Redemption: Com pegada insana, mas sem nunca perder a melodia
Resenha - Redemption: Snowfall on Judgement Day
Por MATHEUS BERNARDES FERREIRA
Postado em 02 de novembro de 2013
Quarto álbum de estúdio da banda de metal progressivo estadunidense Redemption. O tecladista Greg Hoshariah torna-se integrante permanente, certamente tendo em vista a turnê de divulgação deste álbum, já que Van Dyk é o responsável tanto pelos teclados quanto pela guitarra principal e precisava de um tecladista de suporte para desafogá-lo. O prestígio que a banda conseguiu com os últimos lançamentos possibilitou-os dividir o palco com o Dream Theater nesta nova turnê. O resultado desta experiência na estrada foi gravado em CD e DVD com o nome Frozen in the Moment – Live in Alanta, contendo um show ao vivo e muito material de bastidores. Vamos ver se tanto alarde é justificável.
Após alguns segundos de espera, Peel abre detonando um riff rápido e poderoso, pedais duplos triggados e um teclado ambiente de fundo gerando uma atmosfera épica. Esses caras engrossaram o caldo, definivamente. Com 1:20 já surge o primeiro solo de teclado de Van Dyk, primeiro de muitos neste álbum. Em seguida os vocais entram e a pegada continua a mesma, e não muda durante a música toda. O refrão é o único momento em que temos uma alternância na sonoridade, mas não por falta de pegada, mas pela adição de suaves melodias de vocal que mesclaram perfeitamente à química explosiva. Abertura estrondosa!
Como se redimindo pelo desaparecimento do contrabaixo na primeira música, em Walls o instrumento ganha destaque desde a introdução. A música é mais cadenciada com riffs pesados e bons vocais, que às vezes soam um pouco nasalados demais. A ponte para o refrão é excelente e o refrão melódico é intenso. Música acessível e de bom gosto.
Leviathan Rising é uma faixa agressiva, dominada pelo impetuoso riff de guitarra e pedais duplos. A composição me lembra muito a primeira faixa, Peel, com ótima performance de Ray Alder cantando os versos agressivos, as pontes melódicas e o refrão. Energia pura.
Na mais espetacular faixa do disco, Black And White World começa com uma magnífica introdução em piano e contrabaixo, abrindo para uma série de riffs e versos da mais pura e intensa energia. A música gera emoções de um hibridismo alucinante, do começo ao fim, alternando excelentes melodias que dançam ao ritmo errático da bateria. A última progressão mostra Ray Alder em seu melhor desempenho à frente da banda. A composição geral é genial.
Um bom riff repetido a exaustão não deixa de ser um bom riff. O problema é quando as melodias também são repetitivas e dão uma sensação de sufoco grudento, pegajoso. Em Unformed os efeitos de teclado estão fora do tom pela primeira vez no álbum, principalmente no refrão, que chega a ser irritante. Porque colocar aquele azucrinante tilintar no verso após o primeiro refrão, ou o porquê daquele bisonho efeito de teclado no verso imediatamente em seguida, são questões a ser respondidas. Mas que riff empolgante essa música tem! A passagem instrumental é das melhores do álbum. A sensação que fica é de Unformed ser uma excelente idéia que poderia ter sido mais bem desenvolvida.
Em Keep Breathing o ritmo esfria com uma longa introdução em contrabaixo e versos cantados suavemente. A sensação é de que a qualquer momento a música explodiria, mas não é exatamente isso o que acontece. As guitarras e a batida entram lentamente e só vão pegar mesmo quase na metade da música. E como vale a pena esperar! Ótimo trabalho das duas guitarras. Belíssimo refrão, daqueles melódico e grudento. A sequência instrumental é simplesmente de tirar o fôlego, que solo de guitarra espetacular! Outra belíssima composição.
Another Day Dies começa com um riff matador e a voz do Sr. James Labrie surge para tudo soar como o Dream Theater seria se tivesse pegada mais enérgica. O dueto com Ray Alder ficou excelente, mas é nítido que a voz de Labrie se sobressai principalmente quando canta em tons altos nos refrões, provando porque é um dos melhores vocalistas do gênero. Power-prog metal a 200 km/h.
Piano e voz iniciam What Will You Say, que tem uma melodia chorosa e suplicante que se arrasta por toda música. As guitarras e o suave teclado de fundo logo dão as caras para caracterizar uma balada com pegada que em nenhum momento deixa de soar mela-cueca. A passagem instrumental acelera, mas apresenta solos genéricos e sem inspiração. No fim a repetição exaustiva do refrão como é típico nesse tipo de música. Ponto mais baixo do álbum.
Fistful of Sand é petardo! A bateria soa como uma metralhadora e as guitarras estão com a distorção mais pesada do álbum. Teclados apenas como camada de fundo e adicionando alguns efeitos esquisitos que estão devidamente soterrados pela avalanche rítmica. De modo geral, os vocais estão um pouco deslocados, talvez pela falta de agressividade, o que não parece ser o forte de Ray Alder. Já nos refrãos melódicos, sua voz se encaixa bem melhor. Épica progressão instrumental. Enfim, mais um trambolho a 200km/h, este um tanto desgovernado e sem freios.
Love Kill us All / Life in one Day é a mais longa música do álbum e se divide em duas partes. A primeira abre sonolenta com voz em triste melodia e vários efeitos de teclado, contrabaixo e percussão. Ela lembra muito a faixa Keep Breathing, que também sofre por se arrastar por tempo demais. A música só vai pegar aos 3 minutos e meio com a entrada das guitarras. Segue então uma ótima passagem instrumental com batida toda quebrada e riffs atraentes. Pois que tudo subitamente se acalma e Life in one Day inicia. O efeito de teclado à 4:30 é o início de uma progressão absolutamente empolgante. O delicado piano entra, então as guitarras zunem, e por fim o teclado ambiente se junta para uma entusiasmante dança harmônica. O riff é o melhor do álbum, que, repetido à exaustão, se faz hipnótico e viciante. A voz de Alder se mescla à harmonia de modo impecável. O refrão é de uma positividade quase alérgica. O verso que Alder canta logo após a passagem instrumental é prova que ele possui uma das vozes mais bonitas do gênero.
Snowfall on Judgement Day segue exatamente a mesma fórmula do último álbum da banda, The Origins of Ruin, com pegada enérgica, muitos efeitos de teclado, riffs matadores e a voz de Ray Alder como porto seguro. De modo geral, o som da banda está mais pesado e coeso. As distorções das guitarras e o pedal duplo dominaram totalmente a pegada do álbum. Ótimo trabalho nos teclados, pois são raros os momentos em que um efeito ou melodia fogem do tom da música. Sean Andrews ganhou mais terreno para mostrar sua competência no contrabaixo, fazendo a introdução de várias músicas. Ray Alder nunca desafina, fato concreto.
Snowfall é o aperfeiçoamento e consolidação do modo Redemption de se tocar prog metal: técnico, com pegada insana, mas sem nunca perder a melodia. Recomendado para qualquer fã de metal.
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Redemption
Snowfall on Judgement Day, 2009
Prog Metal (EUA)
Lista de músicas:
Peel (6:31)
Walls (6:57)
Leviathan Rising (6:42)
Black and White World (8:03)
Unformed (6:30)
Keep Breathing (7:37)
Another Day Dies (5:15)
What Will You Say (5:20)
Fistful of Sand (6:35)
Love Kills Us All / Life in One Day (11:00)
Tempo total: 70:26
Músicos:
Ray Alder / vocal
Nick van Dyk / guitarras, teclados
Bernie Versailles / guitarras
Sean Andrews / contrabaixo
Chris Quirarte /bateria
Greg Hoshariah / teclado
Músico convidado:
James LaBrie / vocal ( faixa 7)
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