Spades Vandal: o primeiro baterista a lançar um disco solo excelente
Resenha - Spades Vandal - Spades Vandal
Por Willba Dissidente
Postado em 25 de abril de 2020
Nota: 10 ![]()
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Das lendas urbanas que cercam o Rock'n'Roll em todas suas vertentes uma das mais fortes é que os discos solo de baterista são sempre muito ruins. Exemplos? "Two sides of the moon", 1974, de Keith Moon, "Peter Criss", 1978, de Peter Criss, "Fun in Space", 1981, de Roger Taylor e "Herman Ze German",1986, de Herman Harebell, não figuram entre os favoritos de qualquer fã de THE WHO, KISS, QUEEN e SCORPIONS, respectivamente. Esses não são casos isolados. Pergunte aos fanáticos de FLETWOOD MAC, THE BEATLES, EAGLES etc. Levando em consideração os números, essa reportagem foi ouvir com receio a aventura solo do responsável pelo SAVANNAH.... mas, que surpresa mais agradável! O líder da banda que mais lançou demos-tapes na história do underground nacional soube mais uma vez se reinventar e produzir um disco que beira a perfeição e que explora elementos novos em sua carreira, sem perder a identidade.
SPADES VANDAL luta desde 1995 para manter o SAVANNAH, um dos raros grupos de Hard Rock Glam no Brasil. Surgido numa época que foi como um purgatório para quem curte o Metal dos anos 1980, Spades é vocalista e quando precisava assumia o baixo, a guitarra e a bateria para manter sua banda na estrada. Quando decidiu sair em carreira solo, optou por manter o posto de vocalista e ainda mandar ver na bateria e incluir muitos instrumentos de percussão para deixar o som bem cheio. Seu primeiro disco solo, que é um projeto de estúdio (primeiramente), soa como se fosse o BARÃO VERMELHO de 1990 a 1995, época mais rocker do grupo carioca, tocando um som mais Heavy Metal amalgamado com Sleazy Glam. Em suma, um Rock 'n' Roll antifascista com muito liberdade, libertinagem e sexualidade na mesma tradição do TIGERTAILZ e outros nomes do estilo.
Ousado, mágico, lascivo e contagiante, "Spades Vandal", o disco, tem também muita influência de HANOI ROCKS, por usar e abusar também de metais (saxofone), instrumentos de sopro (gaita, flauta) e pianos. Ainda que não seja absolutamente novo, esse recurso nunca foi muito explorado no Rock pesado, então a presença especial do lendário King Jim (Ricardo Cordeiro) no disco deixa o som de Spades com uma carinha até de GAROTOS DA RUA; clássica banda do Rock BR anos 80 do Rio Grande do Sul. Gravado no formato power-trio, acompanham o vocalista, baterista e percursionista, o ótimo baixista Lee Willis (da excelente banda RÉUS ANJOS) e o guitarrista Lucky Trance; que expandiu os limites com fraseados e solos à la VAN HALEN. As letras (e atitudes básicas) são todas de Spades, com a composição musical creditada aos três.
A dupla "A Chance to Change" e "PA After midnight" (uma homenagem a Porto Alegre, de onde Spades é), que abre o trabalho, não são as faixas mais legais, mas já explicitam o que esperar do disco. O destaque vem com "I Cannot go Back" que se por um momento soa até aqui como o SAVANNAH com percussão e saxofone e flautas tem um interlúdio reggae na melhor tradição "D'ye Maker" do LED ZEPPELIN. "Looking for a Lover" vêm com o solo de guitarra mais inspirado, mas em nada perde para "Let's Start a Revolution" com seu refrão de destaque no play. Portadora da linha de baixo mais presença, "I Don't Want to Hurt You" é a baladaça do álbum. Inclusive, o SAVANNAH sempre foi notório por excelentes baladas. Muita influência de TUFF e PRETTY BOY FLOYD seguem em "Non Stop Lady" e "Not Good Enought" com seu inusitado solo de flauta, ao invés do de guitarra no meio do tema. O encerramento é com "You're Not the Owner of My Heart" em que Spades explorou linhas alternativas de vocal e que, na opinião dessa reportagem, as percussões ficaram mais precisas.
O único defeito do CD, em sua proposta de unir os anos oitenta com percussão e metais, é que ele foi feito por três pessoas e se precisariam de, pelo menos, seis musicistas no palco para ser executado. Um fato inusitado, e que carece de respostas, é o fato do baterista e vocalista Spades Vandal estar em TODAS as fotos promocionais mexendo em seus óculos ray-ban espelhado de aviador. Seria uma magia ou superstição para o disco "dar certo"?? Só sabemos dizer que funcionou!
Um disco rápido, de músicas que variam entre 3 e 4 minutos, e não enjoa ao ouvir. "Spades Vandal", em suma, mantém a estética, a afinação e os timbers dos anos 1980 e inova ao focar nas percussões e instrumentos de sopro; que, não obstante não serem uma novidade, foram pouco explorados nesse gênero musical.
Recomendado para fãs de: GUEPPARDO, RÉUS ANJOS, ROSA TATTOOADA, SAVANNAH, HANOI ROCKS.
"Spades Vandal" vem em CD prensado em mídia prateada, ou seja, original, caixa de acrílico com impressão na bandeja e encarte de oito páginas com dados técnicos, textos de Marcos Gurgel e Sebastian Carsin (em português) e muitas fotos; inclusive aquela miscelânea tão comum às bandas de Thrash Metal.
Quem quiser comprar o CD pode contatar o próprio SPADES VANDAL pelos links relacionados.
Quem disser que veio comprar o disco após ler a resenha no ROCK DISSIDENTE paga somente R$ 20,00 com frete incluso para todo o Brasil.
SPADES VANDAL:
Spades Vandal - vocal, percussão e bateria.
Lucky Trance - guitarra.
Lee Willis - baixo, backing vocals, gaita e piano.
Participações:
Saxofone - King Jim (Ricardo Cordeiro do GAROTOS DA RUA) .
Flauta - LF Abruzzy.
Backing vocals e vocal principal na segunda estrofe da faixa 8 - Cristian CJ.
Percussões adicionais - Andy Crash.
Discografia:
Spades Vandal (Full Length, cd, 2019).
Para ver a discografia do SAVANNAH acesse esse link:
http://rockdissidente.blogspot.com/2019/12/savannah.html
Spades Vandal - 2019 - Nacional - Trepada Records - Hurricane Records - 31'.
01 . A Chance to Change (02:44)
02 . P.A. After Midnight (03:55)
03 . I Cannot Go Back (03:56)
04 . Looking for a Lover (03:14)
05 . Let's Start a Revolution (03:28)
06 . I don't Want to Hurt You (03:54)
07 . Not Good Enough (03:02)
08 . Non Stop Lady (02:57)
09 . You're Not the Owner of My Heart (04:06)
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