Rage: "Seasons of The Black" é brutalmente maravilhoso
Resenha - Seasons Of The Black - Rage
Por Wisley Bazan
Postado em 08 de agosto de 2017
Nota: 9 ![]()
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Praticamente todo headbarger já olhou para uma banda e pensou: "Como assim tão poucas pessoas conhecem essa banda?". Da mesma forma, todo headbanger consegue fazer uma lista com as bandas mais subestimadas de todos os tempos; bandas que fazem um belíssimo trabalho, mas que possuem muito pouca visibilidade. Facilmente o Rage entraria em uma lista deste tipo, pois esses alemães já estão há 32 anos na estrada (33, contando com a era Avenger), lançando CDs de maneira impecavelmente regular, com grandes obras-primas de peso, clássicos em cima de clássicos e ainda assim continuam sendo desconhecidos por muitos metaleiros (na verdade, até que ponto isso pode ser bom?).
É fato que após o fim da era Smolski (1999-2015), o Rage deu uma importante desacelerado no ritmo, ficando 3 anos sem lançar nenhum trabalho original (o que é um absurdo verificando-se o histórico desta banda). Algumas pessoas chegaram a acreditar que era o fim do Rage, que o Peavy Wagner, vocalista e fundador da banda, não teria condições de prosseguir sem o trabalho brilhante de Smolski. Não obstante, da mesma forma que existia o Rage antes de Smolski (um Rage bruto, direto e destruidor), Wagner conseguiu provar que existia o Rage depois de Smolski.
Wagner começou a fazer isso em 2015 quando anunciou os novos membros da banda: Marcos Rodriguez (guitarra) e Vassilios "Lucky" Maniatopoulos (bateria), ambos pouco conhecidos do grande público. Apenas 12 meses após o anúncio (junho 2016), o Rage lançava um novo CD: "The Devil Strikes Again". Com esse trabalho o que se notou foi que o Rage começava a voltar às origens, onde a organização, a sutileza e (até certo ponto) a previsibilidade de Smolski ainda não existia. Deste modo o que restou foi agressividade, brutalidade e um verdadeiro "soco na cara" que há muito tempo Wagner parecia estar guardando.
E não é que quase 1 ano depois deste lançamento, o "Novo Rage" apareceu mais uma vez, voltando a sua regularidade absurda? "Seasons of The Black" foi lançado pela Nuclear Blast em 28 de Julho de 2017. Neste trabalho o que se vê é um "irmão mais novo menos agressivo" de "The Devil Strikes Again", inclusive com algumas músicas de encher os olhos, como "Farewell" (que torcemos para que não seja de fato uma "despedida" da banda), música de cerca de 7 minutos, integralmente melódica com uma progressão maravilhosa. A brutalidade e o peso também estão presentes, com "Justify", "Walk Among the Dead" e "Septic Bite". E o que dizer da faixa título, "Seasons of The Black" com um refrão denso e tenso, apoiado pelo baixo feroz de Peavy e pela guitarra "viva" de Rodriguez. O baterista "Lucky" Maniatopoulos também não fica para trás: ele realiza seu trabalho não de maneira excepcional, mas regular, eficiente, presente e significativo.
Os refrães épicos e marcantes (vide o CD "Twenty One" desta mesma banda, especificamente a faixa "Forever Dead") também não foram esquecidos: ouça "Serpents in Disguise", "Time Will Tell" e a já famosa "Blackened Karma". Essa última provavelmente não vai sair da sua cabeça tão cedo.
A pequena track "Gaia" que introduz a "The Tragedy of Man", obra dividida em 4 músicas ( 1 - "Gaia", 2 - "Justify", 3 - "Bloodshed in Paradise" e 4 - "Farewell"), traz um dedilhado "triste" com um Peavy contido e melódico. Embora "The Tragedy of Man" seja uma obra formada por 4 músicas, elas não são musicalmente sequências umas das outras, podendo ser apreciadas separadamente.
O ponto negativo de "Seasons of The Black" fica por conta da faixa "All We Know is Not". Embora a mesma não seja exatamente um demérito, seu refrão soa ligeiramente desconexo, como se alguma nota estivesse errada ou fora do tempo. De fato, passa a sensação de uma música "atonal".
Não obstante, "Seasons of The Black" é brutalmente maravilhoso e estará facilmente na lista dos melhores lançamentos de metal do ano. Portanto, se o Rage (não confundir com Rage Against The Machine, a não ser que você queira enfurecer qualquer fã) ainda não é uma banda que faz parte do seu "hall" de bandas preferidas, lhes dê ao menos uma pequena chance de demonstrar o seu já consagrado potencial. Provavelmente você não sairá arrependido.
"Seasons of The Black" ainda vem com um CD Bônus, chamado "Avenger Revisited", onde o trio reexecuta 6 canções do tempo em que a banda ainda chamava Avenger (1985). Este CD Bônus por si só daria uma resenha completa, pois ele faz você voltar no tempo e sentir a "atmosfera" no momento em que o Rage começava a dar os seus primeiros passos.
Formação Atual:
Peter "Peavy" Wagner – Baixista e Vocalista.
Marcos Rodriguez - Guitarrista e Backing Vocal
Vassilios "Lucky" Maniatopoulos – Baterista.
"Seasons of The Black" – CD 1
1. Seasons of The Black
2. Serpents in Disguise
3. Blackened Karma
4. Time Will Tell
5. Septic Bite
6. Walk Among The Dead
7. All We Know is Not
8. Gaia (The Tragedy Man)
9. Justify (The Tragedy Man)
10. Bloodshed in Paradise (The Tragedy Man)
11. Farewell (The Tragedy Man)
CD 2 "Avenger Revisited"
1. Adoration
2. Southcross Union
3. Assorted by Satan
4. Faster Than Hell
5. Sword Made of Steel
6. Down to The Bone
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