Barão Vermelho: banda lança novo disco, e ele é surpreendente
Resenha - Viva - Barão Vermelho
Por Ricardo Seelig
Postado em 19 de agosto de 2019
O Barão Vermelho começa a terceira fase de sua carreira com "Viva". Primeiro álbum com canções inéditas das banda carioca em 15 anos, desde o auto intitulado disco lançado em 2004, o trabalho é o primeiro com o vocalista e guitarrista Rodrigo Suricato, que substituiu Roberto Frejat em 2017. O trio restante possui história longa: o baterista Guto Goffi (um dos fundadores da banda), o tecladista Maurício Barros (co-fundador do grupo) e o guitarrista Fernando Magalhães (desde 1986 no Barão).
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Suricato possui um timbre semelhante ao de Frejat, e isso ameniza, em alguns aspectos, o sentimento de vazio ao ouvir o primeiro álbum da extensa trajetória do Barão – a banda foi fundada em 1981 no Rio de Janeiro – sem o vocalista e guitarrista. Se nos seus primeiros anos a banda dava forma às letras incríveis de Cazuza, no longo período com Frejat à frente o Barão foi do mergulho no rock e no blues até momentos descaradamente pop e que descaracterizaram o som do grupo, vide "Puro Êxtase" (1998).
Em "Viva", que foi produzido pelo próprio Maurício Barros e traz uma linda capa criada por Alberto Pereira, temos um disco essencialmente de rock, com um clima ensolarado e letras que olham para o passado enquanto apontam para o futuro. As canções fazem questão de enfatizar a união da formação atual – ouça a letra de "Jeito", por exemplo – e, musicalmente, trazem uma sonoridade enxuta e crua, um rock básico e cheio de energia e que contrasta com a época em que o falecido Peninha encorpava as canções da banda com a sua percussão personalíssima.
A maior curiosidade dos fãs fica por conta da participação de Rodrigo Suricato, e ele não decepciona. Confesso que nunca acompanhei o seu trabalho anterior na banda que levava o seu sobrenome, mas em Viva Suricato assume o controle e leva o Barão Vermelho por um novo caminho promissor e que, ainda que não alcance o nível da clássica época com Cazuza ou de obras-primas como "Na Calada da Noite" (1990) e "Carne Crua" (1994), mostra autenticidade e tesão para seguir em frente.
Entre as músicas, destaque para o clima blues na estrada da ótima "Eu Nunca Estou Só" (com participação do rapper BK), o pop rock de "Por Onde Eu For" (com ótima letra), a cativante "Jeito", o rock cru e bem Stones de "Tudo por Nós 2", a balada "A Solidão Te Engole Vivo" e o doce encerramento com "Pra Não Te Perder", com participação de Letrux.
"Viva" é um retorno inesperado de uma banda que fez história e é fundamental para o rock brasileiro. E melhor: o disco é muito melhor do que todos estavam esperando.
Assim como o rock, o Barão segue vivo. E isso é demais!
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