King Diamond: "Retrato Fatal", 30 anos da clássica estreia
Resenha - Fatal Portrait - King Diamond
Por David Torres
Postado em 24 de fevereiro de 2016
Poucos artistas tem o privilégio de possuírem uma discografia realmente invejável e se há um músico que se encaixa nesse padrão é King Diamond. Seja com o soberbo Mercyful Fate ou na espetacular banda que carrega o seu pseudônimo artístico, o dinamarquês indubitavelmente não brinca em serviço quando o assunto é música pesada.
Quando o Mercyful Fate se separou na metade dos anos oitenta, pouco depois do lançamento do maravilhoso "Don’t Break the Oath" (1984), King, ao lado do guitarrista Michael Denner e do baixista Timi "Grabber" Hansen, fundaram uma banda intitulada apenas de King Diamond e após lançarem uma "demo" e dois "singles", a banda finalmente lançou o seu "debut", "Fatal Portrait", em 17 de Fevereiro de 1986, através da gravadora Roadrunner Records. Nesse ano, esse clássico indiscutível do Metal completa o seu 30° aniversário e nada mais justo que revisitarmos esse espetáculo de álbum, não é mesmo?
A obra se inicia com uma atmosférica e sombria introdução, que não demora a apresentar a brilhante faixa de abertura desse petardo, "The Candle". O belíssimo trabalho instrumental é acompanhado pela voz característica e hipnótica do carismático "frontmen" dinamarquês. O "feeling" impera de forma descomunal em cada arranjo e nota. Temos excelentes mudanças de andamento e coros bem inseridos que proporcionam todo um clima fantasmagórico e único. Em suma, uma maneira formidável de dar início ao registro. Uma introdução mais breve, porém não menos soturna dá lugar a "The Jonah", a segunda faixa do álbum. A composição se inicia de forma bastante cadenciada, contando com coros atmosféricos em seus primeiros minutos. A dupla de guitarristas Andy LaRocque e Michael Denner esbanja todo o seu talento e criatividade, executando "riffs" e solos inspirados que se encaixam perfeitamente com a proposta musical apresentada.
Mais pesada e dinâmica que as composições anteriores, "The Portrait" é simplesmente maravilhosa! Cada acorde que soa pelos alto-falantes surpreende e empolga o ouvinte. Destaque também para a excepcional "cozinha", encabeçada respectivamente pelo baixista Timi "Grabber" Hansen e pelo baterista Mikkey Dee. Guitarras estonteantes introduzem a quarta faixa, "Dressed in White". O nível de qualidade do álbum apenas cresce faixa após faixa. O entrosamento e a inspiração dos músicos são absurdos e o "feeling" reina a cada instante. Sem perder o jeito, um agudo de King registra o início de "Charon", seguido de um "riff" arrastado e pegajoso que convida o ouvinte a "banguear" no mesmo ritmo. Novamente, mais um grande som, composto de um caprichado desempenho instrumental e vocal.
Dando sequência ao trabalho, a arrasa-quarteirão "Lurking in the Dark" não deixa a peteca cair, pra variar. Os arranjos são unicamente surreais, climáticos e cativantes. Em seguida, temos uma faixa que se destaca bastante: "Halloween", uma composição mágica e puramente sensacional. King e Cia. dão o melhor de si e proporcionam um som incrivelmente poderoso, capaz de hipnotizar o ouvinte com uma facilidade tremenda. A nona faixa, "Voices from the Past", é uma composição instrumental curta, porém genial, que serve de aperitivo para a última música desse grande trabalho de estúdio, "Haunted", faixa que encerra o trabalho com maestria e vigor.
"Fatal Portrait" também reserva algumas curiosidades bem interessantes para si. Uma delas é que, ao contrário da maioria dos álbuns da banda, esse registro de estreia não conta uma história completa ao longo de cada faixa. Na verdade, as quatro primeiras composições e a nona faixa contam a história de "Fatal Portrait", ("Retrato Fatal", em português), enquanto as demais composições possuem temáticas e conteúdos individuais. Além disso, esse trabalho possui duas versões de capa. Numa delas temos o logotipo da banda impresso em amarelo e na outra, temos três cores diferentes utilizadas para colorir o logotipo, laranja, rosa e amarelo. Também é importante mencionar que, na Suécia, o disco alcançou a posição 33 nas paradas musicais. Realmente, nada mal para um álbum de estreia do estilo!
Três décadas após seu lançamento, "Fatal Portrait" se mostra um clássico impecável e poderosíssimo. Cada composição exala uma atmosfera única e peculiar, que permite o ouvinte mergulhar profundamente no universo soturno criado pela banda. Uma legítima obra prima do Metal que merece ser ouvida sem qualquer moderação... Para sempre!
Escrito por David Torres
01. The Candle
02. The Jonah
03. The Portrait
04. Dressed in White
05. Charon
06. Lurking in the Dark
07. Halloween
08. Voices from the Past
09. Haunted
King Diamond (Vocal/Guitarra na Faixa 8)
Andy LaRocque (Guitarra Principal)
Michael Denner (Guitarra Rítmica)
Timi "Grabber" Hansen (Baixo)
Mikkey Dee (Bateria)
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