Delpht - Entrevista exclusiva com Alexandre Callari.

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Natural de São Paulo e formada por Ronaldo Simolla (vocalista), Patrick Graue (guitarrista), Daniel Bonanni (baixista e tecladista) e Alexandre Callari (baterista), o Delpht apresenta seu primeiro álbum, ou seja, "Screams Of Ice". Cercado de muita garra, peso e ótimos arranjos, o Delpht se mostra uma banda de heavy metal com músicas variadas e melodia na dose certa. Outro destaque é a presença de alguns convidados especiais que tiveram histórias muito curiosas, contadas nesta entrevista. Sobre a produção, ficou excelente. Tanto que os fãs do estilo poderão verificar que o Delpht pode ser, sim, comparado internacionalmente. Nesta entrevista, Alexandre Callari nos contou detalhes sobre vários aspectos, além de ter apresentado clareza e inteligência para abordar alguns assuntos polêmicos, como os exageros cometidos por demais bandas, etc. Não perca!

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Por André Toral

WHIPLASH - Após muito esforço, "Screams Of Ice" foi lançado. O que está sendo mais compensador até o momento?

Alexandre Callari / A receptividade que o disco está obtendo, tanto por parte da crítica, quanto do público. Esperávamos algo de positivo, mas o que está acontecendo vai muito além das nossas expectativas.

WHIPLASH - O álbum está sendo distribuído pela Laser Company e tem apoio da Die Hard Records. Considerando que a maioria das bandas nacionais encontra muitas dificuldades, vocês acham que o Delpht já iniciou com uma ótima vantagem?

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Alexandre / É sempre bom trabalhar com uma grande distribuidora, como a Laser Company. Nossos amigos de outros estados já disseram que o CD está por lá, o que nos enche de felicidade. E a Die Hard é simplesmente fantástica. A força que eles estão dando é incrível. Com essas parcerias, a probabilidade de uma banda virar famosa aumenta sem sombra de dúvida.

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WHIPLASH - Consta que em 1998 a banda foi para a Europa divulgar a demo. Para "Screams Of Ice", o Delpht trouxe alguns convidados estrangeiros. Enfim, parece que a banda tem uma forte vontade de marcar presença em outros mercados. Em que grau isto é verídico?

Alexandre / É 100% verídico. Como todos, creio eu, a banda visa o mundo, não desprezando o mercado brasileiro, muito pelo contrário. Os fãs no Brasil têm importância vital para nós. Mas quem não sonha em ir tocar na Europa, por exemplo, ao lado de bandas consagradas, como fizeram o Sepultura, o Angra e, mais recentemente, o Krisiun? Levando isso em consideração, claro que faremos de tudo para nos aproximarmos do mercado no exterior.

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WHIPLASH - Por falar em convidados especiais, como aconteceu de contar com a participação deles?

Alexandre / Foi tudo simples, muito simples. O Daniel Bonanni (baixista) conheceu o Ferdy Doernberg (tecladista - Rough Silk) quando ele veio tocar com o Roland Grapow (guitarrista - Helloween) e, por um acaso, o convidou para fazer um solo. O cara, para nosso espanto, topou e agendamos tudo para quando estivéssemos lá, em 1999, durante o Wacken Open Air (festival europeu de metal). Com o Ricky Mythiasin (vocalista - Steel Prophet) foi ainda mais louco, pois estávamos no estúdio gravando e ele pintou lá; escutou a "Are You Still Smiling?" e disse exatamente assim: "Isso é do caralho. Posso cantar?". O mais curioso é que, até então, ele não nos havia sido apresentado, de forma que não tínhamos a menor idéia de quem ele era. Eu e o Daniel ficamos um pouco sem jeito de dizer não e pensamos: "Bem, deixa o cara gravar. Se ficar ruim, a gente lima depois ". Aí, é claro, o cara começou a cantar e o nosso queixo parou no chão. Posteriormente, conversando com ele, descobrimos que ele era do Steel Prophet. Eu já conhecia a banda, e pensei comigo mesmo: "Tá explicado!".

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WHIPLASH - Musicalmente, o Delpht faz um heavy metal com peso e melodia bem distribuídos. O que mais impressiona é que existe variação entre as músicas, até mesmo porque não há repetições de ritmos, etc. Como foi todo o processo que permitiu o alcance desta maturidade?

Alexandre / Quase oito anos de banda, experiências com diferentes músicos, gostos variados entre nós mesmos... tudo conta. Não tomamos um direcionamento musical; não podíamos fazer isso, pois não sabíamos o que queríamos de fato. Tem bandas que decidem "eu vou fazer um prog metal, pois quero mostrar que bom músico eu sou", ou "vou tocar porrada na orelha, para ver o público delirar e quebrar tudo". Conosco foi atípico. Apenas começamos a compor e, quando escutamos, uma canção era diferente da outra. Não foi programado, mas aconteceu naturalmente.

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WHIPLASH - Músicas como "Enemies", "The Screams" e "Revenge", além de ótimos arranjos, trazem uma temática especial. Qual foi a inspiração usada para isto?

Alexandre / Eu sou um fã incondicional de quadrinhos. Tenho mais de 8.000 gibis desses de super-heróis, e sempre adorei Conan. Como bandas, também sou fã de Manowar e toda essa "ladainha bárbara". Quando a banda ainda engatinhava, resolvemos criar o "personagem Delpht" e eu comecei a esboçar uma trajetória para ele. O que foi mostrado é apenas a ponta do iceberg, pode ter certeza. O "guerreiro sem face" aparecerá em todos os nossos discos, de uma forma ou de outra. Agora, há uma diferença que posso apontar entre nós e outras bandas: falamos sobre tudo aquilo que achamos válido ser dito, não nos atendo a um único tema. É assim e será sempre, pois dessa forma nunca teremos um som maçante, mas eternamente híbrido.

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WHIPLASH - "Ride the Valkyries" inclui teclados que seguem a linha bem clássica. Neste sentido, de que maneira foram desenvolvidas as melodias presentes em "Screams Of Ice"?

Alexandre / As músicas melódicas estão presentes porque gostamos do melódico, tal qual gostamos também do thrash, por exemplo. Nada a ver com algumas bandas que bitolam no melódico e dizem: farei algo no estilo Beethoven, ou Tchaikowsky, ou Wagner, ou sei lá o quê. Tampouco pensamos "Isso tem que ser medieval, aquilo contemporâneo e aquilo barroco". Nada disso... como eu já disse, apenas fluiu! Se amanhã ou depois sentirmos a necessidade de batidas afro, música folk, fado, ou qualquer outra merda, pode ter certeza que aproveitaremos esses gêneros em nossas composições. Isso em nada denigre o caráter heavy da coisa e a prova viva disso é o que o Sepultura fez alguns anos atrás.

WHIPLASH - Outro ponto forte é representado pelo instrumental, que soa harmonioso e muito bem posicionado. Isso é resultado de muito ensaio ou as coisas foram espontâneas?

Alexandre / Ambos, mas há algo que precisa ser salientado: tentamos não soar exagerados. O problema com algumas bandas de hoje é a auto-afirmação. O cara pensa assim: "Eu toco muito, e os outros precisam saber disso!" Eu já passei por essa fase e cheguei a conclusão de que, quanto mais estudo, menos eu sei. Muito mais difícil do que fazer uma música gigantesca de 15 minutos, cheia de passagens absurdas que só os músicos entendem, é fazer algo que sobreviva à passagem do tempo. Outro dia eu estava assistindo ao filme "Tubarão" na TV e pensei: "Puxa, esse negócio é de 1975 e ainda parece atual. O cara fez uma obra-prima mesmo". E então me dei conta da dificuldade de se fazer uma obra-prima. Os outros tubarões, hoje, são risíveis, dado o exagero que contém, mas não o primeiro. Acho que a música se comporta da mesma forma. Tudo o que foi exagerado, hoje é motivo de riso, desde o visual dos poseurs na década de 80, até mais recentemente, na década passada, a onda de bandas acometidas pela febre Dream Theater. Atualmente, todos aqueles que pensavam que tocar pra cacete fosse o suficiente para ser lembrado, sumiram, enquanto o próprio Dream Theater ainda está aí. E isso, apenas por um motivo: não há exageros no som deles (levando em consideração o estilo, é claro), pois o público leigo entende a música e as melodias pegam. Isso é, ao menos, minha opinião.

WHIPLASH - A arte gráfica é linda. Como foram desenvolvidas as idéias?

Alexandre / Temos um artista excelente, o Rodrigo Cruz. Ele foi o primeiro guitarrista da banda e ainda é nosso amigo. Ele criou tudo, partindo da premissa de que não queríamos a presença do Delpht. Logo, ele se concentrou no cenário.

WHIPLASH - Algumas músicas parecem ser complicadas para um desempenho ao vivo, embora sejam heavy metal. Como a banda administra isso?

Alexandre / "Forever In The Unknown" não será tocada ao vivo. Pelo menos não até termos uma boa estrutura. "The Screams" e "Ride Of The Valkyries" contarão com samplers. O Ronaldo Simolla fará a voz do Ricky Mythiasin na "Are You Still Smiling?". A "Professional Puppets" será simplificada e "Enemies" e "Revenge" simplesmente não terão teclado.

WHIPLASH - Falando em shows, qual o clima reinante numa apresentação do Delpht?

Alexandre – Queremos ver o público pular até não poder mais. Esperem uma porrada na orelha.

WHIPLASH - Que músicas os fãs mais curtem em shows?

Alexandre / A "Are You Still Similing?" tem sido a preferida.

WHIPLASH - Sobre a divulgação, que esforços estão sendo feitos para levar a banda Delpht para o Brasil e o mundo?

Alexandre / Não estamos medindo esforços. Amostras já foram enviadas para Portugal, Alemanha, Dinamarca, Itália, Argentina e isso é só o começo. Todos os grandes países estão na nossa lista. Aqui no Brasil, uma ampla divulgação está sendo feita nos principais veículos de informação: revistas, rádio e internet.

WHIPLASH - Que respostas a banda tem obtido com tudo isso?

Alexandre / Tem vendido uma pá de CDs.

WHIPLASH - Com um excelente álbum em mãos, considerando-se que a banda teve problemas com sua formação no passado, pode-se dizer que a base se manterá unida e em busca do reconhecimento merecido?

Alexandre / Não vou mentir. Tivemos nossos arranca-rabos. Ainda temos, de certa forma. Somos amigos, muito amigos, todos nós. Mas você sabe, uma banda é um relacionamento e um relacionamento é sempre complicado. Quando um casal decide ficar junto para valer, é porque ambos decidem superar suas diferenças em prol de um bem maior: o amor que um sente pelo outro. Conosco é a mesma coisa, vamos superar nossas diferenças e ficar unidos em prol de um bem maior: o sonho!

WHIPLASH - Com uma boa estrutura de apoio, quando o Delpht pretende aparecer com um site oficial, já que o reconhecimento merecido começou a vir?

Alexandre / Em janeiro estará no ar.

WHIPLASH - Deixem um recado para os leitores desta entrevista que ainda não conhecem o Delpht.

Alexandre / O que estão esperando, porra? Brincadeira. Pessoal, não vou fazer propaganda de político. Não quero que meu CD venda por causa de propaganda, mas quero, sim, que venda porque o cara foi até uma loja, pediu para ouvir e falou: "Isso é do caralho. Vou levar!" Fizemos o melhor que podíamos, porque acreditamos nisso; acreditamos no heavy e em vocês.

WHIPLASH - O que a banda tem a dizer sobre o site WHIPLASH! ?

Alexandre / Não costumo surfar muito na net - apenas eventualmente -, mas já visitei o site algumas vezes no passado, em função do nome que ele vem obtendo ao longo do tempo. O que posso dizer é que um trabalho de qualidade indiscutível vem sendo feito, remando contra a maré, tal qual todos nós. O site está de parabéns por tudo o que tem feito pela música aqui no Brasil, especialmente abrindo espaço para bandas novas como a nossa e divulgando-as para todo o mundo. Não há palavras, exceto um sincero "obrigado", um sincero "parabéns" e um estímulo: "continuem assim". Nós precisamos de gente como vocês. Um abraço a todos.

Para obter maiores informações: www.diehard.com.br

Para contactar Alexandre Callari (Delpht): [email protected]

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