Triptykon: O auge criativo de Tom G. Warrior
Resenha - Melana Chasmata - Triptykon
Por Junior Frascá
Postado em 08 de maio de 2014
Nota: 10 ![]()
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Thomas Gabriel Fisher, mais conhecido no mundo da música pesada como Tom G. Warrior, sempre foi um músico desbravador e fiel a suas raízes musicais. Criticado por alguns (por acharem sua música muito crua, suja, e ultrajante), mas amado por muitos, Tom sempre foi sincero a expressar sua musicalidade, sempre voltada ao lado mais obscuro da arte, seja nos primórdios, com o HELLHAMMER, ou após conseguir um reconhecimento ainda maior, já com o CELTIC FROST. E a coisa não é diferente com sua nova banda, o TRIPTYKON, que finalmente, após um hiato de 04 anos, retorna com esse seu segundo álbum.
Soando como uma continuação natural de "Eparistera Daimones" (2010), " Melana Chasmata" mostra Tom em sua melhor forma, tanto como compositor, como instrumentista e como vocalista. E se há uma diferença substancial entre os dois trabalhos da banda até aqui, é que o novo material soa ainda mais sólido, mórbido e cativante que o anterior, ou seja, consegue superá-lo, sendo ainda mais marcante, embora consubstanciado em climas melancólicos, trazendo sensações das mais variadas aos ouvintes durante todo seu interregno, com uma aura introspectiva difícil de ser explicada com simples palavras.
Em termos de estilo, o álbum, como seu antecessor, segue uma linha entre o death e o doom metal, trazendo ainda elementos de black metal, mas sem se prender exclusivamente a apenas uma dassas vertentes, soando orgânico e forte em cada uma das 09 faixas nele contidas.
Todavia, há momentos mais diretos e brutais, como em "Breathing", a mais veloz do álbum, com andamentos que rementem ao death metal mais tradicional, embora tenha passagens mais arrastadas no seu decorrer.
Mas, sem dúvida, é nos momentos mais cadenciados que Mr. Warrior mostra realmente seu verdadeiro talento, com temas sofridos, e cheios de riffs que grudam imediatamente na cabeça do ouvinte, como nas excepcionais "Boleskine House", "Aurorae", "Demon Pact", "In The Sleep Of Death" (uma das dramáticas e dolorosas já compostas) e "Black Snow". O uso de vocais femininos também está presente em alguns momentos do trabalho, como na sua faixa de encerramento, a apocalíptica "Waiting".
Vale destacar ainda "Tree Of Suffocation Souls", que abre o disco, e pode ser considerada sua melhor faixa, trazendo latentes todos os elementos característicos do som do TRIPTYKON.
Outro ponto que merece menção é a produção do álbum, que ficou a cargo do próprio Tom, e do guitarrista V. Santura, que deixaram tudo cru e sujo, mas audível e soando atual, com destaque especial para os timbres matadores das guitarras.
Por óbvio, este trabalho não tem a importância histórica dos primeiros registros do HELLHAMMER ou mesmo dos clássicos do CELTIC FROST, que estão fincados na história do metal, influenciado uma geração de bandas, e sendo reverenciados até hoje pelos fãs, mas sem dúvida "Melana Chasmata" é o disco mais maduro, evoluído, marcante e perturbador já composto por Tom e, por isso, ouso dizer ser sua grande obra prima até o momento, embora não seja um trabalho de audição fácil, que deve ser apreciado sem correria, para que possa ser digerido em toda sua essência.
Se você acha que é impossível encontrar beleza na escuridão, meu amigo, eis aqui a prova viva do qual errado você está! Desde já um dos grandes destaques de 2014, e forte candidato a disco do ano.
Melana Chasmata - Triptykon
(2014 – Century Media - Importado)
Tracklist:
1. Tree Of Suffocating Souls
2. Boleskine House
3. Altar Of Deceit
4. Breathing
5. Aurorae
6. Demon Pact
7. In The Sleep Of Death
8. Black Snow
9. Waiting
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