Axxioma - Entrevista exclusiva com a banda.

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Por André Toral

Whiplash! / Antes de o Axxioma lançar Insight, pouco se tinha ouvido falar na banda. Desde que o grupo foi montado, que história envolve toda a trajetória?

Vagner Alba / Bem, quando montamos a banda, todos já sabíamos exatamente o que queríamos: compor e gravar um álbum que fosse o melhor de nossas carreiras. A intenção maior era fazer músicas que realmente gostássemos. Nos concentramos totalmente então na composição de Insight durante todo o ano de 1998 e, nesse tempo, não fizemos nenhum show. E então, em 1999, fizemos os arranjos finais do disco e gravamos em julho.

Whiplash! / Considerando que a banda surgiu em 1998 e já lançou um CD independente, vocês concordam que tudo se deu de maneira rápida? A que se deve isso?

Vagner / Realmente o espaço de tempo foi curto, porém ficamos durante um ano e meio apenas trabalhando nas músicas. Ensaiávamos em média 3 ou 4 dias por semana. Optamos por não fazer apresentações ao vivo e dedicar todo tempo ao CD. Acho que isso pesou bastante na hora de somar o tempo que gastamos para finalizar o álbum e, consequentemente, fez com que o nome Axxioma não se difundisse muito. Mas acredito que agora seja a hora de divulgar o nosso nome, pois que temos o CD nas mãos.

Whiplash! / Insight é um CD de hard rock pesado, estruturas musicais feitas com muito profissionalismo e muito bem produzido. Qual foi a química para alcançar todo este poderio logo no primeiro álbum?

Hardy / É, acho que essa química realmente existe entre nós. Já nos conhecemos há muitos anos e o Delmer é meu primo. Todos tínhamos nossas bandas por aí, sempre saíamos juntos para tomar umas cervejas, falar sobre música... Não sei como não nos juntamos para tocar antes; foi uma idéia que realmente nunca passou em nossas cabeças, até o dia em que o Vagner saiu de sua antiga banda e veio me convidar para tocar. Daí pra frente foi tudo muito rápido. Quanto à qualidade de Insight, apesar de a banda ser nova, todos nós já temos alguns anos de experiência com bandas e estúdios, acho que isso contribuiu muito.

Vagner / Uma parte foi sorte também, conseguimos tirar os timbres que tínhamos em mente. Acho que toda banda necessita de uma parcela de sorte.

Whiplash! / Aliás, em termos de produção, nota-se um trabalho fantástico, de primeiro mundo. Considerando que a maioria das bandas independentes sofrem com esta parte, no início, como o Axxioma obteu esta desenvoltura, em Insight?

Vagner / É, infelizmente hoje uma das coisas que mais acaba comprometendo as bandas independentes é a questão da produção. Justamente por isso tomamos muito cuidado nessa parte. Tão importante quanto fazer boas músicas é produzir um bom CD. Primeiramente entramos em estúdio com tudo "redondinho" e sabendo exatamente o que queríamos. Não tivemos nada de pressa e nem preguiça de refazer o que fosse preciso. Nossa idéia não era ter o CD rápido, mas sim bem feito.

Hardy / É verdade, gravamos tudo calmamente e testamos diversos equipamentos até encontrar a sonoridade do Axxioma. Os técnicos que nos ajudaram no processo de gravação e masterização também foram importantes.

Vagner / E tem um ponto que acredito ser fundamental: tocar com muita garra na hora em que se está gravando. Isso forma o clima do álbum.

Whiplash! / A banda concorda que devido a produção do CD e o profissionalismo de todos os músicos, Insight é um trabalho que pode se comparar a outros de primeira linha, inclusive na esfera internacional do rock?

Hardy / Bem essa é uma questão bem relativa. No Brasil, encontramos CDs excelentes e CDs, digamos, "deficientes". Lá fora é a mesma coisa, existem ótimos trabalhos e outros que perdem para muita banda brasileira underground. No nosso caso, especificamente, eu concordo que temos um trabalho que pode competir no mercado, seja ele qual for. Mas temos em mente que assim como nós conseguimos realizar um bom trabalho, existem centenas de bandas que também conseguiram, e é isso que é legal - competir num mercado que tem grandes lançamentos.

Whiplash! / Para os fãs que curtam "algo a mais", qual é o significado que envolve toda a arte do CD e suas letras?

Vagner / Esse ponto é interessante. Eu sou um desses que curte o significado da arte e as mensagens. Em Insight, nós resolvemos pegar como ponto principal a reflexão e a idéia. As coisas que se passam na cabeça da gente e de qualquer um: medos, dúvidas, sentimentos etc. Não foi algo determinado, mas, sim, espontâneo. fomos percebendo que nossas letras falavam bastante de inconsciente ou até do consciente, do intelecto... É legal mexer com essa parte, pois os temas são bastante subjetivos.

Hardy / O velhinho refletindo na capa, no exato momento da idéia, no momento do "insight" e as ilustrações das diferentes janelas representando os diversos pontos de vista, estão diretamente amarrados com as letras. As formas utilizadas, as luzes simbolizando as idéias, tudo tem um significado. O Marcos Schmidt - o artista que fez a capa- teve extremo bom gosto na hora de fechar os significados para nós.

Whiplash! / A música Voices of Experience tem algo que lembra as bases que ficaram conhecidas no meio grunge. Isto é algo pensado ou espontâneo?

Hardy / Não, pensado realmente não foi. Presenciamos a cena grunge que surgiu no início da década, porém não chegamos a ter um conhecimento profundo e um contato maior com as bandas do estilo. Entretanto, o valor que o movimento grunge teve e ainda tem para o rock é inegável. Inúmeros grupos surgiram a partir das bandas de Seattle e, embora não tenhamos como influência direta, o grunge acabou por dar um tempero em nosso som inconscientemente, assim como outros diversos estilos que também possuem excelente qualidade e contribuíram para a nossa sonoridade.

Whiplash! / Músicas como Reflexions, Solitude Standing, Hiding Inside Oneself e Again, mostram bases perfeitas e estruturas muito bem definidas, bem como o peso que as compõem. Quanto tempo foi necessário para definir todo o conteúdo instrumental que está presente em Insight?

Vagner / É difícil precisar. O Hardy já tinha alguns riffs prontos, algumas idéias antes de montarmos o Axxioma. O que fizemos foi chegar nos primeiros ensaios e falar um para o outro: "Olha, eu tenho isso, isso e isso aqui. Vamos ver o que dá para trabalhar". Então começamos juntar as peças e descartar o que não servia. Muita coisa foi composta em ensaio mesmo, em jam sessions, e depois as músicas iam sendo arranjadas com o tempo. Se tomarmos como ponto de partida o início da banda, gastamos pouco mais de um ano para compor e arranjar tudo, mas vale lembrar que algumas idéias já existiam. A banda não surgiu, assim, "do nada".

Whiplash! / Em se falando do instrumental, pode-se reparar que todos vocês são músicos de primeira linha. Conte-nos, por favor, a trajetória de cada um no meio musical.

Vagner / Obrigado, muito obrigado pelo "primeira linha" , mas acho que aí, talvez, caiba um "exagerozinho". Eu toco há mais ou menos 10 anos; comecei com minha primeira banda e depois de um tempo entrei para a escola de música. Estudei bateria por 3 anos e, por motivos de força maior ($$$), tive que sair da escola. Então, tenho me dedicado a tocar ao vivo, aprimorando a técnica com vídeo- aulas.

Hardy / Eu toco há uns 12 ou 13 anos, autodidata desde o início. Comecei tocando em bandas de death e thrash, sempre aprendendo alguma coisa com os outros guitarristas. Toquei muito sozinho em casa, ouvindo e acompanhando os discos, tentando tirar os arranjos e aprender as técnicas. E é assim até hoje.

Vagner / O Delmer (Valentim, baixista) é um caso diferente! Ele era baterista, tocava muito bem, inclusive, só que nunca tinha dado sorte com as bandas em que tocou. Já toca em bandas há uns 10 anos e iniciou a carreira como guitarrista (olha só!). Mas de uns anos para cá, ele descobriu que sua vocação estava mesmo no baixo, e começou a adquirir as técnicas através de vídeos de shows, observando os baixistas, vídeos-aula e tocando com alguns amigos. E realmente, hoje, ele toca baixo muito mais do que tocava bateria e guitarra, juntos.

Whiplash! / (Para Hardy) Você concorda que sua voz lembra Eddie Vedder, do Pearl Jam? Seria uma de suas influências?

Hardy / É, já me disseram isso. Realmente o timbre, em alguns trechos, lembra um pouco; em outros já não. Porém o Eddie Vedder não chega a ser uma influência, apesar de excelente vocalista. Eu não ouço muita coisa de Pearl Jam. A semelhança fica apenas no timbre vocal e não na interpretação. Considero um privilégio ter um timbre semelhante ao dele.

Whiplash! / Ainda sobre influências, quais delas cada músico possui e quais foram importantes para a composição de Insight?

Vagner / Bem, eu ouço muita coisa, desde bandas bem pesadas até coisas fora do rock.. Isso tudo, em escala maior ou menor, acaba influenciando no som. Mas posso dizer que os músicos que influenciaram diretamente minha maneira de tocar foram bateristas como Alex Van Halen, Cozy Powell, Lars Ulrich, Mike Portnoy, dentre muitos outros.

Hardy / Eu também ouço bastante coisa. Na esfera do rock, os guitarristas que mais me influenciaram foram: Alex Lifeson, Adrian Smith e James Hetfield. Porém existem muitos outros que admiro bastante. O Delmer, eu sei que gosta muito de baixistas como Geddy Lee, Cliff Burton e Michael Anthony. Acredito que estas sejam algumas de suas maiores influências.

Whiplash! / O Axxioma é um trio. Qual é a desenvoltura da banda em situações de show?

Vagner / O show do Axxioma é realmente o nosso ponto forte. Mostramos toda a garra que o público espera e rola uma troca de energia tão grande que somos capazes de ficar tocando horas sem parar. Temos um show bem ensaiado e fazemos o possível para torna-lo bem dinâmico. Conversamos muito com o público, isso é legal pra caramba. Sabemos muito bem o som que estamos fazendo e para quem estamos fazendo.

Hardy / Ao vivo, nós contamos, também, com o apoio de um tecladista, o Rodrigo Sales. Ele é fundamental para conseguirmos reproduzir ao vivo o clima do CD. Gostamos muito do trabalho dele e, inclusive, foi ele quem gravou os teclados em Insight.

Whiplash! / De que maneira o Axxioma pode ser definido encima de um palco, em um show?

Hardy / Energia total!

Vagner / Muito som e muita adrenalina! Só quem vê o show, mesmo, pode compreender. É uma coisa de louco!

Whiplash! / Como tem sido a receptividade de Insight no mercado brasileiro?

Vagner / Olha André, tem sido a melhor possível, sinceramente. Muito melhor do que esperávamos. As vendas vão muito bem, o público comparece aos shows, e várias revistas de rock têm falado bem da gente. Isso ajuda muito.

Hardy / É verdade, tem Insight onde a gente menos imagina. É bom sentir o reconhecimento do público pelo nosso trabalho.

Whiplash! / O que a banda está fazendo para procurar se promover?

Hardy / Essa parte de divulgação fica por conta do Vagner, pois ele é publicitário e sabe muito bem como fazer isso.

Vagner / Bem, promoção e divulgação é uma parte bastante sofrida para as bandas independentes, e com a gente não é diferente. Nós lutamos ao máximo para levar o Axxioma ao conhecimento do público. Estamos aparecendo em algumas revistas, jornais e programas de TV; estamos tocando em algumas rádios, mantendo contato com o público através de mala direta e e-mail; estamos apostando pesado na internet, que é uma mídia bastante acessível. Além do nosso site oficial, estamos em vários sites especializados de rock. Inclusive, gostaríamos de deixar registrado aqui os nossos agradecimentos a vocês da WHIPLASH!, que têm nos dado atenção especial. Valeu mesmo André.

Hardy / E o principal: estamos tocando ao vivo em tudo que é lugar, para as pessoas conhecerem a gente.

Whiplash! / Internacionalmente falando, que planos o Axxioma pretende concretizar, para promoção?

Vagner / Fora do país a realidade é outra. A estratégia de divulgação é semelhante, mas os resultados podem aparecer mais rápido. Uma banda estrangeira sempre chama mais a atenção. A maior dificuldade passam a ser os custos, que fora do país aumentam muito. É nessa hora que muita banda boa acaba desistindo. Nós estamos em contato direto com bandas de fora, revistas, e até empresários e gravadoras. Temos recebido e-mails da França, Itália, Dinamarca, Argentina.... Isso é legal. Por enquanto, são apenas contatos, mas aos poucos estamos tentando alcançar nossos objetivos, porém, sem pressa; um passo de cada vez, senão o tombo pode ser grande.

Hardy / Parece que tem um lance aí de a gente tocar numa rádio da Argentina...

Vagner / É verdade, vai rolar mesmo.

Whiplash! / Vocês tem em mãos um CD impecável, porém, são, todavia, uma banda independente como todo o potencial e credenciais para invadir a cena do rock. A vontade de querer fazer parte do "cast" de uma grande gravadora é realidade, bem como a sensação de injustiça, caso isso não ocorra?

Hardy / Injustiça, não. Falta de sorte, talvez. Existem centenas de bandas talentosas que, por um motivo ou outro, não chegam lá. O mercado está aí para ser conquistado e, se conseguirmos, beleza, faz parte do nosso objetivo. Não somos a única banda com condições para isso.

Whiplash! / Para aqueles que ainda não conheçam o Axxioma, o que vocês lhes diriam?

Vagner / Ouçam o nosso CD ou, se tiverem a oportunidade, assistam ao nosso show. Acho que vamos nos dar muito bem. Gostamos muito dessa interação.

Whiplash! / E agora, o que a banda pode dizer sobre o site WHIPLASH!?

Hardy / Sensacional! O que mais posso dizer a respeito de um site que dá total apoio a bandas realmente independentes?

Vagner / Aqui você encontra realmente diversificação, com espaço igual para todo mundo. É, sem dúvidas, um dos maiores sites especializados que eu conheço. Valeu galera! Um grande abraço do Axxioma a todos.




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