Minotauro: Peso nacional de outrora busca caminhos do amanhã
Resenha - Renascido - Minotauro
Por Willba Dissidente
Postado em 22 de janeiro de 2016
Nota: 8 ![]()
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Se foi a falta de dinheiro para lançar um disco individual ou sentimento de companheirismo, a resposta queda agora em regiões nebulosas e traiçoeiras da memória. O fato é que o slip "Ultimatum", as coletâneas "SP Metal", e outros títulos do gênero, foram a deixa que para que vários grupos pioneiros do Metal brasileiro se unissem e lançassem num único LP um vinil dividido entre as bandas. Assim como o "Escuádron Metálico" no México, e em diversos outros países, muito infelizmente, a maioria desses conjuntos não pode seguir adiante e gravar seu disco individual. Esse foi o caso dos paulistanos do MINOTAURO, que encerrou as atividades ainda em 1988, sendo que seu único registro, até então, foi na coletânea "Metal Brigade Vol. I". O silêncio de gravações iniciado em 1987 foi quebrado só em 2015 com o EP "Renascido"; em cujo a banda mira nova sonoridade visando o amanhã sem esquecer de seu passado. Teria o MINOTAURO perdido domínio sob seu labirinto?

A banda MINOTAURO está divulgando seu recente trabalho como sendo "renovado" e "revisitado". De fato, os saudosistas que esperavam que o grupo regravasse ipsis literis suas canções como elas ficaram imortalizadas no "Metal Brigade Vol. I" ou soltasse demos "daquela época" não encontrarão isso em "Renascido". Gravado por três membros originais, Carneiro (voz), Lombra (bateria) e Alex (guitarra), mais o novo baixista Luciano Domingues, o EP mostra um quinteto se re-arranjando em quarteto com uma guitarra só e também deixando a falta de recursos da época de sua gênese para produções com trimbagem e tons mais ricos, como vistos em "Dehumanizer" do BLACK SABBATH e "Painkiller" do JUDAS PRIEST, por exemplo. A sonoridade de "Renascido" é infinitamente mais pesada àquela que ficou em 1987. A produção está perfeita dentro da nova proposta do grupo, que é buscar uma estética sonora como o SPARTACUS, clássico do metal gaucho, fez com seu registro de retorno "Libertae". Isso significa, em parte, abrir mão das guitarras dobradas, dedilhadas e andamentos à la IRON MAIDEN em favor de timbres mais grossos e sujos nos instrumentos, fretando com o Stoner Metal; uma proposta similar, tomadas às devidas proporções, com a atual do CARRO BOMBA.

As músicas escolhidas para compor o EP, todavia, são todas dos anos oitenta. Ainda que muito diferentes em relação às originais, mais viscerais, excessivas e sem a finesse N.W.O.B.H.M. de outrora. O MINOTAURO não fez feio em "Renascido"; até mesmo, pois se fosse o caso, o disco poderia se chamar "abortado". Se com duas guitarras o grupo tinha um baixo proeminente, com apenas uma, o MINOTAURO apresenta muita raiva e peso nas quatro cordas. A pancadaria já come solta com "Fugitivo", que pelo valor histórico há de ser uma das favoritas ao vivo. "Hino de Guerra" está com andamento de marcha mais evidente que na gravação do "Metal Brigade". A faixa também têm participação do empresário Guilherme Büssing nos backing vocals.
https://soundcloud.com/minotaurobanda/01-fugitivo
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | "Machado Mortal"é um longo tema cadenciado, como a soberba "Heaven and Hell" do BLACK SABBATH, que desemboca para a porrada brutal nos tímpanos nos últimos momentos e ainda tem uma paradinha para enganar os ouvintes. Destaque no disco, o vocalista Carneiro está muito mais versátil, mantendo um tom médio, mas subindo nos agudos e rasgando a voz, quando a música pede, beirando o gutural. Domingues aqui tem sua melhor performance no disco, mostrando que o baixista já chegou mostrando serviço ao lado de Lombra, que surra seu kit de bateria na parte mais rápida da canção.
https://soundcloud.com/minotaurobanda/03-machado-mortal

Encerrando, "Caminhos do amanhã" é um metal tradicional acelerado com riffeira do guitarrista Lana. Esse tema tem dois diferenciais. O primeiro é a participação do grande André Góis, vocalista original do VODU, em sua primeira aparição em disco desde o LP "The Final Conflict", de 1986. Outro traço distintivo é a presença de discursos históricos de quando os militares (financiados pelos EUA) usurparam o governo brasileiro e, antes e depois dos solos de guitarra, outras falas da épocas das "Diretas Já", inclusive uma linha clássica do falecido presidente Tancredo Neves ao assumir o cargo; demostrando certa ideologia política do grupo.
https://soundcloud.com/minotaurobanda/04-caminhos-do-amanh

Toda parte gráfica de "Renascido" é assinada pelo baterista Weber Lombra, que inclui arte semelhante às historias em quadrinhos atuais, mesclando traços rabiscados e computadorizados. O encarte é em três páginas no formato folder (seis folhas). A mídia CDR é impressa e ainda acompanha caixinha em papelão. Um ponto muito positivo da arte é que nenhum desenho foi reaproveitado ou repetido, demonstrando o esmero na execução e profissionalismo; o que condiz, em geral, com o disco "Renascido" como um todo.
Registrado nos estúdios Lamparina, em São Paulo, entre 2013 e 2014, "Renascido" é mais que um disco de retorno. O EP mostra o MINOTAURO como banda se reencontrando no tempo e como teria evoluído seu som caso o grupo tivesse se mantido na ativa nesses quase 30 anos de separação. A proposta é se separar dos anos 1980, incluindo elementos alienígenas a esse nas músicas. Resta saber se o grupo conseguirá manter esse pique no lançamento de composições próprias da nova formação. A se julgar por "Renascido", parece que o novelo de lã que ajudou Perseu a matar o MINOTAURO no mito grego perdeu-se para sempre.

MINOTAURO
Luiz Carneiro - Vocal
Alex Lana - Guitarra
Luciano Domingues - Baixo (ex- FRIGHT NIGHT)
Weber Lombra - Bateria
Após a gravação de "Renascido" o guitarrista original cedeu seu lugar a Roger Baccelli (NACIONARQUIA).
Discografia
Metal Brigade Volume I (participação em coletânea)
Renascido (EP, 2015)
"Renascido" - 2015 - 22:06 - independente
Track-list:
01 . Fugitivo (03:30)
02 . Hino de Guerra (05:08)
03 . Machado Mortal (08:42)
04 . Caminhos do Amanhã (04:43)
Sites relacionados:
https://www.facebook.com/minotasband/
https://soundcloud.com/minotaurobanda
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