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Nawather: Metal com Folk Oriental

Resenha - Wasted Years - Nawather

Por
Postado em 18 de abril de 2020

Nota: 9 starstarstarstarstarstarstarstarstar

Tem umas bandas que aparecem, de vez em quando, que são simplesmente incríveis e muito inovadoras, de modo que não tem como descrevê-las de outra maneira! E mais: às vezes, umas bandas assim surgem em lugares que a gente nem se lembra de que existem. Quem poderia imaginar que num país sem a menor tradição no Metal, como a Tunísia, surgiria uma banda tão excelente, tão versátil e tão criativa quanto o NAWATHER?

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É bem verdade que da Tunísia já conhecemos as bandas PERSONA e MYRATH (particularmente esta última já goza de certa fama no cenário europeu, já tendo, inclusive, se apresentado no festival Wacken Open Air). Mas o NAWATHER é a banda que faltava no Heavy Metal. Imagine que este pessoal conseguiu fundir a sonoridade folclórica típica do Oriente Médio com o Metal. Imagine que eles introduziram na música pesada, de modo magnífico, o kanun (também chamado de qanun; trata-se de um instrumento de cordas, basicamente um tipo de harpa, que surgiu no Irã, no Século X – tive de pedir ajuda ao Google, claro, para saber isso). O resultado é uma banda cujo som é uma excelente mistura de Metal Progressivo com música folclórica do Oriente Médio, algo que eu, particularmente, ainda não tinha visto – ou melhor: ouvido.

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Outra curiosidade: a banda é um sexteto e tem dois vocalistas: Wajdi Manal, que faz o vocal masculino gutural, e Ryma Nakkach, nascida em Oman, que faz o vocal feminino feérico e limpo. Os outros integrantes fundem com perfeição a sonoridade de seus instrumentos com as vocalizações. O resultado é simplesmente surpreendente!

Até o momento, o NAWATHER possui apenas um álbum, que foi lançado lá em 2016, quase três anos após a formação da banda. Trata-se de Wasted Years, um trabalho que contém nove faixas, sendo uma delas instrumental. E que músicas excelentes este trabalho contém! Em cada uma delas, a atmosfera de Oriente Médio se faz presente. Algumas músicas, como "Falling Down The Slope", são marcadas por vocais masculinos guturais, típicos do Death Metal; contudo, as belas vocalizações limpas femininas se fazem presentes em cantos mais duradouros.

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As músicas apresentam algumas evidentes diferenças entre si. "Daret Layyem", por exemplo, apresenta um início com cordas e tambores, algo a desafiar descrição; a voz viajante da vocalista Ryma surge delicada e viajante. "Raped Dreams" se mostra mais profunda e sombria, havendo maior profusão de vocais Death até algumas passagens eletrônicas ao fundo, nada que prejudique seu resultado final. E por falar em resultado final, vamos resumir a conversa: o álbum Wasted Years é um trabalho excelente, magistral, destes que, quando aparecem, a gente nem acredita! Antes de terminar, uma curiosidade: habitualmente, em suas músicas, a banda aborda como temática a esperança, mas também o terrorismo!

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Formação do NAWATHER no álbum Wasted Years:

• Wajdi Manai – Vocal;
• Hichem Ben Amara - Baixo;
• Yazid Bouafif – Guitarra;
• Nidhal Jaoua – qanun;
• Ryma Nakkach – Vocal.

Track List do álbum Wasted Years:
61. Portals to Edinya;
62. Falling Down the Slope;
63. Daret Layyem;
64. Raped Dreams;
65. Broken-Winged Bird;
66. Time to Raise the Curtains;
67. Defnouna;
68. Succubus Romance;
69. Kont Trab

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Sobre José Sinésio Rodrigues

José Sinésio Rodrigues mora em Londrina, no Paraná. É professor de Ciências, agente penitenciário, aluno de Geografia e coordenador de Astronáutica de um grupo de Astronomia londrinense. É também palestrante, escritor, quadrinista, contista, ex-radialista e ex-colunista de jornal. Seu contato com o Rock aconteceu com o Faith No More e Pearl Jam, no início da década de 1990. Suas bandas favoritas são: My Dying Bride, Monster Magnet, Dominus Praelii, Acrassicauda, Slayer, Fejd, Arkona e Anabioz.
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