Hellacopters: Entrevista exclusiva com o baterista Nick Royale

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Entrevista, texto e tradução por

Thiago Pinto Corrêa Sarkis

Agradar todos eles certamente não conseguiram, mas foram suficientemente competentes para abrir mais uma etapa do festival Kaiser Music tendo dois medalhões em sua seqüência, Sepultura e Deep Purple.

Se as vaias rolaram, com certeza foram apagadas pelos aplausos, principalmente daqueles que prestaram atenção especial à apresentação. Em Belo Horizonte então, fizeram milagre. Tiraram o melhor som possível no medonho Mineirinho, onde os produtores locais insistem em colocar grandes shows. Provavelmente os mineiros nunca imaginariam que um conjunto pudesse ter um técnico tão preparado para fazer pelo menos 60% daquilo tocado pelo grupo audível (em qualidade razoável). Antes deles os que se aventuraram no ginásio ouviram apenas eco, eco, eco, eco...

Set list convincente de uma banda que revive o rock 'n' roll das raízes e que se mostrou bem adequada ao lado de uma entidade como o Deep Purple. Sucessos atuais como "Carry Me Home" e "By The Grace Of God" entraram bem meio a já antigas e conhecidas composições como "Hopeless Case Of A Kid In Denial", "Hey!", "Search And Destroy" (cover dos Stooges), "No Song Unheard" e a famosa "Toys And Flavors".

Pra completar a bem-sucedida passagem dos suecos pelo Brasil, Robert Dahlqvist subiu ao palco com o Deep Purple para tocar uma estendida versão de "Smoke On The Water" ao lado Andreas Kisser do Sepultura e obviamente de Steve Morse.

Após o show tivemos um curto tempo de conversa com a banda e direcionamos nossas questões a Nick Royale, cujo nome real, Nicke Andersson, você não deverá estranhar. É, ele mesmo, ex-baterista de um dos pioneiros do death metal, o Entombed, com o qual gravou cinco EPs e quatro álbuns completos, dentre eles os legendários "Left Hand Path" (1990) e "Wolverine Blues" (1993). Confira abaixo nossa entrevista com o líder dos Hellacopters:


Whiplash! - Como foi tocar no Brasil para vocês e qual seria sua análise sobre a turnê?

Nick Royale / Acho que todos nós estamos um pouco assustados ainda. Digo, parece um país muito distante de nós e de repente estamos aqui. Não sabíamos que tínhamos tantos fãs nos acompanhando por aqui. Nós lemos as mensagens em nosso guestbook, em nossa home page, mas pensávamos que fosse algo em torno de, não sei, dez pessoas talvez. Agora estamos meio que surpresos, e obviamente muito felizes. Realmente felizes. Espero que possamos voltar, pois tivemos uma ótima turnê por aqui.

Whiplash! - Sobre o show no Mineirinho, o som, a organização em geral, como vocês viram isso?

Nick Royale / Não gostamos do som. É realmente bem ruim, muito eco. Sobre a organização não temos do que reclamar. Não tivemos problemas.

Whiplash! - Você sentiu diferença entre o público da América do Sul e de outros continentes ou países?

Nick Royale / É sempre diferente. Por aqui as coisas tendem a ser um pouco loucas, mais calorosas. Acho isto muito bom. Mas, por exemplo, nós gostamos de tocar também na Austrália, que é um pouco mais calmo, porém dá para ver que as pessoas também estão curtindo. Não sei te dizer como, é diferente, mas elas vão ao show e têm seu jeito de curtir.


Whiplash!- E sobre as bandas que tocaram com vocês nos shows?

Nick Royale / Deep Purple e Sepultura...?

Whiplash! - Sim.

Nick Royale / Bem, particularmente tenho uma forte relação com o Sepultura, já que estive por muito tempo no Entombed. Eu cresci ouvindo ao Sepultura. Lembro-me de quando comprei o "Morbid Visions", aos 15 anos de idade. Para mim foi uma honra acompanhar a banda, que é realmente ótima. Acho que todos nós gostamos deles nos Hellacopters.

Whiplash! - Você assistiu todos os shows? E o Deep Purple?

Nick Royale / Não assisti a todos os shows. Todos os que vi foram muito bons. O Deep Purple está com uma postura diferente, não sei.

Whiplash! - Por causa de Steve Morse talvez?

Nick Royale / Realmente não sei. É provável que sim, deve ser esta a razão. Ele não é Ritchie Blackmore, definitivamente. E a guitarra soando diferente... bem, são coisas bem distintas de fato.

Whiplash! - Vocês vieram apenas para o Brasil, e não tocaram em outros países como a Argentina e o Chile. Há muita rivalidade por aqui...

Nick Royale / (risos) Eu sei, mas não me pergunte o porque de não termos tocado em outros países da América do Sul. Não sou o responsável por agendar os shows. Não planejo a turnê. Houve uma conversa sobre tocar na Argentina, mas não sei o que aconteceu. Seria ótimo tocar na Argentina ou no Chile, mas não é nossa culpa.

Whiplash! - Conhecendo a cena metal, especialmente o metal extremo, como você conhece...

Nick Royale / (N. do E.: Nick me interrompe e é enfático) Não como eu conheço... mas como eu conheci!

Whiplash! - Ok, conheceu. Enfim, você esperava por reações desagradáveis por parte do público?

Nick Royale / Tínhamos o Sepultura, é verdade, mas os shows estavam lotados de fãs de Deep Purple também, então não criei qualquer expectativa. Nós não sabíamos pelo que esperar. Talvez nos deparássemos com cinco pessoas revoltadas com o nosso som, ou mais. Não tínhamos idéia mesmo. E fomos felizmente surpreendidos com a aceitação e participação do público.

Whiplash! - É, mas várias outras bandas não tiveram a mesma "sorte"...

Nick Royale / Eu sei, porém nunca penso sobre essa questão da cena metal. Não poderia fazer nada se a reação dos fãs fosse ruim. E essas atitudes infelizmente rolam no metal. Então prefiro nem pensar nisso. Não há nada que eu possa fazer neste sentido.

Whiplash! - Por quê você quebrou seus vínculos com o metal, depois de tantos anos neste estilo?

Nick Royale / Eu não larguei a cena metal, não a deixei para trás. Saí do Entombed, foi isso que fiz. Toquei com o Entombed por dez anos, e acho que este é um longo período. É claro que havia coisas que não me agradavam. Éramos incessantemente comparados com muitos grupos que não gosto...

Whiplash! - Algum exemplo? O Grave?

Nick Royale / Não, o Grave é uma boa banda. São bons músicos. Falo mais num sentido estritamente técnico, e sobre estas bandas "new" que foram surgindo e nos comparavam com isto. Eu não me sentia mais em casa. Sempre considerei o Entombed em sua essência como uma banda de rock tocando death metal. Compúnhamos muitas coisas no estilo de Chuck Berry. Isso rolava o tempo inteiro. Sei que por aí afora pode parecer estranho ter tocado primeiro no Entombed e depois no Hellacopters, mas cresci ouvindo Kiss, Ramones, Sex Pistols. E toquei em bandas punks antes de entrar no Entombed. Para mim é natural.

Whiplash! - Você guarda boas lembranças de seus tempos com o Entombed?

Nick Royale / Sim, com certeza. Foi uma fase excelente da minha vida. Tenho ótimas lembranças daquela época.

Whiplash! - Você mantém contato com os membros da banda?

Nick Royale / Mantenho. Alex Hellid, o guitarrista do Entombed, dirigiu nosso último vídeo. Ele fez o clip de "Carry Me Home", e também converso bastante com os outros membros da banda. A propósito, gosto muito do novo álbum deles.

Whiplash! - Ainda não tive a oportunidade de ouvir.

Nick Royale / Você deveria ouvir. É realmente muito bom.

Whiplash! - As vezes não te vem à cabeça que algumas pessoas podem achar que você optou pelos Hellacopters por motivos além da música?

Nick Royale / Quais motivos você quer dizer?

Whiplash! - Dinheiro, talvez.

Nick Royale / (N. do E.: Bem exaltado) Dinheiro? Não, de maneira alguma.

Whiplash! - Mas você agora tem seus clips na MTV, entre outras coisas mais que não rolavam com o Entombed...

Nick Royale / Mas como eu poderia imaginar que meus clips tocariam na MTV? Eu não pensava nisso. Não me vendi.

Whiplash! - Eu não disse isso. Mas você sabe que há pensamentos como esse. É uma coisa bem óbvia, já que o som do The Hellacopters é acessível, tem um campo maior para tocar, enfim, mais fácil de ouvir e tocar em rádios que o Entombed...

Nick Royale / Mas eu gosto do som. Curto o som da banda e o que faço nela. Não me vendi por aí e as pessoas têm que entender isso. Quando começamos com o Hellacopters, eu cresci, mas fui considerado um tolo, já que ganhei mais dinheiro com o Entombed do que com o The Hellacopters.

Whiplash! - Atualmente?

Nick Royale / Não, agora não é assim. Mas como nós podíamos saber aonde chegaríamos? Esse não era o plano. Não era nosso plano vir ao Brasil ou tocar na MTV. É um bônus e estamos satisfeitos com isso.

Whiplash! - E o que você teria a dizer sobre o som dos Hellacopters?

Nick Royale / Alguns chamam de metal, mas não concordo. Acredito que seja mais setentista. Não raciocinamos assim: "vamos começar com uma banda de rock ao estilo setentista", mas realmente há muita coisa boa vinda dos anos setenta. Outras bem ruins também. Mas gostamos dos Stooges, do Kiss, Cheap Trick, Ramones. Realmente curtimos o som da década de setenta. É o som que gostamos e vem evoluindo bastante. O primeiro álbum é bem diferente deste último. Soa diferente. Neste momento, "By The Grace Of God" é aquilo que queremos fazer. Não tenho muita idéia de como o próximo disco irá soar. Talvez soe como Toto ou Yes, não sei. Acredito que não (risos), mas nunca se sabe.

Whiplash! - Quais as melhores músicas dos Hellacopters em sua opinião?

Nick Royale / Acho que "(Gonna Get Some Action) NOW!" de nosso primeiro álbum. "Pride" de nosso último disco também.

Whiplash! - A discografia de vocês é bem extensa, não? Fale mais sobre esse monte de discos que vocês lançaram...

Nick Royale / Na maioria são vinis ou singles em edições muito limitadas. São pouquíssimas cópias. Prensagens de quinhentas ou mil cópias. É difícil ter acesso a estes discos. É por isso que lançamos a compilação chamada "Cream Of The Crap Vol. 1" que contém muitas dessas coisas. Há uma nova "Cream Of The Crap" vindo por aí. O Volume 2.

Whiplash! - Você passou da bateria do Entombed para a guitarra e os vocais do The Hellacopters. Essa mudança foi repentina ou vinha de mais tempo?

Nick Royale / Foi repentina. Eu sou um baterista. Toco bateria melhor do que toco guitarra. Muito melhor. Aconteceu desta maneira. Acho que eu estava tentando fazer algo diferente e este é o resultado. Se alguém apontasse uma arma para a minha cabeça e me dissesse que eu teria que escolher entre a bateria e a guitarra, eu escolheria a bateria. Ninguém fará isso... nunca diga nunca (risos), mas bem, minha escolha seria pela bateria facilmente. Fui baterista novamente com a banda The Hydromatics e no próximo ano tocarei bateria em outra banda.

Whiplash! - Mesmo? Já há um nome para essa banda?

Nick Royale / Não há um nome ainda. A única coisa que sei é que tocaremos soul, música dos anos sessenta.

Whiplash! - É, pelo visto você gosta realmente de variar os estilos.

Nick Royale / Não é que eu mude. Na verdade, não estou mudando. Gosto de música e é isso. Nada mais.

Whiplash! - Qual mensagem você deixaria para os seus fãs, como líder de uma banda famosa e garotas gritando seu nome aqui no Brasil?

Nick Royale / (risos gerais) Gritando meu nome por aqui, em casa não. Acho que tanto para os fãs do Hellacopters quanto para os fãs do Entombed, eu gostaria de dizer que é importante não se limitar e ficar preso em um canto. Boa música será sempre boa música, não importa se é death metal, blues, disco. Não importa. O que é bom é bom. Não liguem tanto para estilos ou coisas assim.


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