Colosseum: Um dos melhores discos ao vivo da história do Rock
Resenha - Colosseum Live! - Colosseum
Por Elias Rodigues Emídio
Postado em 11 de setembro de 2013
Colosseum é hoje um nome desconhecido da maioria dos ouvintes de rock em geral, mas a banda é sem dúvidas um dos maiores combos do rock na transição dos anos 60 para os anos 70. Faziam uma mistura inebriante de influências progressivas, blues e jazz que certamente fez escola. Em sua curta encarnação original a banda teve diversos membros que se destacaram em outros grupos na época.
A história do grupo tem origem com a lenda do blues britânico (organista e vocalista) John Mayall, que a partir de 1967 nas últimas encarnações de sua banda de apoio original The Bluesbreakers começa a incorporar elementos de jazz ao som blues de raiz que estava na gênese do grupo. Em 1968, na formação do The Bluesbreakers para a gravação do LP "Bare Wires" estavam o baterista Jon Hiseman, o Saxofonista/flautista Dick Heckstall-Smith e o baixista Tony Reeves que no mesmo ano decidem ampliar seu leque sonoro e montar um novo grupo. Com a adesão do tecladista Dave Greenslade (até então no Chris Farlowe's Thunderbirds) e do guitarrista/vocalista James Lirherland nascia a primeira encarnação do Colosseum.
Com essa formação seriam gravados dois excelentes discos em 1968 e 1969. O primeiro deles, o bom "Those Who Are About To Die Salute You", mostrava um grupo ainda bem calcado no blues. Já "Valentyne Suite" bem mais acabado que seu antecessor trazia uma maior diversidade sonora com as primeiras incursões sérias da banda no rock progressivo e no jazz rock, entre seus destaques estava a longa faixa título uma poderosa jam session com 16 minutos de duração que exibia todo o virtuosismo do músicos do grupo.
Em 1970 o Colosseum sofre sua primeira mudança na formação com a debanda de James Litherland para o Mogul Thrash e de Tony Reeves que se tornara músico de estúdio temporariamente. Para assumir seus lugares foram convidados o vocalista Chris Farlowe (que rompera com os Thunderbirds), o guitarrista Dave Clem Clempson (que vinham de um lendário power trio inglês o Bakerloo) e o baixista Mark Clark (que até então tocou com o St. James Infirmary).
Com a adesão dos novos membros estava fechada a formação considerada clássica do grupo, que em 1970 gravaria o melhor disco de estúdio do Colosseum o magnânimo "Daughter Of Time", que entre outros destaques trazia a famosa faixa título uma maravilhosa profusão de riffs de teclado, baixo e guitarras.
Vídeo de "Take Me Back To Doomsday":
Em 1971 na universidade de Manchester, mais precisamente no dia 18 março, seria gravado uma das apresentações da turnê de divulgação de "Daughter Of Time". O grupo como um todo havia sentido um ótimo clima durante a apresentação e em setembro 1971 finalmente era editado pela Warner Bros (USA)/Bronze Records (UK) "Colosseum Live!" um dos melhores registros ao vivo da história do rock que mostrava o grupo no auge dos poderes criativos.
O disco trazia duas composições próprias do grupo presente em álbuns anteriores "Skelington" e "I Can't Live Without You", ao lado das versões de "Rope Ladder To The Moon" (de Jack Bruce), "Walking In The Park" (de Graham Bond), "Tanglewood '63" (da lenda do jazz Mike Gibbs) e "Stormy Monday Blues" (do icônico bluesman T-Bone Walker). As musicas aqui em versões estendidas apresentavam um instrumental esplendoroso com direito a breaks violentos de teclados, lânguidos solos de guitarra e um marcante toque jazzístico conferido pelos instrumentos de sopros; a cozinha da banda também está numa performance incrível, especialmente Hiseman que garante a coesão da densa massa sonora perpetrada durante o play.
Vídeo de apresentação do grupo em Paris no ano de 1971 com o medley "Skelington/Tanglewood '63/Lost Angeles":
Ironicamente no ano de seu melhor lançamento até então, o grupo se separa devido a divergências musicais. Chris Farlowe passa a integrar o Atomic Rooster do tecladista Vicent Crane com quem grava o excelente "Made In England" em 1972; Clempson integra o Humble Pie ao lado de Steve Marriot que em 1972 lança seu mais poderoso trabalho "Smokin'". Dave Greenslade ao lado do baixista Tony Reeves monta o Greenslade um dos maiores combos do rock progressivo nos anos 70; Hiseman e o baixista Mark Clark formaram o Tempest (um dos maiores combos do hard rock setentista que contou com o mago das guitarras Alan Holdsworth); Dick Heckstall Smith seguiria uma prolífica carreira solo a partir daí.
Em 1975 Hiseman reuniria uma segunda encarnação da banda justamente batizada de Colosseum II que como destaque trazia presença do guitarrista Gary Moore que no ano anterior havia tocado com o Thin Lizzy. Esta segunda encarnação, com uma sonoridade totalmente jazz rock setentista (erroneamente denominada fusion) deixaria pelo um clássico absoluto para a história do rock "Strange New Flash" de 1976.
"Colosseum Live!" é um disco essencial para amantes do rock bem tocado produzido na década de 70.
FAIXAS
1. Rope ladder To The Moon
2. Walking In The Park
3. Skelington
4. Tanglewood '63
5. Encore... Stormy Monday Blues
6. I Can't Live Without You
7. Lost Angeles*
* Somente presentes em relançamentos do disco
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