Battle Beast: Sopro de originalidade no metal finlandês

Resenha - Steel - Battle Beast

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Paulo Ferreira
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Uma das bandas revelação da Europa nos últimos dois anos passou desapercebida por terras brasileiras, pelo menos até agora. Os finlandeses do BATTLE BEAST passaram de novidade para uma banda sólida em um período de tempo relativamente curto.
5000 acessosBlack Sabbath: em 1981, revista massacrava álbum Mob Rules5000 acessosGuns N' Roses: álcool, drogas e intrigas nos primórdios da banda

Fundada oficialmente em 2008 (apesar de estarem juntos desde 2005) o BATTLE BEAST, capitaneado pelo guitarrista Anton Kabanen, chamou a atenção logo nos primeiros singles. Grande parte devido aos vocais poderosos da vocalista Nitte Valo, que em muitos momentos lembra um Ronnie Dio de saias (guardadas as devidas proporções em respeito ao querido baixinho).

Mas não é só da frontman que a banda vive, mesmo porque ela não chama a atenção por seus atributos físicos como a maioria das vocalistas, que tentam a todo custo desprender suas habilidades musicais com sua aparência (não é um ataque machista, nem feminista, apenas uma constatação, poucas vocalistas no metal não tem sua imagem ligada ao prenome “musa”). A banda é talentosa, coesa e criativa. Mesmo executando um power metal vigoroso, com direito aos clichês do estilo (teclados, partes orquestradas e sinfônicas, refrões grudentos) soa atual e original.

As letras passeiam por temas variados, desde os já manjados temas metálicos e odes ao estilo, passando por mitologia nórdica, as mazelas da humanidade, demônios internos e por aí vai. Dessa forma, evitam alguns rótulos que podem ser tornar incômodos ao longo do tempo e prendendo a banda à estereótipos.

A banda foi destaque no Wacken Metal Battle de 2008 e outros festivais pela Europa, o que rendeu um acordo de gravação do primeiro álbum, Steel, pelo selo da Nuclear Blast.

O disco teve ótima repercussão, emplacando diversos singles. Mas como nem tudo são flores, logo após a turnê de lançamento do álbum (o que inclui uma sequência de shows com o Nightwish) a vocalista Nitte Valo decide deixar a banda. Muitos duvidaram se o BATTLE BEAST conseguiria se manter sem ela.

A resposta veio em rapidamente, quando incorporaram ao line-up a vocalista Noora Luohimo. Dona de uma voz igualmente poderosa, substituiu à altura Valo, sem parecer cópia nem descaracterizar o som da banda. Uma série de shows no final de 2012 e um novo álbum, homônimo, em meados de 2013 provaram que o BATTLE BEAST não só sobreviveu ao baque como segue forte para se tornar um dos expoentes do gênero.

De qualquer forma é um sopro de originalidade numa cena um tanto pasteurizada. Aos que reclamam que nada novo é bom ou original o suficiente, o BATTLE BEAST vem como um exemplo de que basta ter ouvidos mais atentos e abertos ao novo, que ele aparece. E agrada.

Ainda com a vocalista Nitte Valo a banda mostra bem o porquê da atenção que lhe foi dada quando surgiram. O álbum Steel é uma coleção de hits, com músicas variadas, desde petardos velozes calcados no metal oitentista até músicas de levada mais lenta mas igualmente pesadas.

O disco abre com o principal single, que rendeu também um video, Enter the Metal World. Heavy Metal clássico com refrão que gruda na cabeça. É a música mais comercial do disco, o que não é um demérito. Destaque para o trabalho do baixista Eero Sipillä, com linhas interessantes à lá Maiden, discreto mas preciso. Além do já mencionado alcance vocal de Nitte Valo.

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Segue com Armageddon Clan, mantendo o peso, uma levada um pouco mais rápida, mas com um refrão não tão chiclete.

A terceira faixa é uma cartilha power metal completa. Band of the Hawk, cuja letra é baseada no anime Ragnarok, é grandiosa do início ao fim. Sinfônica, cadenciada, ótima para embalar platéias em festivais. Um dos pontos altos do disco.

Após todo o clima épico vem um petardo direto e pesado: Justice and Metal. Com guitarras e teclados na medida certa, além de solos também muito bem colocados a música não deixa a peteca cair nem um minuto. É velocidade máxima durante todos os 2:30 da música. E mais um refrão pra grudar no cérebro.

A velocidade diminui mas o peso continua em Steel, faixa título do álbum. Bem pesada lembra muito Accept, Metal Church entre outros bastiões do metal 80’s. Os 4:30 parecem um pouco longos tornando a audição dessa música um pouco maçante. Aliás o disco como um todo é longo e com músicas muito parecidas entre si, tornando a experiência cansativa.

A faixa seguinte, Die-hard Warrior, é novamente um power metal com direito aos teclados de Janne Björkroth esbanjando sintetizadores ao longo de toda a música. Talvez um pouco demais para o meu gosto pessoal, mas que não foge da temática da banda e já que temos um tecladista, que ele tenha seu espaço também, oras!

Cyberspace vem na sequência e mantém a pegada Heavy/Power de todo o disco. Não desagrada em absoluto mas também seria facilmente um lado B na época do bolachão de vinil. Solos mais longos preenchem a música para que Anton e Juuso mostrem toda a virtuose a que tem direito.

Show me How to Die é talvez uma das faixas mais dispensáveis do disco. Poderia ficar guardada para próximos lançamentos quando precisassem de material pra compor tempo de disco. Boa sem dúvida, mas desnecessária num set que até aqui já cumpria com louvor seu papel de apresentar a banda.

Após a desinteressante faixa anterior o disco volta a empolgar com a boa balada Savage and Saint. Bela composição que mostra bem o potencial de Nitte, tanto nas partes mais lentas quanto nos momentos mais grandiosos.

O disco segue e chega num belo exemplo de música que funciona bem melhor ao vivo do que em estúdio. Iron Hand é uma música que em sua versão ao vivo, disponível em um vídeo oficial da Nuclear Blast se mostra bem mais poderosa do que a que está no disco. Refrão pegajoso e cadencia que convida à um bom head banging. Para levantar multidões nos shows. Nitte mais uma vez mostra a versatilidade de sua voz, com direito à uma breve passagem lírica no meio da música. Confiram a versão ao vivo, vale a pena.

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

O disco vai chegando ao fim. Victory retoma o ritmo mais acelerado do início, onde Anton faz os vocais do início. Nitte entra mais adiante e mantém a pegada. Mais solos virtuosos em uma música que, se não se destaca tanto quanto Iron Hand ou Enter the Metal World, mantém o espírito da coisa toda.

Chegamos ao fim com Stay Black, com vocais que remetem ao velho W.A.S.P. Riffs pesados em uma música que fecha com dignidade um álbum de estréia de respeito para o BATTLE BEAST. Um pouco longo em minha humilde opinião. Duas ou três músicas poderiam ser retiradas que em nada afetaria o conjunto como um todo, mas compreensível para uma banda que tenta mostrar serviço em um ambiente saturado de bandas parecidas entre si.

Steel - Battle Beast (2012)

1 - Enter The Metal World
2 - Armageddon Clan
3 - The Band Of The Hawk
4 - Justice And Metal
5 - Steel
6 - Die-Hard Warrior
7 - Cyberspace
8 - Show Me How To Die
9 - Savage And Saint
10 - Iron Hand
11 - Victory
12 - Stay Black

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Battle Beast"

Black SabbathBlack Sabbath
Em 1981, revista massacrava álbum Mob Rules

Guns N RosesGuns N' Roses
Personalidades fortes e drogas nos primórdios da banda

ScorpionsScorpions
Baterista afirma ter saído por odiar as músicas

5000 acessosFrontman: quando o original não é a melhor opção5000 acessosSlipknot: demônio avistado em fogo durante show?5000 acessosIron Maiden em SP: "épico", diz a banda, em nota curta2334 acessosGuns N' Roses: Versão de "Paradise City" pelos caipiras finlandeses4314 acessosMustaine: A perfeição de seus cabelos em divulgação de salão de beleza5000 acessosMetallica: Rock In Rio explica pane que ocorreu durante o show

Sobre Paulo Ferreira

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online