Raimundos: disco pesado, mas sem as influências nordestinas

Resenha - Lapadas do Povo - Raimundos

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Por Luis Fernando Ribeiro
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Os RAIMUNDOS adentram o ano de 1997 com status de mega-banda, com direito à gravação do novo disco nos Estados Unidos. "Lapadas do Povo" mostra um RAIMUNDOS totalmente diferente do que se estava acostumado a ouvir. Como uma produção mais polida e a experiência adquirida no decorrer dos anos a banda vai a estúdio com uma proposta diferente e o resultado é um disco extremamente pesado, sem as influências nordestinas de outrora tanto na música quanto no vocal de Rodolfo.
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Novamente a produção fica a cargo de Mark Dearnley (AC/DC, Black Sabbath), que com toda sua experiência faz os RAIMUNDOS gravarem um disco de alto nível, mais Hardcore e flertando com o Heavy Metal em determinados momentos. A gravação é tão boa que é possível ouvir com facilidade todos os instrumentos.

O disco já abre com a pesadíssima "Andar na Pedra", com riffs que beiram o Thrash Metal. O vocal de Rodolfo já não carrega mais o sotaque nordestino e apresenta-se totalmente agressivo, da mesma forma que os Backing Vocals. Canisso e Fred formam uma verdadeira parede sonora para o som destruidor da música. Os riffs por volta de 2 minutos e 35 segundos de música impressionam pelo peso.

Sem perder o pique, "Velho, manco e gordo" não tira o pé do acelerador por nem um segundo sequer. É quase impossível compreender o que Rodolfo canta, tamanha a velocidade da faixa. De tão rápida ela acaba com pouco mais de 1 minuto e mostra-se o Hardcore mais vigoroso do disco.

"O toco" é a mais calma do disco, com um refrão melodioso e marcante, riffs bem colocados e uma ótima estrutura musical. A esta altura do disco já é possível notar a evolução musical da banda. Os palavrões e sacanagens ainda estão lá, mas a sonoridade não já é mais a mesma, não ficando devendo para nenhuma banda gringa do estilo.

"Poquito más" é uma das mais conhecidas do álbum com destaque novamente para a guitarra de Digão e todas as suas variações. Uma música com características bem diferentes de tudo que a banda já havia feito, inclusive contando com solo de metais ao final da música.

"Wipe Out" remete ao primeiro disco da banda, mas sem o mesmo brilho. Uma música que só desencanta do meio em diante, quando Digão novamente decide mostrar toda sua criatividade.

"CC de com força" é, musicalmente, praticamente uma continuação de "Véio, manco e gordo", tamanha a semelhança das duas. Hardcore na velocidade máxima sem firulas.

E os nomes estranhos não param por ai, "Crumis ódamis" continua a 220 Km/h e é ainda mais incompreensível que "Véio, manco e gordo", mas mais legal que a mesma. Fred comanda a porradaria mas novamente Digão se destaca por sua qualidade.

"Bonita" nos permite uma pausa para descanso, com uma letra de fato muito bonita e andamento semelhante ao de bandas de HC melódico americanas. Mas é só uma breve pausa para pegar um fôlego, por que "Ui, ui, ui" vem a toda velocidade novamente para destruir com seu pescoço. Com uma letra bastante engraçada, a destruição é tão avassaladora que não chega durar 1 minuto.

Na sequência a versão para "Oliver's Army" de Elvis Costello mostra que a banda ainda é capaz de gravar boas canções, numa linha muito semelhante dos seus maiores ídolos, os RAMONES. É possível também notar o quão bem estruturado está o álbum, conciliando momentos de pura violência com outros mais bem elaborados.

Rumando para o fim do disco temos aquela que pra mim é a melhor do disco. "Nariz de doze" começa com Canisso mostrando toda sua categoria, acompanhado logo em seguida pela massa sonora criada por Digão e Fred. A letra retrata de forma cômica um ataque marciano a terra, de forma nada científica, como é de se esperar. Ao final da música ainda somos brindados com um maravilhoso solo de Digão, mostrando que ele é realmente o nome deste disco.

"Pequena Raimunda (Ramona)", apesar da fama é na minha opinião a mais fraquinha do álbum por soar um pouco forçada, porém, não compromete a qualidade incontestável do restante do disco, sendo apenas uma música mediana.

Por fim, o disco acaba como começou, com a incrivelmente pesada (Talvez a mais pesada da carreira da banda) "Baile Funky". Com riffs que se encaixariam facilmente em bandas de Thrash Metal da Bay Area como EXODUS e TESTAMENT. A música deixa qualquer fã com uma incrível impressão terminando desta forma e com grandes expectativas para um próximo lançamento.

Antes de terminar ainda temos a instrumental "Bass Hell" que flerta com sons eletrônicos e hip hop, mas soa muito agradável.

Em suma, um disco excelente e na minha modesta opinião, o melhor de toda a carreira da banda e do rock nacional. Todos os elementos necessários para um álbum de Hardcore estão lá: Peso, velocidade e agressividade. Um disco pra ser escutado no volume máximo!

Lapadas do Povo – Raimundos (1997 – Warner Music)

Track List:
1 - Andar na Pedra
2 - Véio, Manco E Gordo
3 - O Toco
4 - Poquito Más (Healthy Food)
5 - Wipe Out
6 - CC De Com Força
7 - Crumis Ódamis
8 - Bonita
9 - Ui, Ui, Ui
10 - Oliver's Army
11 - Nariz De Doze
12 - Pequena Raimunda (Ramona)
13 - Baile Funky
14 - Bass Hell (Bônus Crap)

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Sobre Luis Fernando Ribeiro

Estudante de Programação de Computadores e Analista de sistemas. Fui apresentado ao Heavy Metal aos 14 anos, quando através do intermédio de um amigo, gravei algumas fitas do Metallica, Destruction e Blind Guardian.

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