Bon Jovi: Baladinhas sem sal, feitas para tocar em um velório

Resenha - Burning Bridges - Bon Jovi

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 4

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Deixa eu já começar esta resenha admitindo minha ignorância: eu não estou por dentro do que o Bon Jovi vem fazendo ultimamente. O Bon Jovi sempre foi aquela banda que, pelo menos nos meus anos de colégio, era vista como aquela banda de meninas, o que fazia nós homens ficarmos com uma certa vergonha de admitir se gostava do grupo ou não. E eu vou admitir aqui que eu até gostava e ainda gosto sim, de algumas músicas do cara, aquilo que eu conheço mais dele, ou seja, o que ele gravou até 1994. É. Sou bem ignorante em relação ao trabalho do cara depois disso. Mas resolvi pegar este disco para conferir. Vamos aproveitar então que consegui acordar depois de ouvir, e falar dele.

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E não pensem que eu estou querendo ser rude com o cara nem nada, como já disse, estou na ignorância com relação ao trabalho que ele vem fazendo. Mas, nossa! Ô disquinho sonolento, hein? Cadê aquela força que o Bon Jovi tinha até os anos 90? Quase não vejo aqui. Nem ouço.

É cada baladinha sem sal, que parece que foram feitas pra se tocar em um velório. Não tem uma música aqui que eu chego e falo "puxa, essa daqui é o destaque do disco!" Nada! Eu fui ouvindo o disco em doses homeopáticas.

O próprio Jon Bon Jovi canta elas com uma vozinha baixa, sem animação, parece que sem vontade, só pra cumprir ordem de gravadora mesmo. Segundo ele, essas músicas não estavam finalizadas, são composições que não entraram em outros discos, além de algumas ideias novas. O disco é literalmente para cumprir contrato com a gravadora Mercury, que após 32 anos resolveu dispensar o cantor. A indignação do cara está explícita nas letras da faixa título, "Burning Bridges", que encerra o disco, onde ele destila toda sua raiva pela atitude da gravadora.

Outras ausências aqui são a do guitarrista de longa data Richie Sambora que quis passar um tempo com a família e por isso foi chutado da banda, e de Desmond Child, que sempre escreveu músicas junto com a banda. Pela minha pesquisa, foi isso. Mas quero depois tirar a prova para ver se os outros discos também estavam seguindo essa cadência sonora meio chata. Espero que não.

Das músicas aqui que eu achei mais animadinhas, mas nem tanto, foram algumas das primeiras, respectivamente, "We Don't Run", "Saturday Night Gave Me Sunday Morning" e "We All Fall Down", só; não achei mais muita coisa aqui digna de menção. Talvez "I'm Your Man" até ameaça animar, mas não chega a ser um destaque também, comparando com o som mais bacana das músicas que o Bon Jovi costumava fazer, achei o trabalho deles aqui muito pobre, burocrático, muito desanimador, bem mesmo com aquela cara de "feito pra cumprir contrato".

Confesso que após muitos anos sem ouvir o cara, não foi essa a melhor das impressões que eu tive dele. Vai ver ele até vinha realizando trabalhos mais interessantes anteriores a esse, não sei, não olhei antes, vou até olhar por via das dúvidas. Porém, Burning Bridges não foi um prospecto muito interessante, foi mais um disco feito para fãs mesmo, acredito eu, e por isso não posso recomendar ele, talvez em uma outra oportunidade que pintar, eu fale algo de mais positivo, mas aqui, a sensação que tive foi de desânimo. É isso.

Burning Bridges (2015)
(Bon Jovi)

Tracklist:
01. A Teardrop to the Sea
02. We Don't Run
03. Saturday Night Gave Me Sunday Morning
04. We All Fall Down
05. Blind Love
06. Who Would You Die For
07. Fingerprints
08. Life Is Beautiful
09. I'm Your Man
10. Burning Bridges

Selo: Mercury

Bon Jovi é:
Jon Bon Jovi: voz, guitarra
Hugh McDonald: baixo, back vocal
David Bryan: teclados, back vocal
Tico Torres: bateria, percussão, back vocal

Músicos adicionais:
John Shanks: guitarra, back vocal
Lorenza Ponce: viola, violino, cello
Mike Rew: back vocal

Discografia:
- What About Now (2013)
- The Circle (2009)
- Lost Highway (2007)
- Have a Nice Day (2005)
- Bounce (2002)
- Crush (2000)
- These Days (1995)
- Keep the Faith (1992)
- New Jersey (1988)
- Slippery When Wet (1986)
- 7800° Fahrenheit (1985)
- Bon Jovi (1984)

Site oficial: www.bonjovi.com

(Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
acienciadaopiniao.blogspot.com.br)


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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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