Aria: O maior clássico do Heavy Metal russo
Resenha - Hero Of Asphalt - Aria
Por Bruno Rocha
Postado em 25 de setembro de 2016
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Há mais de três décadas o Aria já vem mais que consagrado como o maior nome do Heavy Metal russo. Não me surpreende, todavia, se você ainda não os conhece. Talvez até você já tenha ouvido o termo "Iron Maiden russo", tamanha a semelhança entre as sonoridades de ambas as bandas. Porém, desde de sempre eles cantam usando o complexo idioma russo, com as letras em seu alfabeto peculiar, o cirílico (uma atitude louvável, diga-se de passagem). E isso dificulta a penetração da banda fora da área de influência russa. Não sei se isso faz muita diferença para eles, já que o Aria está para a Rússia assim como o IRON MAIDEN está para o mundo, ou seja, ambos possuem maciça penetração no "mainstream".
Após a saída de três membros, incluindo a do baixista fundador Alik Granovsky, que fundaram o MASTER, instituição do Thrash Metal russo, o Aria lança em 1987 o que é considerado seu maior clássico, Hero Of Asphalt (Geroy Asphalta, em russo). E já que a comparação com aquela outra banda já citada é inevitável, pode colocar este álbum ao lado de Powerslave. Em tempos de mudanças fortes na política soviética, com as "Glasnost" e "Perestroika" de Mikhail Gorbatchev, este disco foi o primeiro da banda lançado pela gravadora estatal Melodiya, e nesta época o Aria já tinha uma marcante presença na cultura daquele extinto país.
Depois de uma introdução com um trecho de "Santa Lucia", uma música napolitana, a banda chega quebrando o pau com a velocidade de "Serving Evil Forces". De cara se nota a presença fortíssima do baixo de Vitaly Dubinin, que fazia sua estreia na banda neste disco e até hoje capitaneia o barco Aria com o guitarrista fundador Vladimir Holstinin. Este, junto com o também estreante Sergey Mavrin (até hoje considerado o melhor guitarrista russo), recheiam a música com solos técnicos e inspirados. E o vocalista Valery Kipelov, como é notório de quem já conhece a cena russa, dá seu show de interpretação.
A faixa-título chega com andamento cavalgado (lembrando uma certa banda acolá) e falando de motos, apesar de que você não vai entender nada do que Kipelov entoa em russo, a não ser que você seja versado no idioma. Em seguida, vem "Dead Zone", cadenciada e emotiva, mas sem tirar o pique que você já pegou na audição.
A quarta faixa, "1100", é um arrasa-quarteirão, também com andamento cavalgado, mas mais rápida que a faixa-título. "Street Of Roses" é outra que funciona bem ao vivo, tanto que é obrigatória em todo concerto do Aria. O disco fecha com o épico "Ballad About An Ancient Russian Warrior".
É bem verdade que a mixagem do álbum deixou os instrumentos com a sonoridade magra, diferente das sonoridades cheias e pesadas das gravações analógicas dos grandes clássicos dos anos 80. A de se anotar, entretanto, que o Metal ainda era uma criança na União Soviética, que sempre fora fechada a cultura ocidental. Mas os instrumentos estão bem nítidos, e consegue-se captar muito bem o que cada música deseja passar ao ouvinte.
Ao longo de todo o play, o baixo de Dubinin (que assina quatro das seis faixas) se faz onipresente e essencial. A dupla Holstinin/Dubinin não deixa nada a dever a Murray/Smith ou Tipton/Downing. Maxim Udalov, também estreando neste álbum, faz um trabalho competentíssimo na bateria, enquanto Kipelov registra vocais únicos e poderosos. A importância deste álbum reside no fato de que, a partir daqui, o ARIA soube fixar seu jeito de fazer Heavy Metal com a consistência das composições de Dubinin e Holstinin. Todos os outros postos da banda já foram ocupados por diferentes membros desde aqueles tempos até hoje. Mas a essência do Metal Tradicional do ARIA continuou, e continua, a mesma.
Certo, é impossível dissociar a sonoridade do ARIA da dos representantes da NWOBHM, principalmente do IRON MAIDEN. Influência toda banda sofre; o que diferencia influência bem utilizada de uma simples cópia é como a banda mistura a influência com a sua própria identidade. Ou a missão dá muito certo e a banda consegue construir sua carreira em cima de alicerces bem posicionados, ou tudo vai por água abaixo pela banda ser acusada de falta de identidade. E esses russos sempre conseguiram fazer um som com identidade. Não a toa estão aí, há três décadas, passando por muitas mudanças de formação e outros problemas. E o trono do metal russo sempre pertencerá a esses heróis.
Geroy Asphalta - Aria (Melodiya, 1987)
01 - Na Slujbe Cili Zla (Serving Evil Forces) - 07:11
02 - Geroy Asphalta (Hero Of Asphalt) - 05:12
03 - Myortvaya Zona (Dead Zone) - 06:40
04 - 1100 - 04:53
05 - Ulitsa Roz (Street Of Roses) - 05:56
06 - Balada O Drevnyeruskom Vonye (Ballad About An Ancient Russian Warrior) - 08:30
Line-Up
Valery Kipelov - vocais
Vitaly Dubinin - baixo, vocais de apoio
Vladimir Holstinin - guitarra
Sergey Mavrin - guitarra
Maxim Udalov - bateria
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Aos 94, "Capitão Kirk" anuncia álbum de metal com Zakk Wylde e Ritchie Blackmore
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Michael Amott diz que nova vocalista do Arch Enemy marca um passo importante
Arch Enemy revela identidade da nova vocalista e lança single "To the Last Breath"
As melhores músicas românticas de 11 grandes bandas de metal, segundo o Loudwire
Wacken Open Air anuncia evento oficial no Brasil; confira as atrações
David Ellefson chama de estúpida decisão de Mustaine sobre sua exclusão de álbum do Megadeth
O festival que "deu um pau" em Woodstock, conforme Grace Slick
Lauren Hart no Arch Enemy? Nome da vocalista explode nos bastidores; confira o currículo
A reação dos fãs à nova cantora do Arch Enemy: "Lembra a fase da Angela Gossow"
O guitarrista que Eddie Van Halen admitiu que não conseguia "copiar"
Journey convidou Steve Perry para a turnê de despedida
A banda britânica que ensinou Andreas Kisser a tocar guitarra
Grade de atrações do Bangers Open Air 2026 é divulgada
A melhor música da história do punk, segundo o Heavy Consequence


CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
O fim de uma era? Insanidade e fogo nos olhos no último disparo do Megadeth
Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


