Blezqi Zatsaz: Entrevista exclusiva com o tecladista Fábio Ribeiro

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Por Rodrigo Vinhas

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Whiplash - De onde veio o nome Blezqi Zatsaz?

Fábio Ribeiro / O nome Blezqi Zatsaz realmente não tem nenhum significado específico. Mas possui uma origem bastante irônica. Paulo Preto, vocalista de um de meus antigos projetos, a banda de rock progressivo/fusion Desequilíbrios, tinha um amigo chamado Reinaldo Hoppactah, que vivia com um velho tio, o memorável Sr. G. "bigode" Rocha. Isto aconteceu no início dos anos 80. O Black Sabbath estava lançando o álbum "Heaven and Hell" e os dois amigos prontamente adquiriram o LP. Chegando em casa, colocaram o disco para tocar no mais alto volume. Logo em seguida, eis que chega o tio, reclamando do insuportável barulho. Os dois argumentaram ser o novo álbum do Black Sabbath, mas o tio logo disse: "Não me interessa se é o novo disco do Blezqi Zatsaz ou seja lá o que! Abaixem este negócio já!". Os dois acharam o nome interessante resolveram mantê-lo. A própria banda Desequilíbrios era para se chamar Blezqi Zatsaz, mas na época consideramos o nome muito difícil de ser memorizado e pronunciado, então optamos por algo mais claro e direto. Quando surgiu a idéia do projeto solo, Paulo Preto me sugeriu o nome. Blezqi Zatsaz - pronuncia-se exatamente como se escreve. J

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Whiplash - Por que o projeto demorou tanto a sair?

Fábio Ribeiro / Isto aconteceu devido a dois fatores básicos. Falta de tempo de minha parte em muitos momentos, e alguns problemas estruturais da Record Runner. Este álbum - The Tide Turns - começou a ser gravado em 1995, quando realizamos por volta de 65% do trabalho. Algumas das composições são bem antigas, algumas datando de 1985. Estas receberam apenas novos arranjos para o álbum., respeitando seu conteúdo e estrutura. Nesta época gravamos todas as bases de bateria e baixo, todos os teclados, todos os arranjos de flauta e sax, e grande parte das guitarras. Houve então uma longa e inevitável pausa na produção, que foi retomada somente no ano 2000, quando mixamos algumas faixas e acrescentamos algumas guitarras. A finalização do trabalho aconteceu em junho de 2002, após a resolução de uma colaboração conjunta entre a Record Runner e a Future Insights, do produtor Pedro Georges Eleftheriou. O álbum foi finalmente lançado em setembro de 2002.

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Whiplash - Todas as composições do álbum são suas?

Fábio Ribeiro / A grande maioria sim. Grande parte do material foi composto especialmente para o álbum. Algumas faixas foram resgatadas de outros projetos dos quais fiz parte, como é o caso de "Parallel Paradise", que era um número instrumental da banda A Chave do Sol nos anos 80. A faixa "The Gates of Ixtlan", é uma composição da minha primeira banda, chamada Annubis, de 1985. Foi incluído também algum material que não pôde fazer parte do primeiro álbum - Rise And Fall Of Passional Sanity - de 1991. Duas faixas não são de minha autoria. "Ways of Control" foi composta por Carlos Iafelice Jr. da banda Zângooba, em 1982, e "The Well Tempered Drawbar" é um arranjo meu para um conjunto de Prelúdio e Fuga de Johann Sebastian Bach.

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Whiplash - Comente as participações de cada músico.

Fábio Ribeiro A participação de todos os músicos aconteceu naturalmente, pois antes e durante a produção de The Tide Turns eu acabei me envolvendo em vários projetos musicais diferentes com cada um deles, individualmente e por vezes em conjunto. São todos amigos de longa data fazendo o que gostam, de forma muito espontânea. Apesar de ser rotulado como um projeto solo, o Blezqi Zatsaz sempre funcionou como uma banda em relação à construção e o arranjo das músicas. Cada um colaborou com sua arte e conhecimento musical individual para um conteúdo sólido e integrado. A liberdade foi o fator mais relevante para o resultado final. O guitarrista Zé Renato era da banda Desequilíbrios. Tocamos juntos entre 1986 e 1993. Participou do primeiro álbum do Blezqi Zatsaz e neste novo álbum toca em três faixas. Eduardo Ardanuy tocou com A Chave do Sol. Seria enfadonho colocar outro guitarrista para gravar "Parallel Paradise". Kiko Loureiro e eu tocamos juntos em várias ocasiões. A mais importante delas foi com o Angra, em 1993 e na turnê do álbum Fireworks em 1999. Foi o primeiro convidado e participa de grande parte do trabalho. Hugo Mariutti é um guitarrista progressivo por natureza. Integrá-lo ao projeto era quase que uma obrigação. O baixista Ale Souza é um dos meus sócios no estúdio de gravação The Brainless Brothers. Temos alguns projetos musicais em andamento, incluindo um possível CD até meados de 2003. Carlos desenha tocava com o Zângooba na época em que "Ways of Control" foi composta. Participou de grande parte do álbum, incluindo a faixa "Azzivullas´ Suite". Richard Furck é o atual baixista do Sunsarah, com o baterista Marco Antunes, ex-integrante do Angra. Tocamos os três juntos em alguns projetos. Marco também foi baterista do Blezqi Zatsaz durante um período, quando foi lançada a coletânea Tales of Brazilian Rock pela Record Runner. Hugo Hori é a "cereja do bolo" J Suas colaborações para o projeto são brilhantes. O baterista Edu "Fly" Ribeiro. Bem... É um convidado muito especial...

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Whiplash - Como está sendo o trabalho da gravadora Record Runner?

Fábio Ribeiro / A Record Runner é uma gravadora especializada em rock progressivo e suas diversas ramificações. Já havíamos trabalhado juntos em 1993. A Future Insights foi criada por Pedro Georges Eleftheriou, que produziu junto comigo o primeiro álbum. O acordo entre nós foi uma espécie de colaboração mútua de produção artística e executiva, e assim está sendo o processo de promoção e divulgação. Todos somos responsáveis por todos os itens relacionados a este particular álbum. Esta relação de integridade está contribuindo muito para a promoção do projeto, pois cada parte está fazendo o trabalho em sua área de maior atuação no momento. O álbum está sendo muito bem recebido aqui no Brasil e principalmente no exterior.

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Whiplash - Como foi o processo de gravação?

Fábio Ribeiro / Ao contrário do primeiro álbum, The Tide Turns teve uma pré-produção muito mais cuidadosa. As bases e todos os arranjos de teclados foram gravados em meu home-studio e levados prontos para a combinação com os outros instrumentos nos diversos estúdios. Na verdade não houve ensaios com todos os músicos juntos. Foi um trabalho comunitário a longa distância. O material era transmitido de mãos em mãos, para lá e para cá, com adições individuais de cada músico a cada transferência. Algumas coisas fluíram naturalmente no estúdio também, onde a liberdade de experimentação foi muito grande. Esta tranqüilidade no processo de composição e arranjo, somada ao longo e pausado processo de produção, acabou resultando em uma sonoridade madura e coesa. O álbum foi gravado e mixado digitalmente em 32 canais, porém sem automação. Usamos uma mesa analógica para a mixagem. Sou favorável aos métodos precisos de edição digital que a tecnologia atual oferece, porém, como todo o material original estava gravado em ADAT, preferimos a aventura da mixagem "pilotada" e acabamos não transferindo o material para o sistema Pro Tools, onde seria realizada uma edição/mixagem mais "laboratorial". Isto colaborou para a sonoridade "humana" do álbum, que ficou muito interessante.

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Whiplash - O álbum foi lançado no exterior?

Fábio Ribeiro / O álbum está sendo distribuído no exterior pela Record Runner/Future Insights. Pretendemos licenciar outros selos do exterior para uma maior e mais rápida abrangência.

Whiplash - Como tem sido a repercussão de "The Tide Turns"?

Fábio Ribeiro / Como este álbum em particular já estava sendo aguardado há um tempo, talvez a espera ou um certo grau de ansiedade por parte dos admiradores do gênero tenha contribuído bastante pela boa repercussão do trabalho. O CD está sendo muito bem recebido.

Whiplash - Você pretende fazer shows para divulgar o trabalho? Existe algum marcado?

Fábio Ribeiro / Talvez seja possível elaborar algo para meados de 2003, mas somente após o término da turnê do Shaman. Existe um mercado interessante para o estilo no exterior, retratado principalmente por alguns grandes festivais. A grande preocupação que poderia dificultar um projeto como este seria a própria organização pessoal de cada músico envolvido. Muito provavelmente, devido aos compromissos de cada um, alguns estariam presentes, outros não, e outros ainda poderiam ser adicionados... Quem sabe?

Whiplash - O que você está ouvindo ultimamente?

Fábio Ribeiro / Sou muito aberto a novas sonoridades e tenho o inabalável hábito de não eliminar do meu cérebro as antigas experiências musicais e influências do passado. Então tudo vai sendo somado, absorvido e igualmente aproveitado. Ultimamente as coisas variam de dia para dia, de acordo com o humor, a necessidade de busca de idéias e inovações, ou uma crise de nostalgia. Posso estar ouvindo Tori Amos, The Chemical Brothers ou Radiohead em um determinado momento, ou ELP, Mutantes e Gentle Giant em outro, ou Beethoven, Motorhead, REM, Sex Pistols e Egberto Gismonti, tudo no mesmo dia... Varia...

Whiplash - Como surgiu o patrocínio com a Clavia?

Fábio Ribeiro / Sou fanático por determinadas sonoridades e classes de instrumentos. Na área dos sintetizadores, os chamados "vintage" acabaram se tornando a minha concepção de como instrumentos musicais eletrônicos devem ser e soar. Acabaram também se tornando parte da minha personalidade como tecladista. Porém, como a manutenção destes instrumentos é severa em uma situação real onde é necessário transportar e expor estas peças frágeis a todo tipo de sacrifício, a saída muitas vezes foi encontrada nos "replicantes". Os instrumentos da Clavia estão no limiar entre o que é real e o que é simulação. A versatilidade e a sonoridade dos sintetizadores Nord Lead 3 e Nord Modular são muito fiéis, capazes de chocar qualquer senhor de meia idade usuário de um bom e velho Moog Modular! Por estas e outras razões sempre estive interessado nestes instrumentos, desde o lançamento do Nord Lead original em 1995. Infelizmente a Clavia não tinha um importador oficial no Brasil. Em junho deste ano, a Equipo, empresa importadora de diversas outras marcas conceituadas, anunciava os produtos da Clavia no Brasil. Foi através de Everton Waldman, um dos diretores da empresa, que conheci o pessoal da Clavia. Desde então trabalho como consultor/especialista de produtos da Clavia no Brasil, e incluí três instrumentos da empresa em meu set de teclados: os dois sintetizadores mencionados e também o piano/órgão Nord Electro Seventy Three.

Whiplash - Até que ponto ajuda estar tocando numa banda como o Shaman?

Fábio Ribeiro / A ajuda na projeção internacional é o ponto principal. Tenho bastante liberdade no Shaman, ao contrário de muitos músicos chamados "convidados". A banda soa ao vivo como um todo, porém cada integrante colabora com sua própria personalidade nas versões das músicas que executamos ao vivo. Há sempre um espaço para inovar e aprimorar os arranjos, para além das versões originais de estúdio. Isto colabora para o meu desenvolvimento como músico e possibilita uma melhor exposição da minha personalidade musical.

Whiplash - O mercado para música instrumental é muito restrito no Brasil, isso dificulta muito para conseguir um contrato com uma gravadora e conseguir os recursos necessários para gravar um álbum?

Fábio Ribeiro / De certa forma sim, pois muitas das grandes gravadoras possuem a preocupação em relação ao retorno financeiro real e imediato de um projeto. O próprio mercado dita o que é rentável ou não. O oportunismo prevalece. Infelizmente, o cenário musical brasileiro, em grande escala, não passa por um de seus melhores momentos e raras vezes aqueles que seriam capazes de gerar uma mudança se prontificam a faze-lo. Por isso o desinteresse em determinados estilos musicais, muitos de qualidade superior ao que se consome em massa. É um circulo vicioso onde se vende porcaria para quem quer e gosta de consumir porcaria, pois pensa que porcaria é bom! J

Whiplash - Deixe uma mensagem pras pessoas que admiram seu trabalho.

Fábio Ribeiro / O que seria de qualquer artista, em qualquer área, sem o admirador de seu trabalho? O que posso senão o bom, velho, e insubstituível "Muito Obrigado"!

Site Oficial: www.blezqizatsaz.com

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