Scorpions: O fantástico e penúltimo álbum da "era Ulrich Roth"
Resenha - Virgin Killer - Scorpions
Por Ronaldo Celoto
Postado em 06 de dezembro de 2013
Nota: 10 ![]()
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E do caos fez-se o cosmo, já diziam as sábias palavras de CARL GUSTAV JUNG. Mas qual seria a realidade deste cosmo nascido do próprio emaranhado confuso de estrelas, ruídos, luzes e trevas? Uma obra de arte, talvez fosse a resposta, se pensássemos em traduzir como cósmica a presença dos SCORPIONS em plenos anos setenta, quando a parafernália progressiva buscava respostas para compreender o bem e o mal, Deus e o diabo, vida e morte, espiritualidade e pós-vida. Mas estes alemães, ao contrário, traziam a partir de uma simples guitarra o caos em forma de canções épicas, solos inigualáveis e muita, muita arte transformada em música. Nascia aí ¨Virgin Killer¨, o fantástico e penúltimo álbum (à exceção do registro ao vivo) da era capitaneada por ULRICH ROTH.
Prefiro pensar que, diferente do que disse o psicanalista e também filósofo JUNG no primeiro parágrafo, a palavra caos deveria ser o nome de qualquer ordem rítmica capaz de produzir confusão nas nossas mentes e corações. Pois, é exatamente este caos maravilhoso que sinto ao ouvir as faixas deste disco. Caos, porque é uma sensação de explosão cósmica e de libertação, de admiração pela qualidade da banda, e, pela sonoridade que eles puderam registrar.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
E, a começar pelo detalhe da capa, que trazia uma menina (sim, uma menina mesmo) nua, sentada por detrás de um vidro, que estilhaçava justamente para impedir que fossem mostradas suas partes mais íntimas, pois a ideia da gravadora, em se tratando de sexualidade (e na Europa, a sexualidade sempre foi muito bem ensinada já desde cedo para as crianças) era trazer uma imagem que chocasse o público, mas que, segundo a própria banda, escondia por detrás a mensagem de que o tempo (sim, o tempo existencial) é o grande assassino, o grande serial killer da beleza e da pureza de todos nós, pureza esta representada pela imagem de uma menina nua.
É claro que esta imagem foi considerada ofensiva, e, a capa foi alterada para outros formatos, entre os quais, os dois que estão ao lado.
O petardo (que não é superior a ¨In Trance¨ ou ¨Fly to the Rainbow¨ a meu ver, mas também é ótimo, pois falar do SCORPIONS nesta fase é no mínimo, falar sempre maravilhosamente bem) abre com a direta ¨Pictured Life¨, cujo riff é um solo. Sim, é um solo, similar àquelas maravilhas que, por exemplo, SLASH também faria, mais de uma década depois, com ¨Sweet Child O´Mine¨, transformando um solo de guitarra em base para a canção. A exemplo do impacto de ¨Speedy´s Comming¨, do estratosférico ¨Fly To The Rainbow¨, a música ¨Pictured Life¨ também consegue reproduzir este clima energético em meio a uma letra onde um homem, em sua introspecção e meditação sombria, atravessa as paredes, metaforizando o muro que impede sua vida de seguir em frente, e, encara de frente os retratos de sua vida anterior.
Não é preciso dizer que ROTH, MEINE e SCHENKER mergulhavam, a partir do disco ¨In Trance¨, numa sonoridade mais direta, mas mantiveram em essência letras que continuavam a insinuar a eterna busca pela identidade, pelo ¨eu¨ interior, influência esta direta da filosofia oriental. Vamos conferir um pouco de PICTURED LIFE, abaixo?
Em seguida, a eletrizante ¨Catch Your Train¨ traz um solo dificílimo de ser reproduzido (que o digam os guitarristas famosos que já comentaram esta canção aparentemente simples) e uma visceral base rítmica, com os backing vocais característicos de KLAUS se encaixando na música.
Como de costume, uma balada surge para acalmar o espírito dos ouvintes. Trata-se da absolutamente linda ¨In Your Park¨, uma maravilhosa composição de MEINE/SCHENKER, que merecia uma roupagem nova em algum destes trabalhos acústicos, pois é uma canção um tanto desconhecida em relação a outras belas e românticas que eles criaram, e, justamente, é uma canção cuja letra traz a ressonância de um homem solitário, vagueado pela lembrança de um grande amor, a dizer: ¨I look around and see/The sunshine in the morning/Shadows in the night like angels by your side in the alley/On my journey I change the time/Leave everything behind me¨, até confessar, apaixonadamente: ¨I want to walk in your park/Cause I´m alone¨. E assim, melodia e um belíssimo solo se fundem e desaparecem ao vento. Vejamos esta bela canção.
¨Backstage Queen¨ é daquelas músicas que não precisariam existir, diante da magnífica carreira da banda. Mas de certa forma, ela inaugura um capítulo que a banda seguiria em muitas canções: o humor por detrás dos bastidores, as groupies, o sexo como libido, o adultério, enfim, temáticas que seriam repetidas em ¨He´s a Woman, She´s a Man¨, ¨Lovedrive¨, ¨Loving You Sunday Morning¨, ¨I´m Leaving You¨, ¨Tease Me, Please Me¨, só para citar algumas. Pessoalmente, vejo-a como a mais fraca do disco.
Chegamos então, à faixa título, a furiosa ¨Virgin Killer¨ e seus vocais divididos, com um riff espetacular de ROTH, que também compôs a letra sobre, como diz o título, a ação do tempo sobre o ser humano, como se fosse um verdadeiro psicopata, a destruir a pureza das pessoas. Belíssimo trabalho de guitarra, solo arrasa-quarteirão, ruídos de alavanca poderosíssimos, transformam a canção num petardo.
E a saga continua, agora com ¨Hellcat¨, também de autoria de ROTH, uma canção de guitarras poderosíssimas e extremamente criativas, repletas de suingue, com uma letra fraca em se tratando da vertente lírica do guitarrista, e, a narrar uma mulher fatal, uma fêmea do inferno, para delírio e sedução dos homens. O destaque? Sim, não é preciso dizer que fica por conta dos arranjos e dos solos, apenas, além da boa bateria de RUDY LENNERS e o baixo de FRANCIS BUCHHOLZ. Não é um momento para ser registrado no livro das grandes canções do SCORPIONS. Talvez, nem das médias, assim como a já mencionada ¨Backstage Queen¨.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A seguir, mais uma maravilhosa canção: ¨Crying Days¨, seguindo a tradição das grandes canções lentas compostas por MEINE/SCHENKER, com melodia bem encaixada, letra que convida o ser humano a usar mais as suas memórias e transformar sua vida a partir do que ele possui dentro de si, evitando com isso, que existam mais e mais proliferações de ódio no mundo todo. Ao final, a bela e romântica passagem, em que as vozes de MEINE e de RUDOLPH, juntas, dizem ¨maybe you and me¨, como último apelo à pessoa que respectivamente amam, para seguir com eles em busca de paz de espírito e de harmonia, longe das entranhas selvagens da sociedade.
¨Polar Nights¨ redescobre novamente o inquieto ROTH, que neste disco, parece cansado um pouco dos limites acerca do tempo das canções, e, tenta, a todo custo, transformar quatro ou cinco minutos de música em uma epopéia sonora. Para piorar as coisas, a canção, que continha originalmente quase dez minutos, foi cortada pela metade. Mas ao contrário do que se esperava, o resultado nela soou brilhante, pois o trabalho de guitarra e voz do músico engolem toda e qualquer sonoridade de acompanhamento feita pela banda. É a canção mais lisérgica do disco, com variáveis rítmicas que remontam ao grande JIMMY HENDRIX, e, solos inacreditáveis. É o melhor trabalho de ROTH no disco, incrível mesmo. Ouçamos um pouco desta canção, a seguir.
O desfecho ficaria por conta de ¨Yellow Heaven¨, uma espécie de poema que mescla EDGAR ALLAN POE ao budismo em sua essência, transmutando-se em uma canção inteiramente composta por ROTH, mas cantada e executada brilhantemente por KLAUS MEINE. É tão suave e ao mesmo tempo, tão divina em suas subidas de escala e em seu refrão, que chega a beirar o céu e convidar os anjos para descerem à Terra e tocar um pouco da ¨Fender¨ que ROTH conduzira como ninguém.
Belíssimo final, mesmo, em especial, porque também contém nas palavras uma questão lançada que reproduz exatamente o que se sente ao ouvir a faixa: ¨Where do you go, fantastic dreambird?/Take me away to somewhere/Take me away from here¨...
... E assim, o ¨Quarto Reich¨, se me permitem chamar estes alemães, caminharia para o desfecho mágico, que viria com o disco posterior, chamado de ¨Taken By Force¨. Mas este é um trabalho a ser discutido, quem sabe, numa próxima resenha. De resto, fica a certeza de que, assim como no início do texto, o caos emergia para anunciar o cosmo, após ¨Virgin Killer¨ e seu aparente caos muito bem instrumentalizado (daí não ser o melhor dos trabalhos da banda na década de setenta, apesar de ser fantástico), o caos tornou-se bendito.
E, como um dia bem disse o pensador ENRIQUE TIERNO GALVÁN: ¨Bendito seja o caos, porque é sintoma de liberdade¨...
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