In Flames: um bom EP de covers, mas não empolga
Resenha - Down, Wicked & No Good - In Flames
Por Flavio Lens
Postado em 18 de junho de 2018
Nota: 6 ![]()
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Já é fato que o In Flames há muito tempo deixou de ser um dos principais representantes do chamado death metal melódico, estilo que surgiu no começo dos anos 90 na Suécia. Desde o começo dos anos 2000 já se notava a influência de sons como o new metal e o metalcore, mais latentes nos discos Reroute to Remain (2002) e Soundtrack to Your Escape (2004). Obviamente essa mudança na sonoridade acabou dividindo os fãs, e muitos torceram o nariz pra essa nova fase da banda. Mesmo com essas novas influências, ainda se percebia uma certa consistência nos discos, com Anders Fridén (vocalista) abandonando os guturais e apostando em vocais mais puxados pro rasgado, além de incursões em linhas vocais mais melódicas e limpas, o que trouxe uma dinâmica interessante às músicas. Foi nessa época também (início dos anos 2000) que se estabilizou a formação "clássica" da banda, que consistia em Jesper Strömblad e Björn Gelötte (guitarras), Peter Iwers (baixo), Daniel Svensson (bateria) e Anders Fridén (vocal). Infelizmente em 2010 Jesper, fundador e único integrante original, deixou a banda pra tratar de seus problemas com álcool e a partir daí aconteceu uma debandada geral nos últimos anos, sendo Anders e Björn os últimos remanescentes da formação "clássica" do In Flames. Não é novidade pra ninguém que Anders já não canta como antigamente, muito devido ao fato (assumido pelo próprio) de não ter tomado o devido cuidado com a voz no começo da banda. Desde Siren Charms (2014) o vocalista tem apostado quase que exclusivamente em vocais limpos, abdicando quase totalmente dos rasgados/guturais de antes.
Neste EP de covers lançado em 2017, o grupo praticamente abdicou de todas as características marcantes do death melódico que ajudou a fundar, e até mesmo de características do heavy metal em geral. A roupagem dada às músicas é bem interessante, porém peca pelo excesso de sons eletrônicos e quase total ausência de uma bateria mais, digamos, "orgânica". O mais próximo de uma bateria real se ouve na primeira faixa, It's No Good, originalmente do Depeche Mode. As outras duas faixas em estúdio são interessantes, mas não empolgam o ouvinte.
Down in a Hole, originalmente do Alice in Chains, é uma música que exige certo cuidado a quem se atreve a regravar, principalmente quando se dá uma roupagem bem diferente da original como foi feito aqui. Os fãs mais "xiitas" da original provavelmente torceram o nariz ao ouvir essa versão, pois muitos tratam a música como uma obra "intocável" - o que não deixa de ser.
A versão de Wicked Game, originalmente de Chris Isaak, é bem mais arrastada que a original, e se baseia em teclados e bateria programada. Dá pra ouvir uma guitarra distorcida bem ao fundo, da metade pro final. Não é um primor de música, mas é bem agradável de se ouvir.
A versão ao vivo de Hurt, do Nine Inch Nails, ficou bem aquém do esperado. Talvez na ânsia de demonstrar "emoção" na voz, Anders usa vocais rasgados que acabaram não combinando nem um pouco com a atmosfera introspectiva da música. Talvez se mantivesse os vocais limpos o resultado fosse melhor.
O fato é que esse EP não deve ser ouvido como um disco de metal, pois não se tem absolutamente nada que se pareça com riffs, bateria ou vocais de heavy metal, que dirá de death metal melódico. A música que mais se aproxima de um hard rock é o cover do Depeche Mode. Isso é algo ruim? Não necessariamente. Se você ouvir esse EP com a mente aberta, vai ouvir aproximadamente 20 minutos de música boa, pois os caras souberam escolher muito bem os covers que iriam tocar - apenas a versão ao vivo não ficou tão boa, mas dá pra ouvir sem problemas.
Mas talvez seja a hora de a banda começar a pensar se vale a pena continuar com o nome In Flames ou iniciar um novo projeto, já que não há na banda nenhum integrante original desde 2010 e da formação considerada clássica só sobraram dois, além de terem mudado completamente o som. Talvez com essa nova versão da banda, totalmente reformulada, uma busca por uma nova identidade com um novo nome poderia ser mais interessante, ao invés de manter um nome que está atrelado a uma sonoridade tão específica.
Resta esperar o próximo disco de inéditas e saber se vão seguir a linha de Battles (2016) ou vão mergulhar mais fundo na sonoridade apresentada nesse EP.
Faixas:
1. It's No Good (Depeche Mode cover) 04:55
2. Down in a Hole (Alice in Chains cover) 05:24
3. Wicked Game (Chris Isaak cover) 05:09
4. Hurt (Nine Inch Nails cover) (ao vivo) 04:11
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