Sinéad O'Connor: a história de "Nothing Compares 2 You"

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Por Pablo Alejandro Morethson, Fonte: Rolling Stone Magazine, Tradução
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No que diz respeito ao premiado vídeo que foi a cartada para promover o hit internacional "Nothing Compares 2 You" de 1990, você que assistiu pôde reparar que Sinéad O'Connor chora. Num determinado momento, as lágrimas escorrem dos seus olhos até as suas bochechas cada vez que ela canta. "All the flowers that you planted, Mama, in the back yard, all died when you went away" - "Todas as flores que você plantou no quintal, mamãe, todas elas morreram quando você foi embora", a partir desse trecho da música, a emoção toma conta de Sinéad O'Connor e as lágrimas são inevitáveis. Essas mesmas lágrimas ela explicou numa entrevista ao canal VH1, que estava promovendo um especial das 100 melhores músicas da década de 90, as lágrimas segundo ela, foram provocadas pela lembrança do complicado relacionamento que ela tinha com a sua falecida mãe.

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Sinéad O'Connor não escreveu a letra dessa música inspirada na saudade de um amor perdido, aliás, essa música nem foi escrita por ela e sim pelo Prince, que originalmente a compôs para o The Family, uma banda que tinha assinado um contrato com a sua gravadora - a Paisley Park. Prince foi inspirado por um membro da banda que recentemente havia rompido o relacionamento com a sua namorada e gravou a canção em 1985 numa roupagem funk colocando-a no álbum que dava nome à banda. Identificando-se com a letra da canção, Sinéad O'Connor a incorporou de um modo que a tornava parte de sua própria vida, e com uma autenticidade notável, uma intensidade nos sentimentos que brotavam do fundo de seu coração, aliados ao igualmente fantástico e poderoso clipe, a música " Nothing Compares 2 You " de Prince, alcançou o topo das paradas de sucesso de pelo menos 15 países ao redor do mundo, incluindo Grã-Bretanha e Estados Unidos onde foi premiada com o disco de platina ficando quatro semanas consecutivas nas paradas de sucesso como o hit número 1 da Billboard Hot 100.

"Na verdade, eu acho que a intensidade da performance de Sinéad veio do término de seu último relacionamento", opina Chris Birkett, que co-produziu e trabalhou como engenheiro de mixagem do hit e acompanhou a cantora até a premiação do álbum "I Do Not Want What I Haven't Got" no Grammy Awards, que alcançou o topo das 200 mais da Billboard por seis semanas consecutivas e vendeu sete milhões de cópias no mundo inteiro. "Ela estava namorando com o seu empresário, Fachtna O'Ceallaigh, que por sinal era muito bom e tinha sido fundamental na obtenção de seu contrato com a Ensign Records. No entanto, não estavam se dando bem, e ambos já estavam praticamente se separando quando Sinéad estava gravando "Nothing Compares 2 You". De acordo com Chris Birkett, essa situação colaborou para a sua fantástica performance. "Ela veio ao estúdio, gravamos apenas uma vez, gravamos os vocais de apoio logo em seguida e ficou perfeito, pois ela estava totalmente entregue à canção. Aquela canção espelhava aquilo que Sinéad estava passando no momento emocionalmente".

Na época havia rumores que Sinéad estava se encontrando com o Prince. A verdade é que Sinéad recebia visitas diárias de muitas pessoas e logo especulavam que tais eram seus possíveis pretendentes.

"Todos os dias um cara usando óculos escuros vinha ao estúdio e se sentava atrás na sala do control room" , lembra Birkett. "Ele nunca se apresentava e eu ficava me perguntando quem diabos era aquele sujeito, até que finalmente eu lhe perguntei e ele me respondeu, 'Peter Gabriel'. Ele e Sinéad estavam passando muito tempo juntos, então quem sabe possivelmente seus sentimentos espelhados e expressados em 'Nothing Compares 2 You' não teriam sido por causa de Peter Gabriel, ou talvez seu empresário, ou até mesmo por causa do Prince". Na opinião de Chris Birkett isso pouco importa, não importa quem seja, o fato é que segundo ele, Sinéad estava profundamente magoada com alguém, e colocou tudo aquilo que estava sentindo na sua interpretação, tanto na gravação como no vídeo clipe. E foi justamente o vídeo que fez a canção deslanchar, porque a BBC já tinha parado de tocá-la, e quando o vídeo foi lançado, a canção estourou.

INSTRUMENTAL

"Eu tive uma reunião com o empresário de Sinéad, Fachtna O'Ceallaigh, dentro de um carro do lado de fora do estúdio e ele tocou a canção pra mim", lembra Chris Birkett. "Nellee Hooper havia trabalhado dois dias nela, mas ele e Sinéad tiveram uma discussão e ela foi embora. Até aquele momento havia um loop de bateria, algumas cordas e vocais de apoio, e quando ouvi achei a canção muito boa, era ótima, mas precisava ser rearranjada, e foi nisso que passamos a trabalhar ".

A pessoa que foi o grande responsável pelo instrumental foi o virtuoso Gota Yashiki, baterista japonês de acid jazz. Ele havia tocado anteriormente em Tóquio com uma banda de reggae dub conhecida como Mute Beat, e juntamente com um colega e membro da banda, Kazufumi Kodama, formaram o dueto Kodama & Gota. No final dos anos 80, antes de fazer os arranjos de bateria do álbum Stars do Simply Red de 1991, Yashiki trabalhou em Londres com artistas renomados, incluindo o Soul II Soul, Seal e Sinéad O'Connor, e foi ele quem programou o arranjo de cordas na música ' Nothing Compares 2 You ' levando o próprio produtor Chris Birkett a descrevê-lo como "gênio".

"Ele era muito talentoso e criativo", relembra Birkett. "Ele entendia as coisas muito rápido - um músico totalmente intuitivo ".

"Eu trabalhei com Nellee Hooper nas gravações do Soul II Soul fazendo os arranjos, programando e também tocando bateria", comenta Gota. "A conclusão daquele projeto foi muito bom, então quando Nellee começou a trabalhar com Sinéad O'Connor, ele me perguntou se eu queria participar fazendo também nesse projeto os arranjos e a programação. Uma mulher chamada Arabella Rodriguez, que também trabalhou na mixagem e gravação do Soul II Soul foi chamada para participar".

"Primeiramente, fizemos a pré-produção na casa do Nellee, onde fiz a maior parte do meu trabalho usando um Atari coligado com o Notator (Software) e o sampler S1100 da Akai. Em seguida começamos a gravar no estúdio do Pink Floyd, o Britannia Row, onde fiz alguns overdubs (técnica de gravação que consiste em adicionar novos sons a uma gravação já anteriomente realizada) de bateria e também de teclado para a parte do violão cello. A faixa de música gravada estava de fato lenta (como desejado), o bumbo e a caixa de bateria soavam perfeitos, mas o chimbal que foi programado no sampler não estava funcionando bem para aquela música. Então eu pedi para que a faixa de chimbal programada fosse mutada e eu mesmo toquei. A essa altura a parte do violão cello também não estava ficando em harmonia com o resto dos instrumentais, assim o gravei de novo no Britannia usando um sampler da Akai e um teclado".

"Eu quis ter a absoluta certeza de que tudo estava correndo bem, e o violão cello não estava soando naturalmente, como realmente deve ser. Eu mesmo toquei todas as partes do violão cello. Finalizamos a parte instrumental da música e Sinéad já estava trabalhando nos vocais quando aconteceu um desentendimento entre ela e Nellee. Eles tiveram um motivo para o desentendimento, mas eu não sei qual foi, subitamente ele abandonou o projeto".

"Poucas semanas depois, ela estava nas sessões de mixagem da música em um outro estúdio e coincidentemente eu estava numa outra sala. Quando ela achou a sala na qual estava, ela bateu na porta e disse: - 'Gota, pode dar uma ouvida na música?' Mixamos juntos a faixa e tudo estava como eu havia feito, todo o trabalho que eu havia feito naquela música ainda estava lá".

VOCAIS

Posteriormente às sessões de gravação da parte instrumental no Britannia Row, Chris Birkett gravou as partes remanescentes para a 'Nothing Compares 2 You' pouco a pouco no West Side Studios usando uma mesa de som SSL E Series e um gravador analógico Studer 24-track com Dolby Surround.

"Eu fiz alguns rearranjos no timing da bateria", explica Birkett, "e também gravamos acordes descendentes simples de piano antes de começar a cuidar do vocal principal".

"Antes do advento do digital, eu gastava dias e dias na afinação e sincronia do vocal. Que foi o que me aconteceu o tempo todo quando trabalhei com o Mel Brooks. Eu gastei uma semana para colocar o vocal dele no tempo certo na música 'To Be Or Not To Be' e também na 'It's Good To Be a King', porque ele não conseguia cantar em estilo rap. Se tratando de vocais eu sou um fanático, eu faço de tudo para acertar a voz e ouço vez após vez. No entanto, Sinéad veio, gravou uma vez e ficou perfeito. Eu não tive que fazer nada. Ela cantou no tempo certo e então disse: - 'Eu quero dobrar a voz'. Foi feito da forma como ela pediu e ficou fantástico. Eu me surpreendi. Eu nunca até então, tinha visto alguém fazer o double-track de voz tão perfeitamente em sincronia a ponto de não precisar fazer mais nada para corrigir".

"Foi relativamente fácil mixar numa mesa SSL no Eden Studios porque não havia muitos instrumentos na mix, a única dificuldade que tivemos no processo foi a questão da compressão. Por alguma razão, Sinéad odiava compressão, e quando vinha todas as manhãs ao estúdio ela escrevia numa folha de papel A4 - 'NO FUCKING COMPRESSORS!' - 'NADA DE COMPRESSORES!' (coloquei a frase original para os leitores terem a ideia de como ela odiava o uso de compressores nos seus vocais gravados). O problema é que ela tinha uma técnica vocal de microfone inversa. Quando a maioria das pessoas cantam mais alto, elas se afastam do microfone, Sinéad fazia justamente o contrário - se afastava do microfone quando cantava mais baixo e praticamente gritava em cima dele quando cantava mais alto. Provavelmente era essa a sua ideia de conseguir um vocal mais poderoso, mas eu digo a vocês que foi horrível gravar e mixar sem um compressor, limiter ou qualquer outra coisa para nivelar os picos do sinal gravado".

"Ao dar ganho de volume para dar presença às partes mais baixas do vocal, a voz ficava distorcida quando chegava nas partes em que ela cantava mais alto perto do microfone. Eu gastei horas e horas usando a automação da mesa SSL para tornar cada sílaba do que ela cantava baixo audível. Eu também tive que usar um equalizador durante a mixagem para atenuar os médio-agudos, porque o microfone captou demasiadamente essas frequências e o vocal estava ficando terrível de se ouvir. Não é como agora em que eu trabalho com o Pro-Tools ou o Lógic e posso automatizar qualquer coisa - é fantástico. Lá atrás, eu tinha que fazer isso em tempo real, com as mãos no equalizador até o final da mix, era um truque que eu tinha".

"Com Sinéad e com a maioria dos outros artistas eu uso um AKG C 414B-ULS para os vocais. É um dos meus favoritos porque ele é muito dinâmico, mas mesmo se eu usasse um Neumann, graças à sua terrível técnica de microfone, o vocal ficaria distorcido de qualquer maneira. Microfones da marca Neumann são muito sensíveis, quebram com facilidade, em contra partida os modelos 414 da AKG aguentam o tranco e captam o sinal com muita clareza sem qualquer ruído de fundo. Usei com a Alyson Moyet, com a Buffy Sante-Marie e uso com qualquer um que eu venha trabalhar".

CONCLUSAO

Como ainda tinha que gravar mais músicas para o álbum 'I Do Not Want What I Haven't Got', o pesadelo vocal de Chris Birkett se estenderia por mais seis longas semanas nas sessões de gravação e mixagem que ocorriam no Eden Studios e no seu próprio CB Sound Studios.

"Sinéad não permitiria qualquer forma de controle de volume na automação durante a mixagem", confirma Chris. "Quando eu perguntei a ela o porquê disso, ela me disse que achava isso artificial. Ela queria que o seu vocal soasse o mais natural possível. E seria realmente assim se ela não tivesse usado uma técnica de microfone inversa. Ela provavelmente experimentou essa técnica durante as etapas de gravação do projeto, mas isso era completamente o oposto do que a maioria das pessoas faziam".

"Apesar dessa particularidade, o álbum foi extremamente fácil de se produzir. Uma coisa que me chamou muito a atenção foi o fato de Sinéad estar sempre cansada, consequentemente trabalhávamos muito pouco durante as sessões. Ela vinha ao estúdio duas da tarde e ia embora às seis, mas paralelamente a isso o processo de gravação e mixagem corria com agilidade. Os músicos vinham e adicionavam as partes correspondentes, e eu não me lembro de estar cansado ou estressado".

"Eu não estudei em nenhuma escola de produção musical, onde você aprende cada faceta da produção, as técnicas e depois está apto para fazer qualquer coisa. Eu sou um produtor intuitivo, nunca aplico equalização quando estou gravando alguém; apenas gravo tudo naturalmente e só depois vou aplicando equalização, efeito ou qualquer outra coisa".

"Sinéad gostou de trabalhar comigo porque eu não era egocêntrico como a maioria dos produtores. Acredito que a criação real vem do divino, acredito que há uma uniformidade de energia que vem do divino até as coisas materiais, e você tem que apenas deixar acontecer sem ficar pensando ou tentando demais num jeito específico de se fazer as coisas. Você pode trabalhar nessas coisas depois, nunca um processo de edição deveria interferir no processo criativo, eu apenas deixo o processo criativo acontecer e tento capturá-lo na gravação, isso foi extremamente significativo para Sinéad, pois ela pôde se manifestar da maneira que quis. Quando ela veio gravar os vocais, provavelmente alguns produtores teriam dito: -'Esqueça, não vou gravar seu vocal sem um compressor', mas eu disse: -'Ok, vamos tentar', fiz isso porque queria que ela se sentisse confortável. Eu não estava lá para atropelar Sinéad com todo o meu egocêntrismo, muito menos dominá-la ou controlá-la".

Mas, infelizmente para Birkett essa atitude nobre e complacente não foi correspondida.

"Durante o processo de produção eu não tinha um empresário me representando, eu estava trabalhando muito e não dei devida atenção a isso", diz Birkett. "Assim a diretoria da Ensign Records exigiu que eu tivesse um contrato de co-produção para a música 'Nothing Compares 2 You', bem como para todo o álbum, e eu ganhei os direitos autorais por isso (royalties). Contudo, Sinéad tinha em mente ser creditada como única produtora , e embora isso ser um absurdo, foi justamente o que aconteceu.

O mesmo aconteceu com Gota Yashiki. A única pessoa creditada pelos arranjos de cordas no álbum 'I Do Not Want What I Haven't' foi o maestro Nick Ingman, que regeu as sessões de orquestra ao vivo no London's Landsdowne Studios... e Sinéad O'Connor.

Em 1991 Chris Birkett co-produziu outro single de Sinéad O'Connor, 'My Special Child' e ele recebeu os créditos que lhe eram devidos pela produção, no entanto a atitude compreensiva de Sinéad não durou muito.

"Ela me chamou para trabalhar no seu próximo álbum (que eventualmente se chamaria 'Am I Not Tour Girl')", relembra Birkett. "A maior parte do álbum seriam covers de clássicos do jazz, e então eu disse: -'Sim claro, fico feliz em participar do projeto, mas dessa vez eu insisto que você me dê os devidos créditos como co-produtor'. Ela achou aquilo uma coisa de outro mundo. Dessa forma seguimos caminhos diferentes e não a tenho visto desde então. A mesma coisa aconteceu quando fui chamado para fazer o álbum do Soul II Soul - eu seria o engenheiro de mixagem, programação, enfim faria todo o trabalho de um produtor, mas eles não queriam me dar um contrato de produção ou qualquer crédito pelo trabalho, então eu disse para eles me esquecerem. Naquela época eu já estava farto de ser usado daquela maneira".

Sinéad sequer parou pra pensar se seu comportamento frente a essas coisas era justificável.

"Eu não faço as coisas afim de alcançar uma imagem em particular ou para obter o récorde em vendas ou qualquer coisa do tipo", disse ela em uma entrevista para um show de TV Rapido em 1990, perto do lançamento de seu segundo álbum. "Eu apenas faço aquilo que é natural para mim, mesmo se parecer idiota eu assumo".

Uma análise da revista Rolling Stone afirmava que o álbum " 'I Do Not Want What I Haven't' trata menos das ambições de Sinéad O'Connor, do que os custos dessa ambição, e quase tudo nesse álbum é muito melhor do que o primeiro. O álbum reflete o trabalho de uma mulher transformada - alguém que deixou de lado boa parte da raiva e confusão que alimentou suas primeiras canções, e que encontrou a muito custo uma dose de felicidade espiritual... De fato, se o álbum 'I Do Not Want What I Haven't Got' é um álbum sobre o espírito, é sobre um espírito impetuoso e mordaz".

E foi com esse espírito, que na premiação do Grammy para o Melhor Álbum Alternativo, Sinéad O'Connor boicotou a cerimônia e se recusou a receber o prêmio como protesto, alegando que o evento era "puro comercialismo". Ela foi a primeira artista a fazer isso.

Quanto ao Chris Birkett, ele continuou trabalhando e participou de projetos com o U2, Dire Straits, Seal, Peter Gabriel, entre outros. Trabalhando muito e por fim obtendo os devidos créditos, Birkett conseguiu um padrão de vida invejável a muitos, chegando até mesmo comprar uma mansão de 32 quartos em Bordeaux, na França. Ele usava essa mansão como estúdio e lá trabalhou com Bob Geldof e com o Buena Vista Social Club.




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