Khallice: Entrevista exclusiva com o 'Dream Theater brasileiro'

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Por Richard Navarro

Apontada no exterior como o "Dream Theater brasileiro" após ser revelada como a banda de Prog Metal campeã de downloads no site internacional www.mp3.com por dois meses consecutivos, os brasilienses do Khallice lançaram a primeira prensagem do excelente álbum de estréia, The Journey (2003), de forma totalmente independente. A edição se esgotou rapidamente e chamou a atenção da Hellion Records, que se tornou a gravadora do grupo e foi responsável pela segunda prensagem deste grande debut do Khallice. Trazendo em sua formação músicos excepcionais como o sensacional vocalista Alírio Netto, cantor lírico catarinense que chegou a protagonizar a montagem do musical da Broadway "Jesus Christ Superstar" no Brasil e México, o excelente tecladista Renato Gomes, o habilidoso Michel Marciano, o grande baterista Cezar Zolhof e o talentosíssimo guitarrista Marcelo Barbosa, que é colaborador das principais publicações especializadas e proprietário de uns dos maiores institutos de guitarra da AAmérica Latina, não fica dificil entender porque o Khallice ganhou o apelido de "Dream Theater brasileiro". A banda já tocou em vários festivais de renome em Brasília, como o renomado "Porão do Rock" (2003/2004) e o elitizado "Brasília Music Festival" (2004), onde tocaram para mais de 50 mil pessoas e foram a única banda de Heavy Metal a participar do festival, e agora prepara-se para tocar pela primeira vez na capital de São Paulo. Conheça tudo sobre o Khallice, o principal representante do Prog Metal brasileiro da atualidade.

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Whiplash! - Mesmo com apenas um disco lançado oficialmente até o momento, o Khallice já tem um bom tempo de estrada e é considerado o maior nome do Prog Metal nacional da atualidade. Como tem sido até o momento a repercussão desse álbum de estréia entre público e mídia?


Marcelo Barbosa / Está bem legal. Estamos terminando a segunda tiragem e tivemos excelentes críticas da mídia especializada nacional e internacional. Estamos ansiosos para tocar em outras cidades brasileiras e já temos vários shows agendados. É sempre bom conseguir chegar ao público, seja através de venda de CD, shows ou Internet.

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Whiplash! - A banda chegou a registrar uma espécie de demo/pré produção do que seria o debut, cujas músicas foram durante consecutivas vezes campeãs de download do site MP3.com, o que aumentou ainda mais a expectativa pelo disco oficial. Vocês esperávam esse fenômeno de downloads? Como tudo aconteceu?

Marcelo Barbosa / Nós não esperávamos. Foi uma surpresa pra todo mundo. Na época o nosso vocalista estava morando no México e a banda estava praticamente parada. O nosso baterista, César Zolhof, meio que de brincadeira disponibilizou as músicas no MP3.com. Depois de algum tempo nós nos encontramos e ele me perguntou: cara, você já viu o que ta rolando lá no MP3.com? Quando eu fui olhar nós tínhamos uma música em primeiro lugar e as outras quatro estavam todas entre as 15 primeiras. E esse quadro se manteve por mais de dois meses. Foi uma surpresa muito boa.

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Whiplash! - Esse fenômeno dos MP3 chamou bastante a atenção da banda no exterior, a ponto do Khallice ser apontado como "o Dream Theater brasileiro". Como vocês receberam e lidam com essa comparação? O que o Dream Theater representa para a música do Khallice?

Marcelo Barbosa / Na real, a gente sempre curtiu rock progressivo. Principalmente o setentista. Quando conhecemos o Dream Theater ele acabou sendo a força final pra montar uma banda de Prog Metal, porque além do progressivo, sempre ouvimos muito rock’n roll e Metal. Estamos trabalhando na divulgação da banda e é normal que as pessoas precisem de um referência. É uma honra para nós, sermos comparados justamente com o maior expoente do estilo que tocamos, e também com uma banda que curtimos tanto.

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Whiplash! - Nessa época, o Khallice ainda contava com os Mário Linhares (Dark Avenger), mas o disco foi gravado por Alírio Neto. Como os fãs antigos receberam essa mudança?

Marcelo Barbosa / Como sempre, teve gente que gostou e gente que não gostou. O Mário é um grande cantor e o Netto também. A banda não perdeu em nada musicalmente e ganhou pelo fato do Netto não ter outra banda de trabalho autoral, como o Mário tem. Mas na verdade, a maioria dos fãs do Khallice, nos conheceu já com o Netto nos vocais, devido ao fato de nosso primeiro CD, já ter sido gravado com ele. Então essa transição foi bem tranqüila e não tivemos nenhuma espécie de problema com isso.

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Whiplash! - A propósito, Alírio foi bastante fiel às músicas originalmente interpretadas pelo Mário e é um vocalista muito versátil e de um currículo invejável, que inclui a experiência internacional de musicais na Brodway. Como chegaram até esse fantástico vocalista?

Marcelo Barbosa / O Netto estava morando em Brasília para estudar canto e participar de uma montagem brasiliense do musical Jesus Christ Super Star. Na época eu estava procurando um vocalista e um amigo comum me apresentou a ele. Começamos a trabalhar juntos nessa época, que já vai fazer seis anos e até hoje essa parceria perdura. Foi realmente um grande achado.

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Whiplash! - Todos os músicos são extremamente virtuosos e parecem trazer uma mentalidade aberta e influências musicais bastante abrangentes e diversificadas, que podem assimilar tanto elementos do rock progressivo e Heavy Metal como música clássica e MPB. Fale sobre as influências e experiência musical dos músicos do Khallice.

Marcelo Barbosa / Todos nós vivemos de música há muitos anos e somos professores de música. Tivemos contato com diversos estilos e obviamente isso foi formando a nossa concepção musical. É claro que você não vai a um show do Khalice e vai ouvir jazz, até mesmo porque somos roqueiros e não jazzistas. Mas realmente acredito que existam apenas dois tipos de música. Música boa e música ruim, tudo o que é música boa é bem vindo, apesar da preferência pelo rock.

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Whiplash! - Falando nisso, vocês fizeram uma sensacional versão para a "Balada do Louco" (Arnaldo Batista-Mutantes) que não saiu no disco mas está disponível para download no site oficial do Khallice. Como tiveram a idéia de fazer essa versão? Pelo que consta, o próprio Arnaldo Batista tomou conhecimento e elogiou bastante a versão do Khallice. Isso procede?

Marcelo Barbosa / Procede sim. Essa versão foi feita a pedido de um produtor daqui de Brasília chamado Mário Pacheco. Ele estava produzindo um CD tributo a Arnaldo Baptista e escolheu algumas das bandas de maior exposição em Brasília na época. No mesmo ano, o Arnaldo deu uma entrevista para o jornal A Folha de São Paulo e quando lhe perguntaram sobre o tributo ele mencionou a nossa versão, dizendo que tinha adorado, e que a banda era muito boa.

Whiplash! - Você é apontado como um dos grandes guitarristas brasileiros do Metal, escreve para publicações especializadas, realiza workshops e é proprietário do renomado GTR em Brasília, o segundo maior instituto de guitarra da America Latina. Fale sobre sua experiência como guitarrista e como empresário.

Marcelo Barbosa / Venho me dedicando seriamente ao estudo da guitarra há pelo menos 12 anos. Nesse tempo trabalhei como side man, professor, músico de estúdio, em bandas e com trabalhos autorais. O GTR era um sonho de criança que graças a Deus estou conseguindo realizar. Atualmente temos mais de 320 alunos e uns 20 professores. Vários deles foram meus alunos e hoje trabalham na escola. É muito bom estar a frente de um projeto no qual eu acredito tanto quanto o GTR. Quem quiser saber mais sobre a escola pode acessar o nosso site que é: www.gtr.com.br

Whiplash! - A primeira prensagem do debut The Journey foi lançada totalmente independente e acabou tão rápido que chamou a atenção da Hellion Records, que assinou com a banda e foi responsável pela segunda prensagem. Como está sendo a parceria com a Hellion? O álbum chegou a ser distribuído ou licenciado no exterior?

Marcelo Barbosa / A parceria com a Hellion nos abriu novos horizontes e novas possibilidades. Fica bem mais fácil de encontrar o CD tendo uma empresa séria como a Hellion cuidando dessa parte. O CD está sendo vendido para o exterior, mas ainda não fechamos nenhum contrato de licenciamento. Existem algumas possibilidades e estamos trabalhando para que isso ocorra em breve.

Whiplash! - Quando pretendem lançar o próximo álbum? Já possuem material suficiente? Seguirá a mesma linha de The Journey? O que o público pode esperar pelo novo trabalho do Khallice?

Marcelo Barbosa / Estamos trabalhando num novo CD, mas ainda não temos músicas prontas suficientes para um novo CD. Obviamente tem a ver com o The Journey sim, mas está bem diferente. No debut tem músicas que foram compostas há dez anos. O próximo disco será mais pesado e com vocais mais rasgados. Estamos trabalhando seriamente para fazer um discão. Deve estar saindo no primeiro semestre de 2005.


Whiplash! - Você fizeram o lançamento do álbum em Brasília com o Dr Sin como banda convidada e na ocasião chegou a ficar muita gente de fora, tamanha lotação do local, devido a expectativa pelo show de lançamento do CD. Como foi essa experiência?

Marcelo Barbosa / Foi muito legal tocar ao lado de uma banda que nós gostamos tanto e que tanto nos influenciou como músicos. Já tínhamos um certo nome em Brasília e trazer o Dr. Sin deu ainda maior exposição ao evento. Só no show de lançamento, vendemos mais de 300 CDs.

Whiplash! - O Khallice ainda participou de um bem sucedido show ao lado do Angra e importantes festivais locais, como o grande Brasília Music Fest, onde tocaram para milhares de pessoas e era a única banda de Heavy Metal que conseguiram tocar no evento. Como foram essas experiências e conquistas?

Marcelo Barbosa / Você esqueceu de mencionar o Porão do Rock 2003 e 2004. Cara, tocar em festivais e shows desse porte é sempre uma experiência inesquecível. Em alguns desses shows, como no Porão de 2003 tinha mais de 50 mil pessoas na hora do nosso show. É demais você poder atingir um público tão grande de uma só vez. É também muito bom ver que cada vez mais os festivais abrem espaço para bandas de som mais pesado. Nesse ano, no Porão do Rock, tocamos no mesmo dia que o Korzus. Espero tocar com o Khallice ainda muitas vezes em eventos desse porte.

Whiplash! - Atualmente, o Khallice é sem dúvidas a principal banda de Metal de Brasília ao lado do Dark Avenger, e liderando o posto do Prog Metal nacional, ao lado de nomes como Akashic, Sigma 5 e bandas mais novas como Mind Flow, Metal Jam e Abastract Shadows. Como é para vocês representarem o atual ícone do estilo Prog Metal no Brasil e qual opinião sobre o trabalho das demais bandas citadas?

Marcelo Barbosa / É muito gratificante ser uma das referencias do estilo no Brasil. Sempre trabalhamos muito sério e acho que isso é uma conseqüência natural das coisas. Conheço todas essas bandas de nome e o trabalho de algumas, e é muito bom ver como está crescendo o espaço para bandas de Prog Metal. Acho que isso é bom pra todo mundo, já que estamos todos no mesmo barco. Espero em breve ter a oportunidade de dividir um palco com cada uma dessas bandas, o que, surpreendentemente, ainda não aconteceu.

Whiplash! - O Khallice já é bastante renomado em Brasília, mas não costuma tocar em outras cidades e esta será a primeira vez que o Khallice toca em São Paulo. Por que demoraram tanto para vir tocar em São Paulo e o que vocês esperam deste show de estréia no Blackmore Rock Bar? O que os fãs paulistas e os adeptos do prog Metal podem esperar dessa apresentação do Khallice? Pretendem tocar alguns covers e músicas inéditas?

Marcelo Barbosa / Estamos sempre abertos a tocar em novas cidades e a demora pra ir a São Paulo se deveu a falta de oportunidade mesmo. Em novembro estaremos indo pela segunda vez para o sul onde faremos 5 shows. São Paulo é muito importante por ser o centro do metal no Brasil e estamos preparando um show realmente especial. Tocaremos o The Journey praticamente na íntegra, um cover de Dream Theater e um de Symphony X. Além disso, estaremos tocando duas músicas inéditas que sairão no próximo CD. Acho que será uma boa oportunidade para quem gosta do estilo e não conhece a banda, e, obviamente, para os nossos fãs de São Paulo.

Whiplash! - Muito obrigado pela entrevista, o espaço está aberto para as considerações finais:

Marcelo Barbosa / Nós é que agradecemos o espaço. Agradecemos também a todos que realmente curtem o nosso trabalho e nos dão força. Pra quem mora em São Paulo fica o convite para no nosso show no dia 31 de outubro no Blackmore. Contamos com a presença de vocês!

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