima bem “dark” em seu começo, algo que se encaixou com perfeição na proposta da banda. Existem planos de se trabalhar mais com esse tipo de ambientação, como o Celtic Frost fez há anos atrás?

Paulo Almeida - Na verdade nós temos um álbum inteiro com este clima, que é o nosso segundo trabalho, “Eyes Of Truth”. Esta música na verdade é mais uma triste história de amor, porque é baseada no clássico “A Máquina do Tempo”, onde um cientista acaba viajando para um futuro negro para buscar respostas e mudar seu presente, por isto o tema pedia este clima sombrio.

Whiplash! - “Life Circle” possui riffs mais ligados ao heavy anos 80, mas o que vale ressaltar é o excelente trabalho de bateria. Vocês trabalharam com Luis Barros, após dois CDs produzidos por Paulo Anhaia (Monster). Porque a mudança?

Paulo Almeida - Não foi proposital, mas uma coisa que queríamos mesmo era uma mudança, não necessariamente de produtor, pois além do Paulo ser um ótimo produtor, é um grande amigo e sempre fez um trabalho perfeito para o Fates Prophecy, mas nós queríamos buscar uma sonoridade diferente, tanto que gravamos o álbum no sistema analógico de 2 polegadas, o que ajuda muito no timbre de bateria, que é 60% da sonoridade de um bom álbum. Se a bateria não estiver soando bem, não se tem um bom resultado. O Luis Barros foi perfeito em tudo, nos sentimos muito a vontade com ele, e sua colaboração foi essencial. Acabamos trabalhando com um novo fotógrafo, o Ricardo Zupa, e um novo ilustrador, Gustavo Sazes, que executou um excelente trabalho, captando exatamente a idéia que precisávamos, enfim, trabalhamos com uma equipe totalmente nova, renovando ainda mais a banda!

Whiplash! - Uma das faixas mais interessantes é “Unbreakable”, que nos leva ao questionamento não só do ser humano, mas da natureza humana. Qual o conceito por trás do século 24?

Paulo Almeida - Não é um álbum conceitual, mas algumas músicas possuem o mesmo tema ou alguma semelhança. Imaginamos um futuro devastado, uma coisa que muitos acreditam que acontecerá um dia: a falta de água, petróleo, energia, algo após toda esta tecnologia que vem surgindo porque o ser humano não utiliza os recursos da natureza e nem suas próprias invenções com sabedoria. Esta é uma das minhas músicas preferidas!

Whiplash! - Vocês ainda incluíram uma excelente versão para “Rock You Like A Hurricane”, com arranjos bem pesados e uma linha vocal muito intensa. Já pensaram em tocá-la ao vivo? Como surgiu a idéia de gravar este clássico do rock?

Paulo Almeida - Pretendemos tocá-la ao vivo sim, mas vai depender de nossos fãs! Eu sou muito fã de Scorpions e tive esta idéia, mas a princípio iríamos escolher. No entanto, "Rock You Like A Hurricane" simboliza o Scorpions, e acho que tomamos a decisão certa!

Whiplash! - Gustavo Sazes foi o responsável pela capa, que mostra um mundo em destruição, carente de renovação em vários aspectos. Há algum contexto com os conflitos armados que vêm ocorrendo no mundo, bem como a proliferação do terrorismo?


Paulo Almeida - Não existe nenhuma relação não, é mais uma ficção mesmo! O conceito da capa partiu de umas idéias minhas de dar um clima Mad Max para a capa, e passei para o Gustavo, e como ele é meio doido igual eu (risos), conseguiu dar exatamente o clima que queríamos, foi perfeito!

Whiplash! - No outro lado da contra-capa do CD, está escrito a seguinte frase: “One Generation Passeth Away and Another Cometh, but the Earth Abideth Forever”. É alguma homenagem ao André, ou apenas parte do contexto lírico do trabalho?

Paulo Almeida - Apenas parte do contexto, é uma frase extraída de “A Máquina do Tempo”, significa que uma geração passa adiante e outra vem, mas a terra permanecerá para sempre. Como, ninguém sabe ainda, mas sempre estará aqui...

Whiplash! - Como a banda analisa este trabalho, e a evolução desde o primeiro CD, “Into The Mind”?

Paulo Almeida - Considero este álbum nossa melhor obra até agora, mas ainda acho que nos superaremos no próximo, pois buscamos isso sempre, e esta formação estará mais coesa com uma colaboração maior do Lely nas composições do próximo álbum, pois neste ele entrou com quase tudo pronto, só ajudou em novos arranjos que foram essenciais, mas não chegou a compor nada junto com a banda. Assim têm sido nossos trabalhos, temos três álbuns diferentes entre si, apesar de estarmos dentro do mesmo estilo desde o começo, e acredito que evoluímos desde “Into The Mind”, mas ainda temos muito para mostrar, o melhor ainda está por vir!

Whiplash! - Como está sendo a resposta dos fãs a esse novo trabalho, o primeiro efetivo com a nova formação. Há alguma resposta do exterior?

Paulo Almeida - O álbum saiu a pouquíssimo tempo, a única resposta que temos até agora, são comentários através de internet e no boca a boca. Este tem sido o nosso referencial, mas até agora só tivemos respostas positivas. Os contatos no exterior estão bem, existe uma grande curiosidade de fora em relação ao “The 24th Century”, estamos começando a divulgar agora e já existem algumas datas bem encaminhadas já para fevereiro de 2006.

Whiplash! - Muito obrigado pela entrevista e sorte na nova empreitada. Este espaço é seu para deixar uma mensagem aos nossos leitores...

Paulo Almeida - Primeiramente nós é que agradecemos pela entrevista, esperamos estar de volta aqui muitas e muitas vezes! E para todos os visitantes do Whiplash, aqueles que acompanham nosso trabalho e para aqueles que estarão conhecendo agora, visitem nosso website: www.fatesprophecy.com e deixem seus comentários a respeito da banda em nosso Guestbook, será um prazer saber suas opiniões, afinal estamos aqui graças a todos vocês, este é o motivo que nos impulsiona todos os dias! Muito obrigado a todos os fãs de Fates Prophecy e de heavy metal!

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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