Avatar: review de "Hail the Apocalypse"
Resenha - Hail the Apocalypse - Avatar
Por Felipe Resende
Fonte: Cryptirock.com
Postado em 11 de janeiro de 2015
Nos últimos tempos, a banda sueca de death metal melódico Avatar está rapidamente ganhando popularidade nos EUA. Formado pelo baterista John Alfredsson e o vocalista Johannes Eckerström em 2000, ano no qual coincidentemente o sub-gênero extremo de heavy metal começou a se tornar popular nos states, o grupo trocou apenas uma vez de membro ao longo dos últimos quatorze anos, lançando nesse ínterim duas demos, dois EP's e cinco álbuns de estúdio. Avatar tem uma presença de palco fantasticamente sombria e teatral que é, sem dúvidas, cativante. Isso combinado com sua incrível diversidade (apesar de ser uma banda de death metal) tem rendido muitas turnês com bandas como Five Finger Death Punch/Avenged Sevenfold e Lacuna Coil/Sevendust. A Avatar terminou a sua segunda turnê nas terras dos U.S com o Pop Evil, onde vieram a celebrar o lançamento de seu álbum mais novo por meio de uma música denominada "Hail The Apocalypse". Alcançando o sexto lugar na Billboard Top Rock Albums e liberando canções tais como a faixa título "Hail The Apocalypse" e "Bloody Angel", o álbum é, sem dúvidas, ousado e cativante.
A faixa título "Hail The Apocalypse" abre este circo de "loucura brilhante". O death metal melódico sueco faz uma aproximação diferente com o metal, combinando a agressão do post-hardcore e a crueza dos vocais de black metal com guitarras melódicas e tecnicamente habilidosas. Esta faixa "sangra" tais técnicas sem delongas. Assim que o baixo e a bateria começam, a atenção do ouvinte está lá e pronta para os gritos guturais começarem. Eckerström exige a atenção integral dos ouvintes para com seus vocais hardcore, e por aí vai. Continuando com o pirado "sideshow" vem "What I Don’t Know". A música em si mesma encarna um pouco o lado lúdico dessa faixa; como se quase fizesse o ouvinte sentir que ele poderia estar assistindo a um macabro circo de variedades. O refrão ressalta o lado melódico, e apesar do conteúdo lírico ser particularmente simples, algumas vezes você precisa fazê-lo; em especial se você tem muita energia por todos os cantos da canção.
A seguinte é "Death Of Sound". As baterias são bem selvagens, há um solo de guitarra notável e se experiencia também alguma diversidade aos vocais neuróticos de Eckerström. "Vulture’s Fly" é uma composição grudenta e levantadora de punhos quando eles "te saúdam ao deserto deles". Se você tivesse o prazer de ver esta banda teatral ao vivo, essa música seria aquela na qual seria possível marcar todas as partes onde todo mundo no palco iria tanto bangear quanto curtir o som de maneira cronometricamente cirúrgica. Toda a atmosfera da faixa está de certa forma nos riffs de guitarra e baixo deliciosamente selvagens casados com um Eckerström mais melódico e back vocals fantasmagóricos.
Seguindo ela nós temos o segundo single de rádio para o álbum, "Bloody Angel". Esta canção é sem dúvidas uma das mais memoráveis do álbum. Ela é apresentada por uma linda linha de melodias de guitarra e então se dissolve por uma fração de segundo antes do baixo e da bateria se juntarem a ela e pulsarem completamente em seus ouvidos (como todo metal de verdade deveria fazer). Quando se escuta em específico death metal melódico, é importante ter em mente que o conteúdo lírico será um pouco diferente. Ele vai ser pervertido, belamente sedutor e macabro ao mesmo tempo. Essa faixa é hipnótica em virtude da imensamente diversa manipulação dos vocais durante todo o tempo, em conjunto com a música acompanhando a jornada de maneira perfeita. Nesta canção, Eckerström tem um berro indefectível que é de arrepiar os cabelos e é bem viciante. Neste ponto do álbum não é segredo algum que o seu produtor (Tobias Lindell) fez um trabalho impecável nessa fantástica obra.
A faixa seguinte é chamada "Murderer". Ela esboça um retrato perturbador que o ouvinte nada pode fazer além de simplesmente cantar junto. Esteja preparado para o quê esperar dessa música pela intensidade construída e para onde ela o leva; é "fácil fácil" uma canção "replay". O álbum então traz para você "Tsar Bomba" e "Puppet Show" antes de liberar uma sequência de riffs e batidas que irão fazer você querer achar um mosh pit em algum lugar (mesmo que você nunca tenha participado de um); é bom assim. Então, lá estava o Nirvana. Esta indubitavelmente talentosa banda de metal sueco trouxe à vida a canção sagrada do Nirvana "Something In the Way". Essa faixa irá lhe abalar se você não estiver esperando por isso. A música da canção mantém a sua originalidade enquanto fala de uma presença "muito sombria". Os vocais da faixa são quase hipnotizantes enquanto o ouvinte ainda está em choque com a corajosa tentativa de uma banda de metal sueco escolher tal tipo de canção. O resultado final é um remake completamente aceitável - visto que é uma gravação difícil de "sacar". O álbum fecha com a faixa "Tower". É uma lenta mas bem colocada canção sem gritos, e que é um ótimo meio de acalmar o ouvinte e terminar o álbum.
Por último: Avatar consegue ser sem dificuldades uma das mais talentosas bandas de metal que existem no momento. Muitos fãs querem imediatamente vê-los de novo já após saírem do show. Absolutamente sombria, pervertida e loucamente contagiante, esta banda deveria estar liderando o quanto antes as suas turnês. Trazer o death metal melódico aos USA irá esperançosamente inspirar outras bandas de metal a pensar "fora da caixa" um pouco mais. Esta banda, partindo de sua performance para as letras e a música, é o que os fãs anseiam. CrypticRock dá a "Hail The Apocalypse" 5 de 5 estrelas.
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