Stone Temple Pilots: Se reinventando sem perder a essência em EP

Resenha - High Rise - Stone Temple Pilots with Chester Bennington

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Por Igor Miranda, Fonte: Revista Cifras
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Existem várias formas de encarar uma mudança drástica na formação de uma banda. O grupo pode:

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1°) mudar o que estava praticando anteriormente para adaptar à atual conjuntura;
2°) mudar o que estava praticando anteriormente simplesmente para dizer que mudou, sem fundamento preciso;
3°) continuar praticando o mais do mesmo, por julgar que a mudança não afeta o trabalho artístico;
4°) continuar praticando o mais do mesmo, por puro comodismo.

Sabiamente, o Stone Temple Pilots optou pela primeira opção com a entrada do vocalista Chester Bennington (Linkin Park). A banda teve tato o bastante para notar que o perfil de voz de Bennington é bem diferente daquele que esteve à frente desde o início: o problemático, porém competente Scott Weiland.

"High Rise" é o primeiro lançamento do Stone Temple Pilots com Chester Bennington e essas mudanças são representadas ao longo das músicas. Em apenas cinco faixas, o grupo conseguiu resumir o que deve apresentar daqui em diante: um pouco de influência, sim, daquele trabalho que consagrou a banda no passado. Mas uma pegada satisfatória para encaixar Bennington, com flertes ao hard rock e classic rock.

A abertura com "Out Of Time" é matadora. Parece muito com o que a banda já fazia com Scott Weiland nos vocais, mas agora com um cantor que grita de forma mais poderosa. É como STP, mas com alguns tons acima. "Black Heart", por sua vez, já traz uma nova faceta: a pegada é um pouco mais orientada para o hard rock. Sem farofices, evidentemente. A tonalidade é um pouco mais ainda aguda, e elementos instrumentais típicos de classic rock são notáveis, seja pela guitarra marcante, pelo baixo pra lá de básico ou pela bateria direta. Excelente, grata surpresa.

"Same On The Inside" se aproxima muito do som que era praticado com Scott Weiland. Rock n roll com uma pegada grunge, orientação que transita entre o pop e o depressivo. A banda soa criativa e Bennington, altamente adaptado. Nenhum músico quer sobrepor o outro durante a faixa, mas todos conseguem se destacar de forma justa. Incrível.

"Cry Cry" é como o jeans: básica, mas indispensável. A faixa não tenta reinventar a roda. Soa até mesmo contemporânea, bebendo um pouco das bandas de garage rock que apareceram nos últimos tempos. Boa apresentação da guitarra, diga-se de passagem. "Tomorrow" fecha com um bom trabalho casado (ou não tão casado assim) entre guitarra e baixo. A canção é mais cadenciada, um pouco mais viajada, também se assemelhando ao som praticado pelo STP anteriormente.

O saldo de "High Rise" é muito positivo, sob meu ponto de vista. O Stone Temple Pilots se reinventou e se adaptou a Chester Bennington, mas sem perder a sua essência. Puristas provavelmente não reconhecerão os méritos, mas trata-se de um grande EP. Que venha o álbum completo e vida longa ao novo STP!

Chester Bennington (vocal)
Dean DeLeo (guitarra)
Robert DeLeo (baixo)
Eric Kretz (bateria)

1. Out of Time
2. Black Heart
3. Same on the Inside
4. Cry, Cry
5. Tomorrow




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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013.

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